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28 de nov. de 2013

Galera entre letras: Nem tudo o que reluz é a Excalibur...

Há algumas semanas, o site io9 fez uma lista com dez termos importantes para apreciar a literatura fantástica.

Inspirada nessa lista, eu resolvi falar de alguns termos que também considero importantes. E a primeira coisa que eu queria comentar é que a minha definição de literatura fantástica é bem simplória: “literatura fantástica é toda modalidade de narrativa (conto, romance etc.) em que elementos sobrenaturais (ou não naturais) se misturam à realidade”. Sendo assim, a literatura fantástica inclui tanto aquilo que nós costumamos chamar de “fantasia” quanto as histórias de terror (que despertam medo e sempre trazem a ideia de uma ameaça ou de algo misterioso e estranho), e podem incluir também as de ficção científica (que tratam do impacto da ciência na humanidade, mas que também podem ter elementos fantásticos na narrativa).

É uma definição bastante ampla, eu sei, mas ela é proposital. Primeiro, porque, com essa definição, eu não compro briga com nenhum fandom (rs) e, em segundo lugar, porque, a bem da verdade, eu gosto mesmo é de ler, e o gênero literário não tem tanta importância assim.

De todo modo, esses termos ou características (que também podem ser considerados “subgêneros” da literatura fantástica, mas que eu prefiro não chamar assim por não acreditar nessas divisões) servem como um ponto de partida para identificarmos aquilo de que gostamos ou não.

Hoje eu vou falar dos meus temas preferidos e, na próxima coluna, vou tratar de mais alguns como a fantasia urbana e o realismo mágico.


1) Fantasia de travessia

A “fantasia de travessia” é um dos temas mais comuns em literatura fantástica. Nesse tipo de história, sempre há uma passagem para um mundo mágico, que costuma envolver algum tipo de cruzada heroica. A via de passagem pode ser um buraco, uma porta ou até um guarda-roupa. As Crônicas de Nárnia são um exemplo perfeito de “fantasia de travessia”, bem como O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas.

2) Mundos secundários

O “mundo secundário” pode ser um continente perdido, como Atlântida, ou um lugar mágico até então desconhecido aqui na Terra. Quando se fala em “mundos secundários”, costuma-se pensar em um local que se assemelha à Terra e no qual se desenvolve uma cultura parecida com a cultura humana.

A Galera Record tem uma série muito legal que se passa em um mundo secundário: Trono de Vidro, da Sarah J. Mass, publicado em 2013, e traduzido por Bruno Galiza, Lia Raposo, Mariana Kohnert e Rodrigo Santos. O livro conta a história de Celaena Sardothien que, aos 18 anos, é escolhida pelo príncipe para participar de um concurso para o novo assassino real (e eu nem vou entrar aqui no mérito de termos uma garota que maneja espadas com muita habilidade como protagonista!).


3) História alternativa

Algumas vezes, confundimos a fantasia de “mundos secundários” com a fantasia de “histórias alternativas” e a melhor maneira de diferenciá-los é justamente o fato de que, no caso da “história alternativa”, a narrativa parte de um evento que realmente aconteceu.

Uma das séries mais legais que se baseia numa “história alternativa” é a série do Leviatã, do Scott Westerfeld, traduzida por André Gordirro. O primeiro volume da trilogia, que se chama Leviatã: A Missão Secreta, saiu em 2012, e Beemote: A Revolução, o segundo volume, saiu há poucos meses.

Essa série é MUITO LEGAL por tratar de um tema pouco explorado e superimportante: a Primeira Guerra Mundial. Os lados que se opõem no conflito, tal como contado pelo Westerfeld, são os mekanistas alemães e os darwinistas ingleses.




4) Espada e magia

A “fantasia épica” costuma ser uma história longa que, em geral, tem vários volumes e ocorre em um “mundo secundário”. O exemplo mais conhecido de fantasia épica são as séries de livros sobre o Senhor dos Anéis e a Guerra dos Tronos.

A fantasia de “espada e magia” costuma ser menos heroica que a “fantasia épica” e tem como protagonistas ladrões ou pessoas desajustadas. Enquanto a “fantasia épica” ocorre em castelos, a fantasia de “espada e magia” costuma ter como cenário as ruas escuras das aldeias e cidades ou ainda lugares ermos e inóspitos, como os desertos. Os livros sobre Conan, de Robert E. Howard, são um bom exemplo desse tipo de história. Na fantasia de “espada e magia” nem sempre é fácil distinguir quem são os mocinhos e quem são os bandidos, o que torna os personagens (e a leitura) bem mais interessantes.


5) Fantasia arturiana

A “fantasia arturiana” poderia muito bem ser considerada uma “fantasia épica”, pois também se passa em um “mundo secundário”. Eu optei por distingui-la da “fantasia épica” pelo fato de a “fantasia arturiana” ter como tema, como o próprio nome diz, as histórias que envolvem o rei Artur. Dá até pra fazer uma lista com alguns símbolos recorrentes: Excalibur ou a espada na pedra, o Santo Graal, a Távola Redonda e o mago Merlin. Se vocês estiverem lendo um livro com, pelo menos, um desses elementos, não resta dúvida de que se trata de uma “fantasia arturiana”.

Um dos mais belos textos sobre o rei Artur é The Once and Future King, uma série de cinco livros, escrita por T. H. White, que influenciou muitos autores importantes. A Galera Record também publicou, em 2013, uma série muito legal sobre o jovem Merlin, Merlin. Os Anos Perdidos, de T. A. Barron. A tradução ficou a cargo de André Gordirro.



Boas leituras e até o mês que vem!


Minibio:

Ana Resende trabalha como preparadora de originais e tradutora, e é colaboradora da Galera Record, entre outras editoras. Workaholic assumida, está gostando amis de videogames e sua leitura favorita são os contos de fadas. Acredita que o príncipe encantado existe, só que se perdeu sem um GPS.


Twitter: @hoelterlein

3 de set. de 2013

Bienal com a Galera: Beemote


Como prometido, durante a bienal, cada lançamento Galera vai ganhar seu próprio marcador aqui no blog! E hoje é o dia de Beemote,continuação de Leviatã e segundo volume da série steampunk de Scott Westerfeld (criador do supersucesso Feios).
Nele, Scott reinventa a Primeira Guerra Mundial com uma narrativa repleta de fantasia,mas muiiita pesquisa histórica! Em lados opostos,mekanistas lutam com aparatos mecânicos movidos à vapor e darwinistas usam imensos animais geneticamente modificados, e adaptados para a batalha. Beemote é um kraken, a besta mais feroz da Marinha britânica. Os darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os mekanistas. Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir parar a guerra. Mas, quando sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo... e que estão sendo perseguidos!
Para ler o primeiro capítulo de Beemote, clique aqui. E baixe aqui o marcador inspirado no livro!
< 3



4 de mai. de 2012

Papos de Sexta - Quando você pode pedir coisas para a sua parede..., por Garota It (Pâmela Gonçalves)


Eu estava aqui pensando no que escreveria para o Papos de Sexta enquanto encarava minha parede cor de laranja (sim, eu tenho uma parede alaranjada no meu quarto).Sabe quando você olha para determinado ponto e simplesmente não consegue parar de fazê-lo enquanto pensa em outras coisas? Aconteceu isso. Até que eu prestei atenção para onde realmente estava olhando: a minha parede.
Recentemente, li Extras do Scott Westerfeld e aquele lance de pedir coisas para sua parede é algo que seria realmente útil. Um dos meus maiores defeitos é ser muito preguiçosa, e a possibilidade de ter as coisas só esticando a mão e pedindo para a parede seria demais!
Continuei encarando a minha parede e pensando no que eu gostaria naquele momento. Como se não fosse necessário ter méritos e nem fama para pedir algo. Imaginemos que ainda não estou em Extras e sou uma avoada que pode pedir qualquer coisa para a minha parede. Maluquice eu sei, mas continue na mesma realidade que eu. Seja forte!
Considero Scott um gênio (vocês já sabem) e tenho certeza que, algum dia, todas as ideias dele serão colocadas em prática por pessoas sábias que enxergam essas preciosidades como algo de importância mundial. Fala sério! Uma prancha voadora seria a solução para os nossos problemas de trânsito. Um corpo perfeito seria a solução para o sistema de saúde. A possibilidade de enviar um ping para qualquer pessoa significaria: nada de celular e telefone! Já disse que odeio telefones? Ok, vamos voltar para a minha parede.
Ela é laranja como eu já disse. Então imaginei um buraco que pudesse me dar qualquer coisa que eu quero, exatamente como no livro. Ok, o que eu quero neste momento? Paz mundial, blá blá blá. Buracos na parede não podem dar algo desse tipo. E bem, estamos na Era da Perfeição, então existe paz *cof**cof* e esse discurso de Miss Universo não é mais necessário. Próximo!
Estou sentindo muito frio aqui no Sul, então quero algo para me aquecer! Ufa, melhorou. Sabe Anjo Mecânico da Cassandra Clare? Pois é, também quero um exemplar! Como assim ainda não tem? Vá à luta, buraco!
Estou com fome e um saboroso pacote de biscoitos seria ótimo! Para completar: que tal um chocolate quente? Espera, lembrei! Não existirão biscoitos e muito menos chocolate! Argh! Odeio esse buraco na parede e todos os avanços tecnológicos que tiraram o meu prazer de comida.
Frustrante. Buracos na parede não são muito úteis. (Ou sou eu que só penso em comida.)
Essa foi minha conversa imaginária com a minha parede laranja. No final? Tive que ir até a cozinha buscar um pacote de biscoitos e um café com leite. O que o café tem a ver com isso? Não tinha  tinha chocolate em pó no buraco. Nem na minha cozinha. Pobre, Pâm.

[Pâm, a parede bem podia servir essa receita do Flanders, né?]

Aliás, ele ainda está me devendo o livro Anjo Mecânico. Recebi uma resposta de que até o final de Maio estará disponível! *louca* Ah se fosse tão fácil pedir livros para um buraco na parede...

27 de abr. de 2012

Papos de sexta [Edição especial!] - Na mesa do editor, por Ana Lima


Nunca parei para contar quantos livros passam pela minha mesa ao longo do ano, mas claro que às vezes surgem uns especiais e a gente se apega. Quer que tudo fique mais que perfeito. A capa, o verso da capa, cada abertura de capítulo, cada frase... Tá rolando um caso de amor desses agora com Zumbis x unicórnios. Organizado pela Justine Larbalestier (Magia ou loucura) e pela Holly Black, e com histórias de seis autores que a gente ama.

Holly lidera o Time Unicórnio ao lado de Meg Cabot, Naomi Novik, Diana Peterfreund, Margo Lanagan, Garth Nix e Kathleen Duey. Justine lidera o Time Zumbi acompanhada por Cassandra Clare, Scott Westefeld, Maureen Johnson, Libba Bray, Alaya Dawn Johnson e Carrie Ryan. Temos dois timaços, e ai de quem disser o contrário!

Unicórnios são muito amor, e comecei minha leitura imbuída do espírito defensor desses cavalos chifrudos mágicos. Mas agora que eu tô na metade do livro preciso confessar: virei casaca. Zumbis rules! Tá bom, no meu caso era um processo inevitável depois de The WalkingDead <3. Adeus, amiguinhos brilhantes... Olá, fedidos!

E nas histórias tem de tudo (mesmo!! não é recomendado para almas sensíveis), do zumbi babão clássico de George Romero ao zumbi apaixonado e desbocado (adorei essa, é da Alaya Dawn Johnson). Também há diversidade do lado arco-íris: unicórnios que curam, que se empenham em defender a justiça, mas que também podem matar. Ui!
Todas as histórias são maravilhosas e é uma felicidade sem fim ter um livro tão bom pra editar. Nossa edição vai ser bem parecida com a original e o livro tem vários detalhes incríveis; design de Lauren Rille e Sonia Chaghatzbanian, e ilustrações de Josh Cochran... aguardem! 

Enquanto escrevo, já tem outro livro me aguardando: Wolfsbane, sequência de Nightshade, da Andrea Cremer, que tá todo mundo pedindo pra sair logo (né?), então não posso me estender muito mais dissertando sobre a minha crise existencial entre zumbis e unicórnios. 
Bom fim de semana!
Ah, mas contem pra gente qual o seu time: Time Zumbi ou Time Unicórnio?