6 de fev de 2014

Galera entre letras: A viagem do herói

No mês de fevereiro, resolvi escrever sobre o herói. Pode ser aquele que usa capa e espada, ou talvez ele tenha armas supersônicas no cinto ou, quem sabe, tenha a capacidade de ler mentes.

Bom, não importa qual seja o vestuário ou quais sejam as armas, a verdade é que herói é herói, sempre se dá bem e, no fim, conquista a... hã... a viagem do herói não é bem essa não, e engana-se quem acha que ele SEMPRE leva uma vida fácil.

Dia desses eu estava lendo um artigo sobre Joseph Campbell, um dos mais importantes mitólogos do século XX. Campbell passou a vida estudando os “mitos”, isto é, aquelas histórias antigas que narram a existência de seres sobrenaturais ou de homens excepcionais e explicam a visão de mundo de um povo ou ainda justificam certos fenômenos do mundo natural.

Campbell escreveu um livro chamado O herói de mil faces e, ao estudar os mitos desde a Grécia, passando pelas sagas da Islândia e as epopeias da Índia, descobriu um padrão que se repete em muitas dessas lendas: o da “viagem do herói” (isso mesmo, herói que é herói tem que andar um bocado!), e percebeu que muitos heróis foram abandonados pelos pais verdadeiros e adotados por outros casais. Também não é raro que nossos heróis não façam a menor ideia de quem realmente sejam, mas, ao chegar à adolescência ou ao início da idade adulta, algo inesperado os convoca a agir, e eles abandonam o lar adotivo, realizam diversas proezas e recuperam o reino dos pais verdadeiros, embora, muitas vezes, tenham que enfrentar ou mesmo matar os próprios pais (eu disse que vida de herói nem sempre era fácil...).

O exemplo mais famoso desse padrão é o mito de Édipo, que mata o pai e assume o reino de Tebas, não sem antes passar por muitas aventuras e decifrar o enigma da Esfinge.

Aliás, vocês sabem qual era a pergunta da Esfinge que Édipo teve que responder? É o famoso enigma: “Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite?”. A resposta de Édipo foi “o homem”, pois o amanhecer é a criança engatinhando, o entardecer é a fase adulta, na qual usamos ambas as pernas, e o anoitecer é a velhice, na qual nos apoiamos em uma bengala.

O mais curioso é que este padrão do “herói viajante” persiste ainda hoje, e, mesmo que ele seja facilmente reconhecido, ainda somos capazes de nos emocionar com a saga dos nossos protagonistas preferidos.

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…
Leiam a frase ouvindo isto aqui.

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