A gente sempre diz que não tem
preconceito. Mas assumo que durante muito tempo o tive e o carreguei comigo por
não entender, por achar que era errado. Mas quem mesmo diz o que é certo?
Nossos pais? A religião em que somos criados? Sou de uma época onde a internet
não era algo tão comum na adolescência; sim, ela já existia, mas não fazia
parte da vida de todos nós. Sendo assim,
a gente sabia o que vivia, o que lia na revista, o que via na TV... e tudo que
se falava de homossexuais parecia errado, o mundo não aceitava (e sei que
muitos ainda torcem o nariz até hoje).
Em casa também não tínhamos o
hábito de discutir sobre isso, então toda vez que alguém vinha com o assunto eu
pensava que não era a favor, mas não abria a boca. Gente, mas do que eu tinha
que ser a favor? É isso que eu não entendia e que as pessoas não entendem...até
onde a opção sexual de alguém interfere na sua vida? Não devo me meter. Sei
disso hoje, mas demorei um certo tempo para descobrir.
Não vou citar nomes, mas foi quando
ouvi da boca de uma amiga, que amo muito, que ela gostava de meninas que
acordei para o tema. À primeira vista, pensei que ela estava brincando, depois
vi que era verdade quando me apresentou à namorada. E foi exatamente o convívio
com ela que me fez perceber o quão pouca informação eu tinha a respeito e o
quão preconceituosa eu era. E não se enganem,
o preconceito não é somente o que você coloca para fora em palavras e
gestos...ele mora em você; e, por comodismo ou outro motivo, você não se
interessa em saber porque ele existe.
É tão estranho pensar na pessoa
que fui e na que sou hoje em dia. Eu pude ver no rosto da minha amiga a
felicidade de poder dizer a todos de quem ela gostava... o parar de se esconder
foi libertador e a aceitação de quem ela amava – e isso me incluía – foi
fundamental nessa fase.
Não lembro quantos anos tem isso,
exatamente, mas de lá para cá as vitórias foram muitas nesse assunto. Claro que
ainda há diversas batalhas a serem vencidas, mas o número de amigos e amigas
que gostam do mesmo sexo só aumentou, e isso só me faz ver o quanto isso sempre
existiu, mas a vida não deixava eles serem quem são.
Por abraçar o tema, e
compreendê-lo e não aceitar de nenhuma forma que meus amigos se magoem com
pessoas que acham que tem o direito de interferir em suas vidas, eu me encantei
com os livros de David Levithan. Já tinha lido Nick & Norah e amado, mas
aqui entre nós, os livros dele com a temática LGBT são sensacionais. Sempre
recomendo a todos, aos que já entenderam que vencer o preconceito depende de
nós. Quem ama de verdade quer ver o outro feliz, seja ele da sua família ou seu
amigo.
Se você se sente como eu me
sentia antes da minha amiga revelar “seu segredo”, acorde, nunca é tarde demais
para mudar de lado, e os do bem, aqueles que aceitam os outros como eles são,
sempre têm lugar para mais um.
