30 de mar. de 2015

Tons da Galera: Fashion Faux-pas

Recentemente, a dupla responsável pela Dolce & Gabbana, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, ex-amantes e hoje apenas sócios, causou um verdadeiro escândalo ao declarar que “A vida tem o seu curso natural, há coisas que não devem ser alteradas. E uma delas é a família”, acrescentando que essa tal família deve ser composta de um pai e uma mãe, e não 2 pais gays. Não bastasse, ainda disseram que filhos de tais famílias são “bebês sintéticos”. Por que alguém na posição da dupla diria isso é um mistério, considerando que atenção não falta à marca, sempre elogiada por suas coleções, e já alvo dos tabloides em outros escândalos, incluindo um de sonegação fiscal há alguns anos. Mas foi o suficiente para causar rebuliço e forte reação de seus clientes famosos. O primeiro foi Elton John, que convocou um boicote aos produtos da marca pelo seu Instagram e jurou nunca mais usar nada da grife. Ricky Martin, Sharon Stone e até dona Madonna, garota propaganda e amiga fiel da dupla, se juntaram ao coro. Que feio, D & G!

No entanto, o mundinho fashion está cheio de escândalos, e, se nos basearmos nos do passado recente, a história ainda vai render muito pano para manga.

Outra marca que fez feio foi a Abercrombie & Fitch, quando vazaram comentários de seu CEO, Mike Jeffries, admitindo que a A&F só queria americanos brancos e “cool” usando suas roupas. O fato do tamanho G nas lojas corresponder a um PP de outras já invocara críticas cruéis, e aliado aos comentários infelizes de Jeffries, a marca perdeu MUITO mercado e dinheiro, e agora tenta mudar sua fama.

A Calvin Klein é outra que sempre apostou num bom e velho rebuliço para vender. De Brooke Shields ao 15 anos posando num anúncio com a frase “Não existe nada entre eu e meu jeans Calvin”, a Marky Mark de cueca num anúncio gigantesco em Times Square, talvez uma de suas campanhas mais controversas tenha sido as de seus perfumes e jeans da primeira metade dos anos 1990, quando usavam modelos esqueléticas cheias de olheiras, popularizando o então chamado look “heroin chic”.

Ano passado a espanhola Zara, já alvo de controvérsia quando descoberta por usar trabalho escravo em facções no meu, no seu, no nosso Brasil, deixou passar (como?), uma camisa que lembrava o uniforme dos judeus nos campos de concentração nazistas.

Karl Lagerfeld e sua língua afiada já foi também alvo de críticas ao chamar a cantora Adele de gorda, e afirmando que “ninguém quer ver mulheres curvilíneas numa passarela”. Ex-obeso ele próprio, Karl não se desculpou e ainda disse mais tarde que, como Adele perdeu oito quilos depois de sua direta, “acho que minha mensagem não lhe fez tão mal assim”.

Em 2011, John Galliano, na época à frente da Dior e gênio incontestável da moda, foi filmado fazendo comentários antissemitas num café de Paris, aparentemente bêbado. Com declarações como “Eu amo Hitler”, assim que o vídeo vazou Galliano foi demitido da Dior e perdeu sua própria marca homônima, retirando-se da vida pública e se internando numa clínica de reabilitação para vício em álcool e drogas. Apesar do apoio de amigas e clientes fieis, como Kate Moss e Naomi Campbell, Galliano ainda tenta voltar ao mundinho, mesmo sofrendo represálias e ameaças de boicote assim que algum veículo associa seu nome a uma nova empreitada.

Falando em Kate e Naomi, as duas também não são estranhas a um bom bafão. Naomi já foi diversas vezes acusada de agressão a mais de uma de suas assistentes pessoais, sua governanta, empregada, amiga e dois policiais (!). Atirar celulares na cabeça de pessoas parece ser seu modo operandi favorito, e, mesmo cumprindo ordens judiciais e frequentando aulas para controle de raiva, recentemente Naomi foi banida para sempre da companhia aérea British Airways por cuspir em funcionários após uma discussão.

Já Kate foi flagrada em 2005, quando namorava o cantor Pete Doherty, usando cocaína, o que a fez perder contratos milionários com H&M, Burberry e Chanel. Moss foi para rehab, deu a volta por cima, e voltou a ser top requisitada inclusive por essas mesmas marcas, e hoje mantém um relativo low profile em sua vida pessoal.

Outra linda top dos anos 1990, Karen Mulder, após internações em hospitais psiquiátricos e tentativas de suicídio, declarou ao vivo na TV francesa que, no início da carreira, ainda adolescente, foi estuprada por diversos nomes famosos como donos e executivos de sua agência, e até pelo príncipe Albert de Mônaco. Em 2009 Mulder foi mais uma vez hospitalizada por agredir seu cirurgião plástico, que a deixou irreconhecível.

Nesse tom, o fotógrafo cult Terry Richardson, por sua vez, foi acusado mais de uma vez por modelos iniciantes por comportar-se de forma sexualmente inapropriada nas suas sessões, e de assédio sexual em troca de promessas de tornar as new faces famosas.

Já a ex-editora da Vogue Francesa, Carine Roitfeld perdeu esse posto após supostamente enviar peças exclusivas, como uma jaqueta de milhares de dólares da Balmain, para seus amigos de fast fashion copiarem. As alegações nunca foram comprovadas, o fato é que Carine saiu da Vogue mas sua reputação não foi muito abalada.

Com isso tudo nas últimas três décadas, ou a moda se adequa a esses tempos politicamente corretos, ou continuamos assistindo. Passe a pipoca.


Em sentido horário, alguns dos bafônicos: D&G e a represália de Elton John no Instagram, screencap da gravação de Galliano, Naomi estilosa até cumprindo ordens judiciais, Karen Mulder (no meio) e seu antes e depois, o flagra de Kate Moss, Terry Richardson com uma modelo, e campanha heroin chic da Calvin Klein.

20 de mar. de 2015

Papos de sexta: Dia do Blogueiro



Eu blogo, tu blogas, ele bloga, TODOS BLOGAMOS! Hoje, 20 de março, é comemorado o Dia do Blogueiro! *Frini joga confetes metalizados para o ar*

O termo “blogueiro” tem um significado que é mais ou menos assim: aquele que mantém um blog e que, por meio deste canal de comunicação, transmite suas opiniões. Mas embora seja bem preto no branco, o termo “blogueiro” também tem suas conotações positivas e outras nem tanto.

Levando para o lado positivo e para o meio literário, somos confundidos com web celebridades porque ganhamos livros de graça para resenhar, brindes para sortear e somos convidados para eventos bacanas sem pagar. Olha que bacana ser blogueiro, hein! Já na parte negativa, tudo dito acima é descascado e transformado em oportunismo. “Ah, ela é blogueira. Não faz nada da vida e lê o dia inteiro”.

Eu não sei quanto a vocês, mas os blogueiros que conheço não ficam em casa só lendo. E eu, muito menos!

Vamos encarar os fatos: nunca, na história da humanidade, o conhecimento esteve tanto ao nosso alcance como está hoje. Na palma da nossa mão, temos acesso a um mundo de conhecimento e pontos de vista e não precisamos ter medo de expressar nossas opiniões. E isso é LINDO! Mas ao mesmo tempo, é muito fácil ser soterrado em um monte de acessos e likes e links que falam, falam e não dizem nada. E pronto, a pessoa é blogueira.

NÃO!

Por favor, não vamos ver o blog como um instrumento de oportunismo seja ele literário, de moda, cinema ou qualquer outro assunto e/ou segmento. Vamos usar o blog como ele deve ser usado, transmitindo nossos argumentos, nossas conexões, nossos sentimentos, nossa atitude perante o mundo.

Gandhi disse “seja a mudança que você quer ver no mundo”. Eu realmente acredito que, se nós pesquisarmos um pouco mais antes de escrever cada texto, valorizarmos mais o trabalho do autor antes de resenhar, e pensarmos um pouco mais fora dos limites do nosso blog, da nossa casa, do nosso mundo, poderemos realizar essa mudança - um post de cada vez.

Somos formadores de opinião e precisamos ter noção dessa responsabilidade e agir de acordo.

Feliz Dia do Blogueiro para todos nós, sejamos postadores ou leitores. Por um mundo mais informado e feliz!


19 de mar. de 2015

Galera entre letras: Era uma vez... em imagens.

Volta e meia eu falo de contos de fadas e acho que sempre tem coisas interessantes pra falar sobre eles. E hoje eu queria compartilhar com vocês um achado e falar rapidamente sobre as ilustrações dos contos de fadas.

Todos os dias, eu dedico algum tempo (em geral, assim que ligo o computador) a pesquisar temas com os quais eu trabalho (contos de fadas, literatura YA, histórias de terror, curiosidades etc.) e, dia desses achei, por acaso, o link pra uma exposição virtual bem interessante, organizada pela biblioteca da Universidade de Tulane (nos Estados Unidos) e por uma disciplina da faculdade de letras germânicas e eslavas:

Once Upon a Canvas: Exploring Fairy Tale Illustrations from 1870-1942
[Era uma Vez na Tela de Pintura: Explorando as Ilustrações de Contos de Fadas, de 1870-1942]
(O link pra exposição está aqui!)



Bastou ler o título da exposição e eu já fiquei interessada! E não me decepcionei.

Ainda que não seja uma lista completa de ilustradores, a relação dos artistas é abrangente: tem homens e mulheres (em menor quantidade, infelizmente, mas é bom saber que elas foram lembradas e que eram ativas na época, fins do século XIX e início do XX!), artistas norte-americanos e europeus (ok, faltam artistas dos outros continentes, mas essa ausência serve até como um incentivo pra pesquisar os outros, não?). E lembra a importância dos contos de fadas e a importância da imagem para o texto (na verdade, é uma relação em que imagens e palavras têm um peso muito grande); é difícil, depois que a gente identifica os ilustradores, não lembrar das imagens do BARBA AZUL, de Walter Crane, ou da CHAPEUZINHO VERMELHO, do Gustave Doré.

E o interessante da exposição é ver a variedade de traços e cores usados, além das possibilidades de representação visual de cada história (nas próximas colunas, eu vou falar um pouco mais justamente desses dois contos e de suas ilustrações).

Até lá, fica a sugestão pra vocês verem as ilustrações incríveis da exposição (o site está em inglês, mas não precisa saber o idioma pra ver as imagens).




Boa diversão e até a próxima!  

16 de mar. de 2015

Tons da Galera: Resumão Fashion Weeks da Europa e Senai Giro Moda

Semana passada, horas depois de terminada a Semana de Moda de Paris (a última, depois de Londres e Milão), aconteceu no Rio de Janeiro o evento Giro Senai confirmando as tendências para o próximo verão (já vistas nas ruas lá fora, naquele tradicional festival de quem-aparece-mais antes e depois de cada desfile), e prevendo as de inverno (para a gente, só o de 2016) nas passarelas.

Para o próximo verão, muita coisa continua em alta (bom para nosso momento de crise), como já havia falado no último post sobre a Semana de Moda de NY: Inspiração anos 1970 (com camurça sim, mas um tipo bem levinho), estilo boho, branco total, guipires e rendas.

Para o inverno, a trend 70s continua nas cores e em detalhes como franjas, muitas franjas. Saias de cintura alta em formato evasê disputaram espaço com coletes compridos e capas sem manga, joias costuradas a roupas, muito ilhós em tamanhos pequenos e grandes, broches, fendas assimétricas, detalhes em pele (fake, please) nas golas e punhos dos casacos e acessórios, calça flare ou largas de comprimento midi.

Algumas grifes ousaram em golas estilo barroco, como Giambatista Valli e Alexander McQueen, com direito a  muito brocado e detalhe. A Dolce & Gabbana também apareceu muito na mídia com seu fone de ouvido totalmente barroco. O estilo andrógino, batizado de gentlewoman pelo mundinho, também deu as caras. Já as  cores mais vistas foram o caramelo, o doce de leite, marrom, vinho, laranja queimado, amarelo ouro, verdes oliva e militar, além do branco, é claro. Textura e estampas astrológicas e celestiais também foram vistas nesse inverno que teve coleções clean e outras muito detalhadas convivendo em paz, e com ao menos uma coisa em comum: muita elegância. Viva!

Golas e headphone barroco, fendas e temas interestelares, tons terrosos, coletes e paletós compridos sem manga, calças midi, total White e franjas, broches e detalhes em pele: um pouco do que se viu.

13 de mar. de 2015

Papos de sexta: Maria vai com as letras


Tenho pensado no quanto sou influenciada pelos livros. Fiquei viciada em slam poetry, assistindo vários vídeos no YouTube, depois de Métrica. Quis praticar roller derbymas tive que me contentar em patinar na cicloviapor causa de Derby Girl. E ainda penso em ter aulas de defesa pessoal, motivada pelos acontecimentos de Easy.

Ando cobiçando os carros dos personagens os donos dos carros também! rs de Os Garotos Corvos e estou obcecada por tarô desde que li os livros, ao ponto de trocar mensagens com a autora e surtar ao descobrir que temos o mesmo baralho!

E melhor nem comentar a fase em que acreditei ser uma vampira eu era criança e meus caninos cresceram antes da hora, tá? Ou quando fantasiei que era uma Caçadora de Sombras e já estava bem crescidinha ;)

Não vejo isso como falta de personalidade; está mais para curiosidade inata, imaginação fértil e vontade de aprender coisas novas. Mas se isso faz de mim uma Maria vai com as letras, tudo bem.


Mudar faz parte da vida, e eu me transformo a cada página virada. E vocês, também são influenciados pelos livros? 

12 de mar. de 2015

Design et cetera: #somostodascelaena

Oi, gente, tudo bem? Resolvi deixar de lado um pouco o design para falar de outro assunto na coluna de hoje. Como vocês podem imaginar, eu leio muitos livros aqui na Galera. Livros de aventura, romance, fantasia, livros com protagonistas masculinos, femininos, gays... Livros de todos os tipos.

Alguns marcam a gente mais do que outros e de uns tempos para cá ando obcecada com a série Trono de Vidro, da Sarah J. Maas. Para quem não conhece, é uma história de fantasia que conta a saga de Celaena Sardothien, uma assassina condenada ao trabalho escravo. Celaena acha que passará sua vida inteira presa trabalhando nas minas de sal, quando recebe uma proposta do rei: tornar-se assassina pessoal dele em troca de sua liberdade. Mas ela tem sua agenda própria e decide usar essa oportunidade para colocar seus planos em ação. É uma trama envolvente e uma leitura divertida, mas não é por isso que decidi falar desse livro hoje.

Eu nunca li nada como Trono de vidro e nunca conheci um personagem como a Celaena. Ela é uma assassina, tem seu próprio código de ética. Ela luta de igual para igual com homens e mulheres. Ela é frágil, claro, como todos somos em algum momento. Mas ao contrário de quase todas as outras personagens femininas, a saga de Celaena não acaba com ela se apaixonando pelo homem ideal.

Não. Celaena se apaixona diversas vezes, mas isso de nada tem a ver com sua luta. Celaena não precisa da proteção do homem amado, pelo contrário, ela é quem o protege com unhas e dentes e lâminas afiadas. Afinal, se envolver com uma assassina desse tipo é extremamente perigoso para qualquer homem.

Quando, no meio da trama, aparece uma bela princesa estrangeira no reino, Celaena não a vê como rival. As duas forjam uma amizade sincera e lutam juntas contra inimigos comuns.

Parece algo muito trivial, né? Por que isso nos surpreende tanto? Talvez porque todos os outros contos com os quais crescemos mostravam mulheres frágeis, batalhando entre si pelo amor e a proteção de algum príncipe aleatório que chegava no final para dar um beijo e resolver tudo.

A Cinderella tem que vencer a madrasta e as filhas dela. A Branca de Neve precisa escapar da bruxa má. A Bela Adormecida, coitada, está lá paralisada por outra bruxa invejosa, esperando desencalhar. Enquanto isso, Celaena vai atrás do seu próprio destino, se desaponta, se machuca, chora, é vencida e humilhada. E se levanta, se recompõe, se reinventa, se vinga e depois de fazer tudo isso, compra o vestido mais luxuoso que existe e vai para o baile como a diva que é.

Deve ser por isso que todo mundo que lê vira fã. Desde a priminha de 15 anos da minha amiga até a copeira de 60 anos aqui da Record. Somos todas Celaena.

2 de mar. de 2015

Tons da Galera : NYFW2015


Como sempre, Nova York deu a largada nas temporadas de semanas de moda mundiais.

O que se viu: Basicamente, no próximo inverno muito do que já está em alta continuará nas vitrines: os anos 1970, de tons terracota e alaranjados, e as franjas, também tudo a ver com a época.
Os tons pasteis ainda apareceram muito em detalhes, assim como o branco, agora já podendo ser considerado um clássico de inverno tanto quanto o preto. A tendência esporte também vai continuar, já antecipada por Alexander Wang para H&M há alguns meses.


Opening Ceremony


Jaquetas de gola alta, gola rulê, calças bocas de sino, cachecóis e fendas vertiginosas ou cortes assimétricos são a novidade.
No geral, a semana foi muito elegante e correta (exceto pelo excessivo uso de peles, infelizmente nem todas falsas), até na beleza, onde o rabo de cavalo baixo foi destaque e a maquiagem discreta.

Prabal Gurung

Próximas paradas: Londres, Paris e Milão ;) Até lá!

27 de fev. de 2015

Papos de sexta: Quero um Oscar Literário


Domingo passado tivemos a incrível noite do Oscar. Época mais esperada do ano pelos cinéfilos, oportunidade de ver quem merecidamente - ou não - vai levar a estatueta para casa e de acompanhar todos os atores e diretores amados desfilando roupas de alta costura no tapete vermelho. Não há como negar: o mundo para!
E foi exatamente na noite do Oscar — que tenho a tradição de assistir em família depois de ter visto todos os filmes indicados e de ter dado minha humilde opinião no blog —, quando apresentaram a categoria de "Melhor Roteiro adaptado", que vi como a vida é injusta para os escritores. Vejamos porque acho isso. O Oscar premia os melhores da sétima arte e, na categoria citada acima, premia a pessoa que adaptou o livro de alguém, roteirizando-o. Quando o roteiro é feito exclusivamente para o filme, a categoria é a de "Melhor Roteiro Original".
Ok, mas e quem escreveu aquela história? Cadê o Oscar dele?

Temos prêmios para muitas profissões, mas a para o autor a mais famosa delas é o Nobel de Literatura, e aí quem escreve os chamados livros de entretenimento nunca vai chegar lá. Aliás para quem não sabe, tanto no Oscar quanto no Nobel, ainda não nasceu um brasileiro que tenha levado o prêmio, injustiça a gente vê por aqui.
Mas voltemos ao ponto principal desta coluna! Quero um Oscar de Literatura. Quero sim! Quero ver no tapete vermelho Meg Cabot, Cecily von Ziegesar, Cassandra Clare, Kiera Cass e John Green. Quero esperar pelo momento de "pescar" na luxuosa plateia o autor que está ali vendo a premiação e gritar em casa " Olha ali o Levithan!! Tá do lado do Scott Westerfeld!"
Se existem prêmios na categoria, não são transmitidos pelo mundo afora e muito menos comentados no dia seguinte em todos os lugares. Quero um mundo justo onde as pessoas conheçam a cara de todos os autores maravilhosos que nos encantam com suas histórias.
A cada ano que passa, Hollywood faz mais filmes baseados em livros, ou seja, isso é sinal que tem cada vez mais livro interessante sendo escrito por aí.
Pensando em Brasil, eu sempre acho que a própria Bienal deveria criar um prêmio para os autores. Não somente do Brasil, mas do mundo todo, e em um dos dias fazer a entrega dos mesmos. Não ia ser lindo? Poderia ser por votos do público ou como a Academia, com jurados especializados.
Enquanto esse dia não chega a gente torce pelo Oscar, mas um mundo justo teria um prêmio tão divo assim para a Literatura também, ah, teria! 

26 de fev. de 2015

Galera Entre Letras: A MENINA QUE AMAVA OS CORVOS


Eu sei que parece título de um conto de fadas, mas esta é uma história real (e quem disse que contos de fadas não podem ser reais, hein?).

É a história da pequena Gabi Mann e de seus amigos corvos.



Eu fiquei tão absolutamente encantada ao ler a matéria da BBC (aqui está o link para o texto em inglês: http://www.bbc.com/news/magazine-31604026) que resolvi compartilhar a história com vocês.

Acho que todo mundo já sabe que corvos são aves muito inteligentes, não é? Não sabem? Aqui tem um vídeo que comprova que corvos não apenas são aves muito inteligentes, como resolvem problemas e contornam obstáculos com capacidade cognitiva equivalente a de uma criança de sete anos! O link (em inglês) é este aqui: http://www.huffingtonpost.com/2014/03/31/crow-intelligence-solve-puzzles_n_5062314.html.

E vale muito a pena ver o vídeo, mesmo que não dê para ler a matéria.
E não é à toa que corvos e corvídeos em geral, apareçam com frequência em fábulas e histórias de fadas, ora como aves matreiras e enganadoras, ora como aves sábias e prudentes (fica pro futuro fazer uma lista dos contos em que corvos aparecem! rs), mas sempre fazendo uso de sua famosa inteligência.

Bom, a pequena Gabi tinha apenas quatro anos quando começou a notar que os corvos se alimentavam da comida que ela deixava cair do lado de fora de casa. Aos poucos, ela foi percebendo que os corvos não só comiam, como esperavam que ela jogasse alguma coisa pra eles, e depois se aproximavam. O contato da menina com as aves se transformou num ritual diário.

O tempo passou e Gabi começou a perceber os gostos e as preferências dos corvos (aparentemente, sua comida preferida é amendoim com casca), sempre incentivada pela mãe, que registra o contato da filha com os corvos em fotos e vídeos. Após algum tempo, os corvos passaram a trazer pequenos presentes para Gabi, que deixavam na bandeja vazia após comerem o amendoim. E fica claro que eles fazem isso intencionalmente e querem, portanto, se comunicar com a menina.

Porque nem toda comunicação é verbal, sabiam? Aliás, boa parte da nossa comunicação cotidiana é não verbal também: pequenos gestos, olhares etc., que, às vezes, expressam muito mais do que as palavras! 



Os presentes que Gabi recebe são organizados com a ajuda da mãe. Tem de tudo: de botões e clipes de papel até coisas mais nojentinhas, que a menina prefere não guardar. E ela classifica o que recebe numa ordem pessoal de favoritismo.




Eu não sei quanto a vocês, mas eu não tenho dúvidas de que a Gabi merecia um conto de fadas só pra ela!

Até a próxima e boas leituras! 




20 de fev. de 2015

Papos de sexta: Silêncio que fere


Sei que fevereiro é o mês da folia, mas também sei que alguns temas sérios precisam ser discutidos sempre. Este é um desses casos. Peço que, por alguns momentos, guardem o confete e a serpentina.

Constantemente conectados, estamos sempre curtindo posts, compartilhando fotos de viagens, fazendo planos para comprar uma coisa ou outra, colocando os highlights da nossa vida da internet. Mas e os bastidores? E as noites mal dormidas por causa daquela briga? E a batalha com a balança que fere a autoestima? E a “amiga” invejosa que nos faz questionar nossas opiniões? E o cara que disse que ligava e sumiu? E a sua família e amigos que não aceitam a pessoa que você decidiu amar só porque vocês têm o mesmo gênero? E .... ninguém compartilha isso, né?

É como se existisse essa obrigação de ser feliz, de estar bem sempre. Posso postar sobre uma reclamação mais rebelde e ganharei “curtidas”, mas se postar sobre o que realmente me fere, estarei me expondo e eu não quero isso. Mas se eu filtro o que coloco no ar, é essencial que quem vê também tenha consciência desse filtro. Sem essa informação, é muito perigoso mergulhar nas redes sociais. Comparar a sua vida – e os seus bastidores – com os highlights dos outros, abre uma porta que parece boba, à primeira vista, mas pode ser complicada e um possível caminho para a depressão.

E a depressão não é frescura. Ela é um pássaro que posa nos seus ombros e pesa, pesa até você não aguentar mais. Mas esse pássaro é invisível para os outros e só aparece para eles por meio das suas atitudes. E ele é malicioso, ele te faz mentir. Quando perguntam se você está bem, se você precisa de alguma coisa, essa ave te faz dizer que não, que tudo bem, que você está ótima. Só que não é verdade. E aí ele cresce, e pesa mais, e você se sente mais sozinho e incapaz de continuar.

Até que, para algumas pessoas, essa ave faz esquecer da luz. Ela te faz acreditar que não tem volta, que você não vai sorrir mais, que você não é o suficiente, que você não importa. Aí, ao entrar nas redes sociais, você vê sorrisos, corpos na praia, relacionamentos sérios, viagens e compara com a sua vida que, de repente, está embaixo das asas da depressão.

E aí fim.

Fim, porque a dor é grande demais para suportar. Fim, porque você não consegue falar o que está sentindo, pois isso seria considerado fraqueza. E depois do fim é muito tarde para entender que a culpa não é das redes sociais, nem da ave, nem sua. Não existe culpa porque não existe culpado. Existem fatos e interpretações e sentimentos e como nós priorizamos cada um deles.

Ao pesquisar para essa coluna, encontrei um dado alarmante: no Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes cresceu mais de 30% nos últimos 25 anos. Outros países que fizeram campanhas sobre o tema conseguiram salvar vidas, mas nós não. Não falamos sobre isso. Porque a palavra “suicídio” vem junto de palavras como “covardia” e “vergonha”.

Por que?

Em minha opinião – e que fique claro que não sou psicóloga ou perita no assunto –, tirar a própria vida não é covardia, é desespero profundo, e pessoas desesperadas precisam de ajuda e não de julgamento. Vergonha é saber de um problema e fechar os olhos para ele. Vergonha é não ajudar. O silêncio fere. Quem está sofrendo com o peso da ave precisa falar para alguém, precisa se abrir. E é preciso que esse alguém não julgue, mas que escute, que ajude.

Temos tanto a aprender, a ensinar, a vivenciar. A vida é como matemática: se está fácil, tá errado! E que delícia errar e crescer! Não sou forte, não sou valente, sou humana e já senti o peso dessa ave, já entendi como ela funciona e, graças a Deus, a exterminei. Mas essa espécie ameaça voltar e é preciso estar sempre vigilante. É preciso falar sobre o assunto e não calar.

Ninguém é perfeito. Você não precisa ser a mais magra, o mais rico, o mais repleto de amigos, o que tem o namorado ou a namorada perfeita. Você só precisa ser feliz na própria pele e isso depende de você. Não importa se você tem cicatrizes ou se estava pensando em criá-las. Procure alguém para te ajudar. Mande o pássaro da depressão embora. Você tem esse poder, todos têm, de uma forma ou de outra. Mas nunca ao custo de nossa própria existência.

Em uma época onde tudo e todos estão conectados, apague a tela e segure a mão de alguém. Desligue o celular e olhe nos olhos do amigo. Cuide, abrace, ajude a sarar, evite o pouso da depressão.

A razão para esse post aqui no blog da Galera é que, ao longo da minha vida literária, conheci alguns leitores que estavam - e alguns ainda estão - lidando com a depressão. Alguns já se feriram, outros, infelizmente, não estão mais conosco, mas muitos conseguiram conquistar o sorriso de volta. Esse post é uma maneira um pouco longa de dizer “você não está sozinho” aos leitores que podem estar sentindo o peso desse pássaro.

Somos apaixonados por livros, somos sensíveis e muitas vezes nos perdemos nas páginas de histórias para não encarar a nossa. Outras vezes encontramos em personagens fictícios a força para encarar situações e transformá-las. Se perder em livros incríveis ajuda a ganhar perspectiva, força, mas é fora das páginas que a vida acontece e lá você é o protagonista. A sua história é você quem faz.

16 de fev. de 2015

Tons da Galera: É Carnaval!

O carnaval está aí mas a gente é brasileiro e tem mania de deixar as coisas para a última hora não é? Tudo bem, você ainda estava tentando viajar, ou jurava de pé junto que ia ficar em casa descansando e binge-watching séries, mas agora pintou vontade de entrar na folia e não tem fantasia. E agora?

Inspirada em livrinhos novos e não tão novos da Record aqui vão algumas sugestões!

Com seus muitos personagens, Harry Potter é sempre fonte interminável de inspiração! Pegue O livro das criaturas Harry Potter ou se inspire nos clássicos como O Prisioneiro de Azkaban da imagem abaixo ou o próprio Harry (alôoo, óculos redondo  + raio pintado na testa + cachecol listrado = moleza).

Star Wars também sempre é uma opção. Quem não tem um sobrinho com um sabre de luz ou uma cabeça do Darth Vader? Se quiser elaborar ainda mais, a dica é consultar O livro dos Sith Segredo do Lado Negro.

Vampiros: uma fantasia que SEMPRE salva a pátria na emergência. As dentaduras são as coisas mais fácil de achar em lugares como Saara e 25 de março, sangue falso se improvisa com groselha e Nescau (sim, sabiam?), preto todo mundo tem no armário, e você ainda pode dar aquele plus levando seu diário para encarnar Diários do Vampiro.

Pra quem quer encarnar personalidades nos blocos, tem sempre Brigitte Bardot, que fez 80 anos recentemente e teve biografia nova lançada pela Record, Amy Winehouse (cláaaassica) que teve também o livro Amy Winehouse, minha filha,  e Marilyn Monroe  — confira o clássico de Norman Mailer.

O lance é ir com o namorado? Coloque uma camisa dos Beatles nele e diga que a inspiração foi o divertido Love me Do: 50 momentosmarcantes dos Beatles ou carreguem juntos no glitter, calças bocas de sino e brilho e vão de Abba.

Outras inspirações da literatura são Alice de Alice no país das maravilhas (que faz 150 anos este ano e terá lançada pela Galera lançará uma adaptação ilustrada do clássico, batizada de Pequena Alice no país das maravilhas!), ou a princesa básica, já que tem  Novo Diário da Princesa  na praça (lançamento brasileiro previsto para o final de 2015).


Harry Potter, Abba, Amy, BB e Alice. Agora nao tem desculpa de que nao teve nenhuma ideia!


Bom Carnaval, leitores!

12 de fev. de 2015

Galera entre letras: A Fantasia Gaiata


 “A taberna é o centro do universo da fantasia gaiata.”

Na fantasia com “f” minúsculo, a ação e seus protagonistas abandonam os salões e corredores suntuosos dos palácios e vão para os cantos escuros e nem sempre limpos da taberna — ou de lugares piores, até. Não é raro ver um personagem embrenhar-se na floresta e sair cheio de arranhões e hematomas, ou se sujar até o pescoço na lama de um chiqueiro.

Obviamente, a mudança de cenário reflete a mudança dos personagens: já não temos mais heróis em armaduras impecáveis, nem donzelas que, a despeito de todo sofrimento, não tem um único fio de cabelo fora do lugar. E por que essa mudança de cenário e personagens é importante para a ficção fantástica?

Se vocês se lembram da coluna passada, no artigo teórico fundamental para a fantasia, Tolkien estabelece um monte de regrinhas para a criação do texto fantástico, que incluem certo caráter utilitário da fantasia, o qual aparece no “final feliz” e na resolução dos conflitos. E ainda que Tolkien estabeleça uma distinção nítida (e, segundo ele, necessária para que não se julgue o mundo secundário pelas regras do mundo real) entre o mundo real e o mundo secundário, o mundo fantástico reproduz certas concepções moralizantes do mundo real: bem x mal; personagens com características definidas (tudo é preto OU branco; não há sombras nem tons de cinza); para não mencionar a religiosidade a que Tolkien remete em sua tentativa de encontrar “consolo” das agruras do mundo real na ficção.

Ao criticar Tolkien, no artigo Ursinho Pooh, Épico, o pai de Elric de Menilboné, Michael Moorcock, associa corretamente esses aspectos à infantilização da literatura fantástica. E dá pra ir ainda mais longe e criticar o caráter utilitário e apaziguador que Tolkien atribui à ficção fantástica. Quem foi que disse que finais felizes são obrigatórios?! E quem foi que disse que sempre tem que ter um plot twist na trama para nos consolar dos problemas do mundo real?!

A sisudez do discurso (e da ficção tolkeniana) também incomodam bastante; por isso, o riso gratuito de histórias como as das Crônicas de Lankhmar, de Fritz Leiber (pra mim, o inspirador da fantasia gaiata), são tão importantes. Primeiro, porque em suas aventuras, Fafhrd e Gray Mouser estão longe de serem os cavaleiros que estamos acostumados a ver, o que impede a “heroicização” dos protagonistas. Vê-los metidos em encrencas, bêbados ou simplesmente famintos, os torna “humanos, demasiado humanos”, e ninguém que leia o romance vai querer se identificar com dois bandidos metidos a valentões!



E essa é uma das qualidades do texto de Leiber: o texto é puramente literário! Ao contrário das histórias de fadas que Tolkien defende, com suas qualidades específicas (a fantasia, a recuperação, o escapismo e o consolo final), o texto de Leiber não tem pretensão alguma de “cura” da realidade. E justo não pretender nada além do mero caráter literário e fictício da obra é que faz de Leiber um dos grandes.

Na próxima coluna, vou falar de uma menininha que também se tornou grande e que está completando 150 anos! Já sabem quem é?

Até a próxima e boas leituras pra todos nós!

6 de fev. de 2015

Papos de sexta: The Walking Daryl

A 5ª temporada de The Walking Dead retorna no dia 8 de fevereiro nos Estados Unidos, e no dia 9 aqui no Brasil, após hiato de 70 dias — não que eu esteja contando ou algo parecido :)
O último episódio de 2014 — considerado um dos melhores da série — terminou de maneira dramática e a especulação está correndo solta entre os fãs. Alguns rumores ganharam força, como a possibilidade de Rick Grimes tornar-se um vilão, já que a mudança na postura do Xerife é incontestável. Mas nenhum personagem rende tantas teorias quanto o interpretado pelo ator Norman Reedus.
Muito tem se falado sobre o destino de Daryl Dixon. Como o personagem não existe nos quadrinhos, os criadores da série de TV têm maior liberdade para tramar o que quiserem para ele, sem que isso altere o rumo da história. Daí surgiram rumores de que ele morreria em breve, levando os fãs ao desespero — quem não conhece o meme If Daryl dies we riot (algo como “se o Daryl morrer, nós nos rebelamos”)?
A revolta não é apenas por Normam Reedus ser um bom ator — ou por ser muito gato! rs — mas porque seu personagem é um dos favoritos dos fãs, tanto que o autor Robert Kirkman cogita levar Daryl para os quadrinhos. Mas todo esse sucesso pode estar ofuscando os demais protagonistas da série.
Outra teoria diz respeito à sexualidade de Daryl, ou a aparente ausência dela. Kirkman afirmou que tem ideias muito específicas sobre isso e que serão exploradas no tempo certo. Ao ser questionado se o canal AMC estaria OK com a possibilidade de Daryl ser gay, ele respondeu “absolutamente”, plantando a dúvida na cabeça dos fãs.
Kirkman sempre defendeu que personagens gays podiam ser badass, e os paralelos entre Daryl Dixon e Paul “Jesus” Monroe — que existe nos quadrinhos mas ainda não apareceu na série de TV —  são muitos. Resta saber se os dois são personagens distintos ou se Daryl é a encarnação de Jesus na TV.
Por último, a notícia de que um dos protagonistas do spin-off será revelado no final desta temporada alimentou um antigo sonho dos fãs: de que Daryl Dixon tivesse sua própria série de TV. Já essa teoria não me agrada tanto, pois eu curto demais o bromance entre os atores Norman Reedus e Andrew Lincoln :)
Agora é com vocês: quais rumores de The Walking Dead vocês ouviram por aí, e o que vocês esperam deste final de temporada? Vamos especular nos comentários!

5 de fev. de 2015

Design et cetera: Looks Literários

Eu já falei isso antes e volto a repetir, não existe inspiração maior do que um bom livro e isso vale até quando o assunto é moda. 
Para o post de hoje, montei alguns looks inspirados em livros da Galera. São estilos distintos baseados em histórias completamente diferentes.


Para começar, um dos favoritos da casa: O fator nerd. Há quem se engane que nerds não têm estilo. Pelo contrário. O conceito de geek chic une tecnologia, referências culturais e muito estilo. Que tal um vestido com estampa de comic book, combinando com um laço de cabelo em 8-bits? Mas o look não ficaria completo sem UMA BOLSA FEITA DE TECLAS e um sapato pixelado. #sonho


Nosso segundo look do dia é inspirado na série Teardrop da Lauren Kate. Como um vestido feito de água (ainda) é impossível, você pode recriar o clima etéreo do livro investindo em peças românticas em cores azuladas. A renda e a transparência do tecido imitam o movimento das ondas. E para os acessórios: que tal um colar e uma bolsa de concha?


Nossa próxima musa inspiradora é Emily, the strange. Se você curte a vibe gótica e tem uma leve obsessão por gatos e sarcasmo, esse é um look que nasceu para você. Pense em White Stripes, franjas e combine isso com acessórios de gatinho.

Para fechar, escolhi um livro muito fofo nosso: O futuro de nós dois. A história toda se passa nos anos 90, e gente, não tem como negar: os anos 90 voltaram! Pelo menos para as passarelas. Então vá sem medo! Invista na estampa mais colorida, nos cordões dourados exagerados e nos óculos wayfarer. Se alguém encontrar esse pingente de disquete, por favor me passe o link! #preciso
E aí? Qual o look mais curtido do post?

Beijo e até a próxima!

30 de jan. de 2015

Papos de sexta: Minha lista de autores desejados


Normalmente, quando um novo ano começa, as pessoas fazem lista de promessas a ser cumpridas. Já pessoas como eu fazem lista de autores que gostariam de conhecer (ou de rever). Com o início dos anúncios de quem vem para a Bienal do Rio 2015, me peguei fazendo essa lista logo no início do ano. Claro que sempre sonho com alguns um pouco impossíveis de vir — pelo tamanho do sucesso e que seria um caos total —, mas continuo sonhando firme!
Por esse motivo, resolvi mostrar para vocês quais os autores da Galera que eu AMARIA conhecer, e quais eu já vi mas não me importaria de ver de novo. (rs!)

Os que já vieram, mas podem (e precisam) vir novamente:
Meg Cabot
Por motivos óbvios Meg no Brasil nunca é demais. Ela já veio uma vez na Bienal de 2009, mas ela é diva, é rainha e mãe de Diário da princesa, quantas vezes merece voltar? Eu diria que todo ano, até porque só assim para eu conseguir autografar todos os meus livros dela.
A boa notícia é que ela anunciou em seu site oficial que em outubro estará no Brasil, e a gente já fica torcendo para ela passar na nossa cidade! Minha coroa tá aqui separada para tirar foto com ela novamente :)
Scott Westerfeld
Gente, Scott é amor, o cara responde a gente no Twitter, interage e é um fofo.  Como não bastasse, ainda é autor da série Feios, que sou fã. Sim, ele já veio no Brasil em 2012, acompanhado da esposa também autora da Galera: Justine Larbalestier.
A gente precisa de mais Scott esse ano. E pode trazer a esposa! Vem, seu lindo <3 span="">
Cecily Von Ziegesar
Essa eu amo tanto que nem ela me aguenta mais. Autora do sucesso Gossip Girl, esteve no Brasil duas vezes, em 2007 e em 2012! Cecily é simples, talentosa e pareceu gostar muito do Brasil, falou bem do Rio e de São Paulo. Já tenho minha série GG autografada, mas preciso de autógrafos da It Girl, pode vir para o Brasil?
Margareth Stohl
Essa pode ganhar o título de Miss Simpatia. Fã das selfies, esteve no Brasil ano passado. Adoro os livros que ela escreve com a Kami Garcia (série Dezesseis luas) e sou super a favor de ela voltar com a amiga para um evento maior onde mais gente possa conhecer essa fofa.

OS AUTORES DA GALERA QUE PRECISO CONHECER
David Levithan
Por motivos óbvios... o cara arrasa! Gente, ele é divo! Adoro ele desde Nick & Norah! Ele tem cara de ser gente boa, supertalentoso.
John Green
Imagina se ele aparece de surpresa atrás do Levithan no meio dos autógrafos? Ia ter que chamar a Guarda Nacional! Gente, amo o Green — como todas nós — e sonho em ter nem que seja um J assinado em algum livro (e uma selfie para a posteridade!)
Colleen Hoover
Se ela vier, vou cobrar tudo que gastei com Kleenex ... mentira, vou é parabenizar por ter lido um dos livros mais maravilhosos da vida. Métrica é para manter na lista de favoritos para sempre, e queria muito dar um abraço nessa autora.
L.J. Smith
Vampiros nunca mais foram os mesmos depois de Stefan e Damon vieram. E Elena. Eita moça sortuda! Tem os dois!
L.J provou que histórias boas sobre o tema nunca morrem, os livros são amados por uma legião de fãs e viraram um seriado de sucesso. Acho que depois de tudo que ela passou com a questão do direito dos livros dela merecia uma vinda calorosa ao Brasil para sentir o quanto a amamos!


Ufa, essa é minha listinha :) E a de vocês?? Bienal vem aí... Façam suas apostas! Quem vem? Quem merece vir? Me contem! 

29 de jan. de 2015

Galera entre letras: A fantasia de gravata apertada

Antes que alguém estranhe o título da coluna, sim, nós hoje vamos falar, como eu tinha prometido, de um dos artigos teóricos mais importantes para os autores de fantasia: Sobre histórias de fadas, de J. R. R. Tolkien. Muitos comentários críticos têm sido feitos ao texto de Tolkien, e entre esses, o artigo de Michael Moorcock, intitulado Epic Pooh [Ursinho Pooh Épico, numa tradução livre] [e que pode ser lido em inglês aqui: http://www.revolutionsf.com/article.php?id=953], e os comentários de China Miéville [aqui, em inglês: http://boingboing.net/2003/11/02/mieville-on-tolkien.html], um interessante autor de weird fiction, são relevantes para a compreensão do próprio conceito de “fantasia” no século XXI. Então, imaginem que Tolkien, o “bom velhinho” de ar professoral, anda sentindo o nó da gravata bastante apertado desde meados dos anos 1970, quando começam a surgir outras ideias a respeito da fantasia.

O bom professor Tolkien.

Como eu falei antes, se Tolkien não é o “pai da criança”, isto é, o pai da Fantasia com F maiúsculo (que inclui cortes, príncipes, nobres cavaleiros e donzelas em perigo), com certeza, é um de seus teóricos mais importantes, pois foi justamente ele quem descreveu as principais características do gênero, de forma organizada e sistemática, pela primeira vez. Depois dele, é óbvio, vieram outros teóricos (e escritores) importantes, e cada dia que passa se torna mais decisivo pensar quais seriam as características da ficção fantástica no século XXI, e se a “fantasia” (com F maiúsculo ou minúsculo) daria conta de incluir temas importantes hoje, tais como: questões de gênero, diversidade, etc. etc.
Obviamente, na época de Tolkien as questões que importavam eram outras, mas ainda assim dificilmente alguém que se proponha escrever ou resenhar um livro de ficção fantástica pode deixar o bom professor inglês de lado nessa hora.

Mas o que tem de tão importante no artigo de Tolkien? Aqui eu vou fazer um resumão do texto dele (que tem tradução para o português; é só procurar) com os pontos que, óbvio, me interessam.
Pra começo de conversa, depois de grandes doses de etimologia, Tolkien diferencia as “histórias de fadas” de outros tipos de história, tais como os contos de viajantes ou os contos que ocorrem durante o sono ou qualquer estado alterado da mente. Essas histórias (como Gulliver ou Alice no País das Maravilhas) não seriam “verdadeiras” histórias de fadas, justamente porque poriam em xeque a credibilidade da história (para Tolkien, as histórias de fadas implicariam uma “suspensão da crença”, ou seja, não faz sentido pensar essas histórias em termos de realismo ou não realismo; realidade ou sonho etc.).
No fim de Alice ----- e pra quem ainda não leu (tem alguém que ainda não tenha lido Alice?!), tem SPOILER bem aqui -----, ela acorda, não é? Para Tolkien, quando Lewis Carroll faz Alice acordar, ele rompe com essa suspensão e diz claramente para o seu leitor que aquilo que Alice viveu não era real (e isso tem um monte de consequências para a interpretação do livro de Carroll). E Tolkien também diz que contos com animais (antropomorfizados ou não) também não são histórias de fadas. Até aqui é fácil concordar com ele.
Num outro momento do artigo (que, na verdade, é uma palestra sobre Andrew Lang --- um importante estudioso de contos de fadas ---, que foi proferida nos anos 1930), Tolkien também chama a atenção para o fato de que histórias de fadas não são necessariamente histórias para crianças, e que uma leitura muito mais rica e profunda somente poderia ser feita na idade adulta ou quando não se fosse mais criança. Bingo, Tolkien!
Esse é um dos preconceitos contra o qual os estudiosos de contos de fadas e literatura fantástica lutam até hoje. E, pior, os autores têm que enfrentar esse preconceito até na hora de vender seus livros! E quantas vezes vocês já ouviram comentários do tipo: “ah, você gosta de livrinhos pra crianças, né?” ou “só lê livros fáceis” etc. etc. ?!
O problema do texto do Tolkien começa justamente quando ele identifica as qualidades específicas das histórias de fadas: a fantasia, a recuperação, o escapismo e o consolo. Pra ele (muito acertadamente), fantasia não tem nada a ver com sonho ou alucinação; ao contrário, fantasiar é uma atividade racionalíssima, pois é criadora de mundo, isto é, ao fantasiar podemos conceber um “sol verde”, por exemplo, e reconhecer, ao mesmo tempo, que o nosso sol é diferente de um “sol verde”. A fantasia não confunde o real; ao contrário, ela escapa para um mundo secundário, que nos permite fugir das agruras do mundo primário, isto é, do nosso mundo. O “consolo” das histórias de fadas aparece no “final feliz”. Depois de um monte de provações e de um plot twist espetacular, o nosso herói termina com a mocinha e tudo se resolve. Para Tolkien, a alegria das “histórias de fadas” é sua principal característica e decorre dessas quatro qualidades mencionadas.
Mas isso é um problema.

Eu poderia retomar as críticas de Moorcock e Miéville para explicar por que histórias de fadas não devem ser alegres no sentido de um escapismo ou da criação de um mundo secundário, com regras bem definidas e antagonismos demarcados. Mas eu vou usar uma outra ideia, que surgiu por acaso numa conversa com o tradutor e autor André Gordirro: a ideia de “fantasia gaiata”. Acho que ninguém nunca definiu a fantasia nesses termos --- e obviamente o nosso pobre amigo André não tem nenhuma responsabilidade em relação ao próximo texto da coluna, no qual vou expor --- e defender --- as qualidades da “fantasia gaiata” (da fantasia que se orgulha de seu f minúsculo)!
Até lá, boas leituras pra todos nós!


Tolkien fanfarrão.