Em tempos de
internet, tudo que fazemos, lemos ou assistimos é facilmente compartilhado nas
redes sociais, e milhares, às vezes milhões de pessoas veem o que escrevemos.
Pode ser uma simples saída do cinema onde você odiou o filme e quer dizer pro
mundo não assistir, aí você vai lá no twitter e posta : “ Perdi 2 horas da
minha vida, filme chato demais!!!”. Se você tem muitos amigos, ou tem um blog
com muitos seguidores, não será difícil receber uma mensagem perguntando porque
não gostou do filme, certo? Agora, imaginem se eu resolvo responder a essa
pessoa: “Porque além do filme ser chato, a mocinha morre no final!”.
Vamos parar para
pensar... afinal, o que realmente pode ser considerado spoiler? No exemplo
acima, eu ficaria com raiva se ainda não tivesse visto o filme e lesse na
timeline de alguém isso. Ok. Spoiler Detectado! Agora, vejamos: se eu opto por
assistir um filme no Netflix tipo Titanic – supõe-se que qualquer pessoa que
respire o tenha visto – e lá pelas 2 da matina eu em prantos posto no meu
Facebook : “Que filme!!! Sempre choro quando o Jack morre!”. É spoiler?? Eu
acho que não. Gente, o filme é de 1997, uma das maiores bilheterias do cinema
e ainda tem gente que acredita que eles irão ficar juntos? E mesmo que a pessoa
vá assistir somente agora, será mesmo que estraga o filme saber o final?
Sei que isso
depende muito de cada um, mas vamos passar para os livros. Em média, resenho 10
livros por mês no meu blog, e muitas vezes eu acho que o que falo é spoiler, aí
volto, penso...e tento encontrar uma forma de resenhar sem contar o que se
passa. Ao resenhar eu declaro o que mais gostei e porque, mas não posso e nem
devo informar algo que estrague a leitura do livro ou que tire as surpresas que
a história nos oferece e que ninguém me contou. Não tenho nenhum direito de
soltar spoilers sobre a obra alheia.
Complicado?
Talvez... Há quem goste de spoilers, os peça nos eventos que apresento ou me
mande inbox perguntando se o casal ficou junto, se a protagonista morre...De
acordo com essas pessoas, isso não estraga em nada a vontade de ler aquela
história, ou seja, a conclusão é que nem sempre o que é spoiler para mim pode
ser para quem o lê, ou vice-versa. Morro de medo de falar mais do que devo
quando entrevisto algum autor nos eventos, mas aí acabo vendo que me policio
tanto que ele mesmo vai lá e solta que ela escolhe um e não o outro, e respiro
aliviada, porque é igual filho alheio, eu não tenho direitos sobre ele, mas o
autor sim.
Outro dia vi uma
discussão na qual diziam que a blogueira não deveria ter falado algo, mais de
20 leitores dizendo que ela estragou a surpresa do livro. Ao pegar o mesmo
exemplar, estava ali o que ela citou no vídeo;na sinopse!!! Oi? Quem mesmo
soltou o spoiler? Ou seria melhor
lembrar: será mesmo que era um spoiler?
Fico imaginando
a dificuldade de quem faz as sinopses em não ser assassinado pelos caçadores de
spoilers – sim, eles existem, acredite –, porque qualquer
informação a mais é crime hediondo e inafiançável.
A palavra
spoiler se origina de spoil, que, em inglês, quer dizer estragar, ou seja, quem
conta spoiler estraga o filme ou o livro. Não seria forte demais usar isso
sempre?
Ficou difícil
para o mundo definir spoilers. E você, como lida com isso?

