9 de abr de 2015

Design et cetera: Feira do Livro Infantil de Bolonha (em GIFs)


Oi gente, tudo bem? Não sei se vocês sabem, mas semana passada a Galera esteve na Feira do Livro Infantil em Bolonha e eu tive o prazer de comparecer pelo segundo ano consecutivo. Ao contrário da Bienal, que é uma feira voltada para o leitor, a Feira de Bolonha é um evento de negócios onde agentes literários e editores do mundo inteiro se reúnem para vender e comprar direitos autorais de publicação de livros para jovens. Além disso, é um espaço onde ilustradores podem divulgar seus trabalhos para as editoras.


Mas como funciona exatamente? Não se preocupem, preparei uma explicação sensacional para ilustrar EXATAMENTE como é a rotina nessa feira literária.
Quando eu falo que vou para Bolonha a trabalho, as pessoas formam essa imagem mental:


Mas a realidade é bem diferente. O dia começa cedo, 9h da manhã eu e Ana Lima (editora executiva e musa da Galera) estamos na primeira reunião. As reuniões duram 30 minutos apenas e a última costuma acabar às 18h30. Não há pausas para almoço. Entre uma reunião e outra, podemos ser encontradas na seguinte situação:



Como as reuniões são curtas e são muitos livros a serem apresentados, os agentes fazem uma explicação concisa de cada título, usando referências culturais para explicar do que se trata a obra. Chamamos isso de “pitch” e o pitch costuma misturar coisas muito loucas como:
“Esse livro é um Harry Potter encontra Lagoa Azul”




“Clube da Luta encontra A Bela e a Fera”



“Garotas Malvadas encontra Walking Dead com um pouco de Esqueceram de Mim”


Anotamos tudo em um caderno (que vai ficando cada vez mais ilegível à medida que a feira progride) e pedimos o pdf daqueles livros que nos pareceram mais interessantes para avaliação. Geralmente, avaliamos o livro nas semanas seguintes da feira, mas tem sempre aqueles títulos que são destaques e quando há interesse de várias editoras brasileiras, o livro pode entrar em leilão:


Às vezes, quando o livro parece MUITO bom, podemos fazer uma oferta alta para tirar o livro da mesa, isto é, impedir que entre em leilão e outras editoras possam levá-lo. Essa oferta chama-se preempt  e acontece mais ou menos assim:



Por exemplo, nessa feira, fizemos uma preempt e levamos o livro George, sobre um menino transgênero. A obra foi editada pelo próprio David Levithan.


Após a última reunião, voltamos rapidamente para o hotel para tomar banho. Mas os compromissos não acabam por aí. De noite tem sempre um jantar com autores, editores e agentes. É legal, pois assim todos se conhecem melhor e temos a oportunidade de saber estratégias de marketing, projetos para capas e eventos que outras editoras do mundo promovem para autores que nós também publicamos aqui no Brasil. E claro, um vinhozinho ajuda a tornar tudo isso mais divertido ainda.


No final de uma semana caótica, voltamos para casa com um mar de pdfs para ler.



E é assim que encontramos os títulos queridos que os leitores da Galera tanto amam <3 p="">

Um comentário:

Frini Georgakopoulos disse...

Adorei!!!! Além do post ser divertido, muito legal entender um pouco mais sobre como as feiras funcionam.