Meg Cabot mais uma vez serve de
inspiração para minha coluna. Ah, ela, sempre ela. A reportagem da Cosmopolitan
desse mês contando como ela se tornou uma autora de sucesso me fez parar e
pensar na vida.
A autora, que já vendeu milhões
de exemplares mundo afora, trabalhou por volta de dez anos em outra área para
hoje poder viver só de escrita. Esse tema no Brasil é quase um tabu. Em um país
com alto índice de desemprego, como dizer aos seus pais que você vai ser
escritora? Como largar uma carreira bem-sucedida na área em que se formou para
ganhar menos porque se descobriu feliz no meio das letras e quer respirar isso?
Muitos dos autores que entrevisto para o meu blog (A Menina que Comprava Livros) contam que o dia a dia deles ainda se divide entre a profissão que os
sustenta e a paixão pela escrita. Muitos estão há anos na estrada, mas ainda
não deixaram de publicar livros independentes e sonham em ver nas livrarias seus
livros ao lado dos gigantes nacionais e internacionais da literatura.
Há os que já conseguiram “ chegar
lá”, hoje tem seus livros publicados em grandes editoras e já podem pagar suas
contas com a venda dos exemplares. Quando me relatam isso, o sorriso fica maior
que o rosto e esse é a prova do sonho realizado. Mas, como toda profissão, há
os que tiveram sucesso e os que ainda não. Pode bater o desânimo, olhar para o
exemplar e dizer que talvez ele não seja tão bom assim, mas quem julga isso?
Antes de chegar ao leitor, o livro passa por muitas mãos e, certamente, a
própria Meg Cabot também achou que venderia uns livros para família e só. E
aposto que vibrou ao vê-lo na lista dos mais vendidos.
Com tantas ferramentas novas e
com os e-books pipocando, é mais fácil se autopublicar, mas a gente sabe que o
sonho mesmo é chegar às livrarias e ver aquela fila te esperando, com leitores
dizendo que amaram seu livro. É comprar o jornal e ler que seu livro está na
lista dos mais vendidos. Infelizmente, como tudo na vida, há mais ofertas que
demanda. Nem sempre o escritor sonhador vira uma Meg Cabot. Em um contexto
brasileiro, entendo que algumas das musas dos aspirantes a autor (e poderia
citar as que conheço de perto: Paula Pimenta, Patricia Barboza, Carina Rissi e
Marina Carvalho) deem um impulso ainda maior a esses que sonham. É como se, ao
vê-las, quem quer chegar lá dissesse: “eu também posso, eu também quero”. E
todas elas, mesmo depois de tantas e imensas filas para conhecê-las, parecem às
vezes não acreditar que as senhas acabaram, que os leitores viraram fãs e que as
selfies pipocam quando chega a vez de ser atendida.
Por essas e outras que acho Meg
Cabot inspiradora, com suas entrevistas, com seus livros sensacionais e com sua
garra.
A vida é feita de muitos “nãos”
até chegar a um “sim”! J
