1 de abr de 2016

PAPOS DE SEXTA: O FINAL DECEPCIONANTE

Certamente já aconteceu com você. Se o livro é parte de uma série então, isso faz com que as chances de ver seu personagem favorito indo para caminhos que você não escolheu sejam ainda maiores. E como assim aquele autor se sente no direito de mudar o rumo de uma história que ele já havia definido?
Afinal de contas quem é o “dono” daquela história? O autor, que criou o personagem, que nos fez gostar dele e nos envolveu em toda aquela atmosfera, ou nós leitores, que nos apegamos, e por isso temos a expectativa de que ele siga o que — em nossa cabeça — seria um final feliz? A resposta para mim parece clara: a história é do autor, e quem define o rumo que ela toma é ele.
Sei que dói, que causa desgaste na relação com o leitor, quando o final escolhido não é nem de longe o que a gente sonhou para aquele protagonista que já parece um amigo íntimo depois de mais de 10 livros.
Meg Cabot é uma de minhas autoras favoritas, e foi com ela minha primeira decepção literária séria. Em 2009 quando ela veio ao Brasil, escolhi autografar Rainha da Fofoca, livro pelo qual sou apaixonada. Mas, então, veio a continuação. E gente, eu tinha muita vontade de ligar para ela e perguntar onde ela estava com a cabeça quando fez aquilo com a protagonista. Que rumo foi aquele? Eu fiquei cerca de trinta minutos, após finalizar a leitura, olhando para o nada, pensando em como ela podia ter feito aquilo comigo. Na minha cabeça de fã, achei melhor esquecer que li a continuação e inventei que só existia o primeiro volume da série, só pra mim.
Doida? Um pouco. Só quem ama ler e se apega aos personagens sabe do que estou falando. É uma relação intensa que não consigo entender, por mais insano que pareça a autora não ter ouvido seus leitores...
Claro que isso passa logo, já que quando volto ao meu estado normal sei muito bem que a história me é emprestada. Por mais que releia o livro, ele não é meu, ele é do autor, e ele gentilmente, e felizmente, dividiu seus personagens comigo!
Certa vez vi que Cassandra Clare falou em uma entrevista sobre o como tinha receio do que os fãs de seus livros iam achar dos finais que ela escrevia. Sabendo da idolatria por seus personagens, ela reservou-se o direito de escrever e parar de ler o que postavam para ela nas redes sociais.
Claro que para tudo há um limite, não podemos confundir realidade com ficção, por mais que a tentação seja grande.
Cabe a nós aprender a aceitar os finais escritos pelos autores, e para quem não se conforma, há sempre a opção da fanfic. Com ela, seu personagem favorito forma casal com quem você deseja e o final é você quem faz.
 Viu? Sempre há uma saída para finais decepcionantes.

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