16 de mai de 2015

Galera entre letras: Contos de fadas... outra vez

Entre os dias 11 e 17 de maio, a Academia Britânica de Letras promove a semana de literatura, em Londres. É um evento que inclui várias manifestações culturais (exibição de filmes, exposições, apresentações diversas) e que sempre tem um tema diferente.

O tema deste ano muito me interessa. Já dá pra adivinhar qual é? Isso mesmo! Os contos de fadas! Na verdade, a mostra se chama OTHER WORLDS, mas no videozinho do evento eles já deixam claro do que se trata. Dá pra ver aqui.



A proposta deles é abordar os contos de fadas sob várias perspectivas: discussões de gênero, palestras sobre a tradução e a modernização dos contos de fadas, a questão das ilustrações e dos ilustradores etc. O que não falta é assunto e, aos poucos, eu vou contando pra vocês o que rolou nesses dias.

Mas hoje eu quero falar sobre a exposição que está acontecendo durante a semana (TODA a programação é gratuita; então, se alguém estiver em Londres por esses dias, corra! porque vale muito a pena).

Tem várias discussões que envolvem a relação entre o oral e o escrito nos contos de fadas (ou ainda a transformação da tradição oral folclórica em contos escritos), mas também a relação entre a palavra e a imagem. A imagem tem tanta importância que não foi casual que ilustradores como Arthur Rackham ou Kay Nielsen (que chegou a trabalhar na Disney!)tenham feito ilustrações para antologias ou contos de fadas.
A exposição é uma parceria entre a Academia Britânica de Letras e a Folio Society, uma editora que publica livros clássicos em edições ilustradas, de capa dura.

Nos contos de fadas, as imagens funcionam como um auxílio à história, reforçando aspectos dos personagens ou do ambiente em que eles se encontram; mostrando características que não foram descritas ou ainda como “testemunho” do contexto histórico e social em que aquele conto foi recolhido ou mesmo como “testemunho” da época em que ele foi ilustrado. E isso fica evidente em algumas das imagens selecionadas para a exposição, que vou mostrar pra vocês agora.



Esta imagem faz parte do livro O Gigante Egoísta e Outras Histórias, de Oscar Wilde. Pra quem não sabe, o autor de O Retrato de Dorian Gray também escreveu contos de fadas. Alguns são bem melancólicos e muita gente acredita que refletiam o sentimento do autor em relação à sociedade da época. Não é casual, portanto, que o ilustrador tenha usado o próprio rosto de Wilde para ilustrar seu conto.


Aqui o ilustrador Victo Ngai (um dos meus preferidos) utiliza o tradicional desenho chinês para ilustrar um volume sobre o folclore da China. Não sei se vocês percebem, mas mesmo usando características dos desenhos chineses, os desenhos de Ngai são mais fluidos e ele introduz movimento nas imagens (ao contrário das ilustrações estáticas tradicionais).


A Princesa e o Goblin, de George Macdonald, é um dos meus livros preferidos e, se vocês repararem nos traços, os desenhos lembram muito uma técnica de gravura chamada xilogravura. É interessante ver como a ilustradora incorporou essa técnica ao livro e o efeito do uso das cores fortes impressiona bastante.

E pra quem não sabe, a xilogravura é uma técnica bastante usada para ilustrar a nossa literatura de cordel, outro gênero literário que, assim como os contos de fadas, traz o imaginário do povo para o papel.
Nas próximas colunas, espero poder trazer mais novidades da semana literária promovida pela Academia Britânica de Letras e das discussões sobre a importância dos contos de fadas para a literatura.

Boas leituras e até a próxima!



Um comentário:

Frini Georgakopoulos disse...

Ana, adorei o texto! Tem uma conexão com o que eu acabei de publicar no Papos de Sexta! Vida longa aos contos de fadas!