21 de jun de 2013

Papos de sexta: Na batida da poesia, por Tita Mirra


Vocês sabem o que é poetry slam? Eu não fazia ideia, mas quando li o romance de estreia de Colleen Hoover fiquei encantada.

Diferente dos tradicionais saraus, os slams são eventos de poesia onde prevalece a competição. Vão desde noites de “Microfone Aberto”, onde qualquer um pode se inscrever na hora e recitar poesias próprias ou de outros autores, até concursos como o “National Poetry Slam”, que reúne os maiores talentos dos Estados Unidos e Canadá.

Nos slams, os poetas apresentam seus textos — sozinhos ou em equipes — e são avaliados pela forma e o conteúdo de suas performances, por um júri composto de pessoas da plateia. Os candidatos geralmente apresentam textos ensaiados, mas os finalistas devem improvisar a partir de sugestões do público. Nada fácil! rs

O pioneiro nessa modalidade foi o trabalhador da construção civil e poeta Marc Smith, que realizou uma série de leituras em um clube de jazz de Chicago, em 1986. O poetry slam se espalhou rapidamente pelos Estados Unidos e ganhou notoriedade em Nova York, ao integrar o programa de um conceituado café cultural. As competições se intensificaram, até que em 1990 ocorreu o primeiro “National Slam”.

Considerado um dos mais importantes movimentos da década de 90, o slam resgatou a tradição oral e reafirmou a poesia como arte performática. Existem algumas traduções possíveis para o termo, batida é uma delas e remete à influência da cultura hip-hop. Os dois movimentos surgiram no mesmo período e muitas performances guardam semelhanças com o rap até hoje.

O poetry slam vem crescendo em toda a América, inclusive no Brasil, mas existe o pessoal do contra. Os acadêmicos acreditam que submeter a poesia à competição é enfraquecê-la, e que não devemos levar o slam a sério. Eu penso que ele pode aproximar as pessoas da poesia, torná-la mais acessível.

O movimento foi bem recebido pelos jovens, que enxergam no slam uma força de democratização. Essa geração de poetas é politizada, seus textos frequentemente abordam preconceitos e injustiças, bem como outros tópicos atuais.

Nesse momento em que a liberdade de expressão está ameaçada, essa pode ser uma forma interessante de protestar e manifestar sua opinião. Sem violência, mas com bastante emoção :)

PS: Uma busca rápida no YouTube revela milhares de vídeos de poetry slam. Katie Makkai e Sierra DeMulder são duas das minhas slammers favoritas, mas eu não poderia deixar de fora o vídeo em que Marty Schoenleber apresenta um dos poemas de “Métrica”. Não tem legenda, mas basta consultar a tradução em um exemplar do livro. O nome do poema é Lake :)


3 comentários:

Raffafust disse...

Oi Tita

Nem sabia que existia isso O.o
Mas achei muito legal!
Quem sabe a moda não pegue por aqui? Por sinal,estou louca para ler esse livro desde que vc me indicou ;)

Beijos

Tita Mirra disse...

Super torço para essa moda pegar :) E leia o livro, mas prepare os lencinhos de papel! rs Bjs!

Frini Georgakopoulos disse...

Atrasada, mas cheguei! Não curto muito poesia, mas admiro demais os bons poetas - sejam eles clássicos ou contemporâneos. Acho tão difícil colocar os sentimentos em forma de poesia, mas acho louvável quem consegue. E não deixar ser uma coisa antiga, chata, é essencial para a cultura de hoje, de amanhã e e de sempre. Curti a coluna, Tita! :)
beijocas