20 de fev de 2014

Galera entre letras: Do Papel para a Tela... e de Volta ao Papel

Quem nunca ouviu a frase “Os anos 80 é que deixaram saudade.”? Ok, eu sei que parece coisa de quarentões nostálgicos, mas eu juro que TODO mundo tem BONS motivos pra gostar dessa época!

Uma das coisas mais legais da década de 80 são os desenhos e as séries (de Thundercats a Transformers, passando por Alf, o ETeimoso), e hoje eu vou falar de um dos desenhos mais legais da época: Caverna do Dragão.

Pra quem não conhece ou não lembra, o desenho contava a história de seis crianças que se perdiam de casa depois de andar na montanha-russa de um parque de diversões, e a missão delas era justamente tentar voltar pra casa.

Mas não era só isso, óbvio. O nome original da série, Dungeons & Dragons, é o mesmo de um jogo de RPG ambientado na Idade Média, que completou 40 anos em 2014! E há várias referências ao jogo no desenho, incluindo as habilidades de cada personagem: temos de tudo ali, de cavaleiros e bárbaros a ladrões e mágicos.


Como jogos de RPG ainda não eram tão conhecidos por aqui quando o desenho foi lançado (e também pelo fato de o público televisivo ser bem mais amplo que os participantes desses jogos), um dos aspectos mais curiosos da animação foi a adaptação dos termos do jogo para o nosso idioma. Se o título original era algo como “Masmorras & Dragões”, como os nossos seis heróis entraram num brinquedo que se parecia com uma caverna, o título da animação aqui no Brasil acabou ficando mesmo Caverna do Dragão


E um dos personagens mais interessantes, o “Dungeon Master” (o “Mestre” dos jogos de RPG), passou a se chamar “Mestre dos Magos” (embora ele não tivesse um séquito de magos para liderar, o nome acabou “pegando” e, junto com a voz de Ionei Silva, que dublou o personagem, foi um dos responsáveis pelo fato de ele conquistar o público). Aqui vocês podem conferir a voz sensacional do “Mestre dos Magos”: http://www.youtube.com/watch?v=a3JQTGpgTcI


Além da referência ao jogo de RPG, das vozes que dublaram os personagens e da própria temática da jornada do herói (lembram que este foi o tema da coluna passada?), o que também tornou “Caverna do Dragão” uma série MUITO cultuada aqui no Brasil foi o fato de que ela nunca teve um final. 

Imaginem a frustração de quem acompanhou as três temporadas (aqui no Brasil, as duas primeiras foram veiculadas na década de 80, e a terceira e última foi ao ar quase dez anos depois) e nunca soube se as crianças realmente voltaram pra casa ou quem era o Vingador, o arqui-inimigo dos seis garotos. E o mais estranho é que o roteiro para o último episódio já tinha sido escrito e tinha até um título: “Réquiem”. 

Para tentar diminuir a frustração dos fãs (sobretudo, os brasileiros), o ilustrador Reinaldo Rocha quadrinizou o roteiro em 2011, e o resultado ficou bem legal (e, ufa!, nós finalmente descobrimos quem era o Vingador!).

No link, vocês podem conferir a história em quadrinhos: http://complexogeek.com/2013/08/20/o-verdadeiro-final-de-a-caverna-do-dragao-em-quadrinhos/

E foi assim que Caverna do Dragão, que nasceu de um jogo de RPG, foi ao ar como um seriado televisivo e teve seu final transformado em história em quadrinhos, acabou virando uma fantástica ideia multimídia, numa época em que essa palavra nem tinha sido inventada ainda (rs)! E qualquer semelhança com os jogos e séries que viram livros, e os livros que viram filmes ou seriados NÃO é MERA coincidência!

Minibio:

Ana Resende trabalha como preparadora de originais e tradutora, e é colaboradora da Galera Record, entre outras editoras. Workaholic assumida, sua leitura favorita ainda são os contos de fadas, mas ela não abre mão de ler gibis.


Facebook: hoelterlein

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