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17 de mar. de 2016

Design et cetera: 4 livros feministas da Galera e por que lê-los

Meu post hoje vai pegar carona no Dia Internacional da Mulher e deixar de lado um pouco o design pra falar de feminismo. Ainda tem MUITA gente que não entende direito o que é feminismo e desconhece a necessidade das mulheres de lutarem pelos direitos iguais e pelo empoderamento.

Às vezes, entre uma cantada e outra na rua, ou sempre que vejo uma menina chamando outra de vários nomes feios, brigando e julgando umas às outras, me dá uma preguiça enorme de lutar por algo que, infelizmente, ainda falta muito para ser vencido. O que fazer nessas horas, gente?

Simples. Leia um livro. Feminista. E indique para uma amiga.

Aos poucos, uma empresta à outra e, com a ajuda de autoras poderosas e personagens femininas fortes, o mundo vai mudar.

Minha primeira dica do dia é:




Vamos juntas? da Babi Souza

POR QUE LER?

Recém chegado da gráfica e ilustrado e LINDO, o livro é um guia sobre sororidade, que é a BASE do feminismo. Incentiva a gente, enquanto mulher, a apoiar umas às outras, sem essa de competição, de julgar a vida sexual, o corpo, a vida afetiva das migas. Se a gente quer acabar de uma vez por todas com o desrespeito e a misoginia, o primeiro passo é estarmos unidas, né?


Olympe de Gouges

POR QUE LER?

Além de ser uma graphic novel com ilustrações incríveis, o livro conta a história verídica da  escritora, autora de peças de teatro,  jornalista, revolucionária e feminista que viveu durante a Revolução Francesa. Pra você ver que o feminismo não nasceu ontem e devemos muitos dos nossos direitos às mulheres corajosas do passado. Se é difícil hoje, imagina na época delas.


Série: Era outra vez

POR QUE LER?

Imagina a história da Cinderella recontada, só que em vez de brigar com as irmãs pelo amor do príncipe, ela se unisse a elas para virar empreendedora? Afinal, o príncipe é meio banana e Cinderella não quer viver de faxina, nem na casa da madrasta e nem no palácio real, não é mesmo?


Corte de espinhos e rosas

POR QUE LER?

Imagina um conto de fadas incrível, romântico, cheio de mitologias belas em que o CARA está em apuros e a donzela, nada frágil, enfrenta seus piores medos para conquistar seu boy de volta. Agora imagina que a autora de Trono de Vidro, a deusa da Sarah J. Maas, é que escreveu? Não precisa mais imaginar, só ir na livraria que o livro existe e é lindo e incrível e ok, parei.

E lembre-se, meninas: somos todas divas!



14 de jan. de 2016

Design et cetera: Diferentona



Esses dias eu morri de rir com os memes da Diferentona:

“Só eu que já conhecia esse livro antes de todo mundo?”

Só você.
Única.
Pioneira.
Floco de Neve.
Etc.

O meme é engraçado porque na maioria das vezes, ninguém é tão original, inédito e descobridor quanto pensa, né. Bem, quase ninguém, porque talvez a Editora Record seja uma exceção. Não importa quantos anos você tem e nem qual seu estilo literário favorito. Se você existe, se você tá vivo e se você é brasileiro, os livros da Record fizeram parte da sua história e da sua memória afetiva.

Com mais de 70 anos no mercado editorial, a Record foi a primeira grande editora brasileira dedicada aos best-sellers de entretenimento para a massa. Se foi hit, se foi blockbuster, a gente publicou. E temos as capas mais retro-horrorosas para provar, quer ver?





Eu cresci com essa coleção infantil. A pequena vendedora de fósforos foi o primeiro livro que “mudou minha vida”. Eu tinha 3 anos e ficava inconsolável quando a vendedora de fósforos morria no final (oops, spoiler). Chorava por horas com pena da menina. Não dormia. Pedia para minha mãe reler a história e ela, coitada, mudava o final para ver se eu me consolava.

Outro clássico que habitou minha infância foi Tintin. Eu nem lembrava que as edições brasileiras eram da Record. Olha que tesouro!


TINTIN S2



STAR WARS S2

A LONG LONG TIME AGO

A gente já publicava antes de vocês.

Diferentona
Colonizadora
Pré-histórica 
Bandeirante 
Avant-garde
Descobridora 
Pioneira 
Única 


 TUBARÃO
O filme não é da minha época, mas muito antes de eu ter medo de encontrar um tubarão na piscina e morrer amputada, a Record já disseminava esse medo nas gerações passadas. Isso que é tradição.


EBOLA

E falando em medo, muito antes desse último surto de Ebola, a gente já aproveitava o gancho do surgimento da epidemia nos anos 70 para lançar esse documentário. Eu, como boa hipocondríaca obcecada por doenças letais, já estou querendo ler e já estou sentindo a manifestação dos primeiros sintomas do Ebola. Socorro.


A ESCOLHA DE SOFIA

Como não lembrar desse clássico que nos desidratou de tanto chorar?  Mais trágica que a história da Sofia, no entanto, é esse layout. Mas a gente perdoa, afinal, ser histórico é abraçar o brega.


SILÊNCIO DOS INOCENTES

Esse livro, gente. Não tenho nem palavras, estou tipo essa moça com a mariposa na boca: incapaz de falar. Eu li quando era adolescente e ficava tão aterrorizada de noite que escondia o livro na gaveta da cabeceira. Mesmo assim, inexplicavelmente, sempre tive um crush enorme no Hannibal Lecter. Meu sonho era ser comida por ele, literalmente.

E vocês? Qual livro jurássico e diferentão da Record marcou sua vida?


12 de nov. de 2015

Design et cetera: Outro dia, Trono de Vidro e o feminismo na literatura jovem


Nessas últimas semanas o feminismo ganhou destaque na mídia e nas redes sociais. Revoltadas com comentários pedófilos no Twitter  a respeito da participante do Masterchef, muitas mulheres corajosas começaram uma campanha online, compartilhando histórias de assédio. Além disso, teve o tema da redação do ENEM, focado na violência contra a mulher, que também gerou polêmica e trouxe o assunto à tona.

Enquanto isso, eu estava revisando o livro Outro dia, de David Levithan. O livro é voltado para o público jovem, e conta a história de amor entre Rhiannon e A, uma pessoa que troca de corpo todos os dias. A trama é narrada pela perspectiva da Rhiannon, que, aos 16 anos, encontra-se em uma relação abusiva com o namorado, Justin.

Justin está eternamente de mau humor e costuma ser verbalmente agressivo com ela. A garota anda pisando em ovos. Se isolou cada vez mais dos amigos. Se convenceu de que Justin, coitado, tem muitos problemas e é por isso que não consegue evitar ser agressivo com ela. Ele não é uma má pessoa, apenas alguém com dificuldade de controlar a raiva. E faz ela sofrer e pagar caro por estar ao seu lado.

Todos nós conhecemos um Justin. Algumas de nós já estivemos em relações assim. No entanto, um grande diferencial da narrativa de Outro dia é que nossa protagonista, ao conhecer A, percebe que ele é uma pessoa melhor, alguém que gosta dela de verdade e sabe trata-la bem.  Rhiannon escolhe A. Fim.

Parece tão simples, parece a escolha certa desde o princípio, e TODOS os livros para jovens deveriam passar essa mensagem. Entretanto, na qualidade de editora de YA, posso dizer que a grande maioria dos livros apresenta uma mensagem oposta:

1. Protagonista conhece Fulano

2. Fulano é um babaca e maltrata protagonista

3. Descobrimos que fulano é babaca por um “bom” motivo

4. O amor muda Fulano e ele vira um Príncipe

5. Protagonista e Fulano são felizes para sempre

Não estou exagerando. Pense na Bela e a Fera. 50 tons de Cinza. Crepúsculo. São muitas as histórias que perpetuam essa visão perversa sobre o amor e as relações. E nós, editores, temos que nos responsabilizar pelo que publicamos, principalmente nos selos jovens. Depois a gente se pergunta por que muitas mulheres crescem acreditando que vão mudar seus parceiros. Depois muita gente julga que “só apanha quem quer” e que “mulher que não se valoriza é sujeita a esse tipo de coisa”.

Mas enquanto os homens crescem inspirados no heroísmo do Super Homem e do Homem Aranha, a gente aprende que o final de toda história é o casamento: Branca de Neve, Cinderela, Princesa Adormecida. Culturalmente, as mulheres são ensinadas a competir entre si. A Cinderela tem que vencer a madrasta e as filhas dela. A Branca de Neve precisa escapar da bruxa má. A Bela Adormecida, coitada, está lá paralisada por outra bruxa invejosa, esperando desencalhar. A passividade é ensinada desde cedo e o machismo está mesmo nas pequenas coisas. Nos filmes da Disney que habitam nossa infância, nos livros que lemos enquanto jovens.

Mas aos poucos as coisas estão mudando. E nosso papel é participar ativamente dessa mudança, escolhendo títulos, estimulando o diálogo. Em 2013 lançamos a série Trono de Vidro, da Sarah J. Maas. Um livro de fantasia épica com uma protagonista forte que tem roubado corações, tanto dentro quanto fora da editora.



Eu nunca li nada como Trono de vidro e nunca conheci um personagem como a Celaena. Ela é uma assassina, tem seu próprio código de ética. Ela luta de igual para igual com homens e mulheres. Ela é frágil, claro, como todos somos em algum momento. Mas  a saga de Celaena não acaba com ela se apaixonando pelo homem ideal.

Não. Celaena se apaixona diversas vezes, mas isso de nada tem a ver com sua luta. Celaena não precisa da proteção do homem amado, pelo contrário, ela é quem o protege com unhas e dentes e lâminas afiadas. Afinal, se envolver com uma assassina desse tipo é extremamente perigoso para qualquer homem.

Quando, no meio da trama, aparece uma bela princesa estrangeira no reino, Celaena não a vê como rival. As duas forjam uma amizade sincera e lutam juntas contra inimigos comuns.

Parece algo muito trivial, né? Mas a jornada épica de Celaena, que já virou best-seller em mais de 40 países,  quebra com a ideia da mulher frágil que compete com a outra pelo amor e a proteção de algum príncipe aleatório. E essa quebra é muito necessária.

Para erradicar a violência doméstica, o assédio sexual e o silêncio a cerca disso, precisamos de mais histórias assim e mais heroínas como Celaena e Rhiannon.  Mulheres que falem: eu não aceito isso, vou atrás da minha felicidade, vou lutar por quem me valorize. Alguém que sofre, mas sabe se reinventar, se proteger. Uma mulher com a qual todas podem se identificar.

Rhiannon mostra que ao desistir do “amor” destrutivo, é possível encontrar um abraço que não vire golpe. E Celaena sintetiza toda a coragem, força e magnetismo que antes só era protagonizado por heróis masculinos.

Deve ser por isso que minha melhor amiga vai vestida de Celaena esse Halloween. Deve ser por isso que todas, desde minha sobrinha de 15 anos até a Dona Maria, copeira aqui da Record, amam essa série e não falam de outra coisa. 

#somostodasCelaena


3 de set. de 2015

Design et cetera: Princesa de luxo

Não é nenhuma novidade que eu sou a aficionada por estamparia da Galera, afinal, já fiz diversos posts aqui sobre capas estampadas com padronagens e como elas são quase pornográficas...  err... perfeitas de tão hipnotizantes. E depois de desenvolver padrões para as capas de O Livro dos Vilões e Os Instrumentos Mortais (capa dura), e de fazer um livro de colorir, tava mais do que na hora de começar outro projeto divo.


Dessa vez, quem ganhou capa com estampa foi a Meg Cabot! A ideia foi aproveitar a vinda dela ao Brasil, pegar um clássico consagrado da Galera, lançado há 15 anos e que vendeu trocentos exemplares, e desenvolver uma edição de luxo comemorativa inspirada nos clássicos da Penguin (abaixo): 



E quando falo em edição de luxo, vocês podem me levar a sério.

Apresento O Diário da Princesa com capa dura de TECIDO e miolo ILUSTRADO em DUAS CORES:















































Ficou lindo, né? (modéstia mandou lembranças hehehe)

Apesar do livro ser juvenil e se tratar de princesa, tomei um cuidado especial para que a capa não ficasse mega infantil e bobinha: afinal, assim como a Mia, suas leitoras cresceram e se tornaram mulheres glamorosas e catladies divas. Então, para retratar a Mia, me inspirei em ilustrações de moda, e, para o Fat Louie, aproveitei que tenho uma gata persa obesa de 10 anos e usei ela de musa:



 

16 de jul. de 2015

DESIGN ET CETERA: Making of do Ateliê Fashion

Oi galera, tudo bem? Sei que andei sumida aqui do blog, mas foi por um bom motivo S2

EU LANCEI UM LIVRO DE COLORIR!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Como assim, eu lancei um livro de colorir do nada? Bem, não foi assim do nada. Para quem não sabe, além de trabalhar aqui na Galera, eu tenho outra paixão que é a estamparia. Ano passado, fiz duas estampas que viraram capas: Instrumentos Mortais e O Livro dos vilões.

Daí, quando começou o boom dos livros de colorir, pensei: “por que não unir meus dois amores (livros e estampas) e lançar uma edição super fashion de padrões para colorir?

Assim que eu tive a ideia, sabia que não poderia viver sem realizá-la. Então, comecei uma pesquisa árdua por inspirações. Eu me inspiro MUITO em fantasia, até porque passo o dia lendo livros da Galera :) Unicórnios, sereias, castelos... Tudo isso faz parte do meu imaginário pessoal e acabou virando estampa no meu livro. Outra paixão minha é por tudo que é vintage: azulejos, matrioskas, cuckos... Enfim, tudo pode virar estampa S2 Reuni para vocês algumas imagens do meu processo criativo e a padronagem que resultou dele:


Como vocês podem ver, do desenho original até a estampa as coisas mudam muito. O processo envolve escanear, ajustar no photoshop e depois montar a unidade de repetição. O resultado final é uma ilustração muito rica em detalhes e convidativa para quem curte colorir.

Apesar do livro já estar disponível nas melhores livrarias, ele ainda não está completo: falta vocês colorirem e postarem o resultado com a #AteliêFashion

Ah! E antes que eu me esqueça: a melhor parte sobre o livro é que 50% dos lucros desse primeiro semestre irão para animais abandonados! Então corre lá e compre o seu! As instituições beneficiadas serão:


9 de abr. de 2015

Design et cetera: Feira do Livro Infantil de Bolonha (em GIFs)


Oi gente, tudo bem? Não sei se vocês sabem, mas semana passada a Galera esteve na Feira do Livro Infantil em Bolonha e eu tive o prazer de comparecer pelo segundo ano consecutivo. Ao contrário da Bienal, que é uma feira voltada para o leitor, a Feira de Bolonha é um evento de negócios onde agentes literários e editores do mundo inteiro se reúnem para vender e comprar direitos autorais de publicação de livros para jovens. Além disso, é um espaço onde ilustradores podem divulgar seus trabalhos para as editoras.


Mas como funciona exatamente? Não se preocupem, preparei uma explicação sensacional para ilustrar EXATAMENTE como é a rotina nessa feira literária.
Quando eu falo que vou para Bolonha a trabalho, as pessoas formam essa imagem mental:


Mas a realidade é bem diferente. O dia começa cedo, 9h da manhã eu e Ana Lima (editora executiva e musa da Galera) estamos na primeira reunião. As reuniões duram 30 minutos apenas e a última costuma acabar às 18h30. Não há pausas para almoço. Entre uma reunião e outra, podemos ser encontradas na seguinte situação:



Como as reuniões são curtas e são muitos livros a serem apresentados, os agentes fazem uma explicação concisa de cada título, usando referências culturais para explicar do que se trata a obra. Chamamos isso de “pitch” e o pitch costuma misturar coisas muito loucas como:
“Esse livro é um Harry Potter encontra Lagoa Azul”




“Clube da Luta encontra A Bela e a Fera”



“Garotas Malvadas encontra Walking Dead com um pouco de Esqueceram de Mim”


Anotamos tudo em um caderno (que vai ficando cada vez mais ilegível à medida que a feira progride) e pedimos o pdf daqueles livros que nos pareceram mais interessantes para avaliação. Geralmente, avaliamos o livro nas semanas seguintes da feira, mas tem sempre aqueles títulos que são destaques e quando há interesse de várias editoras brasileiras, o livro pode entrar em leilão:


Às vezes, quando o livro parece MUITO bom, podemos fazer uma oferta alta para tirar o livro da mesa, isto é, impedir que entre em leilão e outras editoras possam levá-lo. Essa oferta chama-se preempt  e acontece mais ou menos assim:



Por exemplo, nessa feira, fizemos uma preempt e levamos o livro George, sobre um menino transgênero. A obra foi editada pelo próprio David Levithan.


Após a última reunião, voltamos rapidamente para o hotel para tomar banho. Mas os compromissos não acabam por aí. De noite tem sempre um jantar com autores, editores e agentes. É legal, pois assim todos se conhecem melhor e temos a oportunidade de saber estratégias de marketing, projetos para capas e eventos que outras editoras do mundo promovem para autores que nós também publicamos aqui no Brasil. E claro, um vinhozinho ajuda a tornar tudo isso mais divertido ainda.


No final de uma semana caótica, voltamos para casa com um mar de pdfs para ler.



E é assim que encontramos os títulos queridos que os leitores da Galera tanto amam <3 p="">

12 de mar. de 2015

Design et cetera: #somostodascelaena

Oi, gente, tudo bem? Resolvi deixar de lado um pouco o design para falar de outro assunto na coluna de hoje. Como vocês podem imaginar, eu leio muitos livros aqui na Galera. Livros de aventura, romance, fantasia, livros com protagonistas masculinos, femininos, gays... Livros de todos os tipos.

Alguns marcam a gente mais do que outros e de uns tempos para cá ando obcecada com a série Trono de Vidro, da Sarah J. Maas. Para quem não conhece, é uma história de fantasia que conta a saga de Celaena Sardothien, uma assassina condenada ao trabalho escravo. Celaena acha que passará sua vida inteira presa trabalhando nas minas de sal, quando recebe uma proposta do rei: tornar-se assassina pessoal dele em troca de sua liberdade. Mas ela tem sua agenda própria e decide usar essa oportunidade para colocar seus planos em ação. É uma trama envolvente e uma leitura divertida, mas não é por isso que decidi falar desse livro hoje.

Eu nunca li nada como Trono de vidro e nunca conheci um personagem como a Celaena. Ela é uma assassina, tem seu próprio código de ética. Ela luta de igual para igual com homens e mulheres. Ela é frágil, claro, como todos somos em algum momento. Mas ao contrário de quase todas as outras personagens femininas, a saga de Celaena não acaba com ela se apaixonando pelo homem ideal.

Não. Celaena se apaixona diversas vezes, mas isso de nada tem a ver com sua luta. Celaena não precisa da proteção do homem amado, pelo contrário, ela é quem o protege com unhas e dentes e lâminas afiadas. Afinal, se envolver com uma assassina desse tipo é extremamente perigoso para qualquer homem.

Quando, no meio da trama, aparece uma bela princesa estrangeira no reino, Celaena não a vê como rival. As duas forjam uma amizade sincera e lutam juntas contra inimigos comuns.

Parece algo muito trivial, né? Por que isso nos surpreende tanto? Talvez porque todos os outros contos com os quais crescemos mostravam mulheres frágeis, batalhando entre si pelo amor e a proteção de algum príncipe aleatório que chegava no final para dar um beijo e resolver tudo.

A Cinderella tem que vencer a madrasta e as filhas dela. A Branca de Neve precisa escapar da bruxa má. A Bela Adormecida, coitada, está lá paralisada por outra bruxa invejosa, esperando desencalhar. Enquanto isso, Celaena vai atrás do seu próprio destino, se desaponta, se machuca, chora, é vencida e humilhada. E se levanta, se recompõe, se reinventa, se vinga e depois de fazer tudo isso, compra o vestido mais luxuoso que existe e vai para o baile como a diva que é.

Deve ser por isso que todo mundo que lê vira fã. Desde a priminha de 15 anos da minha amiga até a copeira de 60 anos aqui da Record. Somos todas Celaena.