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22 de abr. de 2016

Papos de sexta: Despedida temporária

O livro está chegando ao fim. Faltam poucas páginas para concluir a história e, ao virar cada uma, sinto uma mescla de realização e tristeza: a primeira vem com o fato de finalizar mais uma aventura e a segunda traz a vontade de que não acabasse nunca. É assim que me sinto agora, pois esse é meu último post aqui no Blog da Galera Record.

No final do mês, a “última página” do Blog será “virada”. A editora vai continuar firme e forte no site e nas redes sociais e trará novidades em breve. Mas o ciclo do Blog da Galera está chegando ao fim.

Já que é o meu último post, pensei em citar algumas ideias para deixar para reflexão. Elas surgiram aos poucos, depois de ler muitos posts por aqui, muitos comentários. Montei cinco, uma para homenagear cada ano que escrevi aqui! 

1)  Nunca deixe de ler algum livro por causa da opinião alheia. Se você quer ler alguma coisa, leia. Ponto final. Não importa se é de um gênero mais “jovem”, se é “hot”, se é considerado “bobo”. Sua opinião literária não interessa a ninguém e ninguém tem o direito de te manter longe das páginas que você quer devorar. 

2) Personagens fictícios são reais! Se eles nos fazem chorar quando sofrem, sorrir quando estão felizes, nosso coração bater mais rápido ao se beijarem e acabamos por reler tudo várias vezes, eles são reais. Às vezes, são eles que nos ajudam a ter coragem para enfrentar nossos problemas. Muitas vezes são eles que nos mantém companhia quando, mesmo no meio de muita gente, nos sentimos só. Então tome conta dos seus favoritos, mas não seja ciumenta!  

3) Livros de autoajuda? Todo livro ajuda! Às vezes, sentimos tanto que não conseguimos expressar. Às vezes, tudo dói por dentro, mas ninguém entende. Tudo bem não estarmos bem. Nessas horas, uma boa opção é se isolar com o seu livro preferido e deixar aquelas linhas fluírem. Leia algumas em voz alta e deixa o ressoar da sua voz ajudar a relaxar os seus ombros, a tranquilizar sua respiração. Você consegue fazer o que quiser, mas às vezes precisa se lembrar disso. Abrace seu livro, lembre-se e conquiste o que você quiser. 

4) Mudar de opinião faz parte de crescer! Somos seres vivos e em constante aprimoramento e isso é lindo e necessário. É normal mudarmos de opinião não somente sobre literatura, mas sobre muita coisa. O legal é ver pelo ponto de vista de outra pessoa, ter empatia, entender mesmo que não concorde, ser tolerante. O que seria do mundo se todos nós gostássemos de um único tipo de livro, não é mesmo? Imagina como seria chato! Então vamos dar uma segunda chance para aquele livro que deixamos pela metade ou que não acreditamos muito na primeira leitura. Vamos refletir um pouco mais sobre cada página, cada assunto, cada momento decisivo. Crescer não dói. Ficar plantado em um único lugar, sim. 

5) Você é o protagonista da sua vida! Não importa se a rede social do Fulano tem mais viagens ou se o Instagram da Ciclana tem fotos dela de corpão. Você é a protagonista da sua vida, não é o Fulano nem a Ciclana! Então viva da melhor forma possível e seja feliz. A vida é tão sensacional quanto curta. Embarque nessa reviravolta de trama e faça de cada dia um capítulo digno de ser relido!

Muitos abraços e beijos para a equipe da Galera Record, que me aturou por aqui por cinco anos! Nossa, vocês são meus heróis! E obrigada a você, leitor, que embarcou comigo, com todos nós nesse blog. Escrevi muito por aqui, li também e aprendi demais! Trocar ideias e opiniões com vocês sobre tantos temas foi incrível e vou sentir muitas saudades. Continuarei a postar nas redes sociais e no meu blog e foi por isso o “temporária” no título desse post. Conto com a visita e a opinião de vocês por lá, hein!


Digo sempre que o que os livros juntam, nada separa e esse é o caso aqui. Obrigada por lerem! 

Vamos partir para a próxima aventura! 


19 de fev. de 2016

Papos de Sexta: Meta literária para 2016

No dia 1º de janeiro de 2016, ocorreu o seguinte diálogo:

Pessoa aleatória que não deve ser nomeada (PAQNDSN): “E aí, qual foi o último livro que você leu em 2015?”

Eu: “Não lembro”.

PAQNDSN: “Como assim não lembra?”

Eu, franzindo a sobrancelha pelo tom usado pela kiridinha: “Não lembro, ué. Ainda estou lendo o mesmo”.

PAQNDSN: “Você virou o ano lendo o mesmo livro? Como assim? Pensei que gostasse de ler!”

Eu, não acreditando nos argumentos mucho doidos usados pelo “amoreco”: “Eu adoro ler, mas tenho uma vida além das páginas. Eu curto ler. Curto, do verbo ‘gosto por ser prazeroso’”.

E a pessoa iluminada (para não falar outra coisa) continuou achando um absurdo eu não ter tudo anotado.



Gente, sério mesmo? Tipo, desde quando precisamos prestar contas por algo que a gente ama fazer? Tipo, vocês marcaram quantos beijos deram em 2015? E não estou falando dos marcantes, estou falando de TO-DOS! Fizeram contabilidade de quantas gargalhadas soltaram? E quantos seriados e filmes assistiram?

Entendo que tem muita gente que se organiza com redes como o Skoob, por exemplo, para não se perder nos livros que tem e nas séries literárias que acompanha. Show, bacana, louvável. Mas eu não sou assim e viva a diferença, né?

É que eu não consigo entender essa “matematização” do prazer, essa “gameficação” da vida. Na minha concepção, fazer o que a gente ama é uma delícia, um escape, um momento que nos faz sentir bem. Pode ser fazer compras (aí entra contabilidade de valor gasto, mas, por exemplo, não sei quantos pares de sapato comprei esse ano!), tomar sorvete (você sabe quantos tomou em 12 meses?), sair com os amigos (se for contabilizar chopes, danou-se, né?) ou ler livros.



Entendo também que ler é um hábito e que, para ser iniciado, algumas pessoas colocam metas. Por exemplo, vou ler um livro por semana e, no final de um ano, vou verificar se a meta foi batida. Mas depois do hábito instalado, qual a razão de manter a conta? Ou pior, qual a necessidade de comparar números?

Eu leio MUITO, mas não faço ideia de quantos livros li em 2015. Para falar a verdade, tem livros que li e que nem lembrava que tinha lido, tamanha foi a pressa para acabar e falar dele no Clube. Claro que me preparei para abordá-lo no evento e tal, mas não foi uma leitura tão prazerosa e proveitosa como poderia ter sido. Ele foi só um número e não uma leitura que me impactou. E isso não é bacana. Cadê a qualidade da leitura?

Eu leio muito, mas será que não poderia estar lendo melhor? E não digo a qualidade do livro, mas do meu envolvimento com ele. Deu para eu notar as críticas colocadas nas entrelinhas pelo autor? Na correria de terminar mais um, deu para notar a mudança de ritmo na narrativa? E a razão para essa mudança?



Minha razão para essa coluna é refletir sobre a qualidade da leitura. Vi que na lista dos livros mais lidos em 2015 pelos brasileiros reinaram os de colorir e alguns sobre depressão e ansiedade. Acho que todos esses estão intimamente ligados e parte da razão de estarmos tão ansiosos é a necessidade que sentimos de estarmos constantemente competindo uns com os outros. Mas quem ganha? Quem leu mais ou quem curtiu mais cada página? Quem leu mais rápido, mais livros ou quem foi tocado pela mensagem de cada história? Na vida, quem vence: aquele que tem mais dinheiro ou que aproveita melhor o tempo? Quem tirou mais fotos da viagem ou quem curtiu mais cada lugar? Pra quê competir? Eu ainda não entendo.



Em 2016, eu não tenho uma meta de leitura. Meu objetivo é ler melhor, prestar mais atenção nos elementos de estilo ou na falta deles, entender mais as mensagens na história, a caracterização dos personagens. Quero ser uma leitora melhor.

E você? Quais seus objetivos literários para 2016? E se eles forem numéricos, tudo bem, vai. Não vou julgar. Mas só espero que você não deixe que números te definam. Você é algo além das páginas, além dos números. Não perca visão disso, ok?


22 de jan. de 2016

Papos de Sexta: Para sempre

A notícia veio sem rodeios: Alan Rickman morreu.


Sou fã dele há muitos e muitos anos e, pela nossa diferença de idade, sempre imaginei como reagiria quando a fatal notícia chegasse. Imaginei que fosse chorar e sentir meus joelhos tremerem e, em seguida, encontraria o chão em meio a lágrimas. Mas não foi isso que aconteceu.

Ao ouvir a notícia, fiz o que qualquer jornalista faria: chequei as fontes. Busquei mais veículos para verificar, afinal, nem tudo que está na internet é verdade. Mas essa infelizmente era. Era fato: a voz de Alan Rickman havia se silenciado para sempre.

Escolhi falar sobre essa perda aqui no blog porque, bem, porque ela é relacionada à força do amor que temos por personagens. Não vou ficar listando todos os personagens interpretados por Alan aqui, pois foram muitos e foram muito diferentes. Vou focar em Severo Snape porque nossa história é a que quero contar.

Eu sabia sobre Harry Potter, mas não tinha lido os livros ainda. Descobri a magia das páginas durante o hiato entre o gancho de “Cálice de Fogo” e a expectativa por “A Ordem da Fênix”. Mas o que me fez mergulhar nas páginas foi a explosão de sentimentos que o primeiro filme me proporcionou. Eu nunca fui fã de fantasia e apenas admirava o trabalho autoral desse gênero. Mas depois de assistir a “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, precisava saber mais sobre aqueles personagens. E principalmente sobre o misterioso e rabugento Mestre de Poções, interpretado por Alan “voz de veludo” Rickman.

Como fã do ator, me apaixonei ainda mais pelo personagem e mergulhei no fandom potteriano de cabeça. Harry Potter me trouxe uma lista de “primeiras vezes”: a primeira saga literária que acompanhei; o primeiro evento literário que apresentei (e me colocou nessa vida); o primeiro fórum e lista de discussão que integrei; as primeiras fanfictions que escrevi. Isso sem contar nos amigos que fiz e nas aventuras que vivi!

Mas será que se o personagem fosse interpretado por outro ator teria me despertado a curiosidade? Talvez não. Talvez chegasse a Potter mais tarde. A única certeza que tenho é que foi a interpretação de Alan Rickman que me levou às páginas.

Engraçado como isso acontece, né? Como os atores fazem esse link entre o nosso mundo, de carne e osso, e o Mundo das Ideias, onde vivem os personagens. Eles são como médiuns, que interpretam o que está na página e dão vida ao intangível.

Quando li a morte de Snape no livro, chorei muito. Sabia que ele não sobreviveria ao final da saga e, a cada livro, suspirava e pensava “Ufa! Desse ele passou!”. Mas sabia que viria a sofrer com a morte dele como os fãs de Sirius sofreram sua perda e tantas outras que Rowling nos fez passar. E as lágrimas vieram com intensidade e meu coração se quebrou e eu queria abraçar o personagem enquanto seus últimos suspiros deixavam seu corpo. E eu quis abraçar Alan Rickman porque, ao ver a cena no cinema, as lágrimas e o sentimento de perda voltaram.

Mas com a notícia fria nos jornais, as lágrimas não vieram. A perda estava lá e a tristeza também, mas não chorei. Não o conhecia pessoalmente, não integrava sua família ou seu círculo de amizades então como poderia sentir falta dele dessa forma? Isso faz de mim uma fã de meia tigela? Não. Entendi que a minha ligação era com a ideia que Rickman tornava real e não com ele em si.

A perda de Alan Rickman quebrou meu coração, sim, mas ele me deixou uma legião de amigos que, ao receberem a notícia, me mandaram mensagens de apoio, abraços reais e virtuais e vários “você tá bem?”. E esse é o legado imortal que ele deixou para mim e para todos que foram tocados por sua arte. O sentimento que acordou em nós nos uniu. Não importa a Casa de Hogwarts ou se concordávamos ou não com o que Snape fez na série: estamos juntos nessa perda como estávamos quando cada personagem nos deixou.

Prova disso está nas fotos abaixo. Os fãs que estavam no parque Islands of Adventure, em Orlando, no dia do falecimento, fizeram uma homenagem a Alan Rickman, erguendo suas varinhas em direção ao castelo de Hogwarts (mesmo gesto que os alunos fazem após o falecimento de Dumbledore). E, no brinquedo, alguns fãs também deixaram flores na porta de Snape e uma dessas flores era um lírio (quem leu HP sabe do que estou falando). E foi aqui que eu chorei.



Crédito: Buzzfeed

Em um momento de virada na saga, Harry pergunta para Dumbledore, “Isso é real ou está acontecendo dentro da minha cabeça?”. E o sábio bruxo responde algo como “Claro que está acontecendo dentro da sua cabeça, Harry. Mas isso não significa que não seja real”.

Podia ser a descrição de tudo que sentimos ao ler um livro, ao sofrer com ele, ao nos apaixonar por um personagem. Acontece na nossa cabeça, no nosso coração e, se sentimos, é real. Para sempre.




18 de dez. de 2015

Papos de Sexta: 365 dias e milhares de páginas

Essa é a minha última coluna do ano e escolher o tema foi difícil.

Pensei em escrever sobre o aniversário de Jane Austen e como ela influenciou tantos autores de gerações futuras e continua a fazer isso até hoje. Mas deixei para uma próxima vez.



Pensei, em seguida, em abordar Guerra nas Estrelas e como estamos prontos para assistir a um novo filme, rezando para que ele resgate o arrepio que a trilogia clássica nos trouxe e ignore a tristeza de foi a trilogia mais nova. Mas achei melhor viver a experiência antes de escrever sobre ela.

Aí fui para o lado polêmica e pensei em fazer mais uma coluna sobre comportamento (ou a falta do mesmo) em redes sociais, tema que curto debater, inclusive por aqui. Mas achei melhor esperar para uma data menos simbólica.

E aí fiquei sem tema...  E essa falta de tema me fez pensar no ano inteirinho e como ele foi repleto de altos e baixos para todos nós.

Como brasileiros, nossa paciência com corrupção e injustiça está no fim. Buscamos justiça, mas parece que o mar de lama nos engole a cada braçada.

Por falar em lama, ela clamou vidas esse ano e a revolta fica ainda maior ao notarmos que, tentar corrigir um dos piores desastres ambientais do país parece não ser prioridade para quem o causou.

Em 2015, vimos pessoas utilizarem a beleza da fé para tentar justificar massacres.

Em 2015, vimos muita coisa ruim e revoltante nos noticiários, mas também vimos – dentro e fora da mídia – compaixão, felicidade, amor.

Como todos os anos, 2015 foi um ano complexo, de uma forma ou de outra, para todos nós. E o interessante é que, em todos esses dias, fossem eles bons ou não tão bons, tivemos uma constante: os livros.

O dia estava ruim? É só a gente se perder nas páginas do novo volume dos diários de uma certa princesa e pronto! Sorriso garantido.

O dia estava bom? Então podemos compartilhar esse sentimento com aventuras vividas em mundos fantasiosos onde o trono é de vidro e a situação é mais tensa.

Frustração, tristeza, contentamento, felicidade, angústia, e tantos outros sentimentos que nos faz humanos podem ser compartilhados entre nós e elas, as páginas.  

Então, na minha última coluna de 2015, agradeço aos autores por nos manter firmes em nossas jornadas individuais. Vocês podem estar apenas contando uma história, mas para nós, vocês fazem muito mais. Mesmo sem saber, vocês nos mantém fortes e corajosos; sensíveis e apaixonados; completos.



Que à meia-noite de 31 de dezembro de 2015, quando as doze badaladas anunciarem o novo ano, possamos olhar para trás com a certeza de que fizemos o nosso melhor. E que tenhamos a certeza em nosso coração de que os próximos 365 dias serão ainda mais incríveis. Obrigada pela leitura durante esse ano e que venha mais um!

Feliz Natal e um 2016 repleto de páginas para todos nós!

  

20 de nov. de 2015

Papos de Sexta: Empatia



Tinha planejado outra pauta para o “Papo de Sexta” desse mês, mas o que tenho visto nas redes sociais me fez mudar de ideia. Infelizmente, essa coluna será um pouco mais séria, mas acho que o momento pede essa pausa nos emoticons de sorrisos.

Segundo a definição do Dicionário Michaelis, empatia é “Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo”. Sentimos isso diariamente quando lemos certo? Acho que a empatia é o que nos cria o vínculo de identificação com personagens. Quem passou por bullying, entende o que Audrey narra em “À procura de Audrey”. Quem é autêntica e sofre um pouco com isso entende o que Sofia passa em “Perdida”. Quem já teve que assumir grandes responsabilidades mais cedo do que deveria, entende o que Will passa em “Métrica”. E esses são apenas alguns dos inúmeros exemplos que poderia citar falando superficialmente sobre o tema. 

Mas, quando tiramos a literatura da equação e voltamos nossa atenção para o mundo fora das páginas, o cenário muda. Infelizmente.

Desastres, tragédias, violência... Nosso mundo, nossa história é repleta disso. O problema é que parece que já nos acostumamos com isso. É considerado “normal” pessoas que moram em áreas de risco serem alvejadas por balas perdidas. É considerado “normal” pessoas no Oriente Médio viverem com medo por causa de homens-bomba. Mas deveria? Deveria ser normal não sentirmos empatia por seres humanos que não deveriam estar nessas condições, mas que sobrevivem a elas por não terem outra opção?

Aí um mar de lama arrasta o que vê pela frente em uma cidade no Brasil. Mar de lama esse que foi criado pelas mãos do homem, pela mineração, e que agora não arrasta dinheiro, mas vidas.

Aí extremistas distorcem uma fé e matam pessoas que nada tem a ver com a situação em uma das capitais mais famosas do mundo.

E no lugar de sentir empatia por ambos e fazer o possível para ajudar quem ficou por aqui, de entender o que causou ambas as tragédias, apontamos o dedo e julgamos quem sabe mais sobre o que aconteceu em Paris e menos sobre o que aconteceu em Mariana. Ou vice-versa.

O resultado é a criação de uma outra situação: a sinfonia de “mimimi” — ou melhor, de “MeMeMe” — nas redes sociais. Essas redes que deveriam conectar e compartilhar estão sendo usadas para julgar, ofender e propagar ódio. E esse ódio poderia ser evitado facilmente. Basta sentir empatia e ouvir o outro para entender e não apenas para responder.

Parece que as pessoas estão mais preocupadas em julgar a opinião alheia sobre um acontecimento e impor a sua, do que realmente se importar com o acontecimento em si. E isso é muito louco!

Longe de mim querer pregar alguma coisa, até porque tenho plena consciência de que faço menos do que deveria. Mas uma coisa eu aprendi: quando eu aponto um dedo, tenho os outros apontados pra mim.

A minha ideia com essa coluna foi pedir uma coisinha a todos que chegaram até aqui: empatia. Antes de bradar a própria opinião, se coloque no lugar do outro, entenda, reflita e aí sim forme a sua.

Hoje, com avanços tecnológicos que colocam incontáveis quantidades de informação na palma da nossa mão, nos dando a possibilidade de estar conectados com o mundo todo, todo tempo, fazemos o oposto. Ralhamos a torto e a direito sem fundamento e estamos cada vez mais desconectados com o que acontece ao nosso redor, do outro lado da nossa porta. O único brilho em nossos olhos vem das telas à nossa frente. 

Todos merecem o direito de se expressar e todos devem sim ter a própria opinião. Mas vamos tentar entender mais e odiar menos. Entender não é aceitar ou concordar. Entender é entender. E por mais que isso pareça simples, faz a maior diferença.



Chega de mascarar o preconceito e o julgamento com “ah, mas essa é minha opinião”. Opinião não é só gosto “prefiro o rosa ao roxo”. Opinião é utilizar argumentos e bom senso levando em consideração o outro e o contexto maior.

Então, antes de responder a pergunta do Facebook “No que você está pensando”, vamos realmente parar para pensar, refletir, antes de entrar no automático e somente repetir o “curte/comenta/compartilha”.

Mais empatia, por favor. Para todos nós e por todos nós!


23 de out. de 2015

Papos de Sexta: Espelho, espelho meu...



“Objetos refletidos no espelho estão mais próximos do que aparentam”. Essa frase – às vezes em inglês – aparece estampada no espelho retrovisor de carros, mas sempre soou mais profunda do que isso pra mim. Faz mais de um ano que eu estou pensando em abordá-la por aqui, mas não me sentia pronta para fazer isso. Até agora.

Usamos espelhos para ver se não estamos saindo na rua com a maquiagem borrada, ou com aquela espinha alienígena na curvinha do nariz, ou com roupa que marca o que deveria esconder, ou... mas será que é só o espelho que mostra para nós o que somos? E será que somos resumidos a somente o que ele mostra?

“Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bela do que eu?”, perguntava a Rainha Má para o espelho no conto de fadas. Quando cresci é que entendi o simbolismo dela questionar o espelho. Minha mãe sempre me disse para não perder muito tempo olhando para o espelho, quando o que está além dele é muito mais importante. Aí vi Harry Potter e pensei “Meu Deus! Minha mãe é o Dumbledore!”(Potterheads entenderão!).

Já a minha avó tinha a mania de cobrir os espelhos quando alguém próximo falecia. Ela dizia que a alma poderia ficar presa neles e não conseguir seguir seu caminho. Mas será que isso só acontece quando a gente morre? Porque eu já vi muitas almas presas ao próprio reflexo e a galera ainda esbanjava saúde!

Incrível como o espelho pode aparentar ser um instrumento tão simples e esconder um significado tão profundo.

Ao meu ver, hoje em dia, o espelho não é somente o objeto preso na parede. Ele é o nosso perfil nas redes sociais. E, assim como o objeto físico na parede, ele não é o reflexo perfeito de quem somos.

Hoje em dia, a Rainha Má perguntaria para o Espelho quem tem o perfil mais acessado no YouTube ou o maior número de curtidas no Facebook. E, assim como no conto de fadas, ele faria a intriga que a leva a cometer atos terríveis. O Espelho adora uma intriga, minha gente!



Hoje em dia, queremos personalizar nossos perfis nas redes sociais em busca de seguidores, de admiradores. Postamos fotos dos pratos que comemos quando deveríamos estar saboreando a refeição e aproveitando a companhia. Olhamos o mundo pela tela do celular para compartilhar cada momento, pois, ao postar no snapchat, no instagram, provamos que estivemos lá, que fizemos isso ou que compramos aquilo. E juntando tudo é como se criássemos o reflexo de quem somos.

Mas não compartilhamos nossos momentos de dúvida, de desespero, de fragilidade. Não. Só nos interessa mostrar o palco e não os bastidores e é exatamente isso que quebra esse reflexo. Não somos só o que o espelho mostra, nem o que os perfis nas redes mostram. Isso é só uma casca.  

Disse no início da coluna que fazia tempo que estava me preparando para escrever esse post e agora explico a razão. Fiz aniversário recentemente e recebi muitos parabéns e fiquei muito feliz! Mas algumas mensagens vieram com “você tem muita sorte” e “quero que a minha vida seja igual a sua”. E por mais que tivesse me sentido extremamente lisonjeada pelo carinho demonstrado, me assustou o fato de pessoas acharem que tenho a vida perfeita. Aí, quando falo no Clube do Livro Saraiva que já tive surto de Burn Out por causa de trabalho e que estou sempre me questionando, procurando ir além e a me aprimorar, sou recebida com olhares arregalados e “nossa, nem parece”.

Sorte? Sorte sim para quem está preparada e trabalhando quando ela chega, queridinha!!

Eu não sou apenas o que está nas redes sociais. Eu não leio só o que posto no blog. Eu sou eu assim como você é você. E isso tem facetas e nuances e níveis diferentes e agradeço muito não poder ser definida por um perfil no Facebook!

Nos dias de hoje, virou esporte olímpico julgar o outro e falar pelas costas sobre pessoas que nem conhecemos. É como se, ao passar no perfil de alguém, já pudéssemos formar opinião sobre seu caráter. Pelo amor de Deus! Sem nunca ter trocado uma palavra? Como assim? Mas pior do que isso é que, ao postar algumas coisas, nós acabamos incentivando isso! Ou vai dizer que você nunca postou uma foto pensando “Toma! Agora diz que é melhor do que eu!”? Todo mundo já fez isso e tudo bem. Mas continuar com isso é tomar veneno e esperar que o outro morra. Frustra, envenena e machuca a gente!

Não deixar que a alma seja aprisionada no espelho que é a rede social é uma luta constante e diária. Mas é muito válida! Estamos juntos nessa, certo?

Espelho, espelho meu, tem alguém mais... ah, quem liga! Vou comer sorvete! #PartiuSerFeliz


18 de set. de 2015

Papos de sexta: Tá tudo coisado



Sei lá, tá tudo coisado.

Se você leu e não postou resenha, as pessoas acham que você não leu.

Se você comprou e não postou foto, então não tem.

Se você conquistou e não postou no Facebook, é mentira.

Sério. Sério mesmo?

Está tudo realmente para lá de coisado!

Sou de uma geração entre a X e a Y, que significa, basicamente, que estou no limbo. Uso a internet, mas não vivo dela, para ela ou por ela. A considero essencial? Sim. Mas prefiro passar tempo vivendo do que postando.

Sou uma comunicóloga, o que quer dizer que, além de me comunicar, exerço isso como profissão. “Então como assim você não vive pendurada e postando o que acha sobre tudo e todos?”. Simples: porque, às vezes, não importa.

Ou não deveria importar.

Hoje em dia, fico atacada com algo, corro para as redes sociais para “desabafar”. Quem nunca, certo? Mas antes de apertar “publicar”, sempre penso novamente no meu “desabafo”. Ele vai ferir alguém? A minha raiva, frustração, tristeza está relacionada aos sentimentos de outra pessoa? Porque, se estiver, paro para pensar se vale a pena publicar ou se é melhor resolver comigo mesma, quieta no meu canto. E nem sempre eu acerto. Sou humana, poxa! Não sou perfeita!

Mas é incrível como esse filtro é ignorado nas timelines da vida, não? Era antes das redes sociais, mas ficou pior depois delas.

“Esse livro é uma porcaria!” gritam alguns em CAPS LOCK.

Já pararam para pensar em como o autor vai reagir a isso? Porque foi o nosso tempo que investimos na leitura, mas é o trabalho dele que estamos julgando. Ele não nos julgou ao escrever o livro, então porque temos o direito de fazer isso? Não seria melhor usar argumentos para explicar a razão de não termos gostado de algo?

Eu valorizo muito a minha opinião e não digo que algo é “bom” ou “ruim” só por dizer. Mas também deixo claro que essa é a MINHA opinião, usando argumentos que funcionam para mim. Por exemplo, se não gostei de um livro e decido postar uma resenha sobre o mesmo (porque leio muito mais do que posto, com certeza!), sinto-me no dever de explicar a razão de não ter gostado da leitura. Posso não ter concordado com o protagonista, ou não me identificado com a narrativa. Tudo isso é natural, mas, ao meu ver, é necessário ser dito.



Sem argumentos, classificaríamos tudo somente como “bom” ou “ruim”. E isso é pobre demais para alguém que ama palavras.

O que é um bom livro para você? Para mim, é um livro coerente, que me deixa intrigada, apaixonada, viciada. Ele pode ou não ter elementos de estilo, prosa diferenciada. Ele pode ou não integrar movimentos artísticos. Um bom livro para mim depende do momento em que o li e de em que estado ele me encontrou. Gostar da experiência e da obra em si nem sempre é a mesma coisa.



O que quero dizer nessa coluna meio “coisada” é que eu não acredito em padrão de beleza, padrão de boa literatura, padrão de qualquer coisa. Existe, sim, respeito por si e pelos outros, mas o que é belo depende de nós e não do que outros “ditam” ser belo. O que é bom ou ruim nas páginas cabe a cada leitor decidir. E tudo bem mudar de opinião depois. Nós somos seres humanos e não concreto! É natural achar uma coisa e, depois de outras experiências, mudar de opinião. E que lindo que é termos essa capacidade!


Seja feliz, seja coisado, mas não se conforme com o padrão que outros escolhem pra você, seja na roupa, no peso, no livro, no que for. Seja único ou igual, original ou comum: seja você! Sempre. 

21 de ago. de 2015

Papos de Sexta: O lado feio de ser fã



Pensei em vários temas para o “Papos de Sexta” desse mês, mas depois que foi divulgado que eu e a Tita Mirra (que também é colunista daqui e minha parabatai) vamos mediar o bate-papo com a Colleen Hoover, só tenho olhos pra ela!

O mais lindo é que, quem me indicou “Métrica” foi a Tita (pausa para o momento oooowwwwnnnnnn que cuti-cuti!). Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da Colleen e não poderia ter sido mais incrível.

Em “Métrica”, Hoover me apresentou o universo da poesia slam, que me deixou sem fôlego e com lágrimas nos olhos. Por meio dessa poesia, entendi que raiva, revolta, paixão, amizade e uma infinidade mais de sentimentos podem ser expressados da melhor forma em poesia, em palavras. Rimadas ou não. Que fazem sentido para os outros ou não. E essa conexão palavra-coração se estende para toda a narrativa escrita por Colleen e não somente para as poesias.

Aí li “Um caso perdido” sem saber, no início, que abuso apareceria na trama. E foi um soco no estômago porque precisava ser. E depois foi um afago no coração, porque necessitava disso.
E aí veio “O lado feio do amor”, que me deixou com o rosto ruborizado em vários momentos, precisando de banho frio em outros e sempre torcendo para que os personagens se abraçassem tão forte, que os caquinhos dos corações partidos se colassem de novo.

Essa é a escrita de Colleen Hoover: real, inspiradora, instigante, visceral, incrível! Tudo sem ser prepotente, sem “tentar demais”, sem ser piegas.

Mas por que, então, o nome da coluna? Eu explico.

Quando a gente gosta de algo, gosta muito mesmo, às vezes a gente sufoca. É como uma cegueira temporária, sabe? Eu já “sofri” disso quando comecei a integrar fandoms, mas aprendi muito com as cicatrizes emocionais que minha falta de temperança deixou. Aprendi que, mesmo sendo apaixonada por uma escritora ou livro ou personagem, isso não me dá o direito de ser má com outro fã, de ser mesquinha, de ser – em uma palavra - uma BITCH.

Com o tempo e – muitos desentendimentos que resultaram em amadurecimento – entendi que, se amo tanto tal livro ou autora, devo me entender como relações públicas dela! Tenho que ser a fã mais respeitosa para não “manchar” a imagem do livro, tenho que entender que, às vezes, as coisas são mais difíceis do que parecem e que nem sempre todo mundo vai conseguir o que quer.
Afinal, ninguém merece ouvir “Fã de Colleen Hoover é tudo mal educado! Cruzes!”, né?

Mas ter essa medida não é fácil. Requer paciência, experiência e ouvir os outros. Respeito é básico e é para todos independente se conhecem o livro desde que foi lançado ou se vão começar a lê-lo agora.
Então, nesse “Papo de Sexta”, além de dividir com vocês o amor pela nossa queridona Colleen Hoover, venho pedir um favor: vamos mostrar para ela – seja na Bienal, seja no evento na Livraria da Travessa – que não somos um caso perdido. Vamos mostrar o lado LINDO de ser fã. Que tal?


Para saber dos eventos, passem aqui ó (Travessa e Bienal). E vamos nos divertir com a vinda daquela que nos arranca o coração .... e a gente pede mais!

17 de jul. de 2015

Papos de sexta: Gosto (literário) não se discute

Um antigo ditado sabiamente diz “gosto não se discute, lamenta-se”. Mas em tempos em que tudo é curtido e compartilhado, gosto se discute e muito! Embora, em minha opinião, acho que o termo que deveria ser utilizado é “debate” e não “discussão”. O primeiro implica em argumentos e troca de opiniões,enquanto o segundo é puro barraco.

E é o que tenho visto em redes sociais: muito barraco por causa de gostos literários.



- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

- Você só lê .... CHEGA!

Quando estava pensando no que escrever para o “Papos de Sexta”, pedi sugestões no meu Facebook e recebi várias, entre elas esse tema. E na própria sugestão, já começou um teteretê por razões de gostos literários diferentes.



Gente, gosto não se discute!Se debate, se questiona e até se lamenta. Mas Não. Se. Discute.

Minha experiência mostrou que, quando a gente ama muito alguma coisa, nos sentimos meio que donos dela, sabe? Por exemplo, quem nunca amou tanto um personagem que sente ciúmes quando outra leitora também confessa seu amor por ele? Quando somos fãs, amamos MESMO, com força e sem restrições, e isso às vezes nos inflama não de uma forma bacana.

Eu amo livros! Amo mesmo! Acho o máximo como eles me fazem sentir e chorar e questionar sem sair do lugar. Amo entender as entrelinhas, os elementos de estilo. Amo tanto que, quando alguém interpreta mal algum ponto de um livro ou se diz apaixonada por um personagem que não gosto por ser abusivo ou mau caráter, levo para o lado pessoal. E, na boa, onde já se viu isso? É muito errado! Já fui muito injusta com outros leitores por achar que a minha opinião era a única correta. O lado bom disso tudo é que entendi onde errei e passei a me policiar quando me sinto assim.

E foi a melhor coisa que já fiz! Quando você se esforça para respeitar o gosto, a escolha do outro, a sensação é tão plena! Recomendo muito! Um sentimento de amadurecimento e de justiça te invade e te cobre como um cobertor quentinho em uma noite fria. E é deliciosa essa sensação de harmonia completa entre o limite da sua opinião e do gosto alheio.

- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

É sim. Se eu considero bem escrito e provoca algo bacana em mim, considero literatura, independentemente da protagonista.

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

Contemporâneos e clássicos precisam ser conhecidos para que os momentos sociais sejam sempre relembrados e questionados. Ler quem já passou dessa para melhor é honrar as palavras trabalhadas há tanto tempo e com tanto amor. Recomendo.

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

Procuro ler o que é bom, independentemente da nacionalidade do autor. Se tem uma boa história para contar, por que não ler?


Uma amigona minha me disse uma vez “julgue o livro e não o leitor” e isso se tornou o meu mantra. Julgar o leitor é julgar a experiência e a vida de cada um. E ninguém é melhor do que ninguém para fazer isso. Já a obra .... bem, vamos seguir lendo porque é isso o que importa!


19 de jun. de 2015

Papos de sexta: Toda forma de amor

Junho, o mês dos namorados, chegou com polêmica. Uma propagando do Boticário dividiu opiniões ao mostrar três casais se preparando para presentear um ao outro no Dia dos Namorados com produtos da marca. Um homem e uma mulher, dois homens e duas mulheres protagonizaram o comercial que foi embalado com a trilha sonora de Lulu Santos em “Toda forma de amor”.

O que mais achei interessante na polêmica acionada pelo comercial foi o fato do debate ter sido gerado. Só aí, o Boticário já mandou muito bem. Vender perfumes e produtos para pagar as contas é essencial, mas vital foi acionar a discussão sobre um tema que poderia ser menos polêmico se apenas tivéssemos respeito um pelo outro.

A galera do Grupo Editorial Record tem muito orgulho de promover livros que levantam a bandeira do respeito. E eu tenho muito orgulho de ser uma parte disso, mesmo que indiretamente. E é lindo saber que não somos os únicos. Existem diversos autores e autoras pelo mundo escrevendo cenas românticas lindas que não contam com “beijo gay”, mas com beijos; que não retratam “casais homossexuais”, mas casais apaixonados.

Livros como Dois garotos se beijando (David Levithan) e  George (Alex Gino) são necessários não somente porque são bem escritos, mas porque trazem assuntos atuais e que precisam ser abordados. Acho que a partir do momento que o rótulo “gay” cair, o preconceito vai começar a tropeçar também.

Por falar em George, no mesmo mês que o comercial saiu, Bruce Jenner – padrasto das Kardashians – se assumiu trans. Agora seu nome é Caitlyn Jenner e mais questões foram levantadas sobre a galera transexual. É importante entender que existe uma diferença entre orientação sexual e identidade de gênero. Enquanto o primeiro é sobre por quem nos sentimos atraídos, o segundo é sobre como nos sentimos sobre nós. Ou seja, um homem pode gostar de mulher, mas não se sentir bem no seu próprio corpo masculino e querer se tornar uma mulher. (Galera mais entendida do assunto, corrijam se eu estiver errada, ok?)

Imagina não se sentir bem em sua própria pele. Agora imagina passar por isso enquanto pessoas de mente pequena te julgam e caçoam abertamente, faltando com todo o tipo de respeito. Complicado, né? Agora imagina que existem milhares de pessoas que passam por isso, que vivem isso todo santo dia. 

Infelizmente, nem todos serão aceitos como Caitlyn está sendo, nem terão os recursos que ela tem para fazer sua transformação. Nem todos serão abertamente felizes como os casais no comercial do Boticário. Mas e se cada um de nós, independente da orientação ou identidade, praticasse ter mais tolerância com o que é diferente, ter respeito por tudo e todos? Não faria a vida de todos muito mais fácil?

Claro que a polêmica está longe de acabar, mas pelo menos está sendo debatida, lida, comentada. Gerações diferentes estão sentando juntas para abordar a realidade: hoje em dia, com a informação na palma da mão, não deveríamos ser julgados por quem queremos ser ou amar. Nem deveríamos julgar.


No tal comercial, não rolou o “beijo gay”, mas trocas de olhares repletas de carinho e cumplicidade. E abraços apertados. É, o mundo precisa de mais abraços.

15 de mai. de 2015

Papos de sexta: Resgatando fadas

A arte é cíclica. Seja ela literária, cinematográfica, plástica, temos ciclos, e no momento podemos notar o resgate aos contos de fada. Geralmente temos filmes de fantasia em épocas turbulentas na economia. Como o mar não está para peixe, muito menos para uma pequena sereia, podemos notar uma gata borralheira voltando a aparecer no cinema e na literatura em várias releituras diferentes.

Essa “revisita” a clássicos contos de fadas como Cinderela, Branca de Neve, João e Maria e outros também ocorre quando Hollywood está sem ideias. Mas acho que o caso aqui é outro. Acho que está mais do que na hora de resgatarmos não as histórias de fadas, mas o que elas representam.

Fui ao cinema assistir a mais recente versão da Cinderela e me surpreendi positivamente. Vejam bem, quando o assunto é conto de fada, sou extremamente exigente. Sou aquela leitora que entendeu desde pequena a “moral da história” de cada conto sem que tivessem que me explicar demais e faço questão de que a alma desses contos seja preservada, não importa a época. E isso acontece com Cinderela. Os temas - como “ser sempre positiva e não rancorosa” e acreditar em magia - estão muito presentes, e não de uma maneira fantasiosa, mas real, no rancor de uma madrasta e na força de uma promessa. E é lindo ver que mesmo as heroínas acham que não vão conseguir suportar e suportam. E que a melhor vingança não é uma risada maléfica, mas o perdão.

E não são somente as princesas que transmitem poderosas lições. Por exemplo, um dos contos de fadas de que mais gosto é “O Patinho Feio”. Já até mencionei ele aqui no blog láaaaa no início. Quando fiz faculdade de teatro, até escrevi um monólogo sobre o conto. Sempre achei o máximo como o patinho sofreu bullying pelos outros patos por ser feio quando tudo que ele queria era ser aceito. E olha o que ele se tornou: um belo e majestoso cisne. E não se tornou arrogante por causa disso, mas teve seu desejo realizado. Não julgue pela aparência e não faça pouco caso dos outros!

Acho que contos de fadas formam a base de muitas lições, de muitos livros, de muitas histórias e conflitos. Eles são como o farol moral de todos nós, mas sofrem preconceito de pessoas que acham que são somente para crianças. Um carinho de mãe é somente para uma criança? O orgulho nos olhos de um pai é direcionado apenas às crianças? E desde quando apenas crianças passam por bullying e conquistam obstáculos? Pois é. Está mais do que na hora de resgatarmos as fadas das páginas e darmos a elas o verdadeiro e devido reconhecimento: inspiração de que tudo vai melhorar, desde que façamos a nossa parte com respeito e dignidade.

Acredite em contos de fadas, porque por trás de um chefe injusto está uma madrasta; por trás de uma fada madrinha está uma grande amiga; e nem todo príncipe precisa ser encantado para dar o seu recado com amor e carinho.
Os contos de fadas estão ao nosso redor, disfarçados nas entrelinhas de vários livros e em cada ação no nosso dia a dia. Basta reconhecê-los.

E aí? Você vai se transformar em cisne ou vai passar a vida de joelhos, como uma Gata Borralheira? A escolha é sua.


17 de abr. de 2015

Papos de sexta: Sem compromisso


Tita: “Frini, minhas amigas me acusam de infidelidade literária, e o pior — ou melhor, depende do ponto de vista :) — é que elas têm razão”.

Frini: “Tita, #tamojunto. Na vida fora das páginas, nosso coração pertence a um só, mas dentro delas, tem sempre espaço pra mais um, ou dois, ou vinte!”

Tita costumava ser fiel aos seus heróis. Jace Wayland, por exemplo, foi amor à primeira leitura, e manteve-se fiel livro após livro, mesmo quando foi apresentada a um certo galês de olhos azuis: “Não vou negar, meu coração balançou por Will Herondale e por muitos outros. Mas eles eram as variáveis, enquanto que Jace era uma constante na minha vida literária”.

Já Frini nunca entendeu essa coisa de fidelidade quando o assunto é personagem: “Sou apaixonada por tantos personagens que até perdi a conta! Como escolher só um dos Garotos Corvos ou um dos irmãos Salvatore? E pra quê?”

O mais engraçado é que Frini não suporta Jace (para a felicidade de Tita), mas também tem uma queda por Will. Vai entender!

Tudo muito bem. Tudo muito lindo. Mas com uma pequena pedra no caminho: a diferença de idade entre personagens e leitoras apaixonadas. “Jace tinha apenas 17 anos, e eu já tinha passado da adolescência fazia tempo. A diferença de idade pesou, e senti que era hora de me envolver com personagens mais maduros. Foi assim que eu conheci o new adult e o Travis Maddox, Will Cooper, Lucas Maxfield, Noah Hutchins, Ryan Stone, Rafael Ferraz, Dean Holder, Trent Maddox, Tyler Mann, Bernardo Albuquerque, Graham Douglas, Isaiah Walker, Thomas Maddox… A lista é longa, então vou parar por aqui”, explica Tita.

“E como é longa essa lista! Já pensei em vários outros! (risos) Concordo com a Tita. Não é que a diferença de idade seja uma complicação, porque quando lemos, podemos ter a idade que quisermos, sermos quem quisermos. Mas esse gap de anos resulta também em um gap de experiência, o que nos faz buscar algo além. No melhor estilo ‘não é você, sou eu’, sabe? Mas mesmo assim, uma vez apaixonada por um personagem, sempre apaixonada por ele”, divaga, Frini.
Tem leitor que briga por exclusividade dos personagens favoritos, mas as duas colunistas da Galera dizem ter superado essa fase. O lance delas é pular de página em página e se apaixonar de livro em livro. Sem compromisso ;)

Se você é do Rio de Janeiro, que tal bater um papo com essas duas figuras no sábado, 28 de abril? O Clube do Livro Saraiva fez uma parceria com o Grupo Editorial Record para abordar o tema New Adult na edição do evento. E a Saraiva do Shopping Rio Sul vai ficar pequena para tanto leitor apaixonado e personagem apaixonante. Não perca!


Se você não é do Rio, fica ligado na página do Grupo Editorial Record para saber quando será o evento New Adult na sua cidade.

20 de mar. de 2015

Papos de sexta: Dia do Blogueiro



Eu blogo, tu blogas, ele bloga, TODOS BLOGAMOS! Hoje, 20 de março, é comemorado o Dia do Blogueiro! *Frini joga confetes metalizados para o ar*

O termo “blogueiro” tem um significado que é mais ou menos assim: aquele que mantém um blog e que, por meio deste canal de comunicação, transmite suas opiniões. Mas embora seja bem preto no branco, o termo “blogueiro” também tem suas conotações positivas e outras nem tanto.

Levando para o lado positivo e para o meio literário, somos confundidos com web celebridades porque ganhamos livros de graça para resenhar, brindes para sortear e somos convidados para eventos bacanas sem pagar. Olha que bacana ser blogueiro, hein! Já na parte negativa, tudo dito acima é descascado e transformado em oportunismo. “Ah, ela é blogueira. Não faz nada da vida e lê o dia inteiro”.

Eu não sei quanto a vocês, mas os blogueiros que conheço não ficam em casa só lendo. E eu, muito menos!

Vamos encarar os fatos: nunca, na história da humanidade, o conhecimento esteve tanto ao nosso alcance como está hoje. Na palma da nossa mão, temos acesso a um mundo de conhecimento e pontos de vista e não precisamos ter medo de expressar nossas opiniões. E isso é LINDO! Mas ao mesmo tempo, é muito fácil ser soterrado em um monte de acessos e likes e links que falam, falam e não dizem nada. E pronto, a pessoa é blogueira.

NÃO!

Por favor, não vamos ver o blog como um instrumento de oportunismo seja ele literário, de moda, cinema ou qualquer outro assunto e/ou segmento. Vamos usar o blog como ele deve ser usado, transmitindo nossos argumentos, nossas conexões, nossos sentimentos, nossa atitude perante o mundo.

Gandhi disse “seja a mudança que você quer ver no mundo”. Eu realmente acredito que, se nós pesquisarmos um pouco mais antes de escrever cada texto, valorizarmos mais o trabalho do autor antes de resenhar, e pensarmos um pouco mais fora dos limites do nosso blog, da nossa casa, do nosso mundo, poderemos realizar essa mudança - um post de cada vez.

Somos formadores de opinião e precisamos ter noção dessa responsabilidade e agir de acordo.

Feliz Dia do Blogueiro para todos nós, sejamos postadores ou leitores. Por um mundo mais informado e feliz!


20 de fev. de 2015

Papos de sexta: Silêncio que fere


Sei que fevereiro é o mês da folia, mas também sei que alguns temas sérios precisam ser discutidos sempre. Este é um desses casos. Peço que, por alguns momentos, guardem o confete e a serpentina.

Constantemente conectados, estamos sempre curtindo posts, compartilhando fotos de viagens, fazendo planos para comprar uma coisa ou outra, colocando os highlights da nossa vida da internet. Mas e os bastidores? E as noites mal dormidas por causa daquela briga? E a batalha com a balança que fere a autoestima? E a “amiga” invejosa que nos faz questionar nossas opiniões? E o cara que disse que ligava e sumiu? E a sua família e amigos que não aceitam a pessoa que você decidiu amar só porque vocês têm o mesmo gênero? E .... ninguém compartilha isso, né?

É como se existisse essa obrigação de ser feliz, de estar bem sempre. Posso postar sobre uma reclamação mais rebelde e ganharei “curtidas”, mas se postar sobre o que realmente me fere, estarei me expondo e eu não quero isso. Mas se eu filtro o que coloco no ar, é essencial que quem vê também tenha consciência desse filtro. Sem essa informação, é muito perigoso mergulhar nas redes sociais. Comparar a sua vida – e os seus bastidores – com os highlights dos outros, abre uma porta que parece boba, à primeira vista, mas pode ser complicada e um possível caminho para a depressão.

E a depressão não é frescura. Ela é um pássaro que posa nos seus ombros e pesa, pesa até você não aguentar mais. Mas esse pássaro é invisível para os outros e só aparece para eles por meio das suas atitudes. E ele é malicioso, ele te faz mentir. Quando perguntam se você está bem, se você precisa de alguma coisa, essa ave te faz dizer que não, que tudo bem, que você está ótima. Só que não é verdade. E aí ele cresce, e pesa mais, e você se sente mais sozinho e incapaz de continuar.

Até que, para algumas pessoas, essa ave faz esquecer da luz. Ela te faz acreditar que não tem volta, que você não vai sorrir mais, que você não é o suficiente, que você não importa. Aí, ao entrar nas redes sociais, você vê sorrisos, corpos na praia, relacionamentos sérios, viagens e compara com a sua vida que, de repente, está embaixo das asas da depressão.

E aí fim.

Fim, porque a dor é grande demais para suportar. Fim, porque você não consegue falar o que está sentindo, pois isso seria considerado fraqueza. E depois do fim é muito tarde para entender que a culpa não é das redes sociais, nem da ave, nem sua. Não existe culpa porque não existe culpado. Existem fatos e interpretações e sentimentos e como nós priorizamos cada um deles.

Ao pesquisar para essa coluna, encontrei um dado alarmante: no Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes cresceu mais de 30% nos últimos 25 anos. Outros países que fizeram campanhas sobre o tema conseguiram salvar vidas, mas nós não. Não falamos sobre isso. Porque a palavra “suicídio” vem junto de palavras como “covardia” e “vergonha”.

Por que?

Em minha opinião – e que fique claro que não sou psicóloga ou perita no assunto –, tirar a própria vida não é covardia, é desespero profundo, e pessoas desesperadas precisam de ajuda e não de julgamento. Vergonha é saber de um problema e fechar os olhos para ele. Vergonha é não ajudar. O silêncio fere. Quem está sofrendo com o peso da ave precisa falar para alguém, precisa se abrir. E é preciso que esse alguém não julgue, mas que escute, que ajude.

Temos tanto a aprender, a ensinar, a vivenciar. A vida é como matemática: se está fácil, tá errado! E que delícia errar e crescer! Não sou forte, não sou valente, sou humana e já senti o peso dessa ave, já entendi como ela funciona e, graças a Deus, a exterminei. Mas essa espécie ameaça voltar e é preciso estar sempre vigilante. É preciso falar sobre o assunto e não calar.

Ninguém é perfeito. Você não precisa ser a mais magra, o mais rico, o mais repleto de amigos, o que tem o namorado ou a namorada perfeita. Você só precisa ser feliz na própria pele e isso depende de você. Não importa se você tem cicatrizes ou se estava pensando em criá-las. Procure alguém para te ajudar. Mande o pássaro da depressão embora. Você tem esse poder, todos têm, de uma forma ou de outra. Mas nunca ao custo de nossa própria existência.

Em uma época onde tudo e todos estão conectados, apague a tela e segure a mão de alguém. Desligue o celular e olhe nos olhos do amigo. Cuide, abrace, ajude a sarar, evite o pouso da depressão.

A razão para esse post aqui no blog da Galera é que, ao longo da minha vida literária, conheci alguns leitores que estavam - e alguns ainda estão - lidando com a depressão. Alguns já se feriram, outros, infelizmente, não estão mais conosco, mas muitos conseguiram conquistar o sorriso de volta. Esse post é uma maneira um pouco longa de dizer “você não está sozinho” aos leitores que podem estar sentindo o peso desse pássaro.

Somos apaixonados por livros, somos sensíveis e muitas vezes nos perdemos nas páginas de histórias para não encarar a nossa. Outras vezes encontramos em personagens fictícios a força para encarar situações e transformá-las. Se perder em livros incríveis ajuda a ganhar perspectiva, força, mas é fora das páginas que a vida acontece e lá você é o protagonista. A sua história é você quem faz.

23 de jan. de 2015

Papos de Sexta: Inspiração

Toda vez que um autor é entrevistado, a pergunta clássica é feita: “de onde você tira inspiração?”. E as respostas são as mais amplas e interessantes (ou banais) possíveis.

Mas não são apenas artistas (sim, autores também são artistas!) que precisam se inspirar. Eu gosto de escrever e de criar histórias, e encontro inspiração em músicas, em performances que toquem meu coração, em troca de olhares, em praticamente tudo. Só canto quando dirijo (o que é bom demais pra mim e igualmente hilário para os motoristas a minha volta) ou quando estou com sozinha e com medo, não consigo desenhar nem que seja para salvar a minha vida, e tocar um instrumento então! NOSSA! Que tristeza para os ouvidos alheios! Mas consigo escrever e gosto muito! Não somos artistas, mas isso não quer dizer que não possamos nos inspirar.

Notem que eu encontro a inspiração e não a busco. Acho que ela aparece quando estamos prontos para recebê-la e preparados para agir a fim de não perdê-la. Faz sentido? Espero que sim.

As premiações cinematográficas começaram nos Estados Unidos e as sigo desde pequena. Antes, eu torcia loucamente pelos meus atores favoritos, mas depois que a gente cresce e entende a indústria por trás de tudo, a torcida mudou um pouco. Agora, só assisto para dar uma olhada nos vestidos divos e, principalmente, por causa dos discursos de agradecimento.

Quando era pequena, assisti ao primeiro Oscar que contou com a atriz Whoopi Goldberg como apresentadora. Foi ótimo! Ela foi engraçada e tudo era perfeito e aí, no final da premiação, ela virou para a câmera e falou “Obrigada a todos por terem assistido. Hoje você está sonhando, mas um dia você pode estar aqui.” E aquilo me tirou o fôlego! Anos — que mais parecem milênios! — mais tarde, já formada em Jornalismo e Artes Cênicas, aquilo nunca saiu da minha cabeça.  Ainda não fui parar no Oscar (ainda!), mas a inspiração foi muito além de uma festa. Acordou em mim a vontade de fazer acontecer.

Mas aí, com o passar dos anos, vi essas vozes se calarem, não por imposição, mas por aparente falta de vontade. E no Globo de Ouro deste ano foi a primeira vez, em muito tempo, que os discursos foram além da lista de sempre (empresário, agente, membros da academia, etc.). Não sei se foram os acontecimentos em Paris que fizeram a voz de Hollywood voltar a funcionar, se foi a ameaça à liberdade de expressão que fez pessoas privilegiadas aproveitarem a oportunidade de utilizar essa posição para inspirar outros, como Whoopi me inspirou uma vez. Ou se, simplesmente, eles acordaram inspirados.

As palavras corretas ditas no momento oportuno formam uma combinação poderosa. Elas podem ferir, mas também podem inspirar. Quando machuca, passa. Mas, quando inspira, é para sempre. A inspiração que nos leva a continuar a luta, a conquistar nossos sonhos, a fazer a diferença é uma semente que pode ser regada facilmente com poucas palavras. E aí ela floresce rápida e continuamente. O importante é não se deixar calar, não deixar o coração endurecer, impedir que os olhos percam o brilho. Inspire-se todos os dias, de formas diferentes e expresse seus talentos. Você pode incomodar alguns, mas inspirar muitos outros.


E aí? O que te inspira?

26 de dez. de 2014

Papos de Sexta: O Fator Panetone vs. o Fator Rabanada

Essa é minha última coluna do ano; o último “Papos de Sexta” do ano. Uma tremenda responsabilidade, né?

Já notou que, apesar de tudo terminar diariamente, é somente nas últimas semanas do ano que sentimos o impacto do final de um ciclo? É como se só refletíssemos sobre nossas vidas, nossos sonhos e nossos caminhos no final do ano. Mas por que só nos últimos dias do ano, se ele já passou? Por que não no início do próximo, já que vamos precisar de empolgação e determinação para conquistar o que pretendemos?

A resposta é uma só: o “Fator Panetone”. Sim, muitos odeiam frutas cristalizadas, outros adoram, mas não é possível pensar no final do ano sem ele. A época do panetone chega para nos fazer entender que está na hora de chamar de volta as tropas e repensar a estratégia para conquistar o ano que vem desde o primeiro dia, desde o primeiro mês.

O “Fator Panetone” é exatamente o momento em que começamos a pensar no que fizemos no ano que passou; em que ficamos tristes pelas oportunidades que passaram sem serem aproveitadas e em que sorrimos pelas que abraçamos. O “Fator Panetone” tem o poder de nos entristecer assim como o de nos fortalecer. Tudo depende da sua relação com ele.

Vocês provavelmente estão rindo de mim, mas é verdade! Quando chega o final do ano, fico mais sensível, mas também mais corajosa. Essa é a minha maneira de encarar o “Fator Panetone”. Penso em tudo que quero conquistar no ano seguinte, o que quero mudar, o que quero aprimorar. No topo da lista está “Como quero me sentir quando vir os panetones sendo vendidos novamente?”.

Viram? Esse é o poder do “Fator Panetone”!

O ano de 2014 foi repleto de desafios profissionais e pessoais para mim. Pude colocar minhas habilidades de mediadora a prova ao participar das palestras da Cassandra Clare na Bienal do Livro de São Paulo. Virei Caçadora de Sombras depois dessa! Também tive que lidar com situações desafiadoras no meu trabalho, das quais acabei de receber um retorno muito bacana! Casei! Bem, ainda não no papel, mas deixei o conforto da casa dos meus pais para cuidar da minha própria casinha, dividida com o homem da minha vida. E essas são só algumas de tantas coisas que fiz e planejei para o ano... tudo fruto do “Fator Panetone” de 2013.

Esse ano, a minha lista mudou um pouquinho, porque quero conquistar outras coisas em 2015. Mas de uma coisa eu tenho certeza: quero vencer ainda mais o “Fator Panetone” para que, quando o Natal de 2015 chegar, eu tenha conseguido transformar esse fator no “Fator Rabanada”. O que é o “Fator Rabanada”? Ah, se tudo der certo, conto pra vocês em mais ou menos 360 dias!

Espero que o Natal de vocês seja iluminado, repleto de felicidade, saúde e LIVROS!


Mas antes de cantar “Noite Feliz”, conta aí, o que você quer fazer em 2015 para ter menos medo e mais sorrisos somados ao seu “Fator Panetone”?