28 de ago. de 2015

Papos de sexta: À Procura de Sophie


Não, você não leu errado. O título da coluna é esse mesmo. E eu sei que o lançamento da Sophie Kinsella se chama, na verdade, À Procura de Audrey, mas, aproveitando a vinda da autora à Bienal do Livro do Rio, eu quis muito contar para vocês como ela faz parte da minha vida – e tenho certeza que da vida de muitos de vocês também.

Entre uma conexão e outra nos Estados Unidos, o tempo ruim me fez esperar no aeroporto por exatas oito horas. As lojas já fechavam, estava um frio danado e eu só conseguia pensar em como eu não deveria ter acabado com as minhas moedas de cents, achando que não precisaria mais delas. A bem da verdade, eu gastei demais... Sou a típica brasileira consumista. Me acabei nos outlets, tive que fechar as malas colocando todos os meus quilos em cima de cada uma delas, e me perguntei como deixam trazer apenas duas com tudo aquilo super em conta no shopping. Ah sim, como se não bastasse, eu ainda trazia comigo uma super mochila, uma malinha de rodas e uma bolsa de mão gigante rezando para que a companhia aérea não notasse que passava (e muito) do limite permitido por eles.

Fome, oito horas de espera, e eu não tinha mais dinheiro. Só tinha uma loja aberta, dessas que vendem biscoitos, guloseimas, livros e revistas. Entrei nela com o cartão de crédito em punho, pedindo a Deus para que ele passasse. Eu só precisava desse milagre uma única vez (ok, precisaria de outro mais lá a frente para pagar a fatura, mas isso seria outro dia!). Então, vi o livro ao lado do caixa, Confessions of a Shopaholic ou, como seria chamado mais tarde pela Editora Record, Os delírios de Consumo de Becky Bloom. Era um livro de bolso e daí pensei nas longas oito horas de espera, tinha compras no título... Era comigo mesmo.

Sentei para esperar, a chuva lá fora não dando trégua, abri meu livro e olhei para os lados. Gente, Becky era eu (acho que até hoje tenho um pouco dela)! Jornalista (X), gastadeira (X), escondia as faturas do namorado (X), todos os itens marcados com louvor. A personagem que fazia do passar o cartão de crédito sua terapia era exatamente eu. Ri muito vendo o quão ridícula eu parecia fingindo que não era o gerente do banco ligando (será mesmo que ele não podia esperar eu receber, faltavam só 20 dias!), ou dividindo o valor da compra em cartões (“Nesse você passa 10 reais; nesse aqui, mais 10 e os 20 restantes eu pago no dinheiro”). Não eram itens necessários, mas me faziam bem. Becky me fez olhar para as malas e ver o como eu estava sendo exagerada. A autora me ajudou a me enxergar com humor, mas com uma certa dose de “tudo que é demais não é sadio”. 

Depois de mais de oito livros da autora nesse tempo (que eu me lembre), li recentemente À Procura de Audrey e, no dia que ele chegou, também me vi na protagonista. Dessa vez, passados mais de dez anos da leitura de um livro para o outro, óbvio que não sou mais a mesma daquela viagem e do meu encontro com Becky, mas ela me brinda em 2015 com uma personagem de apenas 14 anos que tem muito de mim naquela idade e agora. Audrey é sensível, tem aquele ar triste, mas encantador, de alguém que esconde por trás de uma história de lágrimas uma vontade de querer dar a volta por cima que muitas vezes nem ela percebe. É ingênua quando se trata de alguns assuntos, mas nos toca tanto com seu relato que vamos vendo ao longo da narrativa que o final não poderia ser melhor do que foi: emocionante.

Bullying e depressão estão ali, em um livro que merece ser lido por todos. Kinsella mais uma vez me surpreende, porque toca em um tema delicado, mas o faz brilhantemente. Quem sabe o que é depressão e sofrer bullying, se identifica. Quem nunca passou por isso, se toca do quão real isso é.


Nessa Bienal, espero poder chegar pertinho dela, nem que seja por dois segundos e dizer “OBRIGADA”. Ela faz parte da minha vida. Rainha essa Kinsella S2!

27 de ago. de 2015

Galera entre letras:A Bienal do Brasil!




Época de Bienal do Livro sempre é uma época de grande correria (e muito cansaço!) pra leitores, autores e editores --- afinal dez dias de feira não é pra qualquer um! E a Bienal do Livro no Rio não poderia ser diferente.

Quem acompanha o Grupo Editorial Record nas redes sociais e, em particular, a Galera Record, sabe o quanto nossos supereditores estão se esforçando pra fazer a melhor Bienal ever, trazendo vários autores estrangeiros e nacionais para conversar com o público.

É que a Bienal, além de ser uma feira de vendas e de negócios para os profissionais do livro (muitos livros que vão ser publicados nos próximos anos surgem das conversas entre autores, editores, tradutores etc.), é um momento especial em que leitores e autores têm a oportunidade de se encontrar e trocar ideias.

Mas a Bienal do Rio, na minha opinião, vai ser um momento muito especial porque os autores brasileiros vão comparecer em peso, basta ver os autores que estarão no estande do Grupo Editorial Record!

Aqui tem o link do site oficial da Bienal pra vocês acompanharem a programação!

Quem sempre lê o blog da Galera sabe o quanto a gente valoriza os autores nacionais (e nós temos algumas autoras entre as queridas colunistas!); por isso, resolvi homenagear os nossos colegas autores publicando, nas próximas semanas, as respostas às perguntas que enviei pra alguns deles.

Convidei também alguns autores-amigos-da-Galera, que vão lançar livros na Bienal, pra responder as perguntas.

Eu queria fazer muitas perguntas, mas, óbvio, nossos autores têm que se preparar pra maratona de sessões de autógrafo e apresentações nas próximas semanas.

Então, resolvi concentrar a minha curiosidade em três perguntas, que têm a ver com a boa fase da literatura brasileira voltada para o público infantil, juvenil e jovem adulto. Basta ver as listas de mais vendidos para constatar a importância desses autores para os três gêneros. Ainda assim, nós sabemos que nem sempre é fácil publicar um livro e, sobretudo, divulgá-lo num país do tamanho do nosso.

As duas primeiras perguntas vão ser respondidas por todos e a última é para os autores-amigos-da-Galera. Espero que vocês gostem.


Até a Bienal!

21 de ago. de 2015

Papos de Sexta: O lado feio de ser fã



Pensei em vários temas para o “Papos de Sexta” desse mês, mas depois que foi divulgado que eu e a Tita Mirra (que também é colunista daqui e minha parabatai) vamos mediar o bate-papo com a Colleen Hoover, só tenho olhos pra ela!

O mais lindo é que, quem me indicou “Métrica” foi a Tita (pausa para o momento oooowwwwnnnnnn que cuti-cuti!). Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da Colleen e não poderia ter sido mais incrível.

Em “Métrica”, Hoover me apresentou o universo da poesia slam, que me deixou sem fôlego e com lágrimas nos olhos. Por meio dessa poesia, entendi que raiva, revolta, paixão, amizade e uma infinidade mais de sentimentos podem ser expressados da melhor forma em poesia, em palavras. Rimadas ou não. Que fazem sentido para os outros ou não. E essa conexão palavra-coração se estende para toda a narrativa escrita por Colleen e não somente para as poesias.

Aí li “Um caso perdido” sem saber, no início, que abuso apareceria na trama. E foi um soco no estômago porque precisava ser. E depois foi um afago no coração, porque necessitava disso.
E aí veio “O lado feio do amor”, que me deixou com o rosto ruborizado em vários momentos, precisando de banho frio em outros e sempre torcendo para que os personagens se abraçassem tão forte, que os caquinhos dos corações partidos se colassem de novo.

Essa é a escrita de Colleen Hoover: real, inspiradora, instigante, visceral, incrível! Tudo sem ser prepotente, sem “tentar demais”, sem ser piegas.

Mas por que, então, o nome da coluna? Eu explico.

Quando a gente gosta de algo, gosta muito mesmo, às vezes a gente sufoca. É como uma cegueira temporária, sabe? Eu já “sofri” disso quando comecei a integrar fandoms, mas aprendi muito com as cicatrizes emocionais que minha falta de temperança deixou. Aprendi que, mesmo sendo apaixonada por uma escritora ou livro ou personagem, isso não me dá o direito de ser má com outro fã, de ser mesquinha, de ser – em uma palavra - uma BITCH.

Com o tempo e – muitos desentendimentos que resultaram em amadurecimento – entendi que, se amo tanto tal livro ou autora, devo me entender como relações públicas dela! Tenho que ser a fã mais respeitosa para não “manchar” a imagem do livro, tenho que entender que, às vezes, as coisas são mais difíceis do que parecem e que nem sempre todo mundo vai conseguir o que quer.
Afinal, ninguém merece ouvir “Fã de Colleen Hoover é tudo mal educado! Cruzes!”, né?

Mas ter essa medida não é fácil. Requer paciência, experiência e ouvir os outros. Respeito é básico e é para todos independente se conhecem o livro desde que foi lançado ou se vão começar a lê-lo agora.
Então, nesse “Papo de Sexta”, além de dividir com vocês o amor pela nossa queridona Colleen Hoover, venho pedir um favor: vamos mostrar para ela – seja na Bienal, seja no evento na Livraria da Travessa – que não somos um caso perdido. Vamos mostrar o lado LINDO de ser fã. Que tal?


Para saber dos eventos, passem aqui ó (Travessa e Bienal). E vamos nos divertir com a vinda daquela que nos arranca o coração .... e a gente pede mais!

14 de ago. de 2015

Papos de sexta: A meta da Booktubatona

 Entre os dias 3 e 9 de agosto, aconteceu mais uma BookTube-A-Thon, a maratona literária dos booktubers! Realizada por Ariel Bissett — uma figuraça que todos deviam conhecer —, a BookTube-A-Thon tem duração de uma semana e conta com a participação de alguns dos meus canais favoritos no YouTube, como o Little Book Owl, A Book Utopia, Poland Bananas, Bookish Thoughts, Padfoot and Prongs07, Elizziebooks, Priceiswong, e outros que ficaram de fora dessa última edição.


No Brasil, a primeira Booktubatona aconteceu durante a maratona literária de inverno desse ano — realizada pelo Geek Freak no mês de julho —, e reuniu booktubers como Perdido Nos Livros, Pam Gonçalves, Um Leitor a mais, Vitor Martins, Índice X, Ultraviolet, e muitos outros que eu ainda não conhecia — mas que pretendo acompanhar daqui pra frente :)


Essas maratonas são ótimas para conhecer novos canais literários e se divertir com os desafios — além de aumentar consideravelmente a pilha de livros que queremos ler! rs A meta é ler um livro por dia, mas não vamos colocar uma meta, né? Vamos deixar a meta aberta, e quando atingirmos a meta…#deixaquieto
Eu não consegui participar novamente por conta do trabalho e da minha coluna — e por conta disso, estou bem abaixo da minha meta de leitura —, mas estou me preparando física e mentalmente para a próxima BookTube-A-Thon, que acontece no final do ano. Quem sabe eu consigo dobrar minha meta? rs

13 de ago. de 2015

Galera entre letras: Bob, o Gato

Hoje eu ainda vou falar sobre a relação entre gatos e autores. E escolhi uma história muito curiosa pra contar pra vocês. A história é tão curiosa que quase me levou a escrever um conto infantil meio macabro (rs). Eu adoro contos góticos e achei que dava um bom texto!

Acho que vocês já sabem da minha paixão por Charles Dickens, né? Volta e meia eu arrumo uma desculpa pra falar dele. Aqui e aqui, por exemplo.

E hoje não vai ser diferente. Pois o gato e o autor em questão são Bob e Dickens, respectivamente. Bob recebeu este nome por causa de um personagem do conto mais famoso de seu dono, O Conto de Natal. Dickens sempre foi afeiçoado a animais e não são poucas as menções a gatos e cães em sua obra.

Mas Bob, de acordo com Mamie, tal como a filha de Dickens comenta em seu livro de memórias, era um gato especial. Surdo, era a companhia preferida de Dickens em seus passeios ao jardim e se comportava como um cãozinho pequeno, chamando constantemente a atenção do dono e pedindo seu carinho.

Eu costumo imaginar os passeios de Bob com seu dono. Dickens, muito curioso, enumerava cada planta que avistava em seu jardim, e Bob, embora surdo, acompanhava tudo com seus olhos grandes e não perdia um único gesto do dono, que ora apontava para uma flor de coloração exótica, ora apontava para uma erva-daninha. Quando Dickens arrancava a erva-daninha, lá ia Bob cheirar a planta e esfregava a testa na mão do dono, como se estivesse enciumado da atenção dedicada ao jardim. E quando Dickens saía em suas famosas caminhadas noturnas, Bob o acompanhava em silêncio até a porta e não arredava pé até que o dono retornasse.

Em suas caminhadas, Dickens costumava ver os tipos humanos que o inspiravam em suas obras e não era raro que ele voltasse cansado e entristecido. Às vezes, ainda se via em seu rosto o rastro de alguma lágrima fugidia iluminado pela luz da lua. Mas ele sempre era recebido por Bob da mesma maneira. Assim que abriam a porta, Bob ia até o dono e se esfregava em suas pernas, como se dissesse a Dickens que sabia muito bem o que ele tinha visto lá fora. E quando o autor se sentava para registrar algum fato ou anedota para a próxima história, lá estava Bob a seu lado.

Mas, apesar das vidas extras, um dia Bob não saiu mais para passear com seu dono pelo jardim. E Dickens, muito triste, resolveu eternizar aquele amigo e companheiro de tantos anos. E essa é a parte “bizarra” da história da amizade entre Bob e Dickens. Certo de que queria ter Bob a seu lado pelo resto da vida, Dickens resolveu empalhar a pata do gato e transformá-la num abridor de cartas, assim, seu amigo felino continuaria a lhe fazer companhia.

Eu confesso que acho essa história emocionante não só pelo amor de Dickens ao Bob, mas, sobretudo, porque é o retrato de uma época extremamente curiosa em relação à ciência e aos inventos científicos e não por acaso é considerada a época de ouro da taxidermia, isto é, da técnica de empalhar animais!

Espero que vocês tenham gostado da curiosa história da amizade de Bob e Dickens! Até a próxima!


No abridor de cartas tem a seguinte inscrição: “C.D. [Charles Dickens] Em memória de Bob 1862." 

10 de ago. de 2015

Tons da galera: Moda consciente

Semana passada Jane Birkin, ícone francês do cinema, música e moda, pediu à grife Hermès que retirasse seu sobrenome de um de seus produtos — se não o produto — mais cobiçados, a clássica bolsa Birkin de pele de crocodilo. O motivo? Um vídeo recém divulgado pela PETA expondo maus tratos aos animais criados para a fabricação de pulseiras dos relógios da marca e da bolsa de no mínimo 16 mil dólares (recentemente uma versão exclusiva foi vendida por U$220 mil!) numa fazenda no Texas. A Hermès respondeu alegando também ter ficado chocada com o vídeo e prometeu investigar.

A questão é antiga e mais uma vez volta à tona nesses tempos em que tantos têm voz: Precisamos mesmo, em pleno 2015, cobiçar uma só bolsa que custa a vida (sofrida e dolorosa, diga-se de passagem) de 2 a 3 crocodilos? Ou peles caras quando não precisamos delas para nos proteger do frio?

No final de junho, Brigitte Bardot — outro ícone francês que compartilha até um ex-amante com Jane —, e há anos na batalha pelos direitos dos animais, pediu numa carta escrita à mão para a gata de Karl Lagerfeld, Choupette, que repensasse o uso de peles em seu desfile para a Fendi. Lagerfeld, como sempre, polemizou ao declarar que para ele pele é só mais um tecido assim como o veludo, e a ignorou. Mas a declaração da porta voz da Fundação BB no dia do desfile em meio a protestos fez muita gente pensar: “A pele não é um luxo, e sim uma indústria de morte e sofrimento. Milhões de animais vivem enjaulados ou amontoados uns sobre os outros, apenas para serem mortos ou eletrocutados. Estamos aqui hoje para denunciar o horror desta indústria e a indecência de Karl Lagerfeld, que tanto admira e ama sua gata Choupette, mas não se importa nem um pouco com os animais sacrificados — e algumas vezes com suas peles arrancadas enquanto ainda vivos e conscientes — para a mais fútil e vulgar das modas.”


A Jane, a bolsa, a carta, o protesto.

Em tempos de catástrofes climáticas e uma população mais consciente e informada, a verdade é que dessa vez Karl Lagerfeld pode sim estar fora de moda. A criação de animais destinados à indústria da carne e artigos de couro e pele consome mais de 70% dos grãos de um planeta em que uma enorme parte da população passa fome, sem contar a emissão de gases e desmatamento que isso também acarreta. E no mundo da moda não é de hoje que se busca, ainda que timidamente, uma adaptação aos novos tempos. Vide Stella McCartney, ativista e filha de dois vegetarianos convictos, que não usa couro nem pele em suas — lindas, modernas, elogiadas e atuais — coleções. Grandes redes de fast fashion como H&M já criaram suas linha mais verdes, como a H&M Conscious. E recentemente a designer de acessórios Carmen Hijosa desenvolveu o Piñatex, material semelhante ao couro só que feito da casca e caule do abacaxi!


Stella em um de seus desfiles, o tênis de “couro” de abacaxi, a fofa beauty box vegana.

A verdade é que cada dia mais as pessoas procuram produtos com menos ingredientes artificiais e com o selo cruelty-free (aqui no Brasil recentemente apareceu até uma beauty box por assinatura só com esse tipo de produtos, a Veggie Box!), e tais produtos e artigos de vestuário hoje são cada vez mais bem-feitos, duráveis e tão eficazes quanto os tradicionais (Duvida? Veja essa seleção que o site Who What Wear fez com esse tipo de produto aqui). A esperança é que fique cada vez mais fácil escolher o que consumimos com base na compaixão e sustentabilidade.



27 de jul. de 2015

Tons da Galera: A hora e a vez deles

De 13 a 16 de julho de 2015 rolou a primeira semana de moda de Nova York de moda masculina. Sim, foi isso mesmo que você leu, ela não existia! Os quatro dias de evento tiveram gigantes como Calvin Klein, Michael Kors e Polo Ralph Lauren, mas por que só agora uma semana só para eles em NY, considerando que elas já existem há anos em Paris, Londres e Milão?

Primeiro, a multiplicação de e-commerces agradou — e muito — aos homens, que em sua maioria não curtem muito gastar horas fazendo compras num shopping. O fato de poder comprar o que estão precisando ou querendo de forma mais objetiva e usando seus computadores ou dispositivos móveis fez com que a moda masculina tivesse um aumento de quase 20% em vendas online nos últimos anos. Além disso, a temporada para compras das coleções masculinas em NY caía (até então) depois dos desfiles femininos terem acabado e, consequentemente, estarem fechadas a maior parte das compras das grandes lojas. E mais: o foco dos blogs de streetstyle não é mais apenas na moda feminina, como vemos por exemplo no The Sartorialist, o que anda inspirando muitos guapos por aí a inovarem na hora de abastecer o armário.

Ainda tímida e bem low profile diante da semana de moda feminina, a NYFW:Men’s, como foi batizado o evento, promete crescer na próxima edição, em Janeiro de 2016, com direito até aos exibicionistas de streetstyle do lado de fora das tendas de desfile.

O fofo Bill Cunningham, fotógrafo pioneiro de streetstyle na cidade, fez uma adorável resenha no vídeo que você confere aqui.

A gente acha que já estava mais do que na hora, e vocês?

24 de jul. de 2015

Papos de sexta: O Spoiler Assassino

Em tempos de internet, tudo que fazemos, lemos ou assistimos é facilmente compartilhado nas redes sociais, e milhares, às vezes milhões de pessoas veem o que escrevemos. Pode ser uma simples saída do cinema onde você odiou o filme e quer dizer pro mundo não assistir, aí você vai lá no twitter e posta : “ Perdi 2 horas da minha vida, filme chato demais!!!”. Se você tem muitos amigos, ou tem um blog com muitos seguidores, não será difícil receber uma mensagem perguntando porque não gostou do filme, certo? Agora, imaginem se eu resolvo responder a essa pessoa: “Porque além do filme ser chato, a mocinha morre no final!”.



Vamos parar para pensar... afinal, o que realmente pode ser considerado spoiler? No exemplo acima, eu ficaria com raiva se ainda não tivesse visto o filme e lesse na timeline de alguém isso. Ok. Spoiler Detectado! Agora, vejamos: se eu opto por assistir um filme no Netflix tipo Titanic – supõe-se que qualquer pessoa que respire o tenha visto – e lá pelas 2 da matina eu em prantos posto no meu Facebook : “Que filme!!! Sempre choro quando o Jack morre!”. É spoiler?? Eu acho que não. Gente, o filme é de 1997, uma das maiores bilheterias do cinema e ainda tem gente que acredita que eles irão ficar juntos? E mesmo que a pessoa vá assistir somente agora, será mesmo que estraga o filme saber o final?

Sei que isso depende muito de cada um, mas vamos passar para os livros. Em média, resenho 10 livros por mês no meu blog, e muitas vezes eu acho que o que falo é spoiler, aí volto, penso...e tento encontrar uma forma de resenhar sem contar o que se passa. Ao resenhar eu declaro o que mais gostei e porque, mas não posso e nem devo informar algo que estrague a leitura do livro ou que tire as surpresas que a história nos oferece e que ninguém me contou. Não tenho nenhum direito de soltar spoilers sobre a obra alheia.

Complicado? Talvez... Há quem goste de spoilers, os peça nos eventos que apresento ou me mande inbox perguntando se o casal ficou junto, se a protagonista morre...De acordo com essas pessoas, isso não estraga em nada a vontade de ler aquela história, ou seja, a conclusão é que nem sempre o que é spoiler para mim pode ser para quem o lê, ou vice-versa. Morro de medo de falar mais do que devo quando entrevisto algum autor nos eventos, mas aí acabo vendo que me policio tanto que ele mesmo vai lá e solta que ela escolhe um e não o outro, e respiro aliviada, porque é igual filho alheio, eu não tenho direitos sobre ele, mas o autor sim.



Outro dia vi uma discussão na qual diziam que a blogueira não deveria ter falado algo, mais de 20 leitores dizendo que ela estragou a surpresa do livro. Ao pegar o mesmo exemplar, estava ali o que ela citou no vídeo;na sinopse!!! Oi? Quem mesmo soltou  o spoiler? Ou seria melhor lembrar: será mesmo que era um spoiler?

Fico imaginando a dificuldade de quem faz as sinopses em não ser assassinado pelos caçadores de spoilers – sim, eles existem, acredite –, porque qualquer informação a mais é crime hediondo e inafiançável.

A palavra spoiler se origina de spoil, que, em inglês, quer dizer estragar, ou seja, quem conta spoiler estraga o filme ou o livro. Não seria forte demais usar isso sempre?


Ficou difícil para o mundo definir spoilers. E você, como lida com isso?

23 de jul. de 2015

Galera entre letras: Ernest e os Gatos

Eu tenho quatro filhos felinos. Achei que uma hora vocês deviam saber disso, e desde que comecei a trabalhar e me interessar por livros percebi que eu não estava sozinha na predileção pelos bichanos.

Vocês sabiam que vários autores importantes fizeram  e fazem  questão de declarar publicamente seu amor pelos gatos  em textos e imagens? Curiosamente, alguns dos meus autores preferidos foram apaixonados por gatos e tem até episódios curiosos e tristes em suas vidas, que envolvem os bichanos.


Hoje eu vou falar dos gatos do Ernest Hemingway e, da próxima vez, falarei de Bob, o gato de Charles Dickens, que quase me levou a escrever um livro!!!

Ernest Hemingway foi pra mim um dos maiores contistas da língua inglesa – aqui no Brasil seus livros são publicados pela editora Bertrand Brasil, do grupo editorial Record , mas além de escritor premiado e grande aventureiro (ele lutou em guerras e esteve perto da morte várias vezes!), ele era apaixonado por gatos.

Um dos episódios mais tristes de sua vida foi quando ele teve que sacrificar Uncle Willie, um de seus gatos preferidos, que estava sofrendo muito após ser atropelado. A carta que ele escreveu a um amigo contando o episódio é um dos textos mais tristes que eu já li e nela fica claro o respeito e o carinho que ele tinha pelo gato de estimação.

Mas tem um episódio bizarro ligado a Hemingway e à sua paixão pelos gatos. Hemingway criava gatos mutantes. Isso mesmo. Gatos mutantes, com seis dedos. Até parece ficção científica, né? Mas a história é real. E os gatos vivem até hoje na casa do escritor –hoje transformada em museu. E, como todo gato que se preza, lá eles também se acham os donos do pedaço.


Num ofício que costuma ser solitário, os gatos  independentes e silenciosos tanto podem ser uma inspiração como uma ótima companhia para os autores. Na próxima coluna, vou falar de Bob, o gato que Dickens  literalmente  imortalizou.


Até!

17 de jul. de 2015

Papos de sexta: Gosto (literário) não se discute

Um antigo ditado sabiamente diz “gosto não se discute, lamenta-se”. Mas em tempos em que tudo é curtido e compartilhado, gosto se discute e muito! Embora, em minha opinião, acho que o termo que deveria ser utilizado é “debate” e não “discussão”. O primeiro implica em argumentos e troca de opiniões,enquanto o segundo é puro barraco.

E é o que tenho visto em redes sociais: muito barraco por causa de gostos literários.



- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

- Você só lê .... CHEGA!

Quando estava pensando no que escrever para o “Papos de Sexta”, pedi sugestões no meu Facebook e recebi várias, entre elas esse tema. E na própria sugestão, já começou um teteretê por razões de gostos literários diferentes.



Gente, gosto não se discute!Se debate, se questiona e até se lamenta. Mas Não. Se. Discute.

Minha experiência mostrou que, quando a gente ama muito alguma coisa, nos sentimos meio que donos dela, sabe? Por exemplo, quem nunca amou tanto um personagem que sente ciúmes quando outra leitora também confessa seu amor por ele? Quando somos fãs, amamos MESMO, com força e sem restrições, e isso às vezes nos inflama não de uma forma bacana.

Eu amo livros! Amo mesmo! Acho o máximo como eles me fazem sentir e chorar e questionar sem sair do lugar. Amo entender as entrelinhas, os elementos de estilo. Amo tanto que, quando alguém interpreta mal algum ponto de um livro ou se diz apaixonada por um personagem que não gosto por ser abusivo ou mau caráter, levo para o lado pessoal. E, na boa, onde já se viu isso? É muito errado! Já fui muito injusta com outros leitores por achar que a minha opinião era a única correta. O lado bom disso tudo é que entendi onde errei e passei a me policiar quando me sinto assim.

E foi a melhor coisa que já fiz! Quando você se esforça para respeitar o gosto, a escolha do outro, a sensação é tão plena! Recomendo muito! Um sentimento de amadurecimento e de justiça te invade e te cobre como um cobertor quentinho em uma noite fria. E é deliciosa essa sensação de harmonia completa entre o limite da sua opinião e do gosto alheio.

- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

É sim. Se eu considero bem escrito e provoca algo bacana em mim, considero literatura, independentemente da protagonista.

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

Contemporâneos e clássicos precisam ser conhecidos para que os momentos sociais sejam sempre relembrados e questionados. Ler quem já passou dessa para melhor é honrar as palavras trabalhadas há tanto tempo e com tanto amor. Recomendo.

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

Procuro ler o que é bom, independentemente da nacionalidade do autor. Se tem uma boa história para contar, por que não ler?


Uma amigona minha me disse uma vez “julgue o livro e não o leitor” e isso se tornou o meu mantra. Julgar o leitor é julgar a experiência e a vida de cada um. E ninguém é melhor do que ninguém para fazer isso. Já a obra .... bem, vamos seguir lendo porque é isso o que importa!


16 de jul. de 2015

DESIGN ET CETERA: Making of do Ateliê Fashion

Oi galera, tudo bem? Sei que andei sumida aqui do blog, mas foi por um bom motivo S2

EU LANCEI UM LIVRO DE COLORIR!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Como assim, eu lancei um livro de colorir do nada? Bem, não foi assim do nada. Para quem não sabe, além de trabalhar aqui na Galera, eu tenho outra paixão que é a estamparia. Ano passado, fiz duas estampas que viraram capas: Instrumentos Mortais e O Livro dos vilões.

Daí, quando começou o boom dos livros de colorir, pensei: “por que não unir meus dois amores (livros e estampas) e lançar uma edição super fashion de padrões para colorir?

Assim que eu tive a ideia, sabia que não poderia viver sem realizá-la. Então, comecei uma pesquisa árdua por inspirações. Eu me inspiro MUITO em fantasia, até porque passo o dia lendo livros da Galera :) Unicórnios, sereias, castelos... Tudo isso faz parte do meu imaginário pessoal e acabou virando estampa no meu livro. Outra paixão minha é por tudo que é vintage: azulejos, matrioskas, cuckos... Enfim, tudo pode virar estampa S2 Reuni para vocês algumas imagens do meu processo criativo e a padronagem que resultou dele:


Como vocês podem ver, do desenho original até a estampa as coisas mudam muito. O processo envolve escanear, ajustar no photoshop e depois montar a unidade de repetição. O resultado final é uma ilustração muito rica em detalhes e convidativa para quem curte colorir.

Apesar do livro já estar disponível nas melhores livrarias, ele ainda não está completo: falta vocês colorirem e postarem o resultado com a #AteliêFashion

Ah! E antes que eu me esqueça: a melhor parte sobre o livro é que 50% dos lucros desse primeiro semestre irão para animais abandonados! Então corre lá e compre o seu! As instituições beneficiadas serão:


9 de jul. de 2015

Galera entre letras: A Eterna Alice

O último dia 4 de julho foi uma data bem importante para leitores e leitoras de todo o mundo. Um dos livros mais traduzidos da literatura universal --- e uma das personagens mais queridas! --- completou 150 anos.
Já sabem de qual livro estou falando?! Óbvio que é de Alice no País das Maravilhas!

Muito se tem falado e escrito sobre Alice desde a sua publicação, e uma das coisas que mais chama a atenção são as ilustrações do livro. Porque Alice e seus seres fantásticos --- lagartas falantes, rainhas de Copas, bebês esquisitos --- precisavam ganhar corpo e, para isso, vários ilustradores usaram lápis, papel e emprestaram técnicas diversas.

Hoje vou mostrar algumas dessas ilustrações, que não apenas refletem a técnica dos artistas, como também, muitas vezes, refletem sua própria época.

Alice teve muitos rostos e cores nesses 150 anos!

John Tenniel foi o ilustrador da primeira edição de Alice. As ilustrações são em preto e branco e Alice é uma menina de cabelos cacheados e volumosos, e vestido de saia rodada.


Um ilustrador do qual eu gosto muito, mas que pouca gente conhece é o Edwin Prittie, conhecido por ilustrar muitos contos de fadas. A Alice do Prittie vem cheia de cores e é bem parecida com a Alice que nós conhecemos do filme da Disney.


A Maria Kirk foi uma das primeiras ilustradoras de Alice. Seus desenhos datam de uma edição de 1907. E Alice é uma garotinha morena, de vestido amarelo. Curioso é que os tons do fundo de suas imagens sempre são os mesmos, puxando para o verde e o ocre.


Eu não tenho muitas informações sobre a Marie Barrera, mas, convenhamos, uma Alice em quadrinhos merece destaque! Até onde eu sei, o gibi da Alice foi publicado originalmente em espanhol, nos anos de 1950.

  
Uriel Birnbaum foi um ilustrador austríaco muito importante de fins do século XIX e início do XX. As ilustrações que ele fez pra Alice são carregadas nos tons azuis e têm um quê de assustador (eu acho!), embora sejam muito bonitas também.



E eu não podia deixar de comentar sobre a linda capa de A Pequena Alice no País das Maravilhas, publicado pela Galerinha, com ilustrações de Emmanuel Polanco e tradução da Marina Colasanti, né? Olhem que linda a Alice ruiva!



Por hoje, fico aqui com a Alice eternizada por Lewis Carroll e seus ilustradores.


Até a próxima!

3 de jul. de 2015

Papos de sexta: Debaixo das cobertas

O inverno chegou, finalmente! Essa estação é uma delícia para quem gosta de ler. Aquele friozinho lá fora, e a gente debaixo das cobertas, na companhia de um ou vários livros. Adicione a bebida quente de sua preferência — café, chá, chocolate — e voilà! Podemos esquecer do mundo :D
Eu adoro o inverno, mesmo os dias cinzentos, e já separei alguns lançamentos para entrar no clima. Quer conferir a minha lista?


O primeiro é Lírio azul, azul lírio, da Maggie Stiefvater. Eu amo a autora, e essa é uma das minhas séries favoritas! Estou morrendo de curiosidade — de medo também — para descobrir o que a Maggie está tramando. Outro sobrenatural da minha lista é Livro das sombras, da Cate Tiernan. Eu adoro histórias sobre bruxos, e essa série é internacionalmente famosa e recomendada.


Inverno também combina com suspense, então separei o thriller Ela não é invisível, do Marcus Sedgwick. Eu não conheço o autor, mas a sinopse me deixou muito a fim de ler! Outro que me cativou pela sinopse foi Rich e Mad, de William Nicholson. Promete ser uma leitura deliciosa ;)


Aliás, jovem adulto combina com todas as estações, né? O novo da dupla David Levithan e Rachel Cohn, Naomi & Ely e a lista do não beijo, também está na minha lista. E que tal um chick-lit? As MAIS 5: Sorte no jogo, sorte no amor, da Patrícia Barboza, é uma boa pedida — e muito divertida também :)


Mas nada melhor do que um romance new adult para nos aquecer nesse inverno! Seja o bad boy irresistível de No limite do perigo, da Katie McGarry, ou o triângulo amoroso de Entrelinhas, primeiro romance da Tammara Webber. Dá para perder a noção do tempo com esses dois livros — mas se quiser uma leitura rapidinha, tem o conto Em busca de Cinderela, da Colleen Hoover ;)


Beleza Perdida, da Amy Harmon, é perfeito para iluminar os dias cinzentos. E depois, um livro para colorir: Ateliê Fashion: Estampas para colorir, da Rafaella Machado, que acabou de ser lançado — e é l-i-n-d-o!

Com tanto livro bom, só tem uma coisa ruim: o inverno vai passar e nem vamos sentir :)

29 de jun. de 2015

Tons da Galera: Love wins

Sexta-feira passada, dia 26, testemunhamos mais um capítulo da História sendo escrito: a Suprema Corte americana aprovou o direto de pessoas do mesmo sexo se casarem pela Constituição, uma grande vitória para o movimento dos direitos homossexuais nos EUA.

O mundo da moda, é claro, não demorou a se pronunciar. As marcas, mídias e celebridades fashion usaram suas páginas de Facebook e Instagram para apoiar a decisão, e podemos dizer que foi a sexta-feira mais colorida e cheia de amor dos últimos tempos nas mídias sociais (estávamos precisando, né não?).


Valentino, Rachel Zoe, Nars, Instyle: algumas dos primeiros posts comemorando a notícia

De modelos, como a britânica Cara Delevingne, que havia falado sobre sua sexualidade e seu namoro com a cantora St. Vincent à edição da revista "Vogue" dos Estados Unidos de julho ("Levou muito tempo para eu aceitar a ideia, até que, aos 20 anos, eu me apaixonasse por uma garota e reconhecesse que tinha de aceitar isso"), a grandes publicações como Vogue e Instyle, blogs como o de Rachel Zoe, marcas de beleza como Nars e de moda como DVF e Valentino, todos comemoraram a vitória do amor.

A aposta é que o assunto ainda vá render muito. Segundo notícia do site FashionMag nesta segunda-feira, a marca de cosméticos Lush, conhecida pela ética e engajamento em causas como meio-ambiente e direitos humanos (a marca inclusive não testa em animais e vende aqui no Brasil pela internet, oba!), traz uma campanha que promete movimentar as redes. Com a pergunta: "E se o seu amor fosse ilegal?", a empresa incentiva seus clientes a publicarem selfies em prol da igualdade com a hashtag #GayIsOk. A campanha da Lush começou na quinta-feira e vai até o dia 5 de julho, e pretende arrecadar 250 mil libras. Parte do dinheiro será convertida para entidade All Out, ativista da causa e outra quantia para grupos LGBTs inscritos através do All Out.

Apesar do engajamento, a marca não poderá vender o sabonete vedete da campanha (que sai por R$17,20) em pelo menos 100 das suas lojas, pois em alguns países ainda é crime ser gay. O caminho a ser trilhado, como se vê, ainda é longo, e por essas e outras a Tons da Galera quis estender o colorido e as belas manifestações de solidariedade do fim de semana para essa segunda-feira com imagens de apenas algumas das muitas e muitas homenagens a essa conquista. Love wins!


Vogue, DVF e o sabonete da Lush: Gay is OK.



26 de jun. de 2015

Papos de sexta: Quando o Não faz parte do SIM!


Meg Cabot mais uma vez serve de inspiração para minha coluna. Ah, ela, sempre ela. A reportagem da Cosmopolitan desse mês contando como ela se tornou uma autora de sucesso me fez parar e pensar na vida.

A autora, que já vendeu milhões de exemplares mundo afora, trabalhou por volta de dez anos em outra área para hoje poder viver só de escrita. Esse tema no Brasil é quase um tabu. Em um país com alto índice de desemprego, como dizer aos seus pais que você vai ser escritora? Como largar uma carreira bem-sucedida na área em que se formou para ganhar menos porque se descobriu feliz no meio das letras e quer respirar isso? Muitos dos autores que entrevisto para o meu blog (A Menina que Comprava Livros) contam que o dia a dia deles ainda se divide entre a profissão que os sustenta e a paixão pela escrita. Muitos estão há anos na estrada, mas ainda não deixaram de publicar livros independentes e sonham em ver nas livrarias seus livros ao lado dos gigantes nacionais e internacionais da literatura.

Há os que já conseguiram “ chegar lá”, hoje tem seus livros publicados em grandes editoras e já podem pagar suas contas com a venda dos exemplares. Quando me relatam isso, o sorriso fica maior que o rosto e esse é a prova do sonho realizado. Mas, como toda profissão, há os que tiveram sucesso e os que ainda não. Pode bater o desânimo, olhar para o exemplar e dizer que talvez ele não seja tão bom assim, mas quem julga isso? Antes de chegar ao leitor, o livro passa por muitas mãos e, certamente, a própria Meg Cabot também achou que venderia uns livros para família e só. E aposto que vibrou ao vê-lo na lista dos mais vendidos.

Com tantas ferramentas novas e com os e-books pipocando, é mais fácil se autopublicar, mas a gente sabe que o sonho mesmo é chegar às livrarias e ver aquela fila te esperando, com leitores dizendo que amaram seu livro. É comprar o jornal e ler que seu livro está na lista dos mais vendidos. Infelizmente, como tudo na vida, há mais ofertas que demanda. Nem sempre o escritor sonhador vira uma Meg Cabot. Em um contexto brasileiro, entendo que algumas das musas dos aspirantes a autor (e poderia citar as que conheço de perto: Paula Pimenta, Patricia Barboza, Carina Rissi e Marina Carvalho) deem um impulso ainda maior a esses que sonham. É como se, ao vê-las, quem quer chegar lá dissesse: “eu também posso, eu também quero”. E todas elas, mesmo depois de tantas e imensas filas para conhecê-las, parecem às vezes não acreditar que as senhas acabaram, que os leitores viraram fãs e que as selfies pipocam quando chega a vez de ser atendida.

Por essas e outras que acho Meg Cabot inspiradora, com suas entrevistas, com seus livros sensacionais e com sua garra.


A vida é feita de muitos “nãos” até chegar a um “sim”! J  

25 de jun. de 2015

Galera entre letras: Quem disse que contos de fadas são coisa de criança?

No qual eu falo sobre contos de fadas. Nem sempre a vida é cor-de-rosa pros personagens...

Outro dia saiu uma matéria muito interessante sobre contos de fadas que combatem a visão preconceituosa de que eles seriam (apenas ou sempre) historinhas pra crianças, ou de que contos de fadas incentivam — ou reforçam — preconceitos (sobretudo, os de gênero), ou, ainda, que pregam a passividade e a submissão. Nada mais errado do que dizer isso (e nas próximas colunas eu vou provar pra vocês!)
Mas até lá — e já que as férias estão chegando — que tal a gente conhecer (ou se lembrar de) contos de fadas com “algo mais”?! Desta vez, vou mostrar três livros escritos originalmente em inglês, e, na próxima coluna, vamos falar de livros escritos em português (aceito dicas de quem tiver!).

O primeiro livro é de uma das minhas autoras preferidas, JANE YOLEN. Ela já teve alguns livros infantis traduzidos para o português, mas até agora não vi nenhum de seus contos de fadas publicados por aqui. O livro Not One Damsel in Distress: World Folktales for Strong Girls [algo como Aqui Não Tem Donzelas em Perigo: Folclore Mundial para Garotas Fortes] já agrada só pelo título. Tem como não amar?! E a Jane Yolen é uma contadora de histórias maravilhosa, que volta e meia é comparada ao próprio Hans Christian Andersen.
Aqui Não Tem Donzelas em Perigo é uma coletânea de histórias do mundo todo (sobretudo, europeias) que mostra uma outra versão dos contos de fadas, na qual o girl power é elevado à enésima potência! É um livro fininho, e eu considero uma ótima introdução ao estilo da autora, que escreveu um dos meus recontos preferidos, Briar Rose, uma versão da Bela Adormecida que une os contos de fadas a um tema muito triste e sério: o holocausto e a ascensão do Nazismo na Alemanha.

O segundo livro que eu quero indicar é de um autor bem conhecido também — GREGORY MAGUIRE —, que ficou muito famoso por escrever continuações das histórias do Mágico de Oz. O livro mais famoso é Wicked, que virou até musical! O Gregory tem alguns livros publicados por aqui, mas Confessions of An Ugly Stepsister [numa tradução livre, Confissões da Irmã Adotiva Feia] ainda é inédito. E vale a pena ler! Será que “a irmã adotiva” do título fez você se lembrar de alguém? Bom, se você pensou nas irmãs da Cinderela, acertou!  O livro reconta a história da bela Cinderela sob o ponto de vista da irmã adotiva e feinha. E também fala de como é conviver com irmãos, filhos de pais diferentes. O mais interessante do livro é a chance de refletir sobre as aparências e sobre as relações familiares.

O último livro que eu queria indicar é de um dos meus autores favoritos de todos os tempos, GRAHAM JOYCE, e é um ótimo livro pra quem não curte tanto assim a ideia de fadas-madrinhas ajudando mocinhas indefesas, ou de príncipes que casualmente encontram princesas adormecidas na floresta. Some Kind of Fairy Tale [numa tradução livre, Meio que um Conto de Fadas] é uma história curiosa, mas que também faz pensar: a protagonista do livro some durante 20 anos (o livro mostra um pouco do que acontece com a família, de como é lidar com a perda de alguém, por isso tem uma pegada bem realista), mas o problema é que, depois de 20 anos, ela volta (literalmente batendo à porta da casa dos pais) e com a mesma aparência que tinha ao desaparecer! O que é que pode ter acontecido com ela? E quais são as consequências de seu retorno (que, obviamente, vai mexer um bocado com os familiares e até com o ex-namorado)? Essas são as perguntas que a gente se faz ao ler o livro e nem sempre as respostas agradam.



E quem gostou dessa ideia de recontar os contos de fadas pode dar uma olhadinha numa coluna antiga, na qual traduzi “seis contos de fadas para a mulher moderna”, da Renee Lupica.


Por hoje é só. Espero que vocês gostem das dicas. E até a próxima!