20 de nov de 2014

Galera entre letras: Os melhores de 2014 e o que 2015 reserva (1ª PARTE)

Bom, uma das certezas que o fim de ano traz são as listas de “melhores do ano” que, ao mesmo tempo que fazem um tipo de revisão das tendências do ano, apontam o que o futuro reserva. E vocês não achavam que eu ia deixar de dar meu pitaco nessa história, né?

Confesso que não li muito este ano. Quero dizer, eu li, mas poderia ter lido bem mais (alguém mais acha isso em relação às próprias leituras ou eu sou mesmo a única crazy book lady solta por aí?).

De qualquer forma, de uma lista inicial de dez livros que li e gostei, separei três para apresentar a vocês. Nem todos foram publicados em 2014, mas só agora que eu consegui ler. Nem todos esses foram (ou vão) ser publicados no Brasil, mas fica a dica pra quem lê em inglês ou sente curiosidade em saber o que anda saindo lá fora.

O primeiro livro é o mais antigo (foi publicado em 2012): THE GIRL WITH BORROWED WINGS [numa tradução literal: A GAROTA COM ASAS EMPRESTADAS, que provavelmente não seria o título em português...].

Imaginem CREPÚSCULO nas Arábias (brincadeirinha!). O livro da Rinsai Rossetti (o primeiro dela!) conta a história de Frenenqer, uma garota de 17 anos que mora com o pai no deserto, e cuja vida muda ao conhecer Sangris, um rapaz transmorfo.

Bom, até aí seria apenas uma história de amor com pitadas de fantasia (à la CREPÚSCULO), mas, logo no começo do livro, ficamos sabendo que Frenenqer foi “fabricada” pelo pai. E isso nem é um segredo, como nos conta a própria garota: “Sou diferente da maioria das outras pessoas porque meu começo não foi no corpo da minha mãe, mas na mente do meu pai. Ele me inventou, sabe.” (A tradução é livre e é minha mesmo.)

De todo modo, apesar de Frenenqer ter sido inventada pelo pai, é somente ao longo do livro que nós REALMENTE vamos saber QUEM ela é (para além de todos os conflitos familiares, dos problemas na escola etc. etc.)

A ambientação do livro também é muito interessante porque a história se passa no Oriente Médio – coisa rara nos livros YA –, mas, ao mesmo tempo, a Rinsai põe, lado a lado, elementos high-tech convivendo com a tradicional imagem de oásis e desertos.

E, além disso tudo, ainda é uma história de amor que envolve um transmorfo!


O outro livro que selecionei é de uma autora de quem já li alguns outros livros: A.S. King. Bom, pra começo de conversa, a A.S. King é amiga do David Levithan (o que por si só já mostra como ela é incrível! rs), mas óbvio que não é só isso. O livro que selecionei, REALITY BOY [O GAROTO DO REALITY] conta a história de Gerald Faust, um garoto que cresceu num tipo de reality show [lembra um pouco o filme O SHOW DE TRUMAN, sabe?], mas que, ao contrário de Truman consegue romper com isso. Além de uma crítica à “virtualidade” do mundo no qual vivemos, REALITY BOY trata de relacionamentos (entre pais e filhos, entre amigos). Faust tem explosões violentas de raiva com a família (a quem ele culpa por seus problemas), mas também com aquelas pessoas que ele acha que ama.

Mas o livro não é pessimista. Ao contrário, A.S. King (como em todos os livros dela) mostra que conflitos fazem parte das nossas vidas e que o amadurecimento ocorre justamente quando aprendemos a lidar com eles. Porque, no fim das contas, não dá pra mudar o que fizeram com a gente no passado, mas dá pra fazer as coisas de modo diferente no futuro. E, a exemplo de THE GIRL WITH BORROWED WINGS, as primeiras frases já garantem que a leitura será marcante:

“Eu sou o garoto que você viu na TV.

Lembra o garotinho esquisito que cagou na mesa de carvalho manchada, na cozinha dos pais, quando eles confiscaram o Game Boy? Lembra como a câmera habilmente escondeu suas partes íntimas com o centro de mesa com a margarida e o girassol artificiais e reluzentes?

Era eu. Gerald. O mais novo dos três. O único garoto. Fora de controle.” (Outra tradução livre.)


E, last but not least, separei o livro de uma das autoras mais fofas dos últimos tempos, que conheci justamente quando comecei a colaborar com a Galera Record: SER FELIZ É ASSIM, da Jennifer E. Smith (traduzido pela Daniela Dias). Eu já tinha lido (e morrido de chorar!, confesso) A PROBABILIDADE ESTATÍSTICA DO AMOR À PRIMEIRA VISTA e logo que SER FELIZ É ASSIM foi publicado eu quis ler.

Bom, o que mais gosto na Jennifer E. Smith é a capacidade de criar histórias a partir de coisas “aparentemente” bobas (tipo, um atraso de quatro minutos na hora de pegar o avião, um e-mail enviado pra pessoa errada) e mostrar como essas coisinhas podem mudar a vida de alguém. E eu gosto muito de como ela constrói os personagens porque eles são bastante críveis (e vocês já repararam como ela é ótima nos diálogos?).


Já deu pra ver que ando com uma tendência mais “realista” ou “realista fantástica” nas minhas leituras e acho que essa vai continuar sendo uma das tendências pra 2015. No próximo artigo, vou falar dos livros cuja publicação aguardo ansiosamente.

Até lá e boas leituras!

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