9 de nov. de 2015

Tons da Galera: #HMBALMAINATION

Que ia ter histeria todo mundo sabia (quem não lembra daquele vídeo clássico numa liquidação de Alexander Wang em que de repente tudo ficou de graça?). A surpresa maior foi a globalização desta histeria verdadeiramente coletiva: Nova York, Dubai, Istambul, Paris — em quase todas as H&Ms do mundo o lançamento da coleção cápsula com a Balmain fez o aniversário recente de uma rede de supermercados carioca parecer brincadeira de criança.


Horas de desespero

Em Sidney, os consumistas esperaram horas debaixo de chuva. Paris vendeu tudo em menos de 3 horas. Em Londres, teve gente dormindo na porta da loja para um primeiro lugar na fila. A confusão foi tanta na hora de abertura de uma das filiais inglesas, que a polícia teve que fechar a loja. O site para compra virtual não aguentou a quantidade de acessos e saiu do ar, e filas dobraram quarteirões. Muitos fashionistas estavam ali para finalmente poderem ter uma pecinha da marca francesa. Porém, para muitos essa aventura já virou negócio: algumas horas depois um vestido que saía por 349 libras na loja estava no eBay sendo vendido por 6 mil libras com 19 lances já às quatro da tarde.

  
Como explicar? Olivier Rousteing, atual estilista da marca, é um gênio do marketing, e conseguiu, fazendo Kardashians e Gigis Hadids do Instagram usarem suas roupas e irem à suas festas, transformar a Balmain numa marca jovem e sonho de consumo. Muita gente torceu o nariz para tamanha modernização de uma marca antiga que vestia gente como Ava Gardner e Brigitte Bardot, mas a questão é que Olivier falou muito bem a língua que move essa indústria: a língua dinheiro, e ele não parece prestes a abandonar o barco – como fizeram Raf Simmons da Dior e Albert Elbaz, da Lanvin — tão cedo.


Balmain ontem e hoje.

5 de nov. de 2015

Galera entre letras: Sobre Calafrios e Gatos

Outro dia um leitor da coluna, Pedro, de 14 anos, que “devora os livros do Bernard Cornwell assim que eles saem”, me fez uma pergunta bem interessante, e eu resolvi respondê-la aqui no espaço.

O Pedro também gosta muito dos irmãos Grimm. Recentemente ele leu um conto chamado “O rapaz que não sentia calafrios” e ficou curioso com a quantidade de versões do título do conto — “O garoto destemido”, “O garoto corajoso”, “O rapaz que saiu de casa para saber o que era o medo”, “O garoto que não sabia o que era o medo”, e é provável que haja outras ainda.

Sempre que eu falo de traduções, eu chamo atenção para o fato de que a tradução é sempre UMA versão (entre muitas) de UM texto ORIGINAL. A tradução sempre é fruto do conhecimento do tradutor, além da época e do local onde ele vive. Por isso que a gente vê tantas traduções diferentes para um único texto original, o que não significa que uma seja melhor que a outra. Elas apenas são diferentes.

Mas voltando à pergunta do nosso amigo leitor, eu quis saber se a tradução que ele havia lido fora feita diretamente do alemão (a língua original dos contos dos irmãos Grimm) ou se tinha sido feita do inglês, ou seja, se era a tradução de uma tradução — ou tradução INDIRETA.

O Pedro ficou surpreso quando fiz a pergunta, porque ele achava que as traduções sempre eram do ORIGINAL. Aí eu expliquei que era comum que textos em idiomas considerados raros ou difíceis fossem traduzidos a partir de outro idioma. Isso costuma acontecer com línguas escandinavas, com o chinês etc., embora hoje a gente tenha ótimos tradutores nesses idiomas. Às vezes, acontece também de o próprio autor, seu agente ou editora sugerir a tradução INDIRETA.



No caso do conto dos Grimm, o texto tinha sido traduzido do inglês para o português, mas não fazia parte da versão mais famosa existente, as Household Stories, traduzidas por Lucy Crane e ilustradas por seu irmão, Walter Crane. [Aqui tem um link pra esta versão!]


Então eu resolvi procurar o texto ORIGINAL pra tirar a dúvida do Pedro em relação ao título da história. Mesmo que não haja versões certas ou erradas, talvez houvesse uma versão que se aproximava mais do sentido original do título da história.

Em alemão, o título diz o seguinte: “Märchen von Einem, der Auszog das Fürchten zu Lernen” ou (numa tradução literal): “Conto sobre Um Rapaz que Saiu de Casa para Aprender O Que Dá Medo”. Já deu pra perceber que “medo” aparece no título e que não tem muito a ver com coragem porque “corajoso” é quem sente medo e o supera. Na nossa história, o rapaz sequer conhece esse sentimento! E dá pra perceber também que, ao contrário da maioria dos títulos dos contos dos Grimm, esta história traz a palavra “conto” no próprio título, como se fosse um conto dentro de um conto!

Curiosamente, a palavra “medo” só vai aparecer mesmo no título. No restante do texto, a palavra usada é “Gruseln”, “aquilo que dá calafrios”.

Mas será que tudo que dá calafrios dá medo? Descobrir a resposta a essa pergunta é uma das graças da história!

E foi isso que eu expliquei ao Pedro, leitor curioso, e fã do Bernard Cornwell e dos irmãos Grimm.

[Infelizmente, eu não encontrei nenhuma edição em Domínio Público das obras dos irmãos Grimm em português, mas nas livrarias vocês encontram várias edições, inclusive das obras completas deles. Vale dar uma olhada neste conto pra entender o mistério dos calafrios!]

Mas… e os gatos do título do artigo?
Por ora, eu só posso dizer que o gato subiu no telhado… (risos)

Até a próxima e boas leituras!

30 de out. de 2015

Papos de sexta: O Sorriso que a Meg Trouxe


Eu me lembro de quando só eu sabia quem era ela. No grupo de amigas, ninguém havia lido nada dela ainda. Quis dividir o que tinha achado, por anos não consegui. Aí um belo dia, eu entrei no Fórum da Galera Record e descobri um mundo de gente que a amava tanto quanto eu. Isso foi em 2007, fiz muitas amizades, muitas das quais revelei aqui em outras colunas, assim como já falei do meu amor por essa autora. Mas o que senti necessidade de contar agora foi como, após tantos anos, ela ainda mexe comigo. Em 2009, quando vi Meg Cabot pela primeira vez, eu tinha outra vida. Quero dizer, nem conhecia meu noivo e muito menos trabalhava onde hoje estou.
Há exatamente 1 semana, eu fui pro trabalho pensando que, mesmo 6 anos depois, uma coisa não mudou: minha paixão por Meg. Eu fiquei acompanhando as postagens na página do evento e vendo as pessoas chegando desde 5 da manhã. Se por um lado eu queria estar lá curtindo, por outro sabia que não tinha como faltar ao trabalho para vê-la. Meu dia estava cheio, um milhão de coisas do casamento para resolver, mas Meg era minha alegria do dia.
Saída do trabalho, não aguentei e peguei um táxi. No caminho, me comunicava com amigas que estavam na fila já com a senha no pulso, e, no nervosismo, nunca Botafogo ficou tão distante do centro da cidade. Ao chegar na livraria, caiu a ficha de que a veria mais uma vez, de que havia conseguido, e quase dei uma volta olímpica. Uma longa fila, já formada, ia sendo atendida, todas de tiara na cabeça, umas com roupa de princesa... Ao pegar a senha-pulseira, também recebi uma tiara. E eu, que tinha saído de casa dizendo que não repetiria o mico de colocar tiara na cabeça como na foto da Bienal em que ela participou, me vi colocando a tiara e me sentindo a Mia — quem nunca? Encontrei tantas amigas, relembramos tantas histórias, me emocionei com o choro das meninas que a viam pela primeira vez, torci com as que vibravam saindo com o troféu em mãos após atendidas por Meg — leia-se livros autografados — e esperei ansiosamente a minha vez.

Me maquiei, segurei meus livros e segui em direção dela. Escolhi "A Noiva é Tamanho 42" e "O casamento da Princesa", obviamente porque no ano do meu casamento queria que ela autografasse livros com o tema — e porque amo as duas personagens desses livros! Foi rápido, mas um " Great" dela me fez sorrir de orelha a orelha. Falei o trivial, sorri para foto e pronto. Meu ano tinha sido salvo. Ver Meg me fez lembrar o como a vida melhora em certos aspectos quando só focamos nos ruins. Não sou a mesma de 2009, mas Meg continua maravilhosa e eu serei sua fã até os 100 anos. Meg é única! Tragam ela todo ano, Galera Record ;) 

29 de out. de 2015

Galera entre letras: O monstro conhecido

Ainda estamos no clima do Halloween e hoje, como eu tinha prometido, vou continuar falando do medo e de coisas que dão medo. E como terminei com o medo gótico em Poe, hoje começo com Poe também (deu pra perceber o quanto eu gosto dele, né?).

Se Poe foi um dos mais importantes autores do medo gótico, ele também serviu de inspiração para um tipo de medo que, a meu ver, é muito contemporâneo: o medo do que nos é conhecido e familiar.
É muito fácil quando aquilo que nos ameaça e dá medo é um zumbi de pele cinzenta, uma serpente de dois metros ou mesmo um ser qualquer com quatro patas e duas cabeças! É fácil identificar a ameaça e, com sorte, evitá-la. Mas quando aquilo que nos ameaça tem uma aparência normal é que são elas! E este é um medo real e muito atual. E é tão importante que até um pensador como Freud gastou tinta e papel para escrever sobre isso.

Eu acho que é o fato de que isso possa realmente acontecer com a gente que torna esse tipo de história (sobre coisas familiares que, por algum motivo, passam a nos ameaçar) tão interessante. Confesso que tenho mais medo dessas histórias do que de qualquer criatura gigante e com duas cabeças!

E, como eu disse antes, Poe também foi pioneiro desse tema. Ele escreveu um pequeno conto chamado “O homem da multidão” que trata justamente de como uma pessoa em uma metrópole como Londres (e já no século XIX Londres era uma das mais importantes capitais do mundo!) pode se sentir ameaçada por seus habitantes e pelas atitudes mais triviais. Eu não vou contar a história pra vocês porque tem várias traduções disponíveis, além do conto original, na Internet. Leiam!

Imagino que vocês estejam pensando que numa cidade grande ou numa metrópole as pessoas ou as coisas podem parecer ameaçadoras até para os espíritos mais fortes!

Mas… e se fosse uma cidadezinha pequena? Daquelas em que todos se conhecem? Será que dá pra sentir medo num lugar assim?

A resposta é: dá pra sentir medo. Muito medo.

Uma das minhas autoras preferidas de histórias de medo é Shirley Jackson (numa semana em que se falou tanto sobre as mulheres eu não podia deixar de mencionar uma, né?), mas ela não é do tipo que fala de metrópoles ou gigantes vingativos. Suas histórias sempre se passam em locais pequenos: uma aldeia, uma casa, que, sobretudo por serem pequenos, do tipo onde todos se conhecem, se torna claustrofóbica e muito assustadora.

E tanto pelo tema como pela maneira de envolver o leitor, a Shirley Jackson é uma legítima herdeira de Poe e dos contos góticos, a tal ponto que chamam o tipo de histórias que ela escreve de “gótico do sul dos Estados Unidos”.

O conto do qual eu quero falar pra vocês hoje se chama “A loteria” e até hoje é considerado um dos contos mais polêmicos já publicados nos Estados Unidos! Teve até protesto por causa da publicação. (Imaginem uma época pre-Facebook em que, para protestar, as pessoas escreviam cartas ou telefonavam!)

E o conto é tão marcante pra literatura norte-americana que inspirou autores e autoras nas décadas seguintes, incluindo a Suzanne Collins, autora de “Hunger Games”, que lá nos Estados Unidos é editada por ninguém menos que o David Levithan!

Mas o que é que o conto tinha de tão polêmico para gerar toda essa comoção? Bom, um dos motivos era justamente o fato de começar de maneira trivial. Os leitores se assustaram ao perceber — lá pelo meio do conto — o que realmente significava a loteria.

Para eles, um conto que começava falando de uma manhã límpida e ensolarada não poderia terminar da maneira que termina. Pra aguçar a curiosidade de vocês, eis o primeiro parágrafo:

“A manhã de 27 de junho estava límpida e ensolarada, com o calor refrescante de um dia em pleno verão; as flores desabrochavam em profusão, e a grama era de um verde vivo. Os habitantes do vilarejo começaram a se reunir na praça, entre os correios e o banco, por volta de dez da manhã; em algumas cidades, havia tantas pessoas que a loteria durava dois dias e tinha que começar em 26 de junho. Neste vilarejo, porém, no qual havia apenas cerca de 300 pessoas, a loteria inteira durava menos de duas horas, por isso, podia começar às dez da manhã e ainda acabar a tempo de permitir que seus habitantes voltassem a casa para fazer a refeição do meio-dia.”

E pra quem ficou curioso… Ano passado eu traduzi “A loteria” para a “(n.t.) revista de tradução”. A revista completa está neste link. É só baixar, ler e tirar suas próprias conclusões: será que o que nos é mais próximo pode ser o mais ameaçador, e que sob um céu ensolarado se escondem as verdades mais obscuras do ser humano?

Espero que vocês gostem da leitura!


Por trás da aparência professoral, se escondia uma grande conhecedora da alma humana.

26 de out. de 2015

Tons da galera: SPFW e algumas das próximas tendências

Enquanto nas últimas semanas falamos aqui sobre o que esperar do verão 2016/17, o São Paulo Fashion Week, ou SPFW para os íntimos, fez 20 anos nos últimos dias, mostrando antes pra gente o que chega no inverno 2016.

Sem Gisele (aposentada das passarelas), o evento não foi o bafafá de algumas edições anteriores, mas seguiu a linha das semanas de moda do exterior: um evento mais low-profile, com a qualidade do que se viu nas passarelas sendo muito elogiada.

E o que se viu? Listras, saltos de acrílico coloridos, maxi casacos, moletons e coletes, recortes, patchwork e uma sensualidade mais assertiva. A Animale teve botas de cano longo de cobra misturadas a vestidos leves estilo camisola (slip dresses) e casacos estruturados. Helô Rocha também usou textura de cobra em patchworks que a misturavam à renda e ao veludo. Já Herchcovitch apostou no “poder e luxúria”, segundo ele mesmo, em looks com um toque até levemente sadomasô, remetendo aos seus primeiros dias como estilista.

Samuel Cirnansck trouxe flores aplicadas em seus vestidos, bordados, cristais, tule e vestido de uma só manga, destacando um dos ombros (como já postado por aqui, a evolução disso lá fora para o verão já são os dois ombrinhos de fora). Lily Sarti não quis arriscar e apostou no boêmio anos 1970, que já são febre há algumas temporadas. Reinaldo Lourenço, por fim, apostou na androginia e fez um dos desfiles mais elogiados.


Alexandre Herchcovitch, Animale, Lily Sarti, Helô Rocha e Vitorino Campos.

A WGSN (“O” bureau de pesquisa de tendências) fez uma matéria destacando também o estilo das ruas de quem foi ao SPFW. O que mais chamou a atenção do time foram looks mais simples com pitadas de cor e ousadia.

Lizzy Boering, especialista do site, deu um resumo do que realmente vai se confirmar depois de todas essas semanas de moda: o romantismo (bordados, florais e tecidos leve como a seda, de Alexander McQueen), o maximalismo (looks excêntricos e de cores vibrantes, maxibrincos, óculos grandes como os da Gucci), o sportluxe (esporte + luxo, peças tipo camisola e pijama com tênis cultuado por Alexander Wang e Vitorino Campos, agorinha mesmo no SPFW) e o simples + complexo (vestidos simples com recortes, mistura de texturas, visto na passarela de Gloria Coelho).

A conclusão é de que está tudo junto e misturado: as previsões de Liz juntam o que temos visto para o próximo inverno & para o verão depois dele, ou seja, estilos mais duradouros, que farão bem a transição entre as estações. Nossas carteiras agradecem!

Os destaques de quem esteve por lá segundo o WGSN: esporte+luxo, maxibrincos e toques de cores fortes.


23 de out. de 2015

Papos de Sexta: Espelho, espelho meu...



“Objetos refletidos no espelho estão mais próximos do que aparentam”. Essa frase – às vezes em inglês – aparece estampada no espelho retrovisor de carros, mas sempre soou mais profunda do que isso pra mim. Faz mais de um ano que eu estou pensando em abordá-la por aqui, mas não me sentia pronta para fazer isso. Até agora.

Usamos espelhos para ver se não estamos saindo na rua com a maquiagem borrada, ou com aquela espinha alienígena na curvinha do nariz, ou com roupa que marca o que deveria esconder, ou... mas será que é só o espelho que mostra para nós o que somos? E será que somos resumidos a somente o que ele mostra?

“Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bela do que eu?”, perguntava a Rainha Má para o espelho no conto de fadas. Quando cresci é que entendi o simbolismo dela questionar o espelho. Minha mãe sempre me disse para não perder muito tempo olhando para o espelho, quando o que está além dele é muito mais importante. Aí vi Harry Potter e pensei “Meu Deus! Minha mãe é o Dumbledore!”(Potterheads entenderão!).

Já a minha avó tinha a mania de cobrir os espelhos quando alguém próximo falecia. Ela dizia que a alma poderia ficar presa neles e não conseguir seguir seu caminho. Mas será que isso só acontece quando a gente morre? Porque eu já vi muitas almas presas ao próprio reflexo e a galera ainda esbanjava saúde!

Incrível como o espelho pode aparentar ser um instrumento tão simples e esconder um significado tão profundo.

Ao meu ver, hoje em dia, o espelho não é somente o objeto preso na parede. Ele é o nosso perfil nas redes sociais. E, assim como o objeto físico na parede, ele não é o reflexo perfeito de quem somos.

Hoje em dia, a Rainha Má perguntaria para o Espelho quem tem o perfil mais acessado no YouTube ou o maior número de curtidas no Facebook. E, assim como no conto de fadas, ele faria a intriga que a leva a cometer atos terríveis. O Espelho adora uma intriga, minha gente!



Hoje em dia, queremos personalizar nossos perfis nas redes sociais em busca de seguidores, de admiradores. Postamos fotos dos pratos que comemos quando deveríamos estar saboreando a refeição e aproveitando a companhia. Olhamos o mundo pela tela do celular para compartilhar cada momento, pois, ao postar no snapchat, no instagram, provamos que estivemos lá, que fizemos isso ou que compramos aquilo. E juntando tudo é como se criássemos o reflexo de quem somos.

Mas não compartilhamos nossos momentos de dúvida, de desespero, de fragilidade. Não. Só nos interessa mostrar o palco e não os bastidores e é exatamente isso que quebra esse reflexo. Não somos só o que o espelho mostra, nem o que os perfis nas redes mostram. Isso é só uma casca.  

Disse no início da coluna que fazia tempo que estava me preparando para escrever esse post e agora explico a razão. Fiz aniversário recentemente e recebi muitos parabéns e fiquei muito feliz! Mas algumas mensagens vieram com “você tem muita sorte” e “quero que a minha vida seja igual a sua”. E por mais que tivesse me sentido extremamente lisonjeada pelo carinho demonstrado, me assustou o fato de pessoas acharem que tenho a vida perfeita. Aí, quando falo no Clube do Livro Saraiva que já tive surto de Burn Out por causa de trabalho e que estou sempre me questionando, procurando ir além e a me aprimorar, sou recebida com olhares arregalados e “nossa, nem parece”.

Sorte? Sorte sim para quem está preparada e trabalhando quando ela chega, queridinha!!

Eu não sou apenas o que está nas redes sociais. Eu não leio só o que posto no blog. Eu sou eu assim como você é você. E isso tem facetas e nuances e níveis diferentes e agradeço muito não poder ser definida por um perfil no Facebook!

Nos dias de hoje, virou esporte olímpico julgar o outro e falar pelas costas sobre pessoas que nem conhecemos. É como se, ao passar no perfil de alguém, já pudéssemos formar opinião sobre seu caráter. Pelo amor de Deus! Sem nunca ter trocado uma palavra? Como assim? Mas pior do que isso é que, ao postar algumas coisas, nós acabamos incentivando isso! Ou vai dizer que você nunca postou uma foto pensando “Toma! Agora diz que é melhor do que eu!”? Todo mundo já fez isso e tudo bem. Mas continuar com isso é tomar veneno e esperar que o outro morra. Frustra, envenena e machuca a gente!

Não deixar que a alma seja aprisionada no espelho que é a rede social é uma luta constante e diária. Mas é muito válida! Estamos juntos nessa, certo?

Espelho, espelho meu, tem alguém mais... ah, quem liga! Vou comer sorvete! #PartiuSerFeliz


13 de out. de 2015

Tons da Galera: Paris Fashion Week

A semana de moda de Paris Primavera/Verão 2016 trouxe algumas confirmações da semana de NY (que mostramos aqui) e algumas novidades.

Algumas confirmações: ombros à mostra, metalizados com efeito papel alumínio, sombra de olho azul e acessórios inusitados (depois da bolsinha Kate Spade em NY imitando as embalagens da lendária Magnolia Bakery, e da Moschino em Milão com sua capinha de celular imitando desengordurante, que já virou febre, em Paris Charlotte Olympia veio com uma charmosíssima bolsa com luvas).

Entre as novidades, muito tangerina, babados (estamos falando de Paris, afinal!), vestidos tubinho de tricô, calças de cintura baixa (sim! Os early-00’s estão ameaçando voltar, e convenhamos que até hoje tem muita gente que nunca conseguiu abdicar de seu jeans skinny de cintura baixa por aqui, mas ela agora vem larguinha e com muito mais classe). Já a musa de Louis Vuitton para essa temporada é uma cyberpunk de cabelos rosa pastel.




Saint Laurent trouxe outra modinha do final do milênio passado e começo desse, que foram os tops e vestidos slip, aqueles imitando camisolinhas de cetim com alças finas, que Kate Moss adorava em seus tempos com Johnny Depp. Ainda inspirada em Kate, a mesma marca trouxe galochas para as passarelas — quem não lembra que foi Moss quem tornou as feiosas botas de borracha em objeto de desejo ao usá-las para se proteger da lama no festival de Glastonbury?




Pra finalizar, mais uma moda anos 1990/2000: a Chanel levou muito pastel (olha ele de novo) metálico com efeito frosty (pense em Frozen, inclusive na make) para refrescar o próximo verão, em um desfile passado num cenário de aeroporto. Para não perder o costume, confira um resumo do desfile aqui!

8 de out. de 2015

Galera entre Letras: Você tem medo de quê?

O mês de outubro é o meu preferido (e nem é pelo dia das crianças, que eu não comemoro mais rs). Eu gosto dele por causa do Halloween e do aniversário de morte de um dos meus autores favoritos: Edgar Allan Poe.

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(Eu tinha que compartilhar este gif com vocês.)

Dificilmente alguém que gosta de ler já não cruzou com um texto dele ou um filme baseado em sua obra. E dificilmente alguém abriu uma antologia de contos norte-americanos sem se deparar com um de seus contos mais famosos: “O coração denunciador”, “O gato preto”, “A carta roubada” ou “Os assassinatos na rua Morgue”.

Por isso, pensando em Poe e no Halloween, resolvi dedicar as duas colunas do mês ao medo. Sim. A esse sentimento ao mesmo tempo estranho e prazeroso.

Bom, eu não vou dar uma aula sobre o medo aqui, mas vamos tentar entender o que é o medo e por que tanta gente gosta de ler (ou ver) algo e sentir medo?

Em primeiro lugar, é bom lembrar que a gente SENTE o medo. Quer dizer, quando a gente tem medo, nosso corpo sofre alterações físicas, sabem? O coração dispara, nós começamos a suar, a respiração encurta. Dá até pra medir os impulsos cerebrais ligados ao medo! O que significa, claro, que ele é REAL. Quem já sentiu medo uma vez na vida, sempre reconhece a sensação.

E o medo também tem uma função importante: a de (auto)preservação. Se você tem medo, se arrisca menos e consequentemente tem mais chance de sobreviver. Engraçado, né?, que o medo possa ser importante pra sobrevivência da espécie. Mas é fato que ele também serve pra isso.

E também é fato que essa função de preservação dos indivíduos foi logo percebida. E sabem o que aconteceu? Passou-se a contar histórias que, de alguma forma, despertassem medo ou um sentimento parecido com o medo. Essas histórias tinham a função de educar e assumiam formas que a gente conhece muito bem. Já pensaram nos contos de fadas? Muitos deles tinham como tarefa evitar que as pessoas cometessem atos considerados errados na época em que viviam (por isso, os garotinhos desobedientes se deparavam com feiticeiras malvadas no meio da floresta; se alguém mentisse, o nariz crescia e por aí vai…). Claro que essa função “controladora” do medo não se limitou aos contos de fadas nem se restringiu a mostrar que a mentira é uma coisa feia.

Mas vamos em frente na nossa brevíssima história do medo.

Uma das curiosidades a respeito do medo é que ele pode ser provocado por algo externo ou por nós mesmos. Explico: eu tenho medo de barata. Sempre que vejo uma barata, eu tenho todos aqueles sintomas que descrevi antes. MAS: eu posso estar num lugar no qual eu ache provável uma barata aparecer e, mesmo sem ter visto uma delas, vou ter medo. Isso prova que nós conseguimos criar o medo apenas com nossa mente. Algumas vezes, essa sensação é chamada de angústia, isto é, a antecipação de algo ou de um acontecimento que causa medo.

Pra mim essa é a característica mais importante do medo: o fato de que ele não precisa de algo externo pra ser acionado. E por isso mesmo ele é uma sensação tão importante para a literatura e foi um tema tão constante, afinal, nós temos uma literatura de terror, né?

Quem mais explorou o medo como tema e como um meio de despertar o interesse do leitor foram os escritores e escritoras góticos. Se você já leu um livro que tem uma mocinha ou um mocinho frágil e debilitada(o), que desmaia à toa, mas que gosta de perambular por corredores escuros e lugares ermos tarde da noite, e no qual é normal que portas batam sem que esteja ventando, e que pratos ou outros utensílios se quebrem sem motivo aparente, então, você já leu um romance gótico. E provavelmente seu coração disparou enquanto você passava páginas e mais páginas que descreviam meticulosamente um determinado lugar. Quase como se você estivesse dentro do livro e pudesse sentir aquela “atmosfera”.

A “atmosfera” gótica tem tudo a ver com o medo. É praticamente impossível a gente não se identificar com a fragilidade dos personagens!

O gênero gótico fez tanto sucesso na literatura que até hoje nós temos autores que exploram essas sensações — são os chamados neogóticos. E alguns criaram essa ”atmosfera” inspirados pelo próprio local em que moravam: os góticos sulistas, por exemplo, que são os autores que moravam no sul dos Estados Unidos.

Mas… e o Poe? Bem, Edgar Allan Poe, pra mim, é um dos mais importantes representantes da ficção gótica nos Estados Unidos, embora não tenha se limitado a escrever histórias góticas. Vocês sabiam que ele foi o inventor do romance policial, tal como a gente conhece hoje?

Ele sabia como ninguém criar essa “atmosfera de medo” e soube como ninguém explorar a angústia e o medo em suas histórias. E também criou histórias em que o medo era causado por coisas bobas e rotineiras. Ou mesmo por pessoas conhecidas.

E nisso ele inspirou um bocado de autores depois dele.

Na próxima coluna, eu vou falar do medo causado por coisas (ou pessoas) conhecidas e desconhecidas, e por que a gente insiste em ler histórias que nos dão medo. Preparem-se! Vai ser de arrepiar!

5 de out. de 2015

Design et cetera: BRANCO X AMARELO

Temos recebido MUITOS e-mails e comentários de leitores se queixando sobre alguns dos nossos livros serem impressos em papel branco. Muita gente associa o papel branco às edições econômicas e começam os comentários nas redes sociais:

“Por que estragaram o livro usando página branca?”

“Chama de edição de luxo, mas não tem página amarela!”

“Vamos assassinar vocês editores da Galera que imprimem em papel branco”

Depois de responder algumas ameaças de morte mensagens desse tipo, resolvemos esclarecer aqui a diferença entre papel branco e papel econômico. Ao contrário do que muita gente pensa, o papel branco não é mais barato do que o papel amarelo. O que determina o valor do papel não é a cor, é a gramatura, que significa gramas por metro quadrado e determina o peso do papel e sua capacidade de absorver a tinta.

*De 35g a 55g: são os papéis de menor gramatura, portanto, econômicos. São mais finos e sua aplicação mais comum é em jornais e edições de banca ou econômicas.

*De 75g de 115g: o papel que você utiliza na sua casa ou no escritório tem essa média de peso / gramatura. As edições comerciais também.

*150g – 300g: utilizado em capas de livros, são mais pesados, toleram mais tinta e acabamentos como hot stamping, relevo, brilho holográfico etc

Portanto, um livro com hot na capa, com pantone, relevo e impresso em papel branco de 75g NÃO é uma edição econômica.

Um livro de capa dura, impresso em tecido, com miolo ilustrado de duas cores impresso em papel branco também NÃO é uma edição econômica.

Outra coisa que muita gente alega é que o papel amarelo cansa menos a vista na hora de ler. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas é preciso lembrar que a visibilidade está ligada a outras questões também, como a tipografia usada, o espaçamento entre letras, o espaçamento entre linhas e a diagramação em si.

Existem vários motivos que pautam a escolha do papel em uma edição, e nenhum deles é torturar o leitor. Geralmente, os livros que fazemos na editora costumam ter orelhas e papel amarelado, mas dependendo do projeto, o papel branco faz mais sentido.

Às vezes a capa tem tons mais frios e não combina com o papel amarelado. Às vezes a gráfica não tem o papel amarelo na gramatura necessária para a qualidade da impressão. E quando  o miolo é ilustrado, principalmente em duas cores, o branco funciona melhor pois não interfere na pigmentação da ilustração. Por exemplo, a edição gringa da série Garota Gotic:
Tem as páginas brancas em alta gramatura, é ilustrado e o canto das páginas é pintado de azul metálico. Ou seja, uma edição caríssima, de altíssimo luxo e papel branco!

 







Outro exemplo de edição americana em papel branco é a série Emily, a estranha. Os livros também são capa dura, o miolo é impresso em Pantone  e o papel é um couché branco, ou seja, brilhoso e de alta qualidade.






Outro exemplo é a edição da Intrínseca: 365 dias extraordinários, também ilustrado em duas cores e capa dura, também impresso em papel branco.






Ou seja, existem mil questões que influenciam a qualidade de uma edição, e a cor do papel não é uma delas. Como editores, nosso trabalho é sempre pensar em quais materiais se adequam melhor ao produto final e tomar a decisão de acordo.

E, no fim das contas, os livros são como as pessoas: a cor não determina o valor, né?

25 de set. de 2015

PAPOS DE SEXTA: TEM IDADE PARA SER FÃ?


Acabou a Bienal do Rio, e foi incrível, e chegou o Rock in Rio. Como a cidade em que vivo está pulsante, cheia de atrações nacionais e internacionais, nesse mês de setembro optei por abordar na coluna o “ser fã”. Já falei muitas vezes sobre como sou fã de autores e de bandas. Confesso, sem vergonha alguma, que os tieto intensamente. Gosto de ter a foto, de ter o autógrafo, de assistir a palestras, de levar na memória — na minha e na da máquina digital — um registro de como encontrar seu ídolo é único e inesquecível.

Ok, mas nessa Bienal passei por alguns momentos em que nem todo mundo entendeu que não existe limite de idade para ser fã. Nas imensas filas de autógrafos, ouvi muita gente achando que eu estava ali com uma irmã mais nova, uma filha... Eu não podia ser adulta e querer o autógrafo de um autor que amo.

Acreditem, as caretas que as pessoas faziam, me incomodaram, sim! Mas, então, com a chegada de bandas à cidade, para os shows no festival de rock, mais uma vez me arrisquei a ver alguns músicos que amo. E ouvi novamente o mesmo discurso, de que tietar é só para adolescentes.

Vamos por partes? Eu me imagino aos 40, 50, 60... até quando a saúde permitir... entrando em filas para conhecer meus ídolos, comprando as coisas que amo e sendo feliz. Alguém tem alguma coisa a ver com isso? Não...mas porque se metem? Porque se criou uma lenda onde a Bienal é dedicada ao público teen, então só quem corre atrás de autor é o público teen. E, claro, nos shows só quem está numa idade em que ainda não trabalha tem tempo para tietar em porta de hotel, certo? Errado. Eu posso ter 30 anos e estar de férias. Posso ter 20 e já ter voltado da faculdade e estar em busca da chance de chegar perto do meu ídolo.

O preconceito é feio em todas as áreas, dar explicação de por que você corre para pegar senha se já é adulta, ou até mesmo de por que você — de acordo com eles — perde tempo para ver um astro do rock, é muitas vezes desgastante.

O que aprendi? É que a minha vida é minha, e a sua é sua! Então se o que te faz feliz só diz respeito a você, por que mesmo deveria me incomodar?

Julgar é feio, rotular também. Por um mundo onde mesmo com 100 anos eu possa ir alegremente e sem julgamentos pegar as senhas para ver os autores da Bienal ;)

24 de set. de 2015

GALERA ENTRE LETRAS: A BIENAL DA GALERA (PARTE 2)

Hoje a gente tem a segunda parte das entrevistas com autores nacionais que lançaram livros na Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro. E essas duas autoras fofas não poderiam deixar de participar!

A Marina Carvalho é uma autora incrível, que já tinha escrito alguns livros para jovens adultos e publicou este ano o lindo Elena, a filha da princesa, pela Galera Record. Se você acredita em príncipes e princesas, e romances (quase) impossíveis com um final feliz, você vai amar o livro. Mas não se engane. Apesar da Marina gostar de castelos e da pompa das festas da realeza, a sua Elena é uma garota bem pé-no-chão. Nada de mocinhas sonhadoras e passivas nesse conto de fadas moderno!



Ana Resende: Como é ser uma escritora brasileira em 2015?
Marina Carvalho: É muito diferente de poucos anos atrás, quando não havia predisposição do mercado para publicar histórias escritas por brasileiros. Hoje, leitores e editoras perceberam que o que importa são as boas histórias, e não a nacionalidade delas. A tendência é melhorar cada vez mais esse espaço para os brasileiros. A Bienal do Rio provou isso este ano.

A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
M. C.: Sempre que lia bons livros desejava ter sido eu a autora deles, especialmente os de mistério, aventura e romance. Mas acredito que Pedro Bandeira plantou em mim a vontade de escrever para os jovens e, muito mais tarde, Paula Pimenta fez o mesmo. Eles narram com simplicidade e envolvem o leitor sem pedantismos; tudo o que eu sempre quis fazer.



A Iris Figueiredo escreveu um dos textos mais bonitos sobre a importância da Bienal e a importância dos livros justamente no primeiro dia da Bienal do Livro aqui no Rio. Se você ainda não leu, pode ler aqui no link original, além disso ela é uma autora superquerida da Galera Record, e no blog Literalmente Falando sempre abria um espacinho pra falar dos livros publicados pela editora. Na Bienal do Livro, ela lançou Confissões On-line 2 - Entre o Real e o Virtual, continuação do divertido Confissões On-line - Bastidores da minha vida virtual.



Ana Resende: Como é ser uma escritora brasileira em 2015?
Iris Figueiredo: Ser autora brasileira em 2015 é ver algumas mudanças. O mercado está um pouco mais aberto pra gente e os leitores também, graças a vários autores legais que abriram espaço. Agora é mais fácil ver autores brasileiros que escrevem pro público jovem em destaque nas livrarias.


A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
I. F.: Eu tenho vontade de ser escritora desde muito nova, mas acho que quem me mostrou que era possível ser escritora aqui foi a Thalita Rebouças. Eu a conheci na primeira Bienal que fui, em 2005, e nunca mais esqueci. Foi naquele dia que eu fiquei pensando “um dia serei eu ali!”

A.R.: Como autora-amiga-da-Galera, qual é o seu livro preferido da Galera Record? E por quê?
I. F.: Isso é MUITO difícil! A Galera fez parte da minha formação como leitora. Eu acompanhava o fórum quando ele existia, mandava e-mail sugerindo livros… Não consigo pensar em um favorito, então vou falar de vários! Eu amo todos os da Meg Cabot, por exemplo, mas o que eu mais gosto é A garota americana. E, por incrível que pareça, a série de livros da Galera que mais me marcou foi Gossip Girl. Eu lembro de esperar ansiosamente por cada um dos livros. E um livro pouco conhecido da editora, mas que queria que muita gente conhecesse por ser incrível, é Minha vida agora, da Meg Rosoff. Ele me marcou!

Espero que vocês tenham gostado das entrevistas e tenham aproveitado bastante a Bienal do Livro. Até o mês que vem!

23 de set. de 2015

Galera Pop: Bem-vinda Fall Season!

Muitas novidades no mundo das séries!

Setembro e outubro são os meses mais esperados para quem ama séries de tv, a fall season chega com uma enxurrada de séries maravilhosas (e, er... outras nem tanto assim). É nessa época do ano que as emissoras americanas lançam as principais apostas para o ano. Particularmente, fico superempolgada! É muita coisa boa mesmo, mais que em qualquer outra temporada do ano. Também é um desafio; são muitas novidades para conhecer, então, como o tempo mais curto que na minha época de adolescente, eu tento selecionar algumas especiais para assistir ao piloto e, quem sabe?, acompanhar. É triste admitir isso, mas estou com 64 episódios atrasados na watch list, pode parecer bobagem para quem não é "seriador". Se você é, vai me entender, se não, pergunta pra aquele seu amiguinho que é... hahaha trágico!

Minha missão hoje é trazer uma seleção especial para vocês, minhas principais apostas para temporada de séries 2015/16. As mais legais eu prometo resenhar daqui a algumas semanas e contar um pouco mais, fechado?

Screen Queens




Essa começou ontem, assistirei assim que possível. Minhas expectativas estão a mil! Além do elenco incrível — Jamie Lee Curtis, Abigail Breslin, Lea Michele, Nick Jonas, Emma Roberts, Ariana Grande, Keke Palmer, Diego Boneta —, a nova série do Ryan Murphy é meio uma mistura de Pânico e Meninas Malvadas. Ryan também é criador de Glee e American Horror Story, duas séries bem diferentes, mas igualmente apaixonantes. Como não ficar ansiosa para uma produção dessas? Quem quiser saber mais, já escrevi um post com 7 Motivos para não perder Screen Queens.

Limitless



Que surpresa boa! Já assistiram ao filme de mesmo nome protagonizada pelo Bradley Cooper? A série começa depois da história do longa e acompanha Brian Finch, que encontra em um remédio, o NZT-48, a grande solução para todos os seus problemas. O medicamento oferece o uso de 100% da capacidade cerebral, e a pessoa consegue absorver tudo que lê, vê, escuta. Achei o filme incrível e gostei da ideia da série, já comentei que sou apaixonada por seriados baseados em filmes por aqui.
Para melhorar, temos Jennifer Carpenter, a Debra de Dexter, no papel e uma agente do FBI. Vou matar as saudades em dose dupla.



American Horror Story: Hotel



American Horror Story: Hotel não é lançamento, mas, como a série traz uma história nova a cada temporada, achei que valia a pena registrar aqui. O quinto ano vai ter Lady Gaga como protagonista. Tá pouco ou quer mais? Além do elenco “fixo”, a sinopse é uma das mais interessantes que eu já vi até agora. Um detetive de Los Angeles investiga uma série de assassinatos, e uma dica misteriosa o leva ao Hotel Cortez. Hotéis mal-assombrados dão aquele frio na espinha, aquela cena do elevador em O Iluminado já me vem à cabeça. Mal posso esperar para saber como vai ser.


Life in Pieces




A comédia segue a história de uma família, vista através das diferentes perspectivas de cada um dos seus membros. A sinopse me pareceu interessante, agora é saber se vou gostar e querer continuar assistindo.

Super Girl



Finalmente a série da Super Girl vai chegar às telinhas. O piloto foi lançado há alguns meses. Foi bem fraquinho, pra ser honesta! Mas, como a esperança é a última que morre, vou dar mais uma chance. Faltam produções de super-heroína por aí, vamos ver se nos próximos episódios ela emplaca. Estou cansada de esperar uma série ou filme (exclusivo) da Mulher Maravilha, tentaram algumas vezes nos últimos anos, mas não deu certo. Melissa Benoist, de Glee, interpreta a protagonista, e a estreia é 26 de outubro, na CBS.






Vamos fazer um acordo? Se assistirem alguma dessas e gostarem, me contem aqui nos comentários ou lá no facebook, e a gente fofoca um pouco ;)


Xoxo

Nanda

21 de set. de 2015

TONS DA GALERA: NYFW SS16

Em meio a um calor escaldante, a cidade de Nova York realizou, na última semana, a New York Fashion Week Primavera/Verão 2016 (2017 para a gente). Os desfiles não se concentraram num lugar só, e sim foram espalhados pela cidade.

Algumas das tendências mais vistas foram os crochês, os anos 1970 – ainda – marcando presença, assim como as franjas, mix de estampas e ombros à mostra. Na maquiagem, viu-se muita sombra azul, verde e turquesa, com destaque para a make lindíssima do desfile de Diane von Furstenberg. Jeremy Scott, estilista que deu novo gás à Moschino, desfilou sua coleção própria num clima anos 1960, com direito aos cabelos bouffant da época. Já Alexander Wang comemorou dez anos de carreira voltando às raízes: muito streetwear.


Anos 1970 no crochê e nas franjas, ombros que prometem ser o novo sexy, estampas de DVF, streetwear de Alexander Wang.


Sombra azul e verde em DVF e Monique Lullier, bouffants 60s de Jeremy Scott.

Sem grandes novidades de moda e em tempos de Instagram, Snapchat e Periscope, parece que os desfiles ficaram à sombra das fotos das muitas festas pós-desfile, como a de Marc Jacobs, que contou com Solange Knowles, Coco Rocha e o elenco de Orange is the New Black. Desfiles inusitados, como o da Opening Ceremony, com dançarinas fazendo uma performance, o de Tommy Hillfiger, com uma piscina na passarela, e o da Givenchy, realizado no píer 26 em pleno 11 de setembro, com vista para as luzes erguidas em homenagem ao World Trade Center, emocionaram muita gente.


O desfile de Givenchy tributo ao 9/11, uma piscina na passarela de Tommy Hillfiger.

Esperar 2017 para quê? Por aqui o clima já é de verão, e a gente vai poder aderir a essas tendências todas djá!

18 de set. de 2015

Papos de sexta: Tá tudo coisado



Sei lá, tá tudo coisado.

Se você leu e não postou resenha, as pessoas acham que você não leu.

Se você comprou e não postou foto, então não tem.

Se você conquistou e não postou no Facebook, é mentira.

Sério. Sério mesmo?

Está tudo realmente para lá de coisado!

Sou de uma geração entre a X e a Y, que significa, basicamente, que estou no limbo. Uso a internet, mas não vivo dela, para ela ou por ela. A considero essencial? Sim. Mas prefiro passar tempo vivendo do que postando.

Sou uma comunicóloga, o que quer dizer que, além de me comunicar, exerço isso como profissão. “Então como assim você não vive pendurada e postando o que acha sobre tudo e todos?”. Simples: porque, às vezes, não importa.

Ou não deveria importar.

Hoje em dia, fico atacada com algo, corro para as redes sociais para “desabafar”. Quem nunca, certo? Mas antes de apertar “publicar”, sempre penso novamente no meu “desabafo”. Ele vai ferir alguém? A minha raiva, frustração, tristeza está relacionada aos sentimentos de outra pessoa? Porque, se estiver, paro para pensar se vale a pena publicar ou se é melhor resolver comigo mesma, quieta no meu canto. E nem sempre eu acerto. Sou humana, poxa! Não sou perfeita!

Mas é incrível como esse filtro é ignorado nas timelines da vida, não? Era antes das redes sociais, mas ficou pior depois delas.

“Esse livro é uma porcaria!” gritam alguns em CAPS LOCK.

Já pararam para pensar em como o autor vai reagir a isso? Porque foi o nosso tempo que investimos na leitura, mas é o trabalho dele que estamos julgando. Ele não nos julgou ao escrever o livro, então porque temos o direito de fazer isso? Não seria melhor usar argumentos para explicar a razão de não termos gostado de algo?

Eu valorizo muito a minha opinião e não digo que algo é “bom” ou “ruim” só por dizer. Mas também deixo claro que essa é a MINHA opinião, usando argumentos que funcionam para mim. Por exemplo, se não gostei de um livro e decido postar uma resenha sobre o mesmo (porque leio muito mais do que posto, com certeza!), sinto-me no dever de explicar a razão de não ter gostado da leitura. Posso não ter concordado com o protagonista, ou não me identificado com a narrativa. Tudo isso é natural, mas, ao meu ver, é necessário ser dito.



Sem argumentos, classificaríamos tudo somente como “bom” ou “ruim”. E isso é pobre demais para alguém que ama palavras.

O que é um bom livro para você? Para mim, é um livro coerente, que me deixa intrigada, apaixonada, viciada. Ele pode ou não ter elementos de estilo, prosa diferenciada. Ele pode ou não integrar movimentos artísticos. Um bom livro para mim depende do momento em que o li e de em que estado ele me encontrou. Gostar da experiência e da obra em si nem sempre é a mesma coisa.



O que quero dizer nessa coluna meio “coisada” é que eu não acredito em padrão de beleza, padrão de boa literatura, padrão de qualquer coisa. Existe, sim, respeito por si e pelos outros, mas o que é belo depende de nós e não do que outros “ditam” ser belo. O que é bom ou ruim nas páginas cabe a cada leitor decidir. E tudo bem mudar de opinião depois. Nós somos seres humanos e não concreto! É natural achar uma coisa e, depois de outras experiências, mudar de opinião. E que lindo que é termos essa capacidade!


Seja feliz, seja coisado, mas não se conforme com o padrão que outros escolhem pra você, seja na roupa, no peso, no livro, no que for. Seja único ou igual, original ou comum: seja você! Sempre. 

10 de set. de 2015

Galera entre Letras: A Bienal da Galera (Parte 1)

Hoje é a primeira parte da minha entrevista com autores brasileiros que estão participando da Bienal. E hoje quatro autores falam um pouquinho sobre o mercado editorial e sobre seus livros preferidos, em meio a sessões de autógrafos e bate-papos na Bienal.

Apesar de serem autores de gêneros literários diferentes, com temas muito diversos entre si, todos foram unânimes em dizer que encaram com otimismo o futuro do mercado editorial. Vamos conferir as perguntas e respostas?

A CARINA RISSI é autora de vários livros: a série Perdida, Procura-se um Marido e No Mundo da Luna (uma das capas mais lindas que eu vi nos último tempos!), todos publicados pela Editora Verus, do Grupo Editorial Record. Na Bienal do Rio, a Carina participou de palestras e deu muitos autógrafos no lançamento do livro novo, Destinado, da série Perdida. Além disso, ela participou de uma verdadeira maratona na sede da editora Record, autografando DOIS MIL exemplares de Destinado. As Memórias Secretas do Sr. Clarke.


Ana Resende: Como é ser uma escritora brasileira em 2015?
Carina Rissi: As redes sociais aproximaram os escritores de seus leitores, e muitos hoje ganharam status de pop-star, algo inimaginável vinte anos atrás. O cenário nunca esteve tão favorável quanto hoje em dia, por isso, acredito que temos a responsabilidade de manter o leitor interessado, apresentando bons trabalhos.
A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
C.R.: Todos os livros da Jane Austen me inspiram demais, não importa que eu já os tenha lido dezenas de vezes. Amo a maneira como ela constrói as personagens, o jeito que costura a trama — aos pouquinhos sem que o leitor perceba até que tudo explode —, as reviravoltas. Ela faz parecer tão fácil (e, obviamente, não é!).


O LUIZ ANTONIO AGUIAR, além de pesquisador dos clássicos da literatura brasileira e estrangeira, é tradutor e escritor, com mais de cem títulos publicados. Em sua carreira, Luiz ganhou prêmios literários importantes no Brasil e no exterior. Homero: Aventura Mitológica, que reconta a história do poeta grego, e foi publicado pela Galera Record, além de receber o título “Altamente Recomendável FNLIJ 2015”, está no Catálogo de Bolonha 2015, como representante da literatura brasileira.

Ana Resende: Como é ser um escritor brasileiro em 2015?
Luiz Antonio Aguiar: Ser um escritor no Brasil é muitas coisas. Entre outras, tentar acompanhar esses rolos de ser um país à beira do mundo mais moderno, mais rico, onde direitos são mais respeitados. A criança e o jovem vivem de maneira muito especial esse dilema entre o entre o ser brasileiro e ser cidadão do século XXI, num mundo hiperconectado.
A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
L.A.G.: Não foi um livro em particular, mas foi o mundo dos livros, com Monteiro Lobato, Mark Twain, Machado de Assis, Charles Dickens, Alexandre Dumas, Bram Stoker, Stephen King, Agatha Christie, Conan Doyle. . . Gabriel Garcia Márquez, José Saramago. . . e por aí vai.





A PATRICIA BARBOZA é uma das autoras mais queridas (e sorridentes!) da Editora Verus, do Grupo Editorial Record, e desde 2002 (quando publicou o primeiro livro) vem conquistando cada vez mais leitores. Além de autora da série As Mais, publicado pela Verus, a Patricia foi uma das autoras que participou de O Livro das Princesas, que saiu em 2013 pela Galera Record. No Livro, ela reconta a história de Rapunzel, dos irmãos Grimm.



Ana Resende: Como é ser uma escritora brasileira em 2015?
Patricia Barboza: Felizmente é ver crescer o reconhecimento da qualidade da nossa escrita. Produzimos livros tão bons quanto os estrangeiros. É uma alegria imensa ver filas de horas para conhecer e ter o livro autografado por um autor brasileiro. A internet e as redes sociais colaboram muito com essa divulgação e contato direto com o autor. Cada vez mais me sinto motivada a trabalhar e produzir livros com a melhor qualidade possível, pois o leitor merece esse carinho.
A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
P.R.: Meus ídolos da infância foram Maurício de Sousa e Monteiro Lobato. As aventuras da Turma da Mônica e as maluquices da Emília, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, me inspiraram muito a me tornar uma autora, especialmente da área infantojuvenil.


O ANDRE GORDIRRO — nosso autor-amigo-da-Galera — é o autor estreante na Bienal do Livro no Rio de Janeiro, com seu Portões do Inferno. Lendas de Baldúria. E se você está achando o nome dele familiar é porque o André traduziu aqui pra Galera Record algumas das séries mais importantes do catálogo (e das minhas séries preferidas também!), incluindo o incrível Brilhantes, do Marcus Sakey, publicado em 2015.

Ana Resende: Como é ser um escritor brasileiro em 2015?
André Gordirro: Com certeza, bem mais fácil do que seria em 2005, que dirá 1995. Hoje percebe-se que existe um fandom ao redor da literatura nacional fantástica, sem preconceito pelo fato de o autor ter nascido aqui. Dá gosto saber que existe público consumidor da sua obra, que não vai torcer o nariz pela pessoa não ter nome gringo. E ainda que seja um meio cheio de egos, o que é natural em cultura, sinto uma camaradagem um pouco maior do que imaginava.
A.R.: Algum livro que você leu te levou a querer escrever? Qual foi? E por quê?
A.G.: O Rei do Inverno, do Bernard Cornwell [publicado pela Editora Record]. Quando li aquelas descrições de combate brutal, falei: “é agora. Estou em casa. Finalmente alguém pensa combate como eu. Quero fazer que nem ele.” Já admito que não fiz como ele em Os Portões do Inferno, até porque creio que tempero minhas cenas de ação com um exagero mais cinematográfico, mas foi ele que me deixou seguro para ir em frente.
A.R.: Como autor-amigo-da-Galera, qual é o seu livro preferido da Galera Record? E por quê?
Leviatã, do Scott Westerfeld. O revisionismo histórico da Primeira Guerra Mundial pelo viés steampunk é muito bacana, e o estilo dele é sempre saboroso de ler. Um voo de imaginação de ponta a ponta, ainda que ele conte basicamente a mesma história de Mulan.




8 de set. de 2015

Tons da Galera: Rachel Zoe de volta à TV

Há alguns anos terminou a quinta e última temporada do The Rachel Zoe Project, um dos mais bem-sucedidos reality shows sobre moda, que revelou ao mundo a hilária, carismática e superperua stylist das celebridades, Rachel Zoe. Na época da estreia já uma muito bem-sucedida, obrigada, personal de estrelas como Anne Hathaway, Cameron Diaz e Demi Moore, Zoe atingiu uma popularidade inimaginável com o reality. Ela começou a desenhar sua própria linha de roupas e acessórios, sucesso instantâneo de crítica e vendas, e passou de motivo de piada por seus looks espalhafatosos, onipresente copo de Starbucks na mão e magreza excessiva, à respeitada estilista e profissional.

Rachel e a família: o marido Rodger e os fofos e já estilosos filhos

Outros empreendimentos de Zoe, todos bem-sucedidos, diga-se de passagem, vão de livros com dicas de estilo, a sites, blogs, Instagram, colunas mensais em revistas e o Box of Style, um serviço de assinatura mensal de itens escolhidos pela própria — que esgota em minutos todo mês. Com isso, não é nenhuma surpresa a antecipação que cerca o novo programa, Fashionably Late, com estreia marcada para o próximo dia 24. Não só porque quem viu o primeiro sabe que os colírios para os olhos em forma de roupas e a diversão são certos, mas porque mal podemos esperar pelos novos bordões da diva, que popularizou no mundinho fashion gírias impagáveis como “bananas” (pronunciado ba-na-nas, uma roupa, look ou acessório muito incrível), “I die” (quase morrer com alguma roupa, look ou acessório muito incrível), “so maj” (ou “so major”— mais um elogio a uma roupa, look ou acessório incrível), “shut it down” (o nosso “arrasou”, ou “tapa na cara da sociedade”, quando alguém usa alguma roupa, look ou acessório muito incrível) e o mais recente “I’m literally obsessed” (quando Rachel fala de uma roupa, look ou acessório... bem, incrível).

Algumas das famosas expressões de Zoe

Brincadeiras e futilidades à parte, a loira já provou que é talentosa, adorável e que trabalha duro, assim como sua família e entourage, sempre presentes no show: o maquiador e melhor amigo Joey, e o marido de mais de vinte anos e super apoiador (que sofre como alvo de experimentos de moda masculina de Rachel), Rodger. O novo show deve contar também com os dois fofíssimos filhos de Rachel: Skyler Morrison e Kaius Jagger (mamãe é fã de rock). Como em Project, também esperamos ansiosamente a presença de novos personagens polêmicos (como a mal-humorada ex-assistente Taylor) e adoráveis como Brad Gorensky (outro ex-assistente, que ganhou seu próprio reality e participa das edições de Fashion Police, do canal E!). Além disso, em tempos de reality shows sobre qualquer coisa, é um refresco ter uma opção sobre alguém que ama o que faz e que, ora, faz alguma coisa. E bem.

Confira o trailer aqui!