27 de fev. de 2015

Papos de sexta: Quero um Oscar Literário


Domingo passado tivemos a incrível noite do Oscar. Época mais esperada do ano pelos cinéfilos, oportunidade de ver quem merecidamente - ou não - vai levar a estatueta para casa e de acompanhar todos os atores e diretores amados desfilando roupas de alta costura no tapete vermelho. Não há como negar: o mundo para!
E foi exatamente na noite do Oscar — que tenho a tradição de assistir em família depois de ter visto todos os filmes indicados e de ter dado minha humilde opinião no blog —, quando apresentaram a categoria de "Melhor Roteiro adaptado", que vi como a vida é injusta para os escritores. Vejamos porque acho isso. O Oscar premia os melhores da sétima arte e, na categoria citada acima, premia a pessoa que adaptou o livro de alguém, roteirizando-o. Quando o roteiro é feito exclusivamente para o filme, a categoria é a de "Melhor Roteiro Original".
Ok, mas e quem escreveu aquela história? Cadê o Oscar dele?

Temos prêmios para muitas profissões, mas a para o autor a mais famosa delas é o Nobel de Literatura, e aí quem escreve os chamados livros de entretenimento nunca vai chegar lá. Aliás para quem não sabe, tanto no Oscar quanto no Nobel, ainda não nasceu um brasileiro que tenha levado o prêmio, injustiça a gente vê por aqui.
Mas voltemos ao ponto principal desta coluna! Quero um Oscar de Literatura. Quero sim! Quero ver no tapete vermelho Meg Cabot, Cecily von Ziegesar, Cassandra Clare, Kiera Cass e John Green. Quero esperar pelo momento de "pescar" na luxuosa plateia o autor que está ali vendo a premiação e gritar em casa " Olha ali o Levithan!! Tá do lado do Scott Westerfeld!"
Se existem prêmios na categoria, não são transmitidos pelo mundo afora e muito menos comentados no dia seguinte em todos os lugares. Quero um mundo justo onde as pessoas conheçam a cara de todos os autores maravilhosos que nos encantam com suas histórias.
A cada ano que passa, Hollywood faz mais filmes baseados em livros, ou seja, isso é sinal que tem cada vez mais livro interessante sendo escrito por aí.
Pensando em Brasil, eu sempre acho que a própria Bienal deveria criar um prêmio para os autores. Não somente do Brasil, mas do mundo todo, e em um dos dias fazer a entrega dos mesmos. Não ia ser lindo? Poderia ser por votos do público ou como a Academia, com jurados especializados.
Enquanto esse dia não chega a gente torce pelo Oscar, mas um mundo justo teria um prêmio tão divo assim para a Literatura também, ah, teria! 

26 de fev. de 2015

Galera Entre Letras: A MENINA QUE AMAVA OS CORVOS


Eu sei que parece título de um conto de fadas, mas esta é uma história real (e quem disse que contos de fadas não podem ser reais, hein?).

É a história da pequena Gabi Mann e de seus amigos corvos.



Eu fiquei tão absolutamente encantada ao ler a matéria da BBC (aqui está o link para o texto em inglês: http://www.bbc.com/news/magazine-31604026) que resolvi compartilhar a história com vocês.

Acho que todo mundo já sabe que corvos são aves muito inteligentes, não é? Não sabem? Aqui tem um vídeo que comprova que corvos não apenas são aves muito inteligentes, como resolvem problemas e contornam obstáculos com capacidade cognitiva equivalente a de uma criança de sete anos! O link (em inglês) é este aqui: http://www.huffingtonpost.com/2014/03/31/crow-intelligence-solve-puzzles_n_5062314.html.

E vale muito a pena ver o vídeo, mesmo que não dê para ler a matéria.
E não é à toa que corvos e corvídeos em geral, apareçam com frequência em fábulas e histórias de fadas, ora como aves matreiras e enganadoras, ora como aves sábias e prudentes (fica pro futuro fazer uma lista dos contos em que corvos aparecem! rs), mas sempre fazendo uso de sua famosa inteligência.

Bom, a pequena Gabi tinha apenas quatro anos quando começou a notar que os corvos se alimentavam da comida que ela deixava cair do lado de fora de casa. Aos poucos, ela foi percebendo que os corvos não só comiam, como esperavam que ela jogasse alguma coisa pra eles, e depois se aproximavam. O contato da menina com as aves se transformou num ritual diário.

O tempo passou e Gabi começou a perceber os gostos e as preferências dos corvos (aparentemente, sua comida preferida é amendoim com casca), sempre incentivada pela mãe, que registra o contato da filha com os corvos em fotos e vídeos. Após algum tempo, os corvos passaram a trazer pequenos presentes para Gabi, que deixavam na bandeja vazia após comerem o amendoim. E fica claro que eles fazem isso intencionalmente e querem, portanto, se comunicar com a menina.

Porque nem toda comunicação é verbal, sabiam? Aliás, boa parte da nossa comunicação cotidiana é não verbal também: pequenos gestos, olhares etc., que, às vezes, expressam muito mais do que as palavras! 



Os presentes que Gabi recebe são organizados com a ajuda da mãe. Tem de tudo: de botões e clipes de papel até coisas mais nojentinhas, que a menina prefere não guardar. E ela classifica o que recebe numa ordem pessoal de favoritismo.




Eu não sei quanto a vocês, mas eu não tenho dúvidas de que a Gabi merecia um conto de fadas só pra ela!

Até a próxima e boas leituras! 




20 de fev. de 2015

Papos de sexta: Silêncio que fere


Sei que fevereiro é o mês da folia, mas também sei que alguns temas sérios precisam ser discutidos sempre. Este é um desses casos. Peço que, por alguns momentos, guardem o confete e a serpentina.

Constantemente conectados, estamos sempre curtindo posts, compartilhando fotos de viagens, fazendo planos para comprar uma coisa ou outra, colocando os highlights da nossa vida da internet. Mas e os bastidores? E as noites mal dormidas por causa daquela briga? E a batalha com a balança que fere a autoestima? E a “amiga” invejosa que nos faz questionar nossas opiniões? E o cara que disse que ligava e sumiu? E a sua família e amigos que não aceitam a pessoa que você decidiu amar só porque vocês têm o mesmo gênero? E .... ninguém compartilha isso, né?

É como se existisse essa obrigação de ser feliz, de estar bem sempre. Posso postar sobre uma reclamação mais rebelde e ganharei “curtidas”, mas se postar sobre o que realmente me fere, estarei me expondo e eu não quero isso. Mas se eu filtro o que coloco no ar, é essencial que quem vê também tenha consciência desse filtro. Sem essa informação, é muito perigoso mergulhar nas redes sociais. Comparar a sua vida – e os seus bastidores – com os highlights dos outros, abre uma porta que parece boba, à primeira vista, mas pode ser complicada e um possível caminho para a depressão.

E a depressão não é frescura. Ela é um pássaro que posa nos seus ombros e pesa, pesa até você não aguentar mais. Mas esse pássaro é invisível para os outros e só aparece para eles por meio das suas atitudes. E ele é malicioso, ele te faz mentir. Quando perguntam se você está bem, se você precisa de alguma coisa, essa ave te faz dizer que não, que tudo bem, que você está ótima. Só que não é verdade. E aí ele cresce, e pesa mais, e você se sente mais sozinho e incapaz de continuar.

Até que, para algumas pessoas, essa ave faz esquecer da luz. Ela te faz acreditar que não tem volta, que você não vai sorrir mais, que você não é o suficiente, que você não importa. Aí, ao entrar nas redes sociais, você vê sorrisos, corpos na praia, relacionamentos sérios, viagens e compara com a sua vida que, de repente, está embaixo das asas da depressão.

E aí fim.

Fim, porque a dor é grande demais para suportar. Fim, porque você não consegue falar o que está sentindo, pois isso seria considerado fraqueza. E depois do fim é muito tarde para entender que a culpa não é das redes sociais, nem da ave, nem sua. Não existe culpa porque não existe culpado. Existem fatos e interpretações e sentimentos e como nós priorizamos cada um deles.

Ao pesquisar para essa coluna, encontrei um dado alarmante: no Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes cresceu mais de 30% nos últimos 25 anos. Outros países que fizeram campanhas sobre o tema conseguiram salvar vidas, mas nós não. Não falamos sobre isso. Porque a palavra “suicídio” vem junto de palavras como “covardia” e “vergonha”.

Por que?

Em minha opinião – e que fique claro que não sou psicóloga ou perita no assunto –, tirar a própria vida não é covardia, é desespero profundo, e pessoas desesperadas precisam de ajuda e não de julgamento. Vergonha é saber de um problema e fechar os olhos para ele. Vergonha é não ajudar. O silêncio fere. Quem está sofrendo com o peso da ave precisa falar para alguém, precisa se abrir. E é preciso que esse alguém não julgue, mas que escute, que ajude.

Temos tanto a aprender, a ensinar, a vivenciar. A vida é como matemática: se está fácil, tá errado! E que delícia errar e crescer! Não sou forte, não sou valente, sou humana e já senti o peso dessa ave, já entendi como ela funciona e, graças a Deus, a exterminei. Mas essa espécie ameaça voltar e é preciso estar sempre vigilante. É preciso falar sobre o assunto e não calar.

Ninguém é perfeito. Você não precisa ser a mais magra, o mais rico, o mais repleto de amigos, o que tem o namorado ou a namorada perfeita. Você só precisa ser feliz na própria pele e isso depende de você. Não importa se você tem cicatrizes ou se estava pensando em criá-las. Procure alguém para te ajudar. Mande o pássaro da depressão embora. Você tem esse poder, todos têm, de uma forma ou de outra. Mas nunca ao custo de nossa própria existência.

Em uma época onde tudo e todos estão conectados, apague a tela e segure a mão de alguém. Desligue o celular e olhe nos olhos do amigo. Cuide, abrace, ajude a sarar, evite o pouso da depressão.

A razão para esse post aqui no blog da Galera é que, ao longo da minha vida literária, conheci alguns leitores que estavam - e alguns ainda estão - lidando com a depressão. Alguns já se feriram, outros, infelizmente, não estão mais conosco, mas muitos conseguiram conquistar o sorriso de volta. Esse post é uma maneira um pouco longa de dizer “você não está sozinho” aos leitores que podem estar sentindo o peso desse pássaro.

Somos apaixonados por livros, somos sensíveis e muitas vezes nos perdemos nas páginas de histórias para não encarar a nossa. Outras vezes encontramos em personagens fictícios a força para encarar situações e transformá-las. Se perder em livros incríveis ajuda a ganhar perspectiva, força, mas é fora das páginas que a vida acontece e lá você é o protagonista. A sua história é você quem faz.

16 de fev. de 2015

Tons da Galera: É Carnaval!

O carnaval está aí mas a gente é brasileiro e tem mania de deixar as coisas para a última hora não é? Tudo bem, você ainda estava tentando viajar, ou jurava de pé junto que ia ficar em casa descansando e binge-watching séries, mas agora pintou vontade de entrar na folia e não tem fantasia. E agora?

Inspirada em livrinhos novos e não tão novos da Record aqui vão algumas sugestões!

Com seus muitos personagens, Harry Potter é sempre fonte interminável de inspiração! Pegue O livro das criaturas Harry Potter ou se inspire nos clássicos como O Prisioneiro de Azkaban da imagem abaixo ou o próprio Harry (alôoo, óculos redondo  + raio pintado na testa + cachecol listrado = moleza).

Star Wars também sempre é uma opção. Quem não tem um sobrinho com um sabre de luz ou uma cabeça do Darth Vader? Se quiser elaborar ainda mais, a dica é consultar O livro dos Sith Segredo do Lado Negro.

Vampiros: uma fantasia que SEMPRE salva a pátria na emergência. As dentaduras são as coisas mais fácil de achar em lugares como Saara e 25 de março, sangue falso se improvisa com groselha e Nescau (sim, sabiam?), preto todo mundo tem no armário, e você ainda pode dar aquele plus levando seu diário para encarnar Diários do Vampiro.

Pra quem quer encarnar personalidades nos blocos, tem sempre Brigitte Bardot, que fez 80 anos recentemente e teve biografia nova lançada pela Record, Amy Winehouse (cláaaassica) que teve também o livro Amy Winehouse, minha filha,  e Marilyn Monroe  — confira o clássico de Norman Mailer.

O lance é ir com o namorado? Coloque uma camisa dos Beatles nele e diga que a inspiração foi o divertido Love me Do: 50 momentosmarcantes dos Beatles ou carreguem juntos no glitter, calças bocas de sino e brilho e vão de Abba.

Outras inspirações da literatura são Alice de Alice no país das maravilhas (que faz 150 anos este ano e terá lançada pela Galera lançará uma adaptação ilustrada do clássico, batizada de Pequena Alice no país das maravilhas!), ou a princesa básica, já que tem  Novo Diário da Princesa  na praça (lançamento brasileiro previsto para o final de 2015).


Harry Potter, Abba, Amy, BB e Alice. Agora nao tem desculpa de que nao teve nenhuma ideia!


Bom Carnaval, leitores!

12 de fev. de 2015

Galera entre letras: A Fantasia Gaiata


 “A taberna é o centro do universo da fantasia gaiata.”

Na fantasia com “f” minúsculo, a ação e seus protagonistas abandonam os salões e corredores suntuosos dos palácios e vão para os cantos escuros e nem sempre limpos da taberna — ou de lugares piores, até. Não é raro ver um personagem embrenhar-se na floresta e sair cheio de arranhões e hematomas, ou se sujar até o pescoço na lama de um chiqueiro.

Obviamente, a mudança de cenário reflete a mudança dos personagens: já não temos mais heróis em armaduras impecáveis, nem donzelas que, a despeito de todo sofrimento, não tem um único fio de cabelo fora do lugar. E por que essa mudança de cenário e personagens é importante para a ficção fantástica?

Se vocês se lembram da coluna passada, no artigo teórico fundamental para a fantasia, Tolkien estabelece um monte de regrinhas para a criação do texto fantástico, que incluem certo caráter utilitário da fantasia, o qual aparece no “final feliz” e na resolução dos conflitos. E ainda que Tolkien estabeleça uma distinção nítida (e, segundo ele, necessária para que não se julgue o mundo secundário pelas regras do mundo real) entre o mundo real e o mundo secundário, o mundo fantástico reproduz certas concepções moralizantes do mundo real: bem x mal; personagens com características definidas (tudo é preto OU branco; não há sombras nem tons de cinza); para não mencionar a religiosidade a que Tolkien remete em sua tentativa de encontrar “consolo” das agruras do mundo real na ficção.

Ao criticar Tolkien, no artigo Ursinho Pooh, Épico, o pai de Elric de Menilboné, Michael Moorcock, associa corretamente esses aspectos à infantilização da literatura fantástica. E dá pra ir ainda mais longe e criticar o caráter utilitário e apaziguador que Tolkien atribui à ficção fantástica. Quem foi que disse que finais felizes são obrigatórios?! E quem foi que disse que sempre tem que ter um plot twist na trama para nos consolar dos problemas do mundo real?!

A sisudez do discurso (e da ficção tolkeniana) também incomodam bastante; por isso, o riso gratuito de histórias como as das Crônicas de Lankhmar, de Fritz Leiber (pra mim, o inspirador da fantasia gaiata), são tão importantes. Primeiro, porque em suas aventuras, Fafhrd e Gray Mouser estão longe de serem os cavaleiros que estamos acostumados a ver, o que impede a “heroicização” dos protagonistas. Vê-los metidos em encrencas, bêbados ou simplesmente famintos, os torna “humanos, demasiado humanos”, e ninguém que leia o romance vai querer se identificar com dois bandidos metidos a valentões!



E essa é uma das qualidades do texto de Leiber: o texto é puramente literário! Ao contrário das histórias de fadas que Tolkien defende, com suas qualidades específicas (a fantasia, a recuperação, o escapismo e o consolo final), o texto de Leiber não tem pretensão alguma de “cura” da realidade. E justo não pretender nada além do mero caráter literário e fictício da obra é que faz de Leiber um dos grandes.

Na próxima coluna, vou falar de uma menininha que também se tornou grande e que está completando 150 anos! Já sabem quem é?

Até a próxima e boas leituras pra todos nós!

6 de fev. de 2015

Papos de sexta: The Walking Daryl

A 5ª temporada de The Walking Dead retorna no dia 8 de fevereiro nos Estados Unidos, e no dia 9 aqui no Brasil, após hiato de 70 dias — não que eu esteja contando ou algo parecido :)
O último episódio de 2014 — considerado um dos melhores da série — terminou de maneira dramática e a especulação está correndo solta entre os fãs. Alguns rumores ganharam força, como a possibilidade de Rick Grimes tornar-se um vilão, já que a mudança na postura do Xerife é incontestável. Mas nenhum personagem rende tantas teorias quanto o interpretado pelo ator Norman Reedus.
Muito tem se falado sobre o destino de Daryl Dixon. Como o personagem não existe nos quadrinhos, os criadores da série de TV têm maior liberdade para tramar o que quiserem para ele, sem que isso altere o rumo da história. Daí surgiram rumores de que ele morreria em breve, levando os fãs ao desespero — quem não conhece o meme If Daryl dies we riot (algo como “se o Daryl morrer, nós nos rebelamos”)?
A revolta não é apenas por Normam Reedus ser um bom ator — ou por ser muito gato! rs — mas porque seu personagem é um dos favoritos dos fãs, tanto que o autor Robert Kirkman cogita levar Daryl para os quadrinhos. Mas todo esse sucesso pode estar ofuscando os demais protagonistas da série.
Outra teoria diz respeito à sexualidade de Daryl, ou a aparente ausência dela. Kirkman afirmou que tem ideias muito específicas sobre isso e que serão exploradas no tempo certo. Ao ser questionado se o canal AMC estaria OK com a possibilidade de Daryl ser gay, ele respondeu “absolutamente”, plantando a dúvida na cabeça dos fãs.
Kirkman sempre defendeu que personagens gays podiam ser badass, e os paralelos entre Daryl Dixon e Paul “Jesus” Monroe — que existe nos quadrinhos mas ainda não apareceu na série de TV —  são muitos. Resta saber se os dois são personagens distintos ou se Daryl é a encarnação de Jesus na TV.
Por último, a notícia de que um dos protagonistas do spin-off será revelado no final desta temporada alimentou um antigo sonho dos fãs: de que Daryl Dixon tivesse sua própria série de TV. Já essa teoria não me agrada tanto, pois eu curto demais o bromance entre os atores Norman Reedus e Andrew Lincoln :)
Agora é com vocês: quais rumores de The Walking Dead vocês ouviram por aí, e o que vocês esperam deste final de temporada? Vamos especular nos comentários!

5 de fev. de 2015

Design et cetera: Looks Literários

Eu já falei isso antes e volto a repetir, não existe inspiração maior do que um bom livro e isso vale até quando o assunto é moda. 
Para o post de hoje, montei alguns looks inspirados em livros da Galera. São estilos distintos baseados em histórias completamente diferentes.


Para começar, um dos favoritos da casa: O fator nerd. Há quem se engane que nerds não têm estilo. Pelo contrário. O conceito de geek chic une tecnologia, referências culturais e muito estilo. Que tal um vestido com estampa de comic book, combinando com um laço de cabelo em 8-bits? Mas o look não ficaria completo sem UMA BOLSA FEITA DE TECLAS e um sapato pixelado. #sonho


Nosso segundo look do dia é inspirado na série Teardrop da Lauren Kate. Como um vestido feito de água (ainda) é impossível, você pode recriar o clima etéreo do livro investindo em peças românticas em cores azuladas. A renda e a transparência do tecido imitam o movimento das ondas. E para os acessórios: que tal um colar e uma bolsa de concha?


Nossa próxima musa inspiradora é Emily, the strange. Se você curte a vibe gótica e tem uma leve obsessão por gatos e sarcasmo, esse é um look que nasceu para você. Pense em White Stripes, franjas e combine isso com acessórios de gatinho.

Para fechar, escolhi um livro muito fofo nosso: O futuro de nós dois. A história toda se passa nos anos 90, e gente, não tem como negar: os anos 90 voltaram! Pelo menos para as passarelas. Então vá sem medo! Invista na estampa mais colorida, nos cordões dourados exagerados e nos óculos wayfarer. Se alguém encontrar esse pingente de disquete, por favor me passe o link! #preciso
E aí? Qual o look mais curtido do post?

Beijo e até a próxima!

30 de jan. de 2015

Papos de sexta: Minha lista de autores desejados


Normalmente, quando um novo ano começa, as pessoas fazem lista de promessas a ser cumpridas. Já pessoas como eu fazem lista de autores que gostariam de conhecer (ou de rever). Com o início dos anúncios de quem vem para a Bienal do Rio 2015, me peguei fazendo essa lista logo no início do ano. Claro que sempre sonho com alguns um pouco impossíveis de vir — pelo tamanho do sucesso e que seria um caos total —, mas continuo sonhando firme!
Por esse motivo, resolvi mostrar para vocês quais os autores da Galera que eu AMARIA conhecer, e quais eu já vi mas não me importaria de ver de novo. (rs!)

Os que já vieram, mas podem (e precisam) vir novamente:
Meg Cabot
Por motivos óbvios Meg no Brasil nunca é demais. Ela já veio uma vez na Bienal de 2009, mas ela é diva, é rainha e mãe de Diário da princesa, quantas vezes merece voltar? Eu diria que todo ano, até porque só assim para eu conseguir autografar todos os meus livros dela.
A boa notícia é que ela anunciou em seu site oficial que em outubro estará no Brasil, e a gente já fica torcendo para ela passar na nossa cidade! Minha coroa tá aqui separada para tirar foto com ela novamente :)
Scott Westerfeld
Gente, Scott é amor, o cara responde a gente no Twitter, interage e é um fofo.  Como não bastasse, ainda é autor da série Feios, que sou fã. Sim, ele já veio no Brasil em 2012, acompanhado da esposa também autora da Galera: Justine Larbalestier.
A gente precisa de mais Scott esse ano. E pode trazer a esposa! Vem, seu lindo <3 span="">
Cecily Von Ziegesar
Essa eu amo tanto que nem ela me aguenta mais. Autora do sucesso Gossip Girl, esteve no Brasil duas vezes, em 2007 e em 2012! Cecily é simples, talentosa e pareceu gostar muito do Brasil, falou bem do Rio e de São Paulo. Já tenho minha série GG autografada, mas preciso de autógrafos da It Girl, pode vir para o Brasil?
Margareth Stohl
Essa pode ganhar o título de Miss Simpatia. Fã das selfies, esteve no Brasil ano passado. Adoro os livros que ela escreve com a Kami Garcia (série Dezesseis luas) e sou super a favor de ela voltar com a amiga para um evento maior onde mais gente possa conhecer essa fofa.

OS AUTORES DA GALERA QUE PRECISO CONHECER
David Levithan
Por motivos óbvios... o cara arrasa! Gente, ele é divo! Adoro ele desde Nick & Norah! Ele tem cara de ser gente boa, supertalentoso.
John Green
Imagina se ele aparece de surpresa atrás do Levithan no meio dos autógrafos? Ia ter que chamar a Guarda Nacional! Gente, amo o Green — como todas nós — e sonho em ter nem que seja um J assinado em algum livro (e uma selfie para a posteridade!)
Colleen Hoover
Se ela vier, vou cobrar tudo que gastei com Kleenex ... mentira, vou é parabenizar por ter lido um dos livros mais maravilhosos da vida. Métrica é para manter na lista de favoritos para sempre, e queria muito dar um abraço nessa autora.
L.J. Smith
Vampiros nunca mais foram os mesmos depois de Stefan e Damon vieram. E Elena. Eita moça sortuda! Tem os dois!
L.J provou que histórias boas sobre o tema nunca morrem, os livros são amados por uma legião de fãs e viraram um seriado de sucesso. Acho que depois de tudo que ela passou com a questão do direito dos livros dela merecia uma vinda calorosa ao Brasil para sentir o quanto a amamos!


Ufa, essa é minha listinha :) E a de vocês?? Bienal vem aí... Façam suas apostas! Quem vem? Quem merece vir? Me contem! 

29 de jan. de 2015

Galera entre letras: A fantasia de gravata apertada

Antes que alguém estranhe o título da coluna, sim, nós hoje vamos falar, como eu tinha prometido, de um dos artigos teóricos mais importantes para os autores de fantasia: Sobre histórias de fadas, de J. R. R. Tolkien. Muitos comentários críticos têm sido feitos ao texto de Tolkien, e entre esses, o artigo de Michael Moorcock, intitulado Epic Pooh [Ursinho Pooh Épico, numa tradução livre] [e que pode ser lido em inglês aqui: http://www.revolutionsf.com/article.php?id=953], e os comentários de China Miéville [aqui, em inglês: http://boingboing.net/2003/11/02/mieville-on-tolkien.html], um interessante autor de weird fiction, são relevantes para a compreensão do próprio conceito de “fantasia” no século XXI. Então, imaginem que Tolkien, o “bom velhinho” de ar professoral, anda sentindo o nó da gravata bastante apertado desde meados dos anos 1970, quando começam a surgir outras ideias a respeito da fantasia.

O bom professor Tolkien.

Como eu falei antes, se Tolkien não é o “pai da criança”, isto é, o pai da Fantasia com F maiúsculo (que inclui cortes, príncipes, nobres cavaleiros e donzelas em perigo), com certeza, é um de seus teóricos mais importantes, pois foi justamente ele quem descreveu as principais características do gênero, de forma organizada e sistemática, pela primeira vez. Depois dele, é óbvio, vieram outros teóricos (e escritores) importantes, e cada dia que passa se torna mais decisivo pensar quais seriam as características da ficção fantástica no século XXI, e se a “fantasia” (com F maiúsculo ou minúsculo) daria conta de incluir temas importantes hoje, tais como: questões de gênero, diversidade, etc. etc.
Obviamente, na época de Tolkien as questões que importavam eram outras, mas ainda assim dificilmente alguém que se proponha escrever ou resenhar um livro de ficção fantástica pode deixar o bom professor inglês de lado nessa hora.

Mas o que tem de tão importante no artigo de Tolkien? Aqui eu vou fazer um resumão do texto dele (que tem tradução para o português; é só procurar) com os pontos que, óbvio, me interessam.
Pra começo de conversa, depois de grandes doses de etimologia, Tolkien diferencia as “histórias de fadas” de outros tipos de história, tais como os contos de viajantes ou os contos que ocorrem durante o sono ou qualquer estado alterado da mente. Essas histórias (como Gulliver ou Alice no País das Maravilhas) não seriam “verdadeiras” histórias de fadas, justamente porque poriam em xeque a credibilidade da história (para Tolkien, as histórias de fadas implicariam uma “suspensão da crença”, ou seja, não faz sentido pensar essas histórias em termos de realismo ou não realismo; realidade ou sonho etc.).
No fim de Alice ----- e pra quem ainda não leu (tem alguém que ainda não tenha lido Alice?!), tem SPOILER bem aqui -----, ela acorda, não é? Para Tolkien, quando Lewis Carroll faz Alice acordar, ele rompe com essa suspensão e diz claramente para o seu leitor que aquilo que Alice viveu não era real (e isso tem um monte de consequências para a interpretação do livro de Carroll). E Tolkien também diz que contos com animais (antropomorfizados ou não) também não são histórias de fadas. Até aqui é fácil concordar com ele.
Num outro momento do artigo (que, na verdade, é uma palestra sobre Andrew Lang --- um importante estudioso de contos de fadas ---, que foi proferida nos anos 1930), Tolkien também chama a atenção para o fato de que histórias de fadas não são necessariamente histórias para crianças, e que uma leitura muito mais rica e profunda somente poderia ser feita na idade adulta ou quando não se fosse mais criança. Bingo, Tolkien!
Esse é um dos preconceitos contra o qual os estudiosos de contos de fadas e literatura fantástica lutam até hoje. E, pior, os autores têm que enfrentar esse preconceito até na hora de vender seus livros! E quantas vezes vocês já ouviram comentários do tipo: “ah, você gosta de livrinhos pra crianças, né?” ou “só lê livros fáceis” etc. etc. ?!
O problema do texto do Tolkien começa justamente quando ele identifica as qualidades específicas das histórias de fadas: a fantasia, a recuperação, o escapismo e o consolo. Pra ele (muito acertadamente), fantasia não tem nada a ver com sonho ou alucinação; ao contrário, fantasiar é uma atividade racionalíssima, pois é criadora de mundo, isto é, ao fantasiar podemos conceber um “sol verde”, por exemplo, e reconhecer, ao mesmo tempo, que o nosso sol é diferente de um “sol verde”. A fantasia não confunde o real; ao contrário, ela escapa para um mundo secundário, que nos permite fugir das agruras do mundo primário, isto é, do nosso mundo. O “consolo” das histórias de fadas aparece no “final feliz”. Depois de um monte de provações e de um plot twist espetacular, o nosso herói termina com a mocinha e tudo se resolve. Para Tolkien, a alegria das “histórias de fadas” é sua principal característica e decorre dessas quatro qualidades mencionadas.
Mas isso é um problema.

Eu poderia retomar as críticas de Moorcock e Miéville para explicar por que histórias de fadas não devem ser alegres no sentido de um escapismo ou da criação de um mundo secundário, com regras bem definidas e antagonismos demarcados. Mas eu vou usar uma outra ideia, que surgiu por acaso numa conversa com o tradutor e autor André Gordirro: a ideia de “fantasia gaiata”. Acho que ninguém nunca definiu a fantasia nesses termos --- e obviamente o nosso pobre amigo André não tem nenhuma responsabilidade em relação ao próximo texto da coluna, no qual vou expor --- e defender --- as qualidades da “fantasia gaiata” (da fantasia que se orgulha de seu f minúsculo)!
Até lá, boas leituras pra todos nós!


Tolkien fanfarrão.

23 de jan. de 2015

Papos de Sexta: Inspiração

Toda vez que um autor é entrevistado, a pergunta clássica é feita: “de onde você tira inspiração?”. E as respostas são as mais amplas e interessantes (ou banais) possíveis.

Mas não são apenas artistas (sim, autores também são artistas!) que precisam se inspirar. Eu gosto de escrever e de criar histórias, e encontro inspiração em músicas, em performances que toquem meu coração, em troca de olhares, em praticamente tudo. Só canto quando dirijo (o que é bom demais pra mim e igualmente hilário para os motoristas a minha volta) ou quando estou com sozinha e com medo, não consigo desenhar nem que seja para salvar a minha vida, e tocar um instrumento então! NOSSA! Que tristeza para os ouvidos alheios! Mas consigo escrever e gosto muito! Não somos artistas, mas isso não quer dizer que não possamos nos inspirar.

Notem que eu encontro a inspiração e não a busco. Acho que ela aparece quando estamos prontos para recebê-la e preparados para agir a fim de não perdê-la. Faz sentido? Espero que sim.

As premiações cinematográficas começaram nos Estados Unidos e as sigo desde pequena. Antes, eu torcia loucamente pelos meus atores favoritos, mas depois que a gente cresce e entende a indústria por trás de tudo, a torcida mudou um pouco. Agora, só assisto para dar uma olhada nos vestidos divos e, principalmente, por causa dos discursos de agradecimento.

Quando era pequena, assisti ao primeiro Oscar que contou com a atriz Whoopi Goldberg como apresentadora. Foi ótimo! Ela foi engraçada e tudo era perfeito e aí, no final da premiação, ela virou para a câmera e falou “Obrigada a todos por terem assistido. Hoje você está sonhando, mas um dia você pode estar aqui.” E aquilo me tirou o fôlego! Anos — que mais parecem milênios! — mais tarde, já formada em Jornalismo e Artes Cênicas, aquilo nunca saiu da minha cabeça.  Ainda não fui parar no Oscar (ainda!), mas a inspiração foi muito além de uma festa. Acordou em mim a vontade de fazer acontecer.

Mas aí, com o passar dos anos, vi essas vozes se calarem, não por imposição, mas por aparente falta de vontade. E no Globo de Ouro deste ano foi a primeira vez, em muito tempo, que os discursos foram além da lista de sempre (empresário, agente, membros da academia, etc.). Não sei se foram os acontecimentos em Paris que fizeram a voz de Hollywood voltar a funcionar, se foi a ameaça à liberdade de expressão que fez pessoas privilegiadas aproveitarem a oportunidade de utilizar essa posição para inspirar outros, como Whoopi me inspirou uma vez. Ou se, simplesmente, eles acordaram inspirados.

As palavras corretas ditas no momento oportuno formam uma combinação poderosa. Elas podem ferir, mas também podem inspirar. Quando machuca, passa. Mas, quando inspira, é para sempre. A inspiração que nos leva a continuar a luta, a conquistar nossos sonhos, a fazer a diferença é uma semente que pode ser regada facilmente com poucas palavras. E aí ela floresce rápida e continuamente. O importante é não se deixar calar, não deixar o coração endurecer, impedir que os olhos percam o brilho. Inspire-se todos os dias, de formas diferentes e expresse seus talentos. Você pode incomodar alguns, mas inspirar muitos outros.


E aí? O que te inspira?

15 de jan. de 2015

Galera entre letras: Quem é o Pai dessa Criança?

No fim de 2014/início de 2015, li vários textos interessantes sobre literatura fantástica e resolvi que, aos poucos, vou tratar deles por aqui. Mas, pra começar essa conversa, resolvi falar da “paternidade” da fantasia, porque tem muita gente (influenciada pelos filmes do Peter Jackson, provavelmente) que acredita que tudo começou com Tolkien. Mas não foi bem assim...

Provavelmente você já ouviu alguém dizer que J.R.R. Tolkien é o pai da Fantasia com “F” maiúsculo ou ainda, da fantasia épica (ou da “alta fantasia”), aquela cheia de valores arraigados, objetivos nobres, heróis valorosos e mulheres etéreas, certo? Certo, mas a afirmação está errada. Tolkien não foi o primeiro a escrever sobre isso, nem foi o primeiro a enviar o protagonista numa missão perigosa em terras longínquas. Se a fantasia com “F” maiúsculo tem um pai, o nome dele é William Morris.

Em 1894, Morris — o equivalente a um designer dos nossos dias (que criava papéis de parede e estampas para tecidos, além de fontes e ilustrações de livros), e que também escrevia textos em verso e prosa — publicou The Wood Beyond the World [O Bosque do Além-Mundo], romance no qual vemos alguns dos elementos que vão caracterizar a fantasia épica: donzelas em perigo, um herói obcecado em cumprir sua missão, uma longa jornada e... um final feliz.

No livro de Morris, o choroso herói, Golden Walter, é traído pela esposa e decide partir de navio para conhecer novas e distantes terras. Ao aportar numa região inóspita, ele se apaixona por uma donzela e precisa escapar de se tornar amante da mulher que a escraviza. Os jovens apaixonados fogem, mas são interceptados pelo povo urso, um povo primitivo que passa a acreditar que a donzela é a nova encarnação da deusa que eles adoravam. Walter e a jovem separam-se do povo urso e finalmente chegam ao seu destino: o rapaz se torna rei e desposa a donzela, que, após se tornar rainha, perde seus poderes mágicos junto à virgindade. Mesmo sem poder recorrer à magia, a rainha volta à terra dos ursos e os ensina a cultivar, bem como a manter a paz com seus vizinhos. Walter e a rainha são governantes sábios e gentis, e, ao fim do livro, ficamos sabendo que a longa prole dos dois governou a cidade após sua morte.

Como se vê, além da missão da qual o protagonista se encarrega, o que caracteriza a narrativa de Morris é a criação de um mundo secundário, permeado de seres fantásticos (o povo urso, por exemplo) e de magia. (A gente já falou sobre isso aqui. Basta dar uma olhada nos arquivos, que vocês vão encontrar os textos.) Além disso, é evidente que este mundo secundário tem suas próprias regras: no livro, é justamente a virgindade que garante os poderes mágicos à mocinha (e acrescentar “mais freudiano que isso, é impossível” é uma tentação).

A expressão “mundo secundário” foi usada pela primeira vez por Tolkien, num ensaio famoso, Sobre Histórias de Fadas [On Fairy-Stories], um tipo de carta de intenções do gênero fantástico. Para Tolkien, o mundo secundário seria um mundo autônomo, sem conexão com o nosso, e a comparação com o mundo real poderia até ser prejudicial. Para que tal não acontecesse em sua obra literária, Tolkien encarregou-se de criar um mundo novo em seus mínimos detalhes: em O Senhor dos Anéis, por exemplo, cada folha de árvore é descrita à exaustão. Mas esta obsessão com os detalhes teve seu preço — sabemos altura e compleição de seus personagens e algo de suas motivações, mas eles são apresentados de forma superficial, e as nuances de caráter estão praticamente ausentes.

De todo modo, a carta de intenções de Tolkien determinou tanto a sua literatura quanto a forma como nós lemos e interpretamos a literatura fantástica. Daí, às vezes, confundirmos a paternidade da Fantasia. Se Morris foi o primeiro a abordar a heroica jornada de um indivíduo, Tolkien foi o primeiro a estabelecê-la, de um ponto de vista teórico, o que não deixa de ser um feito importantíssimo!

No próximo artigo, vou falar um pouquinho de Sobre Histórias de Fadas e das questões éticas e estéticas que Tolkien tentou delinear no texto.

Até lá e boas leituras!

14 de jan. de 2015

Galera Pop: Finding Carter

Oi! Eu estava sumida né?

Mas as séries não pararam! Muita coisa boa chegou para a gente, e muitas foram embora mais rápido ainda (Selfie, Manhattan Love Story...). Mas ces’t la vie.

Pensei em fazer a primeira coluna de 2015 com uma série de suspense totalmente fora do padrão MTV, mas não se engane: amo aquelas comédias cheias de palavrão! Viva Awkward.

Finding Carter é tão absurdamente especial que você poderia assisti-la em qualquer outro desses canais de "gente grande", onde os sucessos de crítica e audiência ficam. Pontos pra MTV. Eu, pelo menos, nunca vi algo desse nível por lá; não nesses mais ou menos 8 anos em que venho acompanhando séries.

Finding Carter

Carter (Kathryn Prescott) tem uma vida incrível ao lado da mãe amorosa e divertida, Lori (Milena Govich). Vamos colocar assim para todo mundo entender: Lori é a Lorelai (Gilmore Girls) rocker e ainda mais cool, com mais cara de irmã do que de filha (não se enganem, sou Team Lorelai na veia!). Se as visse na rua, até eu acreditaria que fossem irmãs.

Mas como nós já sabemos que a vida #nãotáfácil, Carter descobre que foi sequestrada quando pequena. A mãe maravilhosa não é a sua verdadeira mãe, mas uma sequestradora.

- 5 segundos de silêncio para absorver o choque- 

Agora imagina o baque?

Sua vida vira de ponta cabeça quando precisa voltar para a família biológica e conviver com os pais, o irmão mais novo e, SURPRESA, uma irmã gêmea. Todos completos estranhos na sua vida.

Demorei uns meses para descobrir a série. Quando peguei para ver, faltavam apenas dois episódios para terminar a temporada. Mas como sou super normal, assisti tudo em uma final de semana. Wow!

Trilha de tirar o fôlego, tem choro, tem romance fofinho, tem amizade forte.

Você tem todos os motivos para assistir, eu prometo!

E um empurrãozinho: A Carter é a Kathryn Prescott, a Emily (gêmea da Katy) de Skins!

Até breve!

Xoxo

Nanda

Papos de quarta: Pausa para "shelfie"

Lembram do meu texto sobre decoração natalina? Pois inventei de montar uma árvore empilhando os livros de um jeito diferente daqueles que mostrei no post. Resultado: a árvore tombou em 1 semana! rs
Por conta disso, comecei o ano de 2015 arrumando todos os livros novamente nas estantes — uma tarefa que adoro, mas que sempre me deixa em dúvida: qual o melhor sistema de organização?
Ordem alfabética
Bastante funcional, é o sistema adotado em bibliotecas e livrarias, e um dos favoritos dos leitores! Normalmente, organiza-se por nome de autor, mas pode-se classificar também por título — ou ambos.

Autor / coleção
Pode-se agrupar os livros de uma coleção ou autor na mesma estante, sem ordená-los alfabeticamente. Esse método não é tão intuitivo quanto o anterior e não é recomendado para bibliotecas e estantes que sejam acessadas por várias pessoas, ou que tenham uma grande quantidade de livros.
Gênero / categoria
Dividir as estantes em ficção e não-ficção, contemporâneo e histórico, sci-fi e fantasia etc. Também bastante utilizado em bibliotecas e livrarias, torna-se o sistema perfeito quando somado aos dois anteriores.

Tamanho / formato
Tem gente que prefere agrupar os livros de acordo com suas dimensões — pequeno, médio e grande; fino e grosso — ou seus formatos — capa dura e brochura. O visual é atraente, mas é um sistema pouco funcional.
Horizontal / vertical
A disposição na horizontal permite uma maior ventilação dos livros, mas eles podem tombar ou mesmo empenar (para isso, existem os aparadores de livros ;) Quando empilhados, as páginas dos livros não respiram e mofam com mais facilidade, mas é um recurso interessante esteticamente.

Cor da lombada
O preferido dos arquitetos e decoradores — e o menos intuitivo de todos! rs Normalmente, os livros são agrupados de acordo com as cores das lombadas, mas já encontrei estantes em que apenas os miolos dos livros ficavam aparentes, tornando-se impossível localizar qualquer título.
O meu método é uma mistura de todos os outros! rs Eu sempre mantenho os volumes de uma coleção na mesma estante e quando sobra espaço, acrescento outros livros do mesmo autor ou gênero. Daí eu disponho esses livros em escala cromática, apenas para dar uma uniformidade visual (designer tem dessas frescuras! rs), mas não ligo para ordem alfabética.

Qual sistema vocês utilizam na hora de arrumar os livros? Conta pra gente — ou posta um link de sua “shelfie” nos comentários :)

2 de jan. de 2015

Papos de sexta: A Acumuladora


Entra ano e sai ano e meus vícios não me largam. Tenho muitos, porém o mais visível deles — e, quando se entra no meu quarto, nota-se — é: eu compro muito!
É bem verdade que trabalho muito, mas o pobre quarto já não comporta mais tantas coleções. Eu coleciono CDs, DVDs, bonecos, canecas, lápis, e lógico... livros. Quando comprei um Kindle, ingenuamente pensei que a loucura por livros ia dar uma esfriada. Afinal, nada mais prático que clicar e ter um eBook de 500 páginas ali dentro daquele quadradinho leve que você pode levar para todos os lugares. Sim, prático, mas não substituiu meus livros físicos. Se entro em uma livraria, eles me chamam, como se pedissem para ser adotados; quando invento de doar dez, volto com vinte em menos de um mês.
Não é exagero dizer que meus livros estão em todo lugar: debaixo da cama, debaixo do computador, nas prateleiras, no armário de roupa, no rack e até mesmo em caixas que comprei, achando que ali ficariam minhas próximas leituras. Resultado? A caixa está lotada e ainda tem uns vinte livros em cima, empenando-a.
Por que resolvi falar disso na primeira coluna do ano? Porque outro dia trouxe uma amiga em minha casa e ela disse “Ai Rafa, somos acumuladoras, sou igual você!”. Pronto, já descobri o que sou. E também porque por mais que todo ano eu prometa que vou me controlar, acabo fazendo como quem foge da dieta... Não consigo comprar menos livros!
Sim, já ouvi de muitos que, quando me casar, não terei onde colocá-los. Mas já resolvi esse problema: quando sair de casa, eles vão morar com meus pais. Quer motivo melhor para visitá-los mais vezes? Hum, e ainda vou ter mais um lugar pra colocar livros... OK, parei!
Não vou me controlar, não adianta dizer que 2015 vai ser diferente se o que já quero é que venha a Bienal, se já penso na mala que levo para voltar com meus queridos para casa. E eles são tão fofos coloridos um do lado do outro... Como dizer não para eles?
Ah, e se você está se perguntando “E os livros digitais?” Também amo, e compro tanto que a Amazon me avisa “Querida , você já comprou esse...!”  Tá bom, então compro outro!

E eu sei que nunca vou ter tempo de ler todos — pode ser que no dia que pagarem pessoas para ler e resenhar livros, quem sabe! —, mas aonde vou, eles vão comigo. Não imagino um ano perfeito sem eles. ;)