28 de dez de 2012

PAPOS DE SEXTA - Entre parênteses morreu com o mundo velho, por @vivimaurey

O mundo não acabou (ou acabou e a gente é que não percebeu) e mais uma vez fomos salvos por alguma entidade (talvez um alienígena vestido de terno) interessada em ver o circo pegar (ainda) mais fogo. Para outros, como um amigo meu fez questão de reforçar no dia 22/12, o mundo, de fato, acabou. O mundo velho. O mundo que era ruim ou a (grande) parte dele que não estava boa. Independentemente de tudo isso ser uma grande metáfora, em momento algum ela perde sua importância. 

E agora um novo mundo se iniciou. Um mundo de mudanças, um mundo de novo caráter. Em que as pessoas vão pensar mais antes de fazer as coisas, agir com mais apego, acreditar mais na amizade, notar o que antes não era notado, respeitar o que já devia ter respeitado. Um mundo novo que vai se deixar crescer, amadurecer e realizar sonhos.

Eu acredito. 
Nada como o final de mais um ano para nos fazer pensar no que mudar e/ou adaptar para o próximo... A vida continua, dia após dia, mas basta uma data, dia 31/12, e a gente trata de torná-la imediatamente numa desculpa. Uma maneira de acreditar que é possível mudar. Melhorar. E qual é a melhor desculpa que o fim do mundo? 

Se é tão difícil pensar em mudar ou ser melhor a cada segundo de nossas vidas, por que não acreditar que agora é a nossa chance? Agora que um mundo novo começou e podemos partir do zero. Talvez seja o empurrão que muita gente precisa... 
Para o ano ZERO (aka 2013) vou fazer o possível e o impossível para trazer mais felicidade às pessoas. Não só para mim, mas também para os próximos e para todos aqueles que ainda não conheço. Vou ouvir mais, falar mais, fazer mais. Vou fazer a minha parte para acabar com o egoísmo, a inveja e todas as coisas desnecessárias que impedem as pessoas de viver a própria vida e encontrar a felicidade. 

E o que mais importa nesse assunto todo, brincadeiras à parte, é só isso: Se o mundo tivesse acabado mesmo, você teria ido feliz e satisfeita(o) com tudo o que você fez até agora? Ou gostaria de ter feito mais por si mesma(o) e pelos outros?

Eu sei a minha resposta.

Você sabe a sua?

21 de dez de 2012

PAPOS DE SEXTA - FIM DO MUNDO: EU FUI, POR RAFAELLA FUSTAGNO


Você está lendo essa coluna? Se sim, é porque o mundo não acabou. Porque o calendário maia estava errado e porque vamos continuar tendo imagens do fim do mundo somente em filmes hollywoodianos.

A verdade é que até eu me animei com esse fim de mundo... Como 2012 não foi um dos melhores anos para mim, me diverti com as histórias, por mais incrédulas que fossem, de que esse seria o último ano do resto de nossas vidas.

Lembrei daquela música do Paulinho Moska que perguntava: " Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria?"

Fiquei triste de ver todo mundo animado para o fim do mundo... no Facebook, no twitter, até no trabalho o pessoal se reuniu para se despedir... e eu naquele marasmo, peguei um livro e fui ler em casa, vi uns dois filmes, beijei meus pais e pensei naquele ex namorado (bem que o mundo poderia terminar antes no bairro dele)... depois pensei o que faria se tivesse certeza mesmo que não haveria mais nada depois desse dia 21... pensei em uma lista de coisas que gostaria da fazer, mas em um dia seria impossível fazê-las. Então esperei que o mundo não acabasse para que tivesse um prazo maior para viver tudo que ainda quero, e fiz uma lista de coisas que desejo para 2013 (caso o mundo não acabe mesmo e essa lista seja publicada no blog da Galera)...

1- Quero uma Bienal com todos os autores que tenho livros (não seriam poucos..),
2- Quero conhecer Paris, ver de perto aquela torre e suspirar como nos filmes passados na Cidade Luz
3- Quero que os sites se unam e façam uma promoção onde levando 10 livros você ganha mais 20!
4- Quero que um homem tão lindo quanto Ian Somerhalder se apaixone por mim e até o final do ano eu ganhe o sobrenome dele ;)
5- Quero que meu chefe veja o quanto trabalho muito e me dê 2 meses de férias!
6- Quero que naquele festival com nome de Rock venham em uma mesma edição todas as minhas bandas favoritas
7- Quero que o Jon Bon Jovi me chame no palco e cante olhando nos meus olhos “I´ll be there for you”
8- Que alguém descubra que vampiros existam e que amor eterno entre eles e humanos não é história da carochinha
9- Que inventem um delicioso hambúrguer que não engorde, que emagreça!
10- Que tudo de bom que aconteceu em 2012 se repita nesse novo ano

Sempre gostei de fazer listas, mas não quis fazer uma de fim do mundo e sim uma de pós-fim do mundo, porque ainda há vida, porque tem muito livro para ser lançado em 2013, muito livro para ser lido, muito filme para ser visto, muita página para ser literalmente virada, seja ela feliz ou não!

Porque eu acredito que existe uma força maior sim, mas a nossa história, o nosso final, quem faz somos nós, porque podem até nos apresentar os personagens, nos colocar no cenário a ser vivido, mas quem decide como viveremos e com quem ficaremos somos nós! Um Feliz 2013! Porque ainda não foi dessa vez que o mundo acabou. ;)

20 de dez de 2012

OS MELHORES DO ANO - 2012

Com as festas de fim de ano batendo à porta, é a deixa para lembrarmos que, enfim, chegamos até aquela fase que a gente ama: fazer o balanço das coisas que aconteceram nos últimos 12 meses, comer coisas gostosas, e... escolher os nossos livros preferidos do ano! Claro, né? Para isso, toda a equipe da Galera se reuniu para pensar e falar um pouquinho sobre os livros que falaram mais alto com cada uma de nós em 2012. Vamos a eles!





A Ascensão do Governador - The Walking Dead - Ana Lima

É difícil escolher o filho preferido, mas esse ano até que foi fácil. The Walking Dead - A Ascensão do Governador causou um rebuliço na nossa equipe. Logo ele estava nas listas de mais vendidos de todo o país, mostrando que crossmedia veio para ficar - temos uma série de quadrinhos que deu origem a uma série de TV, que deu origem a uma série de livros, e tudo é bom pra caramba. Claro que o toque de Midas de Robert Kirkman é o que dá unidade à "brincadeira", e o homem é gênio! Preciso confessar que antes de TWD eu tinha um certo nojinho da espécie e minha lealdade estava com os unicórnios... E agora eu tenho uma mochila do apocalipse pronta com remédio, pilha, mudas de roupa etc. Vai acontecer, e quero estar pronta. Podem me julgar, é sério! Alguns podem discordar, mas o mérito dessa história não são os zumbis e suas bocas escancaradas, passos cambaleantes e feridas abertas. Somos nós. No fim do mundo, os valores se invertem e a humanidade esbarra na sobrevivência o tempo todo. A cada página, a cada episódio, a gente pensa: o que eu faria? E quem dera simplesmente fosse viver ou morrer. O que vemos é matar ou morrer, viver ou se sacrificar... Cada mínima decisão - assim como cada palavra dita ao sobrevivente que você acabou de encontrar, que pode ser útil ou te atrapalhar a beça - vai influenciar o amanhã, que você nem sabe se estará vivo para ver... Joguem o melhor jogo do ano para treinar um pouquinho essa parte e deixem prontas as suas mochilas :-) Mas antes curtam o Natal, o Ano-Novo, as férias, o verão! Afinal, o mundo não PODE acabar antes de 10 de fevereiro, não vamos deixar. Assinado: uma fã louca, hehe.

Um beijo da Ana

Cinema Pirata - Adriana Fidalgo

Eu sou o pirata de perna de pau, olho de vidro e cara de mau. Será?

Quem nunca ouviu um mp3 de origem duvidosa, que atire o primeiro pen drive! Cinema pirata é, para mim, um dos melhores lançamentos da Galera neste ano. Como se não bastasse um herói irônico, divertido e talentoso, o autor mete o dedo em um dos assuntos mais polêmicos desde que a Internet largou as fraldas: a pirataria na web. Propriedade intelectual, a influência das grandes corporações midiáticas nos governos e preços abusivos para a diversão mais amada dos jovens — cinema e música — são apenas alguns dos pontos que permeiam essa aventura distópica. Mas nada de apocalipses zumbis nessas páginas. O futuro de Cinema pirata é logo ali. Tudo que acontece, podia acontecer nos dias de hoje. Aliás, numa sacada genial, o leitor não sabe direito em que ano no futuro ocorre a trama, apenas que a perseguição aos downloads ilegais chegou ao extremo. Assim como a dependência digital. Com sagacidade, Cory Doctorow, ele mesmo um ferrenho ativista por uma rede mundial mais aberta e democrática, cria personagens divertidíssimos, uma heroína que qualquer garota inteligente gostaria de ser (e que tem um apelido foférrimo) e um final apoteótico, desses que fazem a gente berrar “YES!”, com direito a soquinho no ar e tudo. YES!

Feliz 2013!
Bjks,
Adriana

Leviatã – A missão secreta - Ellen Kerscher

Scott Westerfeld era quase uma lenda pra mim antes de ter lido algo dele. Mas depois de Leviatã – A missão secreta, virei fãzaça! Daquelas de querer foto junto, pedir assinatura e ter a sorte de dizer ao vivo o quanto gostei do que li. Além de ter conhecido o Scott no evento da Galera no Rio, participei do projeto todo do livro. E, apesar da tradução e do copi impecáveis, foi um projeto graficamente complicado, cheio de ilustrações maravilhosas e um mapa riquíssimo, essenciais para a trama. Por quê? Imagina um cenário steampunk. Lembra da história da Primeira Guerra Mundial. Então, coloca sendo o lado alemão, os mekanistas, que só constroem armas de guerra gigantescas no estilo Warhammer, e o lado inglês, os darwinistas, que dão vida a seres esquisitérrimos geneticamente fabricados. Rá! Agora deixa uma baleia-zepelim (o leviatã!) e um “Transformer” brincando no tabuleiro da Primeira Guerra Mundial. Dá é muito pano pra manga. Como valeu a pena, que recompensador trabalhar nesse livro. Como uma boa fã, não vejo a hora de ler o próximo. Sério. Vai agora ler! Beijos, Ellen :)

Anjo Mecânico (As peças infernais - Vol. 1) - Paula de Carvalho

Confesso que fiquei bem curiosa para ler o Anjo Mecânico quando soube que era um prequel de Instrumentos Mortais. Afinal, quem não fica com aquela vontadezinha de saber mais sobre uma série que ama? Se não por curiosidade, é no mínimo muito bom para matar a saudade daquele mundo que praticamente já faz parte da sua vida.
Bom, nem preciso dizer que o Anjo Mecânico não decepcionou meu espírito investigativo, né? - afinal, foi meu escolhido! Acompanhar a história de Tessa e ir descobrindo com ela o submundo faz com que a gente se sinta ainda mais próximo dele, e coletar as peças do quebra-cabeça é uma das partes mais legais. Quem eram os Caçadores de Sombra antes dos nossos já conhecidos e amados personagens? Quem controlava a Clave? Como ela se tornou o que é agora? A ansiedade de juntar todas as peças é quase incontrolável! E como se não bastasse tudo isso, a história de Tessa é impossível de parar de ler, e te envolve tanto que quando você vê está sacudindo o livro do tipo “Eu-não-acredito-que-isso-tá-acontecendo!”. Duvido que alguém ainda não tenha passado por isso, haha! Então, seja por curiosidade, por saudade ou simplesmente por vontade de ler uma boa história — afinal, tem jeito melhor de matar o tempo até a estreia do filme?? —, super-recomendo o Anjo Mecânico como leitura para as férias!
Um beijo da Paula (Di)

Nas Sombras - Fernanda Moura

“Lê, Fê. É MUITO bom”. Foi com essa frase que tive o incentivo para começar a ler Nas Sombras. Confesso que fiquei meio desacreditada –– nunca tinha lido um livro com fantasma ––, mas me surpreendi, e muito! Nas Sombras encanta com a maturidade de uma personagem de apenas 16 anos, que é capaz de cativar por estar em uma situação tão inusitada. Aura passa toda a sua vida tendo que lidar com o fato de ouvir e ver fantasmas. Quando a banda do seu namorado, Logan, faz um supershow, acontece o pior. Na festa de comemoração, ele morre de overdose. Mas volta! Passa a fazer parte da vida dela exatamente como antes, só que sem poder tocá-la ou ser visto, sem poder estar em todos os lugares, ou seja... Não é exatamente como antes. E agora? Da mesma forma que comecei, digo pra vocês: Leiam, galera! É MUITO bom. Amei, com direito a chororô e tudo que tem direito quando se está lendo um livro daqueles! Beijinhos, Fê. :)


Psycho Killer (Gossip Girl) - Juliana Moreira

Ser capaz de recriar um mega sucesso editorial, trazendo toda a atmosfera de luxo, riqueza, glamour - e, ainda, aquelas intrigas que nós adoramos - para um contexto totalmente cômico e sangrento? Sim! Não tem como não amar Gossip Girl - Psycho Killer!  Eu sempre fui uma fã de carteirinha da série (seja nos livros, na telinha, em qualquer formato). Quando a Cecily veio para a Bienal e tive meu primeiro livro autografado, foi só felicidade. Acredito que quando se trata de GG sou daquelas fãs facinhas. Sempre irei sair como uma pessoa suspeita por estar elogiando algum livro que remeta a série. De qualquer forma, garanto – mesmo! - a diversão. É girar a chave daquele pezinho no humor-negro e acelerar: página 1 e VAI. :D


Escolhas de Formatura (Sociedade Secreta - Vol. 4) - Marcela de Oliveira

De muitos livros legais que li esse ano aqui na Galera, o melhor foi Escolhas de formatura. Quem acompanha a série Sociedade Secreta já devia estar morrendo de ansiedade para o último volume. E, acreditem, o livro está maravilhoso. A Diana Peterfreund é uma autora incrível! Ela criou uma trama muito boa, emocionante, cheia de reviravoltas até o último minuto. Você fica louca querendo devorar tudo até o final para saber o que vai acontecer e, ao mesmo tempo, triste porque está acabando. A história é fofa, mas tem sempre aquele clima de mistério por trás. É de tirar o fôlego de tão bom. Sem falar na protagonista, que é demaaais! Sério, ela é fofa, inteligente e divertida! Muito girl Power! E esse clima de universidade, formatura chegando, escolhas difíceis a fazer... Me identifiquei muito – com exceção da sociedade secreta, é claro... Quem sabe!

17 de dez de 2012

TONS DA GALERA - O NOVO PRETINHO BÁSICO?



Tenho notado que os perfumes estão sendo cada vez mais valorizados pela indústria da moda para contar uma história e lançar suas campanhas de marketing. É claro que muitos se lembram de campanhas como as dos perfumes Calvin Klein dos anos 1990 que fizeram de Kate Moss a maior top model da época, mas parece que esse tipo de publicidade ou o uso de um aroma personalizado numa determinada loja não tem sido mais suficiente.

No final de novembro fui no 39° encontro do bureau de estilo da Renata Abranchs que prometia, entre fotos e vídeos com as tendências para o Verão 2014, uma degustação olfativa. Eu, grande fã de cheiros e perfumes desde criança, fiquei intrigada! O que seria isso? Pois bem, conforme Renata ia apresentando o vídeo com cada macrotendência para a estação, um aroma desenvolvido em parceria com a Jing invadia a sala, e deixava todos no clima das imagens que passavam no telão. As estampas tropicais vinham acompanhadas de cheiros de frutas e flores exóticas, e a tendência sensual que vai vir forte no verão daqui a dois anos tinha cheiro de pele, de gente! Foi incrível! 


Quem melhor que a maison Chanel, criadora do perfume mais famoso e mais vendido de todos os tempos (Chanel n 5, lógico) para nos assegurar que um bom perfume pode ser sim o novo pretinho básico? No meio do ano Chanel lançou Coco Noir, num vidro preto que já está se tornando sucesso de vendas e motivo de suspiros por sua embalagem de design elegante, recheado de notas como musk, sândalo, incenso, baunilha, bergamota, rosas, narciso e gerânio. Ufa! 


Quando a cor preta é associada a um perfume, parece também que não dá para evitar a presença do elemento sexy. Bvlgari tem em seu Jasmin Noir fãs como ninguém menos que Angelina Jolie. Tom Ford lançou no início do século XXI seu Black Orchid, tendo pedido ao laboratório que desenvolveu a fragrância, para que ela evocasse o cheiro da “virilha de um homem”. Exagero! Mas o perfume tem um potencial sim de reforçar o cheiro natural da pele de quem usa. É difícil explicar!
Parece mesmo que esses criativos viajam quando querem criar seus cheirinhos dark. Talvez a maior novidade do ano no mundo dos perfumes tenha sido quando Lady Gaga lançou seu primeiro vidrinho, batizado de Fame. Conhecida extravagante, Gaga quis usar sêmen, sangue e até veneno na composição de seu primeiro perfume, mas desencorajada pelo laboratório que criou a fragrância com ela (ainda bem, né não?) a diva se conformou em lançar um cheirinho sensual e meio doce para chamar de seu, composto por beladona (uma das plantas mais tóxicas encontradas no hemisfério ocidental), mel, açafrão, damasco, orquídea e jasmim sambac. O cheiro é surpreendentemente feminino. Mas Gaga amarrou a campanha, como boa marketeira que é, com anúncios surrealistas estrelados por ela própria, claro, e lançando o primeiro perfume preto da história! O líquido dentro do vidro é negro, mas fica transparente ao entrar em contato com a pele e o ar, e Gaga acabou lançando uma surpreendente inovação da patente da tecnologia de fluído, lançada exclusivamente para Fame. As possibilidades agora são infinitas, serão copiadas, e em breve você terá um vidrinho com perfumes de cada cor e de diferentes laboratórios na penteadeira! Quem sabe não vai dar para combinar cada um com a roupa do dia?
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Alda Lima começou a respirar moda ainda na barriga da mãe, que viajava a trabalho para pesquisar e comprar as últimas tendências. Formada em Cenografia, hoje trabalha com Visual Merchandising e Produção de Moda numa grife carioca. Nas horas vagas traduz para a Record, vê séries e filmes, e e alimenta os vícios no Pinterest e em cheesecake.

14 de dez de 2012

Papos de Sexta – O instagram do vizinho é sempre melhor (por Frini Georgakopoulos)

Vamos brincar com uma teoria louca: digamos que o final do mundo se aproxima (ou não) e que (ou quando) alienígenas chegarem à Terra, tudo que restou da humanidade são alguns grupos de sobreviventes e o Facebook, o Twitter e o Instagram. Nada de Google, enciclopédias, livros, documentos, jornais... só redes sociais com o conteúdo que fora postado nelas antes do fim. O que eles veriam?

Levemos em consideração a timeline, os seguidores e os “amigos” de cada um que está lendo esse texto. Aposto que a maioria é composta por fotos de viagens incríveis (que você não foi), de festas imperdíveis (que você perdeu), de coisas caras (que você não tem) e de shows maravilhosos (que o orçamento não permitiu), com o post ocasional de algo “profundo” com dizeres de Clarice Lispector, por exemplo, ou de compartilhamentos de mensagens sarcásticas. Aposto que sua cabeça está balançando com cada linha escrita acima. Pois é, a minha também. Se tudo que tivéssemos para entender a vida em nossa atual sociedade fossem as mídias sociais, seríamos todos tachados de invejosos, exibicionistas e/ou recalcados. E não somos?

Qual a razão de se usar uma rede social? Compartilhar o que pensamos, sentimos, conquistamos e o eventual desabafo. Mas o que procuramos com isso? Aquela famigerada estrela dourada que ganhávamos na escola e mostrávamos com orgulho para nossos pais. Só que aqui, ela é disfarçada por comentários, likes, RTs, shares. Não importa o quão ricos somos, ou felizes, ou bonitos, ou bem sucedidos, a grama no Instagram do vizinho sempre será mais verde. 

Você viajou para um lugar paradisíaco e sua amiga (ou não tão amiga assim) está lá agora — bate a inveja “branca” de querer estar lá também.

Você emagreceu cinco quilos e compartilha o avanço no plano Verão 2013 — sua amiga (mais uma vez, ou não tão amiga assim) posta uma foto de biquíni... Ela tem dez quilos a menos do que você.

Você conquistou uma grana legal com freelas e comprou o tal celular que tanto queria — seu colega (pronto, assumi que não é amigo) compra um tablet e um celular ainda mais avançado que o seu, com capas lindas (meu foco é sempre no acessório! rs...)
Não adianta dizer “Que horror! Eu não tenho tanta inveja assim!”. Sorry, tem sim, porque você é um ser humano social e que tem a vontade de compartilhar com os outros as coisas bacanas que acontecem com você. O que importa não é a cor da inveja sentida, mas como você permite que ela afete seu humor, suas decisões.

Chegando dezembro, penso muito em como foi o ano, como quero que o próximo seja e traço algumas metas (só algumas, porque deixar espaço para o inesperado é essencial e bom demais!) e o plano de ação para conquistá-las. Parece chato, mas sou libriana e preciso de ordem e harmonia, então, me deixem! :) Continuando, uma dessas metas foi valorizar mais o conteúdo do meu Instagram, do meu perfil no Facebook e no Twitter. Não, não é loucura de quem curte o digital. É filosófico e metafórico. 

Se valeu a pena postar é porque fez diferença pra mim então quero valorizar isso, ver como cresci ou o que não devo repetir. Claro que nem tudo merece esse nível de importância ou reflexão (fala sério! Ninguém merece!), mas, pra mim, é importante curtir o que acontece na minha vida para poder aplaudir genuinamente o que acontece na vida dos que compõem a minha timeline, que me seguem, que me retuitam, que me curtem. 

Tudo isso foi, basicamente, para contar uma resolução de ano novo que fiz para mim e para quem quiser compartilhar: se algo te incomoda, descubra por que isso precisa ser assim e mude. Como diz a Nike: descubra sua grandeza e JUST DO IT! Feliz 2013, galera!

12 de dez de 2012

GALERA POP – O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA


Grandes diretores se destacam pelo seu jeito de contar uma história. Não que sejam todas iguais, mas a narrativa imprime uma unidade de temas e ideias. Quando, então, um grande diretor como Peter Jackson se propõe a contar uma saga, a unidade fica mais clara entre as peças separadas. O Hobbit, escrito em 1932 (mas publicado em 1937) por J. R. R. Tolkien com a proposta de ser uma história infantil, e O Senhor dos Anéis (publicado em 1954), a sequência épica do mesmo autor, têm tons diferentes e nem sempre dialogam bem entre si. Com a vantagem de já ter concluído a obra mais difícil, Peter Jackson agora adapta O Hobbit para as telas à procura desta unidade, deste pé de igualdade entre as pontas distantes da saga. Seu O Hobbit é uma obra paralela ao seu O Senhor dos Anéis, que aponta para os eventos futuros da saga, amarra tramas soltas e enxerga temas comuns nos livros de Tolkien.


De novo há um príncipe exilado e sem trono (Thorin/Aragorn) cujo reino depende de uma criatura pequena, mas de grande estatura moral que ainda duvida da própria coragem (Bilbo/Frodo). De novo há um mal ancestral (Smaug/Sauron) a ser derrotado. Falta em O Hobbit, o livro infantil descompromissado, a ameaça urgente (o Anel) que lhe dê um tom épico (o dragão é tão mal utilizado pelo autor que não conta); inteligentemente, para tornar o “seu” O Hobbit um épico à altura dos que já dirigiu, o diretor justamente reforça a ideia de unidade com os três O Senhor dos Anéis e dá mais impacto narrativo ao dragão Smaug do que Tolkien. É neste momento que O Hobbit, o filme, assume um ar épico que não tem nas inocentes páginas de conto de fadas para crianças. Em cenas que provocam arrepio nos fãs, Jackson planta a semente do retorno de Sauron, da traição de Saruman, da animosidade entre elfos e anões, e até mesmo da tortura de Gollum para revelar a localização do Anel (ouçam bem os guinchos agoniados de “Baggins!”, exatamente os mesmos que repete em Minas Morgul ao ser torturado em A Sociedade do Anel). Como contador da mesma grande história, Peter Jackson se vale da vantagem dos anos à frente de Tolkien para amarrar a trama de uma forma que o escritor não conseguiu nas páginas, a não ser através de apêndices e de outras publicações paralelas.


É nestes momentos de diálogo entre as obras que O Hobbit – Uma Jornada Inesperada ganha força. O esplendor e glória do grande reino anão Erebor (não, não é tema de desfile de escola de samba), a guerra entre orcs e anões, a reunião dos mandachuvas da Terra Média são os mesmos artifícios de que Jackson se valeu na trilogia O Senhor dos Anéis para pintar o grande quadro histórico da Terra Média ao fundo enquanto narra, em primeiro plano, uma jornada perigosa de um grupo de aventureiros (a Sociedade rumo a Mordor/a companhia de anões a caminho da Montanha Solitária). Parece formulaico, e é: o diretor imprime o mesmo estilo narrativo e bate nas mesmas teclas para criar uma coesão, tornar todos os filmes capítulos da mesma saga. É o que jamais aconteceu com Guerra nas Estrelas por vários fatores, a começar pelas limitações de George Lucas como cineasta, passando pela troca de diretores ao longo dos anos, e principalmente por nunca ter havido uma história completa à disposição do narrador. Jackson, porém, teve a faca e o queijo na mão: ele era o único diretor contratado e a trama já estava completa, à espera na prateleira de quem quisesse contá-la. Apesar de haver a curiosidade de saber como seria O Hobbit – Uma Jornada Inesperada dirigido por Guillermo del Toro (que teria assinado o longa-metragem sob a produção de Jackson), não havia pessoa mais indicada para narrá-la do que o próprio Peter Jackson.


Dito tudo isso, O Hobbit – Uma Jornada Inesperada é um filme bom? O longa-metragem é uma aventura juvenil correta que tem cenas exageradamente falsas (mesmo dentro do contexto fantástico) para render na exibição em 3D. Há repetições em excesso de ideias, como a correria por plataformas instáveis (ecos das Minas de Moria e até do King Kong do mesmo Peter Jackson), e a existência de um super orc para ser antagonista do herói (aqui é o orc Azog versus Thorin, como foi o uruk-hai Lurtz versus Aragorn). Nestes momentos, o filme falha e é pobre, mas são ressalvas menores, são problemas de roteiro; quando Peter Jackson exerce a intenção de unir narrativamente os livros, aí sim O Hobbit – Uma Jornada Inesperada evolui de prólogo de O Senhor dos Anéis para um status de saga que jamais teve no papel. Se a impressão vai se sustentar por mais dois filmes, só as continuações de 2013 e 2014 dirão.


O trailer e outras informações estão no site da distribuidora: http://wwws.br.warnerbros.com/thehobbitpart1/index.html

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André Gordirro, 39 anos, carioca, tricolor, escreve sobre cinema há 18 anos. Passou pelas redações da Revista MancheteVeja Rio, e foi colaborador da Revista SET por dez anos. Atualmente colabora com aRevista Preview e GQ Brasil. Leva a vida vendo filmes, viajando pelo mundo para entrevistar astros e diretores de cinema e, claro, traduzindo para a Galera Record. Nas horas vagas, consegue (tenta...) ler gibis da Marvel, jogar videogames e escrever o primeiro romance (que um dia sai!).

10 de dez de 2012

SONS DA GALERA - OS MAIORES HITS DE 2012

(Na minha humilde opinião)
1. Carly Rae Jepsen – Call me maybe

Como ficar alheio ao hit “Call me maybe”? Ame ou odeie, a coroa é dela. Carly Rae Jepsen, a canadense de 27 anos, aposta de Justin Bieber, teve o maior hit do ano! É pop, é chiclete, tem qualidade, o clipe é divertido e ela é fofa! “Call me maybe” — que ultrapassa as 356 milhões de visualizações no YouTube — é o primeiro single do primeiro álbum da Carly — “Kiss”!



2. Maroon 5 – One more night
Com três shows LOTADOS no Brasil, esse foi o melhor ano da carreira da banda Maroon 5 — que pegou uma carona com a participação do Adam Levine no The Voice. Igualando o número de semanas em #1 do hit “Call me maybe”, “One more night” — o segundo single do álbum “Overexposed” — ficou 9 semanas em #1 no Hot 100 da Billboard. No vídeo Adam aparece em toda sua glória, sem camisa, lutando boxe. É hit!



3. Gotye – Somebody that I used to know
O hit improvável do ano pertence ao Gotye (nome artístico do belga-australiano Wally De Backer). Inspirado num quadro de seu pai, Gotye transformou em arte o vídeo da canção “Somebody that I used to know” e se tornou em um dos vídeos mais assistidos do ano no YouTube com mais de 354 milhões de visualizações. A música ficou em #1 no Hot 100 da Billboard por oito semanas. Aqui no Brasil ficou meses em #1 no iTunes e com alta execução nas rádios até hoje. A faixa tem a participação da cantora Kimbra e faz parte do maravilhoso álbum “Making Mirrors”.




4. Kelly Clarkson – Stronger (What doesn’t kill you)
Ganhadora do primeiro American Idol, Kelly Clarkson continua a mais bem sucedida artista a ser revelada pelo programa (a disputa pelo título de mais bem sucedida American Idol com Carrie Underwood é acirrada!). Esse ano a cantora lançou o álbum “Stronger” e a faixa título alcançou o topo da Billboard. Em um clipe descontraído (no qual Kelly aparece dançando!) e com participação dos fãs, Clarkson nos dá de presente uma das melhores faixas pop do ano!



5. Taylor Swift – We are never ever getting back together
“We are never ever getting back together” alcançou rapidamente o status de clássico! O primeiro single do álbum “RED” foi direto para o #1 no Hot 100 da Billboard — onde permaneceu por três semanas — e se tornou o single mais vendido por uma artista feminina em uma semana com mais de 600 mil downloads! A música perfeita para cantar para a(o) ex-namorada(o) gritando aos berros. É hino! Então aumenta o som e dá play e canta!

“Weeeee-E Are never ever ever EVER getting back together!”



6. Jessie J – Domino
Jessie J é uma das maiores revelações da música pop britânica. O primeiro álbum “Who You Are” foi lançado no ano passado, mas “Domino” foi o single do relançamento dele no início desse ano. A moça é mais conhecida aqui no Brasil pelo hit-viral “Price Tag” que até hoje toca exaustivamente nas rádios, mas foi com “Domino” que ela conheceu seu lugar ao sol nos Estados Unidos alcançando o cobiçado Top 10 do Hot 100 da Billboard. Um fato curioso: Jessie J é a autora do hit “Party in the USA” que conquistou o mundo na voz da Miley Cyrus. ;)



7. P!nk – Try
P!nk é amor. P!nk sempre faz as melhores performances ao vivo. P!nk canta muito! P!nk sempre lança os melhores álbuns! “Try” é o segundo single do álbum “The Truth About Love” e tem simplesmente o MELHOR VÍDEO DO ANO e ai de quem disser o contrário! Sério, dá uma olhada.


E pra quem acha que é truque de estúdio, confere ela reproduzindo o vídeo ao vivo no American Music Awards! O-M-G! =O



8. Of monsters and men – Little talks
Saindo um pouco do mainstream, quem ganhou destaque foi o Of monsters and men. Se vocês não conhecem, vale a pena. A banda islandesa de rock indie lançou o melhor álbum de 2012 —de acordo com a Amazon — “My head is an animal”. O primeiro single é a animadinha “Little Talks”. O segundo single “Mountain Sound” também merece destaque. Eles aparecem aqui pelo Brasil ano que vem pro Lollapalooza! Eu estarei lá!



9. Rihanna – Diamonds
Shine bright like a Diamond! Com tantos hits na carreira fica difícil escolher um só, Rihanna!!!! Mas "Diamonds" merece todo o reconhecimento: há duas semanas no topo da Billboard, a faixa já ultrapassou todos os seus hits anteriores e se torna o mais bem sucedido single da cantora de Barbados. A música também é #1 há duas semanas aqui no Brasil!!!! \o/




10. Lana Del Rey – Ride
Não tem como passar 2012 sem mencionar Lana Del Rey. Controversa, parece mais ter saído de um seriado americano de 1960, lançou o álbum “Born to die”. Maravilhoso, intenso, melancólico, foi relançado mês passado. “Born to die – The Paradise edition” traz o lindo single “Ride” com um vídeo ainda mais lindo.



11. fun. – We are young
Foi muito difícil fechar a conta em 10 hits e para não cometer injustiça eu fechei a conta em 11! O fun. lançou a maravilhosa “We are young” e ficou semanas em #1 na Billboard! A faixa faz parte do álbum “Some nights”. Aumenta o som, bota as mãos pra cima, aperta o play e, para fechar 2012, vamos cantar:

“TONIGHT! WE ARE YOUNG! SO I SET THE WORLD ON FIRE! WE CAN BURN BRIGHTER THAN THE SUUUUUN!”



Boas festas! E que 2013 seja ainda mais incrível que 2012! :)
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Quando eu era pequeno eu tinha tantos livros que quando eu terminava de ler, eles viraram grandes labirintos, metrópoles à-la-Gotham City ou elaboradas pontes para os meus carrinhos. Amante dos livros e da música, tive a sorte de poder trabalhar com os dois e, o melhor de tudo, ao lado de grandes amigos!

7 de dez de 2012

PAPOS DE SEXTA - VIAJANDO NO TEMPO OU NA MAIONESE, POR GAROTA IT (PÂMELA GONÇALVES)

Inspirada pelo livro da Carina Rissi, a mesma autora de Procura-se um marido, eu fiquei um tempo pensando para que época eu gostaria de viajar se tivesse a oportunidade. 

Provavelmente não escolheria o passado. Sou uma aficionada por tecnologia que não consegue viver sem as “mordomias” da nossa época. Sem internet? Nem pensar! Por isso, acho que eu iria gostar de viajar para o futuro. O grande problema é: o que seria o futuro? Com o passado já temos a segurança de saber o que aconteceu, como eram os costumes, as roupas, a política etc. Mas e se eu fosse para o futuro? O que poderia encontrar lá?

Certamente, torço para que os cientistas sigam as sugestões de Scott Westerfeld, hahaha. Seria legal ter uma cidade autossuficiente. Uma interface capaz de saber e disponibilizar o que a gente precisa. Pranchas voadoras e jaquetas de bungee jump parecem ser muito legais. Mas aí vem o grande problema, essas coisas parecem legais. Mas qual será a evolução da nossa sociedade? O mais provável é que muitas outras “tranqueiras” que possibilitam conforto ou diversão sejam inventadas, mas os riscos de muita coisa dar errado também são grandes.

Olha só eu aqui falando de futuro e mal sabemos se o mundo vai ou não acabar no dia 21 de Dezembro de 2012. Eu não acredito nisso, é claro, mas acredito que o mundo termine em um apocalipse zumbi. Charlie Higson, em O Inimigo, teve uma boa sacada e pode ser uma previsão para o futuro que nos espera. Uma doença que acabe transformando várias pessoas em criaturas horrendas e perigosas!

Pensando bem... acho que é bem melhor ficar no presente mesmo. Tenho o conforto que não teria no passado e não tenho o perigo de uma multidão de zumbis querendo o meu cérebro. Por enquanto.

Além disso, essa coisa de viagem no tempo sempre me confunde. É sempre curioso pensar que a nossa realidade pode ser só uma das realidades paralelas que estão acontecendo em lugares, de formas e tempos diferentes. 

Minha imaginação está fértil hoje, nem liguem. Só me contem uma coisa: Para qual época vocês gostariam de viajar? E se for para o futuro, como vocês imaginam que seja?

5 de dez de 2012

GALERA POP – AS AVENTURAS DE PI

A adaptação do livro A Vida de Pi pelas mãos de Ang Lee (Hulk, O Segredo de Brokeback Mountain) é um triunfo de lirismo visual, em uma das poucas oportunidades no cinema em que o 3D é mais uma ferramenta narrativa e menos um engana-trouxa para faturar na bilheteria. Batizado de As Aventuras de Pi pela distribuidora nacional, o longa-metragem é uma fábula — e, como tal, passeia por vários temas, da existência de Deus à sobrevivência, passando pela maturidade e amizade.

A história é simples, mas fascinante: um rapaz de 17 anos passa 227 dias em um bote salva-vidas com um tigre de bengala. Como ele chegou a esta situação? O indiano Pi — ou Piscine, nome que lhe rendeu apelidos cruéis no colégio — foi criado no zoológico dos pais, que decidem se mudar para o Canadá. A família embarca (com os animais) em um navio que afunda. Apenas Pi e alguns bichos sobrevivem em um bote, mas o tigre chamado Richard Parker dá cabo do resto da fauna. Agora, Pi e Richard Parker precisam conviver em um espaço confinado, menino e fera, em uma jornada com tempestades, racionamento de víveres, tensão entre os colegas de bote, e até uma inacreditável ilha canibal.

O filme já deixa claro que Pi sobreviveu: o filme é contado pelo próprio protagonista, mais velho, que narra a aventura para um escritor. Mas isto não mata a tensão das agruras vividas pelo menino, que se mostra tão engenhoso quanto na época em que se autoapelidou de Pi, o lendário número matemático, para se livrar da perseguição (recuso-me a escrever bullying) dos colegas. Talvez o recurso até ajude a tornar a jornada ainda mais envolvente, pois o espectador passa a torcer para Pi e Richard Parker enfrentarem mais perrengues, uma vez que a sobrevivência do herói está garantida.

Na narrativa do Pi adulto, tudo pode ser mentira ou verdade — como em uma fábula, são as alegorias e metáforas que importam, e neste quesito Ang Lee se vale de um visual impressionante e imersivo para colocar o espectador em um bote, ao lado de um tigre feroz e de um rapaz habilidoso. Mas o grande acerto do diretor é ser lúdico sem ser piegas, ser edificante sem ser chato, é falar de religiosidade e ser ecumênico, usar computação gráfica e 3D para ajudar a contar a história. É uma conquista tão grande — e tão difícil — quanto sobreviver em alto-mar dentro de um bote com um tigre.

O trailer e outras informações estão no site da distribuidora: http://www.foxfilm.com.br/
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André Gordirro, 39 anos, carioca, tricolor, escreve sobre cinema há 18 anos. Passou pelas redações da Revista MancheteVeja Rio, e foi colaborador da Revista SET por dez anos. Atualmente colabora com aRevista Preview e GQ Brasil. Leva a vida vendo filmes, viajando pelo mundo para entrevistar astros e diretores de cinema e, claro, traduzindo para a Galera Record. Nas horas vagas, consegue (tenta...) ler gibis da Marvel, jogar videogames e escrever o primeiro romance (que um dia sai!).

3 de dez de 2012

TONS DA GALERA - MADONNA E A MODA

Pegando carona na vinda ao Brasil daquela que já foi a maior diva pop do planeta, fiquei lembrando como ela influenciou a moda. Sim, Madonna já foi sinônimo máximo de all things cool. Todo tipo de inovação em comportamento e figurino que Madge lançou nos seus 30 anos de carreira são reeditadas, copiadas ou repetidas até hoje. Quer ver?

No início da carreira, como típica garota dos anos 1980, Madonna abusava do cabelo cheio de laquê e laçarotes, além de acessórios de crucifixo, camisetas e leggings de renda, muitas e muitas pulseiras (sabia que os bureaus de estilo decretaram recentemente que o maxicolar vai dar espaço às maxi — e muitas —- pulseiras?). Não podemos esquecer também das camisas cropped (super na moda hoje) e figurinos de noiva ao cantar Like a Virgin (o scarpin branco, pasmem, também voltou recentemente). 

Passado os dois primeiros álbuns, Madonna radicalizou tosando o cabelo platinado (Miley Cyrus aderiu ao corte esse ano) e apostando em t-shirts com statements ousados como no clipe de Papa Don’t Preach. Todo mundo lembra como essas camisetas já voltaram e foram embora até cansar. No momento, elas estão voltando, apesar de ninguém aguentar mais.

O início dos anos 90 viu Madonna lançando um de seus mais icônicos clipes, Vogue, cuja coreografia inspira artistas até hoje (Bad Romance, alguém?) e onde vestia pela primeira vez o sutiã de cones feito por Jean Paul Gaultier, usado à exaustão na turnê Blonde Ambition, e que inspirou até embalagem de perfume! Nessa mais recente turnê Madonna usa um modelo reinventado do tal sutiã, mais uma vez desenhado pelo amigo Gaultier. Vale lembrar que Dolce & Gabanna e Ricardo Tisci para Givenchy também estão sempre desenhando peças exclusivas para a cantora ou inspiradas por ela, outra prova que a (quase sempre) loira e a moda andam juntas.

Na fase do CD Erotica, Madonna lançou um look sadomasô, com faixas de couro e chicotes, e de repente um belo dia vimos os vestidos bandage de Hervé Leger virando febre, inclusive no Brasil. Alguma relação? Com Bedtime Stories Madonna fez virar modinha o microcristal no nariz, as sobrancelhas finas ou descoloridas (Oi, Lara Stone!), e batons e unhas vinho bem escuro (logo depois o esmalte Vamp da Chanel virou hit). As meninas que cresceram nos anos 90 se lembram bem. 

Migrando na hora certa para a música eletrônica, que em seguida explodiu, a diva adotou cabelos partidos ao meio e ondulados, até hoje imitados todo santo ano na cabeça das angels da Victoria’s Secret. Uma breve fase oriental depois, e Madonna lança o clipe Music, a tempo da febre da moda bling bling, adotada prontamente pelos rappers. O clipe de Don't Tell Me trouxe a loira num clima cowboy chique, que Isabel Marant tornou marca registrada em seus desfiles.

Vale lembrar que as modas lançadas pela cantora não se resumem às roupas. Ioga, cabala, Girl Power (Express Yourself lançou o movimento, e as Spice Girls só pegaram carona)... Madonna faz e o mundo imita. Hoje ela lucra com a força de sua influência no mundo fashion com a linha de roupas Material Girl, que lançou com a filha.

O que vocês acham? Madonna imita a moda (antes da maioria dos meros mortais) ou a moda imita Madonna? A "material girl" ainda é sinônimo de cool?

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Alda Lima começou a respirar moda ainda na barriga da mãe, que viajava a trabalho para pesquisar e comprar as últimas tendências. Formada em Cenografia, hoje trabalha com Visual Merchandising e Produção de Moda numa grife carioca. Nas horas vagas traduz para a Record, vê séries e filmes, e e alimenta os vícios no Pinterest e em cheesecake.

30 de nov de 2012

Papos de Sexta - Especial: Carta de Diana Peterfreund

Olá, Brasil!

Gostaria de começar agradecendo muito a todos vocês por lerem “Zumbis x Unicórnios”, principalmente os leitores do Time Unicórnio. VAMOS LÁ, TIME!

Gostaria também de assinalar o quanto a Justine deixou esse debate injusto. Ela e o Scott estão no Brasil, com todos vocês — e ambos representam o Time Zumbi. Não tem nenhum representante dos unicórnios por aí!

Para piorar as coisas, a Justine é a líder da operação dos comedores de cérebro! Pergunto a vocês: isso é justo? Isso é certo? Mas é assim que os zumbis são. Eles nunca fazem o que dizem que vão fazer. Eles estão mortos, e não estão. Andam devagar... a não ser que estejam correndo, tipo, correndo de repente! Na verdade, zumbis nem podem ser mortos como criaturas normais. “Cortar a cabeça ou destruir seu cérebro???” Que tipo de maluquice é essa? Monstros mentirosos e desleais!

Unicórnios, por outro lado, são nobres e verdadeiros. Em todas as culturas, em todas as histórias, unicórnios são criaturas com as quais você pode contar. Em mitos asiáticos antigos, o unicórnio é uma das quatro nobres bestas, ao lado de dragões, fênix e tartarugas. Na China antiga, um unicórnio tinha um lugar na corte do imperador Han, distribuindo justiça infalível por meio de seu chifre fatal. Na Europa, o unicórnio era a mais selvagem das criaturas e seu chifre um símbolo de pureza que era capaz de neutralizar o efeito de venenos. Em Harry Potter, matar um unicórnio é um ato terrível, embora seu sangue possa manter algo vivo quando nada mais pode. O símbolo da realeza escocesa é um unicórnio, e na arte eles são muitas vezes representados como um símbolo de Jesus Cristo.

Alguém já escolheu um zumbi como símbolo? Não... Nem mesmo Jesus, que realmente levantou dos mortos. É claro que os unicórnios são a melhor escolha.

Porque é assim que os zumbis são: representantes da escravidão nas ilhas caribenhas; da morte e da doença nos filmes e livros contemporâneos. São a destruição do mundo. A devastação e a ruína.

Unicórnios, por outro lado, representam a natureza, a força, o renascimento, a cura. Unicórnios são fortes e majestosos, belos e fortes, enquanto os zumbis são lerdos e vacilantes, corpos podres que podem ou não ser escravos estúpidos. A resposta é uma só: O Time Unicórnio representa o BEM.
Diana Peterfreund, autora de “Sociedade Secreta” e do conto “O cuidado e a alimentação de seu filhote de unicórnio assassino”, em “Zumbis x Unicórnios”.

28 de nov de 2012

Galera Pop - Sobre The Inbetweeners US e queimar minha língua

Will, Simon, Jay e Neil
Eu sempre tive uma queda por séries (filmes, pessoas, livros, vidas...) britânicas, ponto. Não sei explicar exatamente o porquê, ou quando isso começou a acontecer. Mas eu tenho essa leve impressão de que as coisas do Reino Unido são mais chiques, engraçadas e bem “pensadas”, quem entende. 

O fato é que sempre que inventam de fazer uma adaptação americana de séries inglesas eu fico com MUITA RAIVA. E xingo até a última geração da mente brilhante que decidiu isso. Poxa, não é como se faltasse ideias originais aos americanos, American Horror Story é uma série relativamente nova, e incrível, que tá aí para provar isso.

Quando anunciaram a produção da versão ianque de Skins eu fiquei chocada, mas como a viciada que sou, não pude deixar de ver. Que arrependimento. Acho que não aguentei nem seis episódios. E acredite, a coisa precisa ser bem ruim para eu chegar nessa altura da temporada e largar. Dito e feito, não garantiu nem duas temporadas.
Não vou entrar no mérito de que SkinsMisfits e séries do tipo devem seu charme cool aos personagens estereotipados ingleses, e mudar isso acaba com 50% da graça do programa.

Mas um belo dia, depois de xingar muito no twitter “OMG! Mais uma série inglesa maravilhosa para os americanos destruírem: The Inbetweeners”...
Eu assisti. E AMEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Queimei minha língua totalmente (o que acontece bem mais do que eu gostaria de contar!)

A série americana é quase tão boa quanto a inglesa. E, por mais difícil que seja admitir, é muito mais engraçada.

The Inbetweeners US 

A série da MTV nos mostra as vida de quatro adolescentes que não querem muita coisa na vida além de conseguir garotas. Agora é só imaginar aquele tipo de garoto que todas nós passamos nossa adolescência abominando: esses são os protagonistas de The Inbetweeners.

Os garotos

Will - O protagonista se veste, e age, como um adulto, se apaixonada por praticamente qualquer garota bonita que vê pela frente. A abordagem e o resultado a gente já imagina como é, totalmente #fail. Mas é a narração do rapaz dos acontecimentos da vida dele e dos amigos que fazem a gente rir até doer a barriga! Eu gosto de shows assim, onde minhas risadas possam acordar todos os habitantes da minha casa (e os vizinhos!). Garanto que The Inbetweeners consegue. 
Neil - Que dó! Ele é todo bobão, acredita em tudo que falam e só fica bravo quando falam que o pai dele é gay. O ator dá um show e você às vezes até esquece que aquele não é ele. Sou apaixonada pela versão americana do Neil, ele é mais bonitinho, engraçado e tem aquela coisa que faz a gente amá-lo sem nem saber o porquê. 
Jay - mente e exagera muito quando vai contar das suas “aventuras”. Claro que ninguém acredita (além do Neil), mas nem por isso ele deixa de inventar umas barbaridades para contar para os amigos. QUE BOCA SUJA. 
Simon – Provavelmente o que mais se encaixa na categoria “boyfriend material”, fofo, bonito e super-romântico. Até demais! Completamente apaixonado pela amiga de infância, Carlie, ele faz qualquer coisa — eu digo QUALQUER COISA mesmo — para conseguir conquistá-la. O pobre só não percebe que ela só o quer como amigo e não está nem perto de deixar seu namorado. 

O nome, The Inbetweeners (algo como “no meio”) é um termo que explica mais ou menos o lugar deles na “cadeia alimentar” da popularidade: não são os mais populares, mas também não são os losers (tenho sérias dúvidas a respeito).

Na versão britânica os personagens são os mesmos. Mesmos nomes, personalidades, ambiente familiar. Eu imagino que eles terem mantido as características principais e apenas traduzido para um american way of life fez a série ser tão boa. Não mudaram nada da essência, o que vamos combinar, quase sempre acontece em adaptações estrangeiras.

Nota máxima para MTV e elenco. Nota 0 para mim (e minha cabeça dura) que odiei o seriado antes mesmo de assistir, e, vamos lá, 8 para minha curiosidade que não deixou que eu perdesse essa...

Xoxo,
Nanda
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Meu nome é Fernanda, mas podem me chamar de Nanda. Tenho (quase) 22 anos, mas juro que pareço ter 16. Estudo jornalismo porque depois de assistir Smallville, decidi que queria ser a Chloe. Sou apaixonada por cultura pop, e fiquei um bom tempo tentando decidir se gostava mais de ler, ver séries ou filmes. Acabei decidindo que tanto faz. Eu gosto de todos! (Mas acho que ter 32 séries na minha watch list responde essa dúvida).