“Por que estragaram o livro usando página branca?”
“Chama de edição de luxo, mas não tem página amarela!”
“Vamos assassinar vocês editores da Galera que imprimem em papel branco”
Depois de responder algumas
*De 35g a 55g: são os papéis de menor gramatura, portanto, econômicos. São mais finos e sua aplicação mais comum é em jornais e edições de banca ou econômicas.
*De 75g de 115g: o papel que você utiliza na sua casa ou no escritório tem essa média de peso / gramatura. As edições comerciais também.
*150g – 300g: utilizado em capas de livros, são mais pesados, toleram mais tinta e acabamentos como hot stamping, relevo, brilho holográfico etc
Portanto, um livro com hot na capa, com pantone, relevo e impresso em papel branco de 75g NÃO é uma edição econômica.
Um livro de capa dura, impresso em tecido, com miolo ilustrado de duas cores impresso em papel branco também NÃO é uma edição econômica.
Outra coisa que muita gente alega é que o papel amarelo cansa menos a vista na hora de ler. Isso pode ser verdade em alguns casos, mas é preciso lembrar que a visibilidade está ligada a outras questões também, como a tipografia usada, o espaçamento entre letras, o espaçamento entre linhas e a diagramação em si.
Existem vários motivos que pautam a escolha do papel em uma edição, e nenhum deles é torturar o leitor. Geralmente, os livros que fazemos na editora costumam ter orelhas e papel amarelado, mas dependendo do projeto, o papel branco faz mais sentido.
Às vezes a capa tem tons mais frios e não combina com o papel amarelado. Às vezes a gráfica não tem o papel amarelo na gramatura necessária para a qualidade da impressão. E quando o miolo é ilustrado, principalmente em duas cores, o branco funciona melhor pois não interfere na pigmentação da ilustração. Por exemplo, a edição gringa da série Garota Gotic:
Tem as páginas brancas em alta gramatura, é ilustrado e o canto das páginas é pintado de azul metálico. Ou seja, uma edição caríssima, de altíssimo luxo e papel branco!
Outro exemplo de edição americana em papel branco é a série Emily, a estranha. Os livros também são capa dura, o miolo é impresso em Pantone e o papel é um couché branco, ou seja, brilhoso e de alta qualidade.
Outro exemplo é a edição da Intrínseca: 365 dias extraordinários, também ilustrado em duas cores e capa dura, também impresso em papel branco.
Ou seja, existem mil questões que influenciam a qualidade de uma edição, e a cor do papel não é uma delas. Como editores, nosso trabalho é sempre pensar em quais materiais se adequam melhor ao produto final e tomar a decisão de acordo.
E, no fim das contas, os livros são como as pessoas: a cor não determina o valor, né?






