20 de jun de 2014

Papos de sexta: Torcendo para o inimigo

Copa do Mundo é uma coisa esquisita. Não acompanho futebol, nem vibrei quando o Brasil foi escolhido para sediar esta Copa. Muito menos lutei pelos ingressos dos jogos como muitos fizeram. Mas... de repente, aqui estou eu, acompanhando os jogos que posso, sofrendo quando o Brasil não marca gol e vibrando como se tivesse ganhado na loteria quando o time marca.

Não foi a primeira Copa na qual comecei desanimada, e não será a última. Mas aí vem aquela onde contagiante de pessoas de verde e amarelo; do prédio todo cantando o hino nacional. E quando você vê, lá está você, largando o livro que jurou terminar nos dias que saiu mais cedo do trabalho por causa dos jogos no Maracanã, vendo jogos do seu país. E também de times com os quais você não tem qualquer vínculo, mas, sabe-se lá porque, também torce (desde que não estejam jogando contra o Brasil, para deixar bem claro!).

Isso me faz lembrar da Copa de 90 (sim, a de 90! Eu tinha 10 anos!). Vi a Copa toda na casa de meu avô. Ele, como sempre, comprava tudo para mim: camisetas, bandeiras, cornetas, pulseiras, bonecos com a roupa da seleção... e nem era brasileiro. Mas como ele amava a Copa do Mundo!

Naquele ano tive minha primeira paixão, e não achem vocês que foi por um garotinho da escola! Me apaixonei por Claudio Paul Caniggia, jogador do time que o Brasil inteiro mais odiava: Argentina. Os cabelos louros, a pinta de astro do rock... Nossa, eu achava ele lindo! Meu avô estranhou quando pedi um pôster dele que vendia em uma banca de revistas importadas próxima a casa dele, mas acabou me dando.

Comprava jornal argentino também. Minha sorte é que por morar em Copacabana sempre tinha muitas publicações para os turistas; então comprava revistas, e tudo mais em que ele aparecesse. Gastava tudo que ganhava de mesada e meus pais estranharam quando em vez de gibis eu pedia revistas de futebol.

Foi então, no sofá da casa de meu avô, com a família toda reunida para ver o jogo do Brasil contra a Argentina, que aconteceu o que eu não queria: o Caniggia fez o gol que eliminou o Brasil. Virou quase um crime eu ter pôsteres dele no quarto, e até uma réplica da camisa que ele usava. Fiquei quieta, mas por dentro vibrei com a felicidade dele. Enquanto todos estavam tristes, eu sorria.

Com o tempo minha paixonite minguou, mas todas as vezes em que visitei a Argentina comprei algo dele, nem que fosse caneca com seu nome ou um postal com a foto.

Em 2012 eu soube que ele estava hospedado perto de onde moro. Desci como quem não queria nada e pensei: "Preciso ver o ídolo da minha infância de perto". Dito e feito. Esperei uns dez minutos na porta do hotel, e ele apareceu. Autografou um pôster meu e tirou muitas fotos comigo, sendo muito simpático. O sonho foi realizado um pouco tarde, mas o sorriso da menina de dez anos era o mesmo.

Enfim, essa coluna foi atípica, para comemorar a Copa, provar que a gente não escolhe de qual jogador gosta e que sempre temos uma história saudosista para contar dos campeonatos anteriores!

Esse ano nada de paixão por jogador. Apesar de apreciar o futebol argentino, meu foco é o Neymar, ou melhor, os gols que espero que ele faça para sorrir de orelha a orelha com mais um título. Boa Copa para todo mundo! ;)

2 comentários:

Frini Georgakopoulos disse...

Raffa, te adoro, mas NO WAY torcer pela Argentina. AHAHHAAH! Nunca fui fã de futebol nem de jogadores, mas adoro Copa do Mundo porque eu amo a torcida. Amo ver os rostos, a vibração, a fraternidade. Adoro torcidas e é esse clima que me contagia. Boa Copa!
beijos

Aline Basilio disse...

Quando somos jovens fazemos cada coisa que depois nem acreditamos...
Realmente, sempre temos alguma história para contar.
Vamos torcer!!!!! Pra frente Brasil!