14 de jun de 2013

Papos de sexta: O futuro de nós todos, por Rafaella Fustagno

Quando terminei de ler o livro O futuro de nós dois a impressão que eu tinha era de que Emma era minha amiga, afinal, o livro, que se passa no ano de 1996 e no qual a protagonista tem a mesma idade que eu tinha na época, poderia ser contado por mim.

Se você tem menos de 25 anos, certamente se lembra de poucas coisas que vou contar, mas se já passou dessa idade é mais fácil voltar àquela época onde os computadores eram artigo de luxo. Aqueles modelos imensos, meio beges e que com o tempo ficavam amarelados eram o sonho de qualquer um. E a internet? Sim, aqueles cds de instalação eram o máximo, e eu só tive um desses naquele ano no curso de inglês onde os exercícios — olha que moderno! — eram online!

Mais do que isso, uma volta a algum lugar do passado, o livro é também uma descoberta para os jovens, afinal os bebês de hoje já nascem pedindo um iPhone! Mas e como era antes disso? Ah, como era chata a vida né?... A gente não tinha celular, então nossa mãe dificilmente achava a gente! Quando queríamos ligar, usávamos telefones públicos e, acreditem vocês, o que chamamos de "Orelhão" aqui no Rio de Janeiro deviam ser bem mais limpos dos que o que temos hoje em dia no centro da cidade, afinal, qualquer pai de família usava! Primeiro eram as fichas que comprávamos na banca de jornal mais próxima para ligar e depois os cartões de telefone, uma modernidade só!

E como era a vida dos namorados? Ah, não tinha tanta graça, não dava para postar foto de cada momento feliz que tínhamos juntos e nem mandar aquela indireta para todos os seus mil amigos do Facebook verem como ele te magoou quando te traiu! Mundo injusto o que vivi, né? Os relacionamentos eram assim, começavam porque víamos as pessoas todos os dias ou alguns dias, e quem falava com a gente sabia quando estávamos juntos ou havíamos terminado. Não tinha como saber porque mudou o status da rede social e 300 pessoas curtiram isso! Chato? Para você sim, para mim: eu sobrevivi! E devo dizer que sinto falta quando um namoro terminava e eu não tinha como fuxicar as redes sociais dele para ver como ele estava bem e eu péssima! Não tinha whatsapp para sem querer mandar mensagem para ele pedindo para voltar!

E as amizades? Como ter amigos sem internet? Minhas 800 amigas jamais saberiam que eu pintei o cabelo hoje ou que minha unha quebrou no trabalho! Você não viu? Postei no Instagram! Então era um povo desatualizado, porque eu tinha que esperar a amiga chegar em casa para a mãe dela dar o recado que liguei e aí ela me ligar de volta. Até isso acontecer eu nem lembrava mais o que queria falar e no final de semana, quando nos víamos, as novidades já eram tão antigas que parecia um jornal da semana passada. Afinal, como diz Emma para o melhor amigo Josh no livro, a quem interessa o que comi no almoço ou que cor é o sapato que escolhi comprar?

A vida sem as redes sociais, sem celular... como vivíamos? Bem, eu vivi bem e fui muito feliz, talvez essa coluna tenha sido um revival de tudo que senti ao ler esse livro, saudades imensas de quando as coisas eram mais simples, quando eu não ficava tensa sem o sinal 3G tentando postar o ingresso do cinema antes de entrar no filme! E o que é a minha vida sem o carregador? Não sou ninguém! Como vou ficar no trabalho sem meu celular? Um dia inteiro sem Facebook, Instagram, Twitter, email... é para surtar!

Mas me faz parar e perguntar: como será mesmo nossa vida daqui a 15 anos? O futuro de nós todos terão apetrechos que nem nos lembraremos de como vivíamos sem, e os nossos filhos ou netos vão rir quando contarmos que precisávamos de carregador?


Quero viver para ver, e você? ;) 

9 comentários:

Luiza disse...

Amiga, adorei sua postagem e cada vez que leio algo sobre esse livro tenho mais vontade de ler RSRSrs Realmente lembro que quando era pequena computador era o :0!!! Atualmente, nem luxo é, virou uma necessidade.
Bjs
http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

Tita Mirra disse...

Oi, Raffa!

Esse livro me fez refletir bastante e comecei a questionar algumas "facilidades" da vida moderna.

Eu sou a favor da tecnologia, mas sempre me pergunto se ela me liberta ou escraviza! Às vezes, parece que a tecnologia nos rouba o tempo, quando deveria ser o contrário. Penso que, ao tentar documentarmos tudo que fazemos, sobra pouco tempo para de fato fazermos algo :/

Talvez seja saudosismo... Enfim, adorei o post :)

Bjs!

Frini Georgakopoulos disse...

Sou da mesma geração que você, Raffa, e AMO! Nós tivemos o melhor (e o pior) dos dois mundos. Mesmo sem celular, sem computador, todo mundo se via mais, se encontrava mais. Era o máximo preencher aqueles cadernos com perguntas, porque era através das respostas que você conhecia as pessoas. Aquele caderno era o Facebook!

Bom demais ter nascido nessa época e gravar música de rádio, curtir a antiga MTV. Claro que não vivo sem meus seriados hoje, mas era boa demais a minha adolescência. Não trocaria por nada :)

beijocas! Adorei a coluna.
Frini

ELAINE disse...

OI RAFFA!
Tenho lembranças maravilhosas dessa época, que saudades. Frini me fez lembrar dos caderno de perguntas e respostas. Sem falar da seleção brasileira de volei que estavam arrasando e todos lindão.

Estou curiosa para ler esse livro e fazer uma viagem no tempo bem gostosa!!
BJS!!!!!!!!!!!!

Laganowski disse...

Raffa, adorei o artigo / resenha! Sou desta época! Usei MS DOS no pc, Word Star e Lotus 123 de planilha! hahahaha Sou deste tempo, tela preta e letras verdes ou cinzas... E a primeira ver que tive contato com a internet tb foi com cd de instalação e aquele barulhinho da discagem... Fui muito feliz... Sou do tempo que trabalhos de escola eram feitos a mão e as pesquisas naquelas enciclopédias gigantes... Ah, que saudades... A relação era melhor, seja entre namorados ou entre amigos... Puxa... Ter sido criança na década de 80 foi o máximo! hehehehehe Adorei, e leria o livro para ter aquele sentimento nostalgico! E já muitas criticas positivas dele!

Camila Leite disse...

Raffa que post lindo. Eu li uma resenha desse livro se não me engano ontem ou hoje. Eu não sou da época dos cds de internet, mas peguei uma parte da discada, aquele barulhinho era engraçado. E sinto muita falta dos cartões de orelhão, eu realmente gostava muito daquilo.

É realmente muito intrigante e assustador a forma como estamos evoluindo, tenho medo de que meus filhos nunca saibam o que é um livro físico ou como é bom entrar em uma livraria. Não quero que eles vivam em sites e que tenham tendinite com 12 anos de idade por não saírem do computador. Enfim. Que tudo seja eterno enquanto dure... hahahaha Que dentro de nós mantenhamos viva a essência do passado. Por que apesar de já ter ido embora, foi ele quem nos fez. Somos o que somos graças à ele. E que o passado não seja sucumbido pelas tecnologias do futuro.
Que na era onde nada pode ser escondido ainda possamos ter a privacidade de viver.

E eu nem sei mais o que estou falando...
Beijos Raffa

Camila Leite
@sonhospontinhos
http://sonhosentrepontinhos.com

Lygia Netto disse...

MUITA NOSTALGIA com esse post, hahha. E com seu ótimo bom humor, como sempre! <3

Peguei um pouco dessa época tbm, e era o máximo ter o "trambolho" bege e os CDs de acesso à internet. E o barulho que fazia para conectar então? HAHHA....eu tbm penso que postamos mt da nossa vida no FB, mas chega a ser viciante, não tem jeito! Não sei como será nossa vida daqui uns 15 anos, a única coisa que espero é que não morra as relações sociais, pq tweet e inbox nenhum substitui o calor de um abraço! <3

Beijos!

Bianca disse...

Adorei o Post. Me lembrei do meu primeiro celular, carinhosamente chamado de tijolo. Era o q tinha de mais moderno na época.

Raffafust disse...

Meninas

Amei os comentários de vocês! <3!

Obrigada! Que bom que se identificaram com o texto :)

Beijos