13 de set de 2013

Papos de sexta: Um sonho de senha

 Sou saudosista, recordo com carinho do tempo em que comprava ingressos para Bienal na hora, chegava um pouco depois da hora que os portões abriam, ou a tarde, e, quando pegava o jornal de informações, via quem estaria na Bienal autografando naquele dia. Acho que comprava os livros na hora mesmo, pois não me lembro de levar mala ou mochila para conseguir carregá-los para serem autografados e mais uma penca que foram comprados.
Mas sempre tem o lado ruim dessas coisas, porque eu não tinha amigos literários, minha companhia era algum namorado mala, que dava uma volta e já queria comer, ou meus pais, que logo sentavam dizendo que estava muito cheio e os livros, caros.
Se você é bem mais novo que eu provavelmente só irá lembrar de tudo que passamos hoje em dia. Aquele frio na barriga que começa um ano antes, a tensão de saber quem internacional virá para a próxima Bienal, todo o planejamento de estar no Riocentro — um local que é longe para 98% do público — horas antes do portão abrir, pois senão impossível conseguir um autógrafo ou foto com seu autor favorito.
O problema é que não é só chegar cedo e ficar horas na fila para conseguir uma senha, o grande empecilho é a largura dos pavilhões e o matar-ou-morrer até se chegar no estande que deseja.
Exagero? Não, se você acha isso certamente nunca ficou na fila para obter aquele pedaço de papel precioso que te dá direito ao sonho: segundos na frente do escritor, uma foto para posteridade e um autógrafo para olhar para sempre.
Esse ano, quando avisaram que certo autor campeão de vendagem de livros teria somente 300 senhas, já desanimei! Só no dia que ele foi haviam 95 mil pessoas no evento! Cerca de 5 mil delas chegaram cedo e queriam um autógrafo dele. Portões quebrados, sapatos no chão, meninas desmaiadas e pessoal da organização levando dentadas para conseguirem lhe roubar o desejado crachá. Retrospectiva Beatles? Rock in Rio já começou? Não, um escritor! Nunca poderia imaginar que veria essa cena!
Rafa e Carina Rissi
Por um lado acho o máximo, escritor ser pop star, ter que andar com segurança na Bienal, até Maurício de Sousa e Ziraldo não conseguiam dar um passo sem gritos de histeria! Não que eles não mereçam, mas em anos de Bienal a cada edição que passa os gritos são maiores.
Em 2009 fiquei 5 horas na fila para ter a senha de Meg Cabot e faria tudo de novo, mas mesmo naquele ano acho que a entrada foi mais light do que esse ano.
Esse ano consegui todos os autógrafos que queria, no estande da Record achei muito legal a autora Carina Rissi — uma fofa! — ter uma fila de mais de 6 horas a esperando! Eu mesma fiquei muito tempo para ser atendida e adorei conhecê-la!
Também fui feliz ao conhecer Emma Donoghue, autora de O quarto, de uma simpatia ímpar. Eu cheguei atrasada porque estava em um evento, e ela já havia subido para área reservada, mas com a ajuda dos lindos da editora que perguntaram se ela poderia me atender, ela abriu o sorrisão, disse que sim e pronto: virei mais fã!


Chegar perto de alguém que escreveu aquela história que te tocou é uma alegria sem palavras. E sim, esse texto é para dizer que mesmo cansada, em 2015 ficarei na fila novamente para ver quem gosto, porque, no final, toda trabalhada no Dorflex, ainda acho que vale a pena ! ;) 

Rafa tietando Emma Donahue

11 comentários:

Tita Mirra disse...

Vc é fã profissional, Raffa! rs

Eu tietei menos esse ano pq estava trabalhando, mas adorei conhecer todos os autores que passaram pelo estande do Grupo Record, especialmente o fofo do Corey May, que autografou meus games e hq de Assassin's Creed <3

Bjs, lindona!

Mariana Mortani disse...

Fala sério, não importa o quão cansativo seja, nós não resistimos a uma fila hahaha
Costumo dizer que a Bienal é meu Rock In Rio, e claro, melhor ainda porque não só chegamos perto de quem tanto adoramos, como podemos abraçá-los e ter nossa foto e autógrafo.
Lindo post Raffa, adorei mesmo.
E QUE VENHA 2015 ♥

Beijos,
Mariana
magialiteraria.net

Luiza disse...

Realmente amiga, agora Bienal para conseguir o tão desejado autógrafo, não tem jeito... Temos que passar pela fila. É cansativo, mas depois que temos o livro autografado, a fotinho... Vale à pena.
Bjs
http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

Laganowski disse...

É... Bienal virou uma maratona... Só os fortes entende... Os fortes e fãs fiéis de leituras deliciosas... Sei que parece loucura, mas sei que depois fica aquele gostinho de quero mais e que se precisasse fariamos tudo novamente!

Beatriz Ramos disse...

Olá, Raffa. Tudo bem?
Adorei sua postagem.
Eu fiquei boquiaberta com o tumulto para o "tal" autor.
Você esqueceu de dizer no seu post que até vômitos tinha perto do estande da editora ):
Eu desisti da fila exatamente por isso! Eu não aguentei ver aquele cenário de "horror" hahahaha.
Sobre a Emma, eu fiquei muito triste. Eu queria tanto conhecê-la. Falam que o livro dela é muito divo, e livros divos são demais!!! hahahaha
Eu sinto que eu fiz tanta coisa, mas ao mesmo tempo parece que eu não aproveitei nada nessa Bienal. ):
Vou me programar ainda mais para a próxima :)
Abraços!! :)

Lilly DiCine disse...

Oi, Raffa!

Mais um excelente texto seu! Sempre fico encantada de como você consegue passar toda a emoção através das palavras. Acho que nunca te contei mas comecei a seguir o teu perfil por causa da tua garra em perseguir seus sonhos e conseguir todos os milhares de autografos e fotos que você sempre consegue. Acho isso inspirador. Porque nunca é fácil mas nem por isso você desiste e acompanhando essa sua maratona na Bienal nós vimos mais uma vez sua força. Já te falei me realizo por tabela com essas suas incursões ao mundo da fantasia seja ela literária, musical ou artística! \o/

Beeeeeeeeeijo

Aline Basilio disse...

Eu não tenho esse pique de ficar horas na fila, mas acho o máximo quem tem. É muito lindo de ver. Acompanhei sua jornada esse ano na Bienal e adorei!
Parabéns!!!

Thatiana Mortani disse...

Muito legal a sua postagem. Pois é, o dia mais tumultuado foi no dia 31, mas consegui alcançar as metas de autógrafo. E com certeza, a próxima Bienal estarei firme e forte a procura de senhas e claro em filas gigantes rs
No final tudo valeu muito a pena e agora o que fica são as fotos e a saudade daquele paraíso.
Bjs

Gabi Lima disse...

Realmente sofremos muito com filas, espera, tensão, gritos histéricos, empurra empurra,... Mas tudo vale a pena para ter o autógrafo e a foto com os nossos queridos escritores. *-*
Na Bienal de 2015 também estarei lá novamente fazendo tudo de novo, pois a recompensa é boa demais!

Beijos,
Gabi Lima

Elaine Santos disse...

Pois é, e quantas vezes eu sai correndo do colégio para chegar a tempo de conseguir senha? kkk'
Lembro de ja ter matado aula só para poder ir autografar um livro kkkk..

Amei seu texto amiga! Sempre arrasando!
Beijos.

Larissa Carvalho disse...

Esse ano eu decidi ser a louca da Tietagem, mas, obviamente, não cheguei no nível Raffa ninja de ser, porque essa mulher consegue estar em três lugares ao mesmo tempo, só pode! E, olha, eu percebi que vida de fã ´´e mesmo uma tristeza, até a hora de ver o nosso autor amado bem de pertinho, e perceber que valeu a pena mesmo assim. sofri horrores para Nicholas Sparks, mas, olha, não me arrependo!