19 de jun de 2015

Papos de sexta: Toda forma de amor

Junho, o mês dos namorados, chegou com polêmica. Uma propagando do Boticário dividiu opiniões ao mostrar três casais se preparando para presentear um ao outro no Dia dos Namorados com produtos da marca. Um homem e uma mulher, dois homens e duas mulheres protagonizaram o comercial que foi embalado com a trilha sonora de Lulu Santos em “Toda forma de amor”.

O que mais achei interessante na polêmica acionada pelo comercial foi o fato do debate ter sido gerado. Só aí, o Boticário já mandou muito bem. Vender perfumes e produtos para pagar as contas é essencial, mas vital foi acionar a discussão sobre um tema que poderia ser menos polêmico se apenas tivéssemos respeito um pelo outro.

A galera do Grupo Editorial Record tem muito orgulho de promover livros que levantam a bandeira do respeito. E eu tenho muito orgulho de ser uma parte disso, mesmo que indiretamente. E é lindo saber que não somos os únicos. Existem diversos autores e autoras pelo mundo escrevendo cenas românticas lindas que não contam com “beijo gay”, mas com beijos; que não retratam “casais homossexuais”, mas casais apaixonados.

Livros como Dois garotos se beijando (David Levithan) e  George (Alex Gino) são necessários não somente porque são bem escritos, mas porque trazem assuntos atuais e que precisam ser abordados. Acho que a partir do momento que o rótulo “gay” cair, o preconceito vai começar a tropeçar também.

Por falar em George, no mesmo mês que o comercial saiu, Bruce Jenner – padrasto das Kardashians – se assumiu trans. Agora seu nome é Caitlyn Jenner e mais questões foram levantadas sobre a galera transexual. É importante entender que existe uma diferença entre orientação sexual e identidade de gênero. Enquanto o primeiro é sobre por quem nos sentimos atraídos, o segundo é sobre como nos sentimos sobre nós. Ou seja, um homem pode gostar de mulher, mas não se sentir bem no seu próprio corpo masculino e querer se tornar uma mulher. (Galera mais entendida do assunto, corrijam se eu estiver errada, ok?)

Imagina não se sentir bem em sua própria pele. Agora imagina passar por isso enquanto pessoas de mente pequena te julgam e caçoam abertamente, faltando com todo o tipo de respeito. Complicado, né? Agora imagina que existem milhares de pessoas que passam por isso, que vivem isso todo santo dia. 

Infelizmente, nem todos serão aceitos como Caitlyn está sendo, nem terão os recursos que ela tem para fazer sua transformação. Nem todos serão abertamente felizes como os casais no comercial do Boticário. Mas e se cada um de nós, independente da orientação ou identidade, praticasse ter mais tolerância com o que é diferente, ter respeito por tudo e todos? Não faria a vida de todos muito mais fácil?

Claro que a polêmica está longe de acabar, mas pelo menos está sendo debatida, lida, comentada. Gerações diferentes estão sentando juntas para abordar a realidade: hoje em dia, com a informação na palma da mão, não deveríamos ser julgados por quem queremos ser ou amar. Nem deveríamos julgar.


No tal comercial, não rolou o “beijo gay”, mas trocas de olhares repletas de carinho e cumplicidade. E abraços apertados. É, o mundo precisa de mais abraços.

2 comentários:

Raffafust disse...

Frini

Arrasou na coluna <3! divando as usual!
O que mais me espanta nesse país, é que com tantos problemas para todos os lados, o pessoal arruma tempo para se preocupar com quem nos relacionamos ou não! OI???
Surreal. Mais amor sempre, por favor <3!
É disso que o mundo precisa.
beijos

P.S.OLIVER disse...

Nossa, foi uma tremenda bobagem a repercussão que o comercial causou. Logo quando vi eu fiquei absolutamente extasiado pela quebra de expectativa "hetero" que havia na trama... ^.^ Achei incrível. E a propósito, sobre tudo isso que você escreveu e todo esse preconceito tão arraigado na nossa cultura, escrevi um livro no Wattpad que tem muito a dizer. Acho importante dar voz ao NÃO-preconceito !!