8 de out de 2015

Galera entre Letras: Você tem medo de quê?

O mês de outubro é o meu preferido (e nem é pelo dia das crianças, que eu não comemoro mais rs). Eu gosto dele por causa do Halloween e do aniversário de morte de um dos meus autores favoritos: Edgar Allan Poe.

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(Eu tinha que compartilhar este gif com vocês.)

Dificilmente alguém que gosta de ler já não cruzou com um texto dele ou um filme baseado em sua obra. E dificilmente alguém abriu uma antologia de contos norte-americanos sem se deparar com um de seus contos mais famosos: “O coração denunciador”, “O gato preto”, “A carta roubada” ou “Os assassinatos na rua Morgue”.

Por isso, pensando em Poe e no Halloween, resolvi dedicar as duas colunas do mês ao medo. Sim. A esse sentimento ao mesmo tempo estranho e prazeroso.

Bom, eu não vou dar uma aula sobre o medo aqui, mas vamos tentar entender o que é o medo e por que tanta gente gosta de ler (ou ver) algo e sentir medo?

Em primeiro lugar, é bom lembrar que a gente SENTE o medo. Quer dizer, quando a gente tem medo, nosso corpo sofre alterações físicas, sabem? O coração dispara, nós começamos a suar, a respiração encurta. Dá até pra medir os impulsos cerebrais ligados ao medo! O que significa, claro, que ele é REAL. Quem já sentiu medo uma vez na vida, sempre reconhece a sensação.

E o medo também tem uma função importante: a de (auto)preservação. Se você tem medo, se arrisca menos e consequentemente tem mais chance de sobreviver. Engraçado, né?, que o medo possa ser importante pra sobrevivência da espécie. Mas é fato que ele também serve pra isso.

E também é fato que essa função de preservação dos indivíduos foi logo percebida. E sabem o que aconteceu? Passou-se a contar histórias que, de alguma forma, despertassem medo ou um sentimento parecido com o medo. Essas histórias tinham a função de educar e assumiam formas que a gente conhece muito bem. Já pensaram nos contos de fadas? Muitos deles tinham como tarefa evitar que as pessoas cometessem atos considerados errados na época em que viviam (por isso, os garotinhos desobedientes se deparavam com feiticeiras malvadas no meio da floresta; se alguém mentisse, o nariz crescia e por aí vai…). Claro que essa função “controladora” do medo não se limitou aos contos de fadas nem se restringiu a mostrar que a mentira é uma coisa feia.

Mas vamos em frente na nossa brevíssima história do medo.

Uma das curiosidades a respeito do medo é que ele pode ser provocado por algo externo ou por nós mesmos. Explico: eu tenho medo de barata. Sempre que vejo uma barata, eu tenho todos aqueles sintomas que descrevi antes. MAS: eu posso estar num lugar no qual eu ache provável uma barata aparecer e, mesmo sem ter visto uma delas, vou ter medo. Isso prova que nós conseguimos criar o medo apenas com nossa mente. Algumas vezes, essa sensação é chamada de angústia, isto é, a antecipação de algo ou de um acontecimento que causa medo.

Pra mim essa é a característica mais importante do medo: o fato de que ele não precisa de algo externo pra ser acionado. E por isso mesmo ele é uma sensação tão importante para a literatura e foi um tema tão constante, afinal, nós temos uma literatura de terror, né?

Quem mais explorou o medo como tema e como um meio de despertar o interesse do leitor foram os escritores e escritoras góticos. Se você já leu um livro que tem uma mocinha ou um mocinho frágil e debilitada(o), que desmaia à toa, mas que gosta de perambular por corredores escuros e lugares ermos tarde da noite, e no qual é normal que portas batam sem que esteja ventando, e que pratos ou outros utensílios se quebrem sem motivo aparente, então, você já leu um romance gótico. E provavelmente seu coração disparou enquanto você passava páginas e mais páginas que descreviam meticulosamente um determinado lugar. Quase como se você estivesse dentro do livro e pudesse sentir aquela “atmosfera”.

A “atmosfera” gótica tem tudo a ver com o medo. É praticamente impossível a gente não se identificar com a fragilidade dos personagens!

O gênero gótico fez tanto sucesso na literatura que até hoje nós temos autores que exploram essas sensações — são os chamados neogóticos. E alguns criaram essa ”atmosfera” inspirados pelo próprio local em que moravam: os góticos sulistas, por exemplo, que são os autores que moravam no sul dos Estados Unidos.

Mas… e o Poe? Bem, Edgar Allan Poe, pra mim, é um dos mais importantes representantes da ficção gótica nos Estados Unidos, embora não tenha se limitado a escrever histórias góticas. Vocês sabiam que ele foi o inventor do romance policial, tal como a gente conhece hoje?

Ele sabia como ninguém criar essa “atmosfera de medo” e soube como ninguém explorar a angústia e o medo em suas histórias. E também criou histórias em que o medo era causado por coisas bobas e rotineiras. Ou mesmo por pessoas conhecidas.

E nisso ele inspirou um bocado de autores depois dele.

Na próxima coluna, eu vou falar do medo causado por coisas (ou pessoas) conhecidas e desconhecidas, e por que a gente insiste em ler histórias que nos dão medo. Preparem-se! Vai ser de arrepiar!

4 comentários:

Bruno Medeiros disse...

Ana, infelizmente ainda não li nada do Edgar Allan Poe. Sei que isso não é algo que tenho orgulho, mas ao mesmo tempo nunca movi muitas forças para lê-lo.

Entretanto, eu sou apaixonaddo plo medo ahaha. Adoro filmes de terror e confeso que sou um dos poucos que se assusta a cada segundo no cinema. Não li muitos livros do gênero e os que eu li não foram bons, mas achei muito digna a tua postagem. Espero que mais pessoas se interessem pelo tema!

Conte-me, Ana, tu já leu algum livro que realmente te deixou com medo?
Abraços,
www.importunobruno.blogspot.com

paulo manoel disse...

Ana eu adorei o que você escreveu, sou grande fã do Edgar Allan Poe, e graças as obras dele, a forma como ele escreve, é tão linda, graças a forma como as obras dele são, eu escrevo varios poemas, ja tenho 3 livros escritos, contos tenho varios tbm escrito por mim, pelo simples fato do Edgar ter mostrado um lado meu que eu não conseguia. Meus amigos dizem que eu sou o novo Edgar Allan Poe, porém eu digo a eles que eu não sou, e que ninguem pode ser, porque Edgar é único.

Ana Resende disse...

Bruno, eu não vou te obrigar a ler Poe, mas dá uma chance pro homem da multidão. Acho que você vai gostar =D
PET SEMATARY do Stephen King me deu muito medo. Tanto que não consegui terminar de ler rs

Ana Resende disse...

Que legal, Paulo! Inspirar-se num autor como o Poe é coisa de gente grande. Continue escrevendo e se tiver algo on-line não deixe de me avisar! Quero ler :)