25 de out de 2013

Papos de Sexta: Obrigada, Celaena Sardothien

Eu terminei de ler há pouco tempo o livro Trono de vidro, de Sarah J. Mais uma aventura medieval em que a protagonista é uma assassina. É. Isso mesmo o que vocês leram. Nada de uma dama à espera do príncipe encantado ou participando de festas da corte, ela é contratada para matar.

Quando eu li a sinopse pela primeira vez, me peguei pensando... Que baita desafio para a autora fazer o leitor criar laços com uma protagonista que é totalmente fora dos padrões aceitáveis, afinal, ela é uma assassina. E não é que ela conseguiu?

É claro que, aos poucos, nós vamos percebendo as motivações da personagem, mas ainda assim... Não são apenas os leitores que se surpreendem com a força e ousadia dela. Os próprios coleguinhas do livro também. Afinal, ela tem 18 anos, é a assassina mais conhecida e temida de Adarlan e é apenas uma garota. Opa! Esse é exatamente o assunto em que eu gostaria de chegar.

Por que garotas fortes, ousadas e independentes são tão surpreendentes ao ponto de as pessoas sempre comentarem?

Por que sempre se espera que uma garota seja frágil e precise de cuidados?

Garotas não vivem apenas por romance. Não vivem apenas para serem salvas. Elas são força também. São inteligentes. Ardilosas. Competentes.

Por que é tão difícil encontrar livros em que as protagonistas têm o romance totalmente em segundo plano? Onde suas vidas, seus desejos e seus ideais são mais importantes?

Nós, garotas, não somos um poço de inutilidade e adorno. Celaena fez seu papel. É uma garota temida, só uma garota, no meio de vários brutamontes. E ela é a melhor nisso. Ela se importa com ela mesma. Com as injustiças do seu povo. Com a vida.

É claro que ela não é a salvadora dos fracos e oprimidos. Ela é vingativa. Pensa muitas vezes no que é melhor pra si. Mas sabe reconhecer uma boa alma no meio das artimanhas do reino.

Eu quero mais protagonistas assim. Quero mais protagonistas que inspirem garotas a não se deixarem levar como inúteis ou que simplesmente não deveriam se importar com o que querem para seu futuro. Não somos princesas que precisam ser resgatadas. Somos as princesas que podem comandar um reino.

Temos grandes mulheres na nossa História, temos grandes mulheres fazendo história todos os dias. Somos as mulheres e garotas responsáveis por essas histórias. Isso tudo também deveria estar nos livros.

Obrigada, Celaena Sardothien.

6 comentários:

Nicon S2 disse...

Adorei sua visão, e concordo q nós mulheres devemos se faz mais fortes e presentes nas histórias.
Amei sua resenha :)

Anônimo disse...

Nossa, eu adorei como vc retratou o livro, nunca tive tanta vontade de ler algum livro como to querendo ler o Trono de Vidro! E não é todo dia que se ver uma mulher não como a indefesa mais como uma assassina! Bjs

Luiza disse...

Agora deu vontade de ler

Frini Georgakopoulos disse...

Acho que você está coberta de razão ao cobrar protagonistas que sejam independentes, inteligentes, decididas e que não vivem em função de um interesse amoroso. Mas acho que romance faz parte do encanto, mas não deve ser só ele a razão de um livro. Curti a coluna, Pam. E que venham mais protagonistas divas! :)
beijos
Frini

ana lima disse...

O bom é que o livro tem romance, mas não é isso que move a história. Adoro protagonistas assim tb, esse é o meu favorito do ano com certeza <3

Anônimo disse...

Num mundo onde "A Seleção" é dito melhor do que "Jogos Vorazes", realmente precisamos de mais Celaenas por aí