16 de jul. de 2015

DESIGN ET CETERA: Making of do Ateliê Fashion

Oi galera, tudo bem? Sei que andei sumida aqui do blog, mas foi por um bom motivo S2

EU LANCEI UM LIVRO DE COLORIR!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Como assim, eu lancei um livro de colorir do nada? Bem, não foi assim do nada. Para quem não sabe, além de trabalhar aqui na Galera, eu tenho outra paixão que é a estamparia. Ano passado, fiz duas estampas que viraram capas: Instrumentos Mortais e O Livro dos vilões.

Daí, quando começou o boom dos livros de colorir, pensei: “por que não unir meus dois amores (livros e estampas) e lançar uma edição super fashion de padrões para colorir?

Assim que eu tive a ideia, sabia que não poderia viver sem realizá-la. Então, comecei uma pesquisa árdua por inspirações. Eu me inspiro MUITO em fantasia, até porque passo o dia lendo livros da Galera :) Unicórnios, sereias, castelos... Tudo isso faz parte do meu imaginário pessoal e acabou virando estampa no meu livro. Outra paixão minha é por tudo que é vintage: azulejos, matrioskas, cuckos... Enfim, tudo pode virar estampa S2 Reuni para vocês algumas imagens do meu processo criativo e a padronagem que resultou dele:


Como vocês podem ver, do desenho original até a estampa as coisas mudam muito. O processo envolve escanear, ajustar no photoshop e depois montar a unidade de repetição. O resultado final é uma ilustração muito rica em detalhes e convidativa para quem curte colorir.

Apesar do livro já estar disponível nas melhores livrarias, ele ainda não está completo: falta vocês colorirem e postarem o resultado com a #AteliêFashion

Ah! E antes que eu me esqueça: a melhor parte sobre o livro é que 50% dos lucros desse primeiro semestre irão para animais abandonados! Então corre lá e compre o seu! As instituições beneficiadas serão:


9 de jul. de 2015

Galera entre letras: A Eterna Alice

O último dia 4 de julho foi uma data bem importante para leitores e leitoras de todo o mundo. Um dos livros mais traduzidos da literatura universal --- e uma das personagens mais queridas! --- completou 150 anos.
Já sabem de qual livro estou falando?! Óbvio que é de Alice no País das Maravilhas!

Muito se tem falado e escrito sobre Alice desde a sua publicação, e uma das coisas que mais chama a atenção são as ilustrações do livro. Porque Alice e seus seres fantásticos --- lagartas falantes, rainhas de Copas, bebês esquisitos --- precisavam ganhar corpo e, para isso, vários ilustradores usaram lápis, papel e emprestaram técnicas diversas.

Hoje vou mostrar algumas dessas ilustrações, que não apenas refletem a técnica dos artistas, como também, muitas vezes, refletem sua própria época.

Alice teve muitos rostos e cores nesses 150 anos!

John Tenniel foi o ilustrador da primeira edição de Alice. As ilustrações são em preto e branco e Alice é uma menina de cabelos cacheados e volumosos, e vestido de saia rodada.


Um ilustrador do qual eu gosto muito, mas que pouca gente conhece é o Edwin Prittie, conhecido por ilustrar muitos contos de fadas. A Alice do Prittie vem cheia de cores e é bem parecida com a Alice que nós conhecemos do filme da Disney.


A Maria Kirk foi uma das primeiras ilustradoras de Alice. Seus desenhos datam de uma edição de 1907. E Alice é uma garotinha morena, de vestido amarelo. Curioso é que os tons do fundo de suas imagens sempre são os mesmos, puxando para o verde e o ocre.


Eu não tenho muitas informações sobre a Marie Barrera, mas, convenhamos, uma Alice em quadrinhos merece destaque! Até onde eu sei, o gibi da Alice foi publicado originalmente em espanhol, nos anos de 1950.

  
Uriel Birnbaum foi um ilustrador austríaco muito importante de fins do século XIX e início do XX. As ilustrações que ele fez pra Alice são carregadas nos tons azuis e têm um quê de assustador (eu acho!), embora sejam muito bonitas também.



E eu não podia deixar de comentar sobre a linda capa de A Pequena Alice no País das Maravilhas, publicado pela Galerinha, com ilustrações de Emmanuel Polanco e tradução da Marina Colasanti, né? Olhem que linda a Alice ruiva!



Por hoje, fico aqui com a Alice eternizada por Lewis Carroll e seus ilustradores.


Até a próxima!

3 de jul. de 2015

Papos de sexta: Debaixo das cobertas

O inverno chegou, finalmente! Essa estação é uma delícia para quem gosta de ler. Aquele friozinho lá fora, e a gente debaixo das cobertas, na companhia de um ou vários livros. Adicione a bebida quente de sua preferência — café, chá, chocolate — e voilà! Podemos esquecer do mundo :D
Eu adoro o inverno, mesmo os dias cinzentos, e já separei alguns lançamentos para entrar no clima. Quer conferir a minha lista?


O primeiro é Lírio azul, azul lírio, da Maggie Stiefvater. Eu amo a autora, e essa é uma das minhas séries favoritas! Estou morrendo de curiosidade — de medo também — para descobrir o que a Maggie está tramando. Outro sobrenatural da minha lista é Livro das sombras, da Cate Tiernan. Eu adoro histórias sobre bruxos, e essa série é internacionalmente famosa e recomendada.


Inverno também combina com suspense, então separei o thriller Ela não é invisível, do Marcus Sedgwick. Eu não conheço o autor, mas a sinopse me deixou muito a fim de ler! Outro que me cativou pela sinopse foi Rich e Mad, de William Nicholson. Promete ser uma leitura deliciosa ;)


Aliás, jovem adulto combina com todas as estações, né? O novo da dupla David Levithan e Rachel Cohn, Naomi & Ely e a lista do não beijo, também está na minha lista. E que tal um chick-lit? As MAIS 5: Sorte no jogo, sorte no amor, da Patrícia Barboza, é uma boa pedida — e muito divertida também :)


Mas nada melhor do que um romance new adult para nos aquecer nesse inverno! Seja o bad boy irresistível de No limite do perigo, da Katie McGarry, ou o triângulo amoroso de Entrelinhas, primeiro romance da Tammara Webber. Dá para perder a noção do tempo com esses dois livros — mas se quiser uma leitura rapidinha, tem o conto Em busca de Cinderela, da Colleen Hoover ;)


Beleza Perdida, da Amy Harmon, é perfeito para iluminar os dias cinzentos. E depois, um livro para colorir: Ateliê Fashion: Estampas para colorir, da Rafaella Machado, que acabou de ser lançado — e é l-i-n-d-o!

Com tanto livro bom, só tem uma coisa ruim: o inverno vai passar e nem vamos sentir :)

29 de jun. de 2015

Tons da Galera: Love wins

Sexta-feira passada, dia 26, testemunhamos mais um capítulo da História sendo escrito: a Suprema Corte americana aprovou o direto de pessoas do mesmo sexo se casarem pela Constituição, uma grande vitória para o movimento dos direitos homossexuais nos EUA.

O mundo da moda, é claro, não demorou a se pronunciar. As marcas, mídias e celebridades fashion usaram suas páginas de Facebook e Instagram para apoiar a decisão, e podemos dizer que foi a sexta-feira mais colorida e cheia de amor dos últimos tempos nas mídias sociais (estávamos precisando, né não?).


Valentino, Rachel Zoe, Nars, Instyle: algumas dos primeiros posts comemorando a notícia

De modelos, como a britânica Cara Delevingne, que havia falado sobre sua sexualidade e seu namoro com a cantora St. Vincent à edição da revista "Vogue" dos Estados Unidos de julho ("Levou muito tempo para eu aceitar a ideia, até que, aos 20 anos, eu me apaixonasse por uma garota e reconhecesse que tinha de aceitar isso"), a grandes publicações como Vogue e Instyle, blogs como o de Rachel Zoe, marcas de beleza como Nars e de moda como DVF e Valentino, todos comemoraram a vitória do amor.

A aposta é que o assunto ainda vá render muito. Segundo notícia do site FashionMag nesta segunda-feira, a marca de cosméticos Lush, conhecida pela ética e engajamento em causas como meio-ambiente e direitos humanos (a marca inclusive não testa em animais e vende aqui no Brasil pela internet, oba!), traz uma campanha que promete movimentar as redes. Com a pergunta: "E se o seu amor fosse ilegal?", a empresa incentiva seus clientes a publicarem selfies em prol da igualdade com a hashtag #GayIsOk. A campanha da Lush começou na quinta-feira e vai até o dia 5 de julho, e pretende arrecadar 250 mil libras. Parte do dinheiro será convertida para entidade All Out, ativista da causa e outra quantia para grupos LGBTs inscritos através do All Out.

Apesar do engajamento, a marca não poderá vender o sabonete vedete da campanha (que sai por R$17,20) em pelo menos 100 das suas lojas, pois em alguns países ainda é crime ser gay. O caminho a ser trilhado, como se vê, ainda é longo, e por essas e outras a Tons da Galera quis estender o colorido e as belas manifestações de solidariedade do fim de semana para essa segunda-feira com imagens de apenas algumas das muitas e muitas homenagens a essa conquista. Love wins!


Vogue, DVF e o sabonete da Lush: Gay is OK.



26 de jun. de 2015

Papos de sexta: Quando o Não faz parte do SIM!


Meg Cabot mais uma vez serve de inspiração para minha coluna. Ah, ela, sempre ela. A reportagem da Cosmopolitan desse mês contando como ela se tornou uma autora de sucesso me fez parar e pensar na vida.

A autora, que já vendeu milhões de exemplares mundo afora, trabalhou por volta de dez anos em outra área para hoje poder viver só de escrita. Esse tema no Brasil é quase um tabu. Em um país com alto índice de desemprego, como dizer aos seus pais que você vai ser escritora? Como largar uma carreira bem-sucedida na área em que se formou para ganhar menos porque se descobriu feliz no meio das letras e quer respirar isso? Muitos dos autores que entrevisto para o meu blog (A Menina que Comprava Livros) contam que o dia a dia deles ainda se divide entre a profissão que os sustenta e a paixão pela escrita. Muitos estão há anos na estrada, mas ainda não deixaram de publicar livros independentes e sonham em ver nas livrarias seus livros ao lado dos gigantes nacionais e internacionais da literatura.

Há os que já conseguiram “ chegar lá”, hoje tem seus livros publicados em grandes editoras e já podem pagar suas contas com a venda dos exemplares. Quando me relatam isso, o sorriso fica maior que o rosto e esse é a prova do sonho realizado. Mas, como toda profissão, há os que tiveram sucesso e os que ainda não. Pode bater o desânimo, olhar para o exemplar e dizer que talvez ele não seja tão bom assim, mas quem julga isso? Antes de chegar ao leitor, o livro passa por muitas mãos e, certamente, a própria Meg Cabot também achou que venderia uns livros para família e só. E aposto que vibrou ao vê-lo na lista dos mais vendidos.

Com tantas ferramentas novas e com os e-books pipocando, é mais fácil se autopublicar, mas a gente sabe que o sonho mesmo é chegar às livrarias e ver aquela fila te esperando, com leitores dizendo que amaram seu livro. É comprar o jornal e ler que seu livro está na lista dos mais vendidos. Infelizmente, como tudo na vida, há mais ofertas que demanda. Nem sempre o escritor sonhador vira uma Meg Cabot. Em um contexto brasileiro, entendo que algumas das musas dos aspirantes a autor (e poderia citar as que conheço de perto: Paula Pimenta, Patricia Barboza, Carina Rissi e Marina Carvalho) deem um impulso ainda maior a esses que sonham. É como se, ao vê-las, quem quer chegar lá dissesse: “eu também posso, eu também quero”. E todas elas, mesmo depois de tantas e imensas filas para conhecê-las, parecem às vezes não acreditar que as senhas acabaram, que os leitores viraram fãs e que as selfies pipocam quando chega a vez de ser atendida.

Por essas e outras que acho Meg Cabot inspiradora, com suas entrevistas, com seus livros sensacionais e com sua garra.


A vida é feita de muitos “nãos” até chegar a um “sim”! J  

25 de jun. de 2015

Galera entre letras: Quem disse que contos de fadas são coisa de criança?

No qual eu falo sobre contos de fadas. Nem sempre a vida é cor-de-rosa pros personagens...

Outro dia saiu uma matéria muito interessante sobre contos de fadas que combatem a visão preconceituosa de que eles seriam (apenas ou sempre) historinhas pra crianças, ou de que contos de fadas incentivam — ou reforçam — preconceitos (sobretudo, os de gênero), ou, ainda, que pregam a passividade e a submissão. Nada mais errado do que dizer isso (e nas próximas colunas eu vou provar pra vocês!)
Mas até lá — e já que as férias estão chegando — que tal a gente conhecer (ou se lembrar de) contos de fadas com “algo mais”?! Desta vez, vou mostrar três livros escritos originalmente em inglês, e, na próxima coluna, vamos falar de livros escritos em português (aceito dicas de quem tiver!).

O primeiro livro é de uma das minhas autoras preferidas, JANE YOLEN. Ela já teve alguns livros infantis traduzidos para o português, mas até agora não vi nenhum de seus contos de fadas publicados por aqui. O livro Not One Damsel in Distress: World Folktales for Strong Girls [algo como Aqui Não Tem Donzelas em Perigo: Folclore Mundial para Garotas Fortes] já agrada só pelo título. Tem como não amar?! E a Jane Yolen é uma contadora de histórias maravilhosa, que volta e meia é comparada ao próprio Hans Christian Andersen.
Aqui Não Tem Donzelas em Perigo é uma coletânea de histórias do mundo todo (sobretudo, europeias) que mostra uma outra versão dos contos de fadas, na qual o girl power é elevado à enésima potência! É um livro fininho, e eu considero uma ótima introdução ao estilo da autora, que escreveu um dos meus recontos preferidos, Briar Rose, uma versão da Bela Adormecida que une os contos de fadas a um tema muito triste e sério: o holocausto e a ascensão do Nazismo na Alemanha.

O segundo livro que eu quero indicar é de um autor bem conhecido também — GREGORY MAGUIRE —, que ficou muito famoso por escrever continuações das histórias do Mágico de Oz. O livro mais famoso é Wicked, que virou até musical! O Gregory tem alguns livros publicados por aqui, mas Confessions of An Ugly Stepsister [numa tradução livre, Confissões da Irmã Adotiva Feia] ainda é inédito. E vale a pena ler! Será que “a irmã adotiva” do título fez você se lembrar de alguém? Bom, se você pensou nas irmãs da Cinderela, acertou!  O livro reconta a história da bela Cinderela sob o ponto de vista da irmã adotiva e feinha. E também fala de como é conviver com irmãos, filhos de pais diferentes. O mais interessante do livro é a chance de refletir sobre as aparências e sobre as relações familiares.

O último livro que eu queria indicar é de um dos meus autores favoritos de todos os tempos, GRAHAM JOYCE, e é um ótimo livro pra quem não curte tanto assim a ideia de fadas-madrinhas ajudando mocinhas indefesas, ou de príncipes que casualmente encontram princesas adormecidas na floresta. Some Kind of Fairy Tale [numa tradução livre, Meio que um Conto de Fadas] é uma história curiosa, mas que também faz pensar: a protagonista do livro some durante 20 anos (o livro mostra um pouco do que acontece com a família, de como é lidar com a perda de alguém, por isso tem uma pegada bem realista), mas o problema é que, depois de 20 anos, ela volta (literalmente batendo à porta da casa dos pais) e com a mesma aparência que tinha ao desaparecer! O que é que pode ter acontecido com ela? E quais são as consequências de seu retorno (que, obviamente, vai mexer um bocado com os familiares e até com o ex-namorado)? Essas são as perguntas que a gente se faz ao ler o livro e nem sempre as respostas agradam.



E quem gostou dessa ideia de recontar os contos de fadas pode dar uma olhadinha numa coluna antiga, na qual traduzi “seis contos de fadas para a mulher moderna”, da Renee Lupica.


Por hoje é só. Espero que vocês gostem das dicas. E até a próxima! 

19 de jun. de 2015

Papos de sexta: Toda forma de amor

Junho, o mês dos namorados, chegou com polêmica. Uma propagando do Boticário dividiu opiniões ao mostrar três casais se preparando para presentear um ao outro no Dia dos Namorados com produtos da marca. Um homem e uma mulher, dois homens e duas mulheres protagonizaram o comercial que foi embalado com a trilha sonora de Lulu Santos em “Toda forma de amor”.

O que mais achei interessante na polêmica acionada pelo comercial foi o fato do debate ter sido gerado. Só aí, o Boticário já mandou muito bem. Vender perfumes e produtos para pagar as contas é essencial, mas vital foi acionar a discussão sobre um tema que poderia ser menos polêmico se apenas tivéssemos respeito um pelo outro.

A galera do Grupo Editorial Record tem muito orgulho de promover livros que levantam a bandeira do respeito. E eu tenho muito orgulho de ser uma parte disso, mesmo que indiretamente. E é lindo saber que não somos os únicos. Existem diversos autores e autoras pelo mundo escrevendo cenas românticas lindas que não contam com “beijo gay”, mas com beijos; que não retratam “casais homossexuais”, mas casais apaixonados.

Livros como Dois garotos se beijando (David Levithan) e  George (Alex Gino) são necessários não somente porque são bem escritos, mas porque trazem assuntos atuais e que precisam ser abordados. Acho que a partir do momento que o rótulo “gay” cair, o preconceito vai começar a tropeçar também.

Por falar em George, no mesmo mês que o comercial saiu, Bruce Jenner – padrasto das Kardashians – se assumiu trans. Agora seu nome é Caitlyn Jenner e mais questões foram levantadas sobre a galera transexual. É importante entender que existe uma diferença entre orientação sexual e identidade de gênero. Enquanto o primeiro é sobre por quem nos sentimos atraídos, o segundo é sobre como nos sentimos sobre nós. Ou seja, um homem pode gostar de mulher, mas não se sentir bem no seu próprio corpo masculino e querer se tornar uma mulher. (Galera mais entendida do assunto, corrijam se eu estiver errada, ok?)

Imagina não se sentir bem em sua própria pele. Agora imagina passar por isso enquanto pessoas de mente pequena te julgam e caçoam abertamente, faltando com todo o tipo de respeito. Complicado, né? Agora imagina que existem milhares de pessoas que passam por isso, que vivem isso todo santo dia. 

Infelizmente, nem todos serão aceitos como Caitlyn está sendo, nem terão os recursos que ela tem para fazer sua transformação. Nem todos serão abertamente felizes como os casais no comercial do Boticário. Mas e se cada um de nós, independente da orientação ou identidade, praticasse ter mais tolerância com o que é diferente, ter respeito por tudo e todos? Não faria a vida de todos muito mais fácil?

Claro que a polêmica está longe de acabar, mas pelo menos está sendo debatida, lida, comentada. Gerações diferentes estão sentando juntas para abordar a realidade: hoje em dia, com a informação na palma da mão, não deveríamos ser julgados por quem queremos ser ou amar. Nem deveríamos julgar.


No tal comercial, não rolou o “beijo gay”, mas trocas de olhares repletas de carinho e cumplicidade. E abraços apertados. É, o mundo precisa de mais abraços.

11 de jun. de 2015

Galera entre letras: Quem tem Medo dos Irmãos Grimm?

No qual eu falo sobre contos de fadas e as peças que nossa memória nos prega...

Outro dia eu estava vendo algumas anotações de cursos antigos que fiz sobre contos de fadas e fiquei pensando sobre a minha motivação para estudá-los. Eu gosto de ler etc., mas por que estudar especificamente os contos de fadas e não outro subgênero da ficção fantástica? (Era esse tipo de pergunta que eu me fazia enquanto via as minhas anotações a caneta, em folhas amareladas pelo tempo.)
E aí eu me lembrei de uma frase do Neil Gaiman que eu adoro(eu não lembrava direito, por isso, fui procurar) do livro que eu mais gosto dele: Coraline, e que diz mais ou menos isso em português: “Os contos de fadas são mais do que verdadeiros --- não porque nos falem sobre a existência de dragões, mas porque nos dizem que dragões podem ser derrotados.”


Bom, pra quem gosta de frases motivacionais, eu acho que essa citação é uma frase e tanto! E o Gaiman dizia que tinha lido essa frase num outro autor britânico, chamado G. K. Chesterton (que escreveu um pouco sobre contos de fadas e até se arriscou numa distopia --- O Homem que Era Quinta-Feira. Um Pesadelo ---.) É dos meus autores preferidos, mas eu nunca tinha lido aquela frase dele, citada pelo Gaiman. Bastaram alguns minutos na Internet pra descobrir que o Gaiman citou a frase “meio de cabeça” e a modificou um pouco na hora de escrever no livro, embora mantivesse o “espírito” do texto original, porém --- mais importante até do que isso --- era o fato do Chesterton ser um dos autores preferidos do Terry Pratchett (autor de Pequenos Deuses, publicado pela Bertrand Brasil), e de o Terry até ter feito uma versão damesma frase do Gaiman,que foi publicada num artigo muito legal sobre “crianças e ficção fantástica”.
E como eu sou especialista em divagações, meu texto de hoje --- que deveria ser Quem Tem Medo dos Irmãos Grimm, pra falar um pouco do preconceito que as pessoas (erradamente) têm contra contos de fadas por considerarem uma leitura “inútil”, “escapista” ou “fantasiosa” --- começa justamente com dragões derrotados e vai se estender pelas próximas semanas, discutindo a partir de agora “pra que servem os contos de fadas?” (se é que eles REALMENTE precisam servir para alguma coisa).
E já que estamos falando de memória também, confesso que não me lembrava do texto do Pratchett, que mantém o espírito do texto original do G. K. Chesterton e reafirma a importância dos contos de fadas para a formação das crianças. (E o texto original do Chesterton? Onde está? Bom... isso aí vai ser papo pra outra semana!)

Quando as Crianças Leem Fantasia (1994)
A fantasia clássica pode apresentar o oculto às crianças, mas de maneira mais saudável do que seria o caso em nossa estranha sociedade. Se falam para você sobre vampiros, é bom que, ao mesmo tempo, falem sobre as estacas. 
[...].
Portanto, não vamos temer que as crianças leiam fantasia. Ela éo adubo da mente saudável. Estimula brotos de curiosidade, e há algumas evidências de que uma vida interna rica em fantasia é tão boa e necessária quanto o solo saudável para uma planta, pelas mesmas razões.
A fantasia é a dieta adequada para a alma em crescimento. Toda a vida humana está ali: um código moral, um sentido de ordem e, algumas vezes, criaturas verdes, grandes e poderosas, e com dentes. Há outros livros para leitura, e eu espero que as crianças que começam com a fantasia sigam em frente e os leiam. Eu fiz isso. Mas todo mundo tem que começar em algum lugar.
Um dos grandes contistas populares do início deste século foi G. K. Chesterton. Ele escrevia numa época em que os contos de fadas eram atacados pelas mesmas razões que os livros agora podem ser discretamente proibidos em algumas escolas por conter a palavra “bruxa” no título. Chesterton dizia: “A objeção aos contos de fadas é que eles dizem às crianças que dragões existem. Mas as crianças sempre souberam da existência de dragões. O que os contos de fadas ensinam às crianças é que se pode matar os dragões.”




















Chesterton, Pratchett, Gaiman: autores que sabem como matar os dragões.


5 de jun. de 2015

Papos de sexta: Beleza encontrada


Você já deixou de ler algum livro por preconceito com o autor, tema ou gênero? Eu quase cometi esse erro uma vez, mas antes de contar a minha história — e correr o risco de ser julgada por todos — eu vou adiantar o final: o livro tornou-se um dos meus favoritos ;)

Eu leio bastante e há bastante tempo, e tenho uma ideia do que me agrada ou não. Esse autoconhecimento tem dois lados: o bom é que eu tenho mais chances de acertar nas minhas escolhas, o ruim é que eu não arrisco tanto nas minhas leituras. E quando eu soube que Beleza Perdida era um romance motivacional — e me atrevo a dizer, um romance cristão — eu quase passei adiante.

Lembro que eu dei uma busca na palavra “Deus”, ao iniciar a leitura no Kindle, apenas para checar quantas vezes ela apareceria — 41 vezes, para quem ficou curioso —, e tive receio de que a autora fosse pregar a sua fé em vez de contar uma história. Mas era tanta gente elogiando o livro que eu decidi dar uma chance, e o resultado foi inesperado: eu amei o livro, tanto que recomendei para vários leitores — de todas as crenças e leitores sem crença alguma.

Beleza Perdida não restaurou minha fé na religião, mas restaurou minha fé na humanidade — e acredito que todos nós precisamos disso no mundo atual. Uma história de amor ao próximo, de acreditar em si mas confiar também no outro. Uma história de superação que ficará para sempre comigo!

Amy Harmon me mostrou a essência de um verdadeiro herói e me deixou pensando:  às vezes, os livros que não queremos ler são os que mais precisamos naquele momento. Vale investigar o porquê da resistência e, se infundada, dar uma chance a eles. A única coisa que temos a perder é tempo, mas corremos o risco de encontrar uma bela história — assim como eu encontrei ;)

1 de jun. de 2015

Tons da Galera: Cannes

Maio foi o mês do charmoso Festival de Cannes, que esse ano perdeu parte do encanto por causa de uma polêmica totalmente desnecessária. Parece que a organização do festival não anda muito atualizada e proibiu algumas mulheres de andar no tapete vermelho sem salto alto! Foi o bastante para o bafafá ser armado. Atrizes como Emily Blunt saíram em defesa dos flats, o Twitter e o mundo engrossaram o coro, e Thierry Frémaux, delegado geral do evento, pediu desculpas. Um mico, ou, no caso, faux pas.


As Elsas: Izabel, Naomi e Sienna entre as muitas que optaram pela paleta gelada. 

Quanto aos looks, em sua maioria foram corretos e glamorosos. Sienna Miller, uma das juradas, como sempre acertou com jovialidade dentro e fora dos eventos. Diane Kruger também acertou em cheio, e ao lado de Charlize Theron e Naomi Watts, as duas também sempre au concours, parece ter reforçado que Cannes 2015 foi das loiras elegantes e meio geladas, no melhor sentido Grace Kelly. Ou Elsa. Não sei se sou eu, mas parece que a paleta de cores de Frozen influenciou, e muito, as escolhas. Tons que se repetiram exaustivamente foram o gelo e o azul-claro, e nas coloridas (ou seriam Annas?), o amarelo e tons de magenta.


As Annas: Salma Hayek e Kendal Jenner de roxo e Charlize e Izabel de amarelo. 

Mais frescor veio por conta da já onipresente (mas não tanto quanto a irmã mais velha Kim) Kendal Jenner, voltando ao azul bem claro, num vestidinho do tom que também vestiu Diane Kruger e  que dá um novo significado para a sigla lbd: little blue dress. Com ar sessentinha.


O novo lbd, ou little blue dress em Kendal Jenner, Léa Seydoux e Diane Kruger. 

No tom Frozen que parece nunca se esgotar (não que estejamos reclamando), esperamos que o festival ano que vem adote o lema Let it Go e deixe as moçoilas usarem o sapato que bem entenderem.





22 de mai. de 2015

Papos de Sexta: Colorindo a vida

Vou ser muito sincera, quando os livros interativos surgiram, eu disse para mim mesma: não vou mesmo colorir, que perda de tempo! Comprei uns importados do tipo "listografia" e acabei deixando pela metade. Nunca preenchi tudo; paguei uma grana preta e estão lá, vazios, pedindo para serem preenchidos.

Mas então veio a febre dos livros de colorir, e era um tal de pessoas de todas as idades procurando por esses livros que até os lápis de cor, até então nunca tão procurados após o furor da "volta às aulas", esgotaram.

Muita gente aderiu, alguns torceram o nariz, e eu fiquei na turma do "deixa o povo colorir!". Que mal há nisso? Em juntar os amigos em uma livraria e trocar ideias de cores para eles? Que mal há se o seu lápis é aquarelável e eu gosto é de hidrocor?

Mas então, como tudo na vida, como se não bastasse a guerra política das últimas eleições e as amizades desfeitas por causa de um partido ou outro, tiveram os que decidiram postar em suas timelines que livro de colorir não é livro, que nem deve entrar na lista dos mais vendidos. E aí fica a pergunta: não é mesmo? Para mim é livro, mas não de história, e sim de arte, tipo aqueles de fotografias que compramos. E o cara que desenhou não é um artista? Não merece ele que seu livro, que demorou tanto para fazer, esteja na lista dos mais vendidos?

Na onda dos livros de listografia e de colorir, quem sai ganhando é o leitor, aquele que sempre quis ter um livro, mas nunca arrumou tempo para escrevê-lo. Agora ele pode fazer parte de um desses, afinal, o que está ali vem da sua cabeça, o que se pinta ali é sua arte. E isso, por favor, não se discute!

Sempre fui péssima em colorir. Era igual colar figurinhas; sabem aquela pessoa que sempre cola torto? Sou eu. Também sou rainha em pintar fora das linhas; quem nunca? E antes que perguntem: sim, uso óculos, mas colorir um pouco para fora já faz parte de mim.

Ainda não comprei o meu livro de colorir, mas tenho lápis e hidrocor — tenho mania de comprar quando entro nas papelarias, mesmo que não tenha muita utilidade...até agora! — e fiquei bem animada com os dois livros que vem por aí da Galera Record.




A Galera Record agora me deixou com muita vontade! Aguardem e me acompanhem nas redes sociais porque, com certeza, o fofo "Gatos - O Livro de Colorir", de Marjorie Sarnat, e o Ateliê Fashion, da Rafaella Machado, estarão comigo. Preciso dar uma corzinha a eles, né? Não tem jeito, daqui a pouco sou a mais nova viciada. Antes colorida e feliz que preto & branca estressada. ;) 


16 de mai. de 2015

Galera entre letras: Contos de fadas... outra vez

Entre os dias 11 e 17 de maio, a Academia Britânica de Letras promove a semana de literatura, em Londres. É um evento que inclui várias manifestações culturais (exibição de filmes, exposições, apresentações diversas) e que sempre tem um tema diferente.

O tema deste ano muito me interessa. Já dá pra adivinhar qual é? Isso mesmo! Os contos de fadas! Na verdade, a mostra se chama OTHER WORLDS, mas no videozinho do evento eles já deixam claro do que se trata. Dá pra ver aqui.



A proposta deles é abordar os contos de fadas sob várias perspectivas: discussões de gênero, palestras sobre a tradução e a modernização dos contos de fadas, a questão das ilustrações e dos ilustradores etc. O que não falta é assunto e, aos poucos, eu vou contando pra vocês o que rolou nesses dias.

Mas hoje eu quero falar sobre a exposição que está acontecendo durante a semana (TODA a programação é gratuita; então, se alguém estiver em Londres por esses dias, corra! porque vale muito a pena).

Tem várias discussões que envolvem a relação entre o oral e o escrito nos contos de fadas (ou ainda a transformação da tradição oral folclórica em contos escritos), mas também a relação entre a palavra e a imagem. A imagem tem tanta importância que não foi casual que ilustradores como Arthur Rackham ou Kay Nielsen (que chegou a trabalhar na Disney!)tenham feito ilustrações para antologias ou contos de fadas.
A exposição é uma parceria entre a Academia Britânica de Letras e a Folio Society, uma editora que publica livros clássicos em edições ilustradas, de capa dura.

Nos contos de fadas, as imagens funcionam como um auxílio à história, reforçando aspectos dos personagens ou do ambiente em que eles se encontram; mostrando características que não foram descritas ou ainda como “testemunho” do contexto histórico e social em que aquele conto foi recolhido ou mesmo como “testemunho” da época em que ele foi ilustrado. E isso fica evidente em algumas das imagens selecionadas para a exposição, que vou mostrar pra vocês agora.



Esta imagem faz parte do livro O Gigante Egoísta e Outras Histórias, de Oscar Wilde. Pra quem não sabe, o autor de O Retrato de Dorian Gray também escreveu contos de fadas. Alguns são bem melancólicos e muita gente acredita que refletiam o sentimento do autor em relação à sociedade da época. Não é casual, portanto, que o ilustrador tenha usado o próprio rosto de Wilde para ilustrar seu conto.


Aqui o ilustrador Victo Ngai (um dos meus preferidos) utiliza o tradicional desenho chinês para ilustrar um volume sobre o folclore da China. Não sei se vocês percebem, mas mesmo usando características dos desenhos chineses, os desenhos de Ngai são mais fluidos e ele introduz movimento nas imagens (ao contrário das ilustrações estáticas tradicionais).


A Princesa e o Goblin, de George Macdonald, é um dos meus livros preferidos e, se vocês repararem nos traços, os desenhos lembram muito uma técnica de gravura chamada xilogravura. É interessante ver como a ilustradora incorporou essa técnica ao livro e o efeito do uso das cores fortes impressiona bastante.

E pra quem não sabe, a xilogravura é uma técnica bastante usada para ilustrar a nossa literatura de cordel, outro gênero literário que, assim como os contos de fadas, traz o imaginário do povo para o papel.
Nas próximas colunas, espero poder trazer mais novidades da semana literária promovida pela Academia Britânica de Letras e das discussões sobre a importância dos contos de fadas para a literatura.

Boas leituras e até a próxima!



15 de mai. de 2015

Papos de sexta: Resgatando fadas

A arte é cíclica. Seja ela literária, cinematográfica, plástica, temos ciclos, e no momento podemos notar o resgate aos contos de fada. Geralmente temos filmes de fantasia em épocas turbulentas na economia. Como o mar não está para peixe, muito menos para uma pequena sereia, podemos notar uma gata borralheira voltando a aparecer no cinema e na literatura em várias releituras diferentes.

Essa “revisita” a clássicos contos de fadas como Cinderela, Branca de Neve, João e Maria e outros também ocorre quando Hollywood está sem ideias. Mas acho que o caso aqui é outro. Acho que está mais do que na hora de resgatarmos não as histórias de fadas, mas o que elas representam.

Fui ao cinema assistir a mais recente versão da Cinderela e me surpreendi positivamente. Vejam bem, quando o assunto é conto de fada, sou extremamente exigente. Sou aquela leitora que entendeu desde pequena a “moral da história” de cada conto sem que tivessem que me explicar demais e faço questão de que a alma desses contos seja preservada, não importa a época. E isso acontece com Cinderela. Os temas - como “ser sempre positiva e não rancorosa” e acreditar em magia - estão muito presentes, e não de uma maneira fantasiosa, mas real, no rancor de uma madrasta e na força de uma promessa. E é lindo ver que mesmo as heroínas acham que não vão conseguir suportar e suportam. E que a melhor vingança não é uma risada maléfica, mas o perdão.

E não são somente as princesas que transmitem poderosas lições. Por exemplo, um dos contos de fadas de que mais gosto é “O Patinho Feio”. Já até mencionei ele aqui no blog láaaaa no início. Quando fiz faculdade de teatro, até escrevi um monólogo sobre o conto. Sempre achei o máximo como o patinho sofreu bullying pelos outros patos por ser feio quando tudo que ele queria era ser aceito. E olha o que ele se tornou: um belo e majestoso cisne. E não se tornou arrogante por causa disso, mas teve seu desejo realizado. Não julgue pela aparência e não faça pouco caso dos outros!

Acho que contos de fadas formam a base de muitas lições, de muitos livros, de muitas histórias e conflitos. Eles são como o farol moral de todos nós, mas sofrem preconceito de pessoas que acham que são somente para crianças. Um carinho de mãe é somente para uma criança? O orgulho nos olhos de um pai é direcionado apenas às crianças? E desde quando apenas crianças passam por bullying e conquistam obstáculos? Pois é. Está mais do que na hora de resgatarmos as fadas das páginas e darmos a elas o verdadeiro e devido reconhecimento: inspiração de que tudo vai melhorar, desde que façamos a nossa parte com respeito e dignidade.

Acredite em contos de fadas, porque por trás de um chefe injusto está uma madrasta; por trás de uma fada madrinha está uma grande amiga; e nem todo príncipe precisa ser encantado para dar o seu recado com amor e carinho.
Os contos de fadas estão ao nosso redor, disfarçados nas entrelinhas de vários livros e em cada ação no nosso dia a dia. Basta reconhecê-los.

E aí? Você vai se transformar em cisne ou vai passar a vida de joelhos, como uma Gata Borralheira? A escolha é sua.


12 de mai. de 2015

Tons da Galera: Mad Women

Chega ao final, semana que vem, a sétima e última temporada da série Mad Men, um marco na história da TV pela qualidade, pelo já mítico protagonista Don Draper, e muito, mas muito mesmo, pelos seus figurinos. A responsável por este feito é a americana Janie Bryant, que esteve aqui no Brasil no último Festival do Rio, justamente para falar sobre sua história e seu trabalho na série.


Começando no final da década de 50, Mad Men atravessa os anos 60 e termina no começo dos 70, o que deu a Janie uma ampla gama para trabalhar em cima de uma época em que padrões e conceitos mudaram tão radicalmente na América. Não apenas isso; a riqueza dos personagens e suas diferentes personalidades e estilos de vida a permitiram diversificar mesmo dentro de mesmos espaços de tempo, com a curvilínea Joan, a ambiciosa Peggy, a conservadora e mãe de família Betty, e a prafrentex Megan, essas últimas ex-esposas de Don. As personagens, junto com as inúmeras amantes de Don, viraram ícone de estilo, assim como as atrizes. Um verdadeiro fenômeno, os figurinos de Mad Men influenciaram a moda, em vez do contrário, como era comum até então. A febre do estilo anos 50 e 60 influenciou desde cores de esmaltes e maquiagens (com coleções como a da Estee Lauder, com o nome da série), a coleções de roupa como a da Banana Republic.


Megan, Rachel, Peggy e Betty. Personalidades diferentes, um homem em comum.

Jane conta que seu processo de inspiração vai desde revistas, filmes antigos e internet ao garimpo de fotos antigas (seu método favorito), brechós, feiras de antiguidade e até de seu próprio acervo familiar e de amigos. Para compor os looks ela teve carta branca do criador Matthew Weiner para comprar em lojas vintage de Los Angeles, alugar peças do acervo de outros estúdios e até criar e mandar fazer suas próprias roupas. O trabalho de Janie é tão meticuloso que até as roupas íntimas usadas pelos personagens foram feitas seguindo os padrões de modelagem da época, incluindo cintas para as mulheres e calças de cintura alta para os homens.


O perfeccionismo de Janie em ação nas lingeries e camisolas de Betty, Joan e Trudy.

Mad Men rendeu diversos prêmios e indicações à figurinista, que já tinha alguns em casa por seu trabalho na série Deadwood, e apesar da tristeza ser geral pelo fim do eye candy semanal que Janie proporciona, a morena de olhos azuis não pretende parar: está lançando uma linha de meias calças modeladoras e tem planos com sapatos e  acessórios, além de querer fazer trabalhos com estilo contemporâneo. Alguém duvida de que vá dar certo?


Janie no acervo do set e um de seus croquis transformados em realidade.