7 de abr de 2015

Papos de terça: Por que piratear não é bacana?



Se tem um tema que – infelizmente – não sai de moda, é a pirataria. Neste mês, vi muitas autoras na minha timeline do Facebook reclamando que seus livros estavam sendo pirateados na cara dura e que isso as deixava desanimadas. Optei por falar desse tema nesta coluna porque acho importante entendermos como a pirataria prejudica o mercado – inclusive aquele autor que você ama.
Desde criança, cresci em um ambiente no qual nunca recebi permissão para comprar nada que não fosse original. Como meu pai era músico, ele sabia a dor de ter algo copiado indevidamente. Por esse motivo, fui sempre um ponto fora da curva, já que nunca baixei músicas ou filmes ilegalmente, nem peguei PDF de livro sem prévia autorização do autor. E não, não sou a Sra. Perfeita. Mas baixar livros, especialmente com os avanços tecnológicos que permitiram o barateamento dos produtos, é tão feio que não consigo encontrar o porquê das pessoas ainda fazerem isso. A Amazon, por exemplo, disponibiliza diversos e-books bem baratos ou até mesmo gratuitos.
Para que um produto chegue até o consumidor, uma série de profissionais é envolvida, e todos eles, assim como qualquer um, precisam de renda para continuar vivendo nesse país (que por sinal anda cada vez mais caro de se viver). Se o número de livros vendidos diminui, a livraria não compra mais o livro da editora, a editora não lança mais os livros do autor, o autor vai ter que parar de escrever para trabalhar em outra coisa porque, por mais que ame a escrita, ainda não inventaram uma forma de encher a barriga com ela.
Papo chato, né? Mas necessário. Muitas vezes me pedem PDF de livros que fiz resenha, e eu continuo sem entender porque essas pessoas pedem e querem isso. Gente, OK que hoje o livro pode chegar a 30 reais, mas em poucos meses o Submarino o vende a dez reais e pronto, você terá o livro original só esperando para ser devorado. E, claro, se você amá-lo, você ainda vai torcer para aquela autora linda fazer uma tarde de autógrafos e seu exemplar ser ainda mais especial para você.
Conversando com autores em um evento que apresentei recentemente aqui no Rio, todos concordaram que ver sua obra distribuída sem autorização é como entrar na livraria, se agarrar ao livro desejado, sair correndo sem pagar e pronto! Você faria isso? Pois saiba que a pirataria é uma ação igualmente criminosa – a diferença é que somente sua consciência vê quando você pega um arquivo gratuitamente sem que tenha sido disponibilizado pelo autor ou editora!

Se você curte o autor, quer que seus livros continuem sendo lançados, faça um favor a você mesmo: compre os livros. Não há forma mais linda de agradecer a ele, afinal, se ele te emociona, se a história dele marcou sua vida, não há nada mais bacana a ser feito por ele.
Pra fechar, lembro de um dia em que peguei o vagão exclusivo para mulheres no metrô e um homem entrou na composição. Ele ficou no mesmo vagão mesmo com todo mundo dizendo que era um absurdo, e o abusado ainda havia sentado em um banco e deixado uma senhora em pé. Certa hora, uma moça o cutucou e disse:
– Você também entra no banheiro feminino?
Ele, vermelho de vergonha, soltou um:
– Claro que não! Sou homem, né!
Ela completou:
– Então o que faz no carro feminino? Porque também é lei, há banheiros separados, assim como como há vagões separados.
O homem levantou e foi embora, e a moça foi lindamente aplaudida. Conclusão? Ele, assim como quem pirateia, sabe que está errado, mas precisa de um "vigilante" para lembrar que a lei existe, que não deve ser feito.

A gente cobra tanta honestidade dos políticos, porque não começar agindo certo dentro de casa?  Vamos combinar que piratear não é símbolo de honestidade e que nunca é tarde para parar e agir certo :)  

3 comentários:

Luiza disse...

Raffa adorei essa postagem, realmente tem um monte de profissionais por trás do trabalho e é ótimo ter o livro em mãos, colocar na estante e quem sabe ter autógrafo. Achei muito bacana a analogia que fez no final comentando a situação do vagão exclusivo das mulheres.
Bjs

Ø Väzïø ñä Flø® disse...

Bem, agora me senti um pouco pirata..ou muito pirata. Sempre fui de baixar séries no pc, filmes...não para comércio, mas para meu uso próprio. Talvez mesmo enxergando esse lance da pirataria algo gravíssimo, nunca vi problemas nisso. Claro, acaba gerando uma série de contravenções, de erros humanos..Mas...de santo e pecador, todo mundo tem um pouco né?
Não me sinto menos por fazer isso...Faço e pronto!!!
Não com livros e música..Mas filmes e séries? Diariamente.
Beijo

Evellyn Reist disse...

Esse é um tema um tanto polêmico que acaba gerando "n" debates. E com o ponto de vista que você expõe me faz refletir o quão pirata eu já fui, não com livros, porque não consigo ler em formato digital, mas em relação a filmes, comprava muito filmes em camelô, hoje em dia nem faço mais pois a facilidade de ir no cinema, ou até mesmo ver na sky, netflix acaba que não compensa comprar barato para ter porcaria em casa.
Parabéns pelo excelente tema.