26 de jul de 2013

Papos de Sexta:Como dizer o que sinto em robô

Quando li Como dizer adeus em robô, de Natalie Standiford, eu automaticamente me identifiquei com a protagonista no primeiro capítulo. O que é raro de acontecer.


A protagonista tem uma característica que está presente durante o livro inteiro: a dificuldade de transmitir emoção ou dizer como se sente para as outras pessoas. É por isso que a mãe dela a chama de Garota Robô.
Foi impossível não pensar em como eu também sou assim. Já fui muito chorona, muito fácil de ler. As coisas começaram a mudar conforme eu cresci. Acabei me tornando mais fechada e cuidadosa com as coisas que eu falava sobre mim. Uma espécie de proteção contra qualquer tipo de machucado. Afinal, se as pessoas não sabem como estou me sentindo, elas não terão o poder de usar esse sentimento contra mim. Mais ou menos assim.
Esse comportamento que foi sendo construído com o tempo sem eu nem me dar conta, acabou me privando da capacidade de me expressar sobre emoções. Na verdade, essa dificuldade é apenas com sentimentos por outras pessoas. Eu sei muito bem falar como eu me sinto com um livro, um filme, um objeto, um lugar, mas não sobre o que eu sinto pelos outros. Seja da família ou não, amizade, amor, tristeza ou gratidão. Eu pareço fria demais na maioria das vezes, o pior é que tomo essa decisão inconscientemente. Até mesmo quando eu quero falar, não sei como se faz.

Por isso foi legal ver uma personagem tão parecida comigo nesse sentido em um livro. Interessante ver sua evolução, suas escolhas e o seu comportamento. Eu avaliava que tipo de decisões eu tomaria e se faria como ela ou não. Foi quase uma terapia. E não estou brincando!
O que me leva a pensar em como os livros ajudam nesse sentido, não é mesmo? Você se identifica com um personagem por causa de uma característica e começa a avaliar as suas decisões, comparando e pensando sobre as consequências. Quem sabe até colocando em prática algumas coisas, aprendendo a evoluir de certa forma.
Vocês já se sentiram assim com algum livro?


3 comentários:

Thaiza Oliveira disse...

Pâm do céu! hahahahaha Dificilmente eu me identifico tanto com textos e esse é um desses. Sou muito parecida contigo nesses pontos que você ressaltou aqui. A vida me tornou uma pessoa fria, fechada e em certas partes, isso é ótimo. É uma barreira. Fica mais difícil para as pessoas me machucarem. Mas, como consequência, é difícil que elas se envolvam em algo comigo. Acho que é por isso que a minha paixão por livros é tão grande. É um amor que ninguém pode se meter. Sou só eu e me livro. E nada mais no mundo importa. É reciproco.
Vou tentar comprar esse livro tipo, agora. Pode me ajudar. As vezes, eu me canso de ser assim. quero dar uma chance as pessoas, mas algo atrapalha.
É isso, hueheuehue.
Beijos!

Dalmson Fontes disse...

Lefal, boa análise e ponto de vista. ^^

Frini Georgakopoulos disse...

Pam, entendo perfeitamente o que quer dizer. Pensava como você também, sobre me proteger dos outros. Mas entendi que estava me ferindo e não me protegendo. Esse posicionamento sufoca, sabe?? Então decidi mudar de estratégia e me jogar sem rede. Quando estamos à vontade em nossa própria pele, conhecemos nossos defeitos e rimos de nós mesmos, ninguém pode nos ferir. Bem, não assim :)
Acho que curti o livro, hein? Vou colocar na listinha de "quero ler" :)

beijos
Frini