18 de set de 2015

Papos de sexta: Tá tudo coisado



Sei lá, tá tudo coisado.

Se você leu e não postou resenha, as pessoas acham que você não leu.

Se você comprou e não postou foto, então não tem.

Se você conquistou e não postou no Facebook, é mentira.

Sério. Sério mesmo?

Está tudo realmente para lá de coisado!

Sou de uma geração entre a X e a Y, que significa, basicamente, que estou no limbo. Uso a internet, mas não vivo dela, para ela ou por ela. A considero essencial? Sim. Mas prefiro passar tempo vivendo do que postando.

Sou uma comunicóloga, o que quer dizer que, além de me comunicar, exerço isso como profissão. “Então como assim você não vive pendurada e postando o que acha sobre tudo e todos?”. Simples: porque, às vezes, não importa.

Ou não deveria importar.

Hoje em dia, fico atacada com algo, corro para as redes sociais para “desabafar”. Quem nunca, certo? Mas antes de apertar “publicar”, sempre penso novamente no meu “desabafo”. Ele vai ferir alguém? A minha raiva, frustração, tristeza está relacionada aos sentimentos de outra pessoa? Porque, se estiver, paro para pensar se vale a pena publicar ou se é melhor resolver comigo mesma, quieta no meu canto. E nem sempre eu acerto. Sou humana, poxa! Não sou perfeita!

Mas é incrível como esse filtro é ignorado nas timelines da vida, não? Era antes das redes sociais, mas ficou pior depois delas.

“Esse livro é uma porcaria!” gritam alguns em CAPS LOCK.

Já pararam para pensar em como o autor vai reagir a isso? Porque foi o nosso tempo que investimos na leitura, mas é o trabalho dele que estamos julgando. Ele não nos julgou ao escrever o livro, então porque temos o direito de fazer isso? Não seria melhor usar argumentos para explicar a razão de não termos gostado de algo?

Eu valorizo muito a minha opinião e não digo que algo é “bom” ou “ruim” só por dizer. Mas também deixo claro que essa é a MINHA opinião, usando argumentos que funcionam para mim. Por exemplo, se não gostei de um livro e decido postar uma resenha sobre o mesmo (porque leio muito mais do que posto, com certeza!), sinto-me no dever de explicar a razão de não ter gostado da leitura. Posso não ter concordado com o protagonista, ou não me identificado com a narrativa. Tudo isso é natural, mas, ao meu ver, é necessário ser dito.



Sem argumentos, classificaríamos tudo somente como “bom” ou “ruim”. E isso é pobre demais para alguém que ama palavras.

O que é um bom livro para você? Para mim, é um livro coerente, que me deixa intrigada, apaixonada, viciada. Ele pode ou não ter elementos de estilo, prosa diferenciada. Ele pode ou não integrar movimentos artísticos. Um bom livro para mim depende do momento em que o li e de em que estado ele me encontrou. Gostar da experiência e da obra em si nem sempre é a mesma coisa.



O que quero dizer nessa coluna meio “coisada” é que eu não acredito em padrão de beleza, padrão de boa literatura, padrão de qualquer coisa. Existe, sim, respeito por si e pelos outros, mas o que é belo depende de nós e não do que outros “ditam” ser belo. O que é bom ou ruim nas páginas cabe a cada leitor decidir. E tudo bem mudar de opinião depois. Nós somos seres humanos e não concreto! É natural achar uma coisa e, depois de outras experiências, mudar de opinião. E que lindo que é termos essa capacidade!


Seja feliz, seja coisado, mas não se conforme com o padrão que outros escolhem pra você, seja na roupa, no peso, no livro, no que for. Seja único ou igual, original ou comum: seja você! Sempre. 

2 comentários:

Tita Mirra disse...

"Mas prefiro passar tempo vivendo do que postando." THIS <3 E quanto ao que pode ser considerado literatura e o que não é... Sou a favor de ler o que quiser. Cult ou Guilty, a vida é curta demais para se importar com rótulos :)

Raffafust disse...

Oi Frini
Não vou mentir que não me importe com o que os outros falam, mas como tudo tem um limite explodo. As pessoas se escondem por trás de seus computadores e falam o que pensam, temos novos valores, temos pessoas achando que o que pensam é o certo...e sabemos que tudo isso é tão errado.
Te entendo...mas muitas vezes não entendo o novo mundo que vivemos. As vezes dá vontade de pedir para parar que eu quero descer.
Amei a coluna.

beijos