19 de jul de 2012

GALERA POP – BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

Em três filmes do Homem-Morcego, o diretor Christopher Nolan nos apresentou a três vilões com planos sinistros para Gotham City (mesmo que o Coringa admita, no segundo longa-metragem e de maneira mentirosa, que não faz planos). Contudo, com a saga devidamente e muitíssimo bem encerrada, fica a prova de que quem de fato tinha um plano-mestre era o próprio Nolan: contar a jornada do herói a partir de seu início (Batman Begins), sua maior provação (O Cavaleiro das Trevas) e seu retorno triunfante (Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge). Percebam que esta estrutura é a mesma da trilogia original de Guerra nas Estrelas: um capítulo de apresentação, outro mais sinistro e em tom de derrota, e finalmente um epílogo épico. (Não vai aqui um juízo de valor, apenas um dado sobre uma estrutura narrativa clássica.) Dito isto, Batman - O Cavaleiro da Trevas Ressurge é praticamente uma sequência direta de Batman Begins; todos os dilemas e pontas soltas na estreia do Homem-Morcego são resolvidos aqui. A conta, digamos assim, chega à mesa de Bruce Wayne com altíssimos juros a pagar; ainda bem que o herói tem tanta grana quanto heroísmo para gastar. 
Desde o início, Christopher Nolan quis situar um Batman crível no mundo real de hoje (com todas as necessárias licenças poéticas que envolvem um homem vestido de morcego); assim, Batman - O Cavaleiro da Trevas Ressurge encontra ressonância nas páginas dos jornais com o Movimento dos 99% (uma neoluta de classes contra a elite de 1% da sociedade que controlaria toda a riqueza.) A trama do filme envolve o plano do terrorista Bane que, teoricamente, quer tomar o controle de Gotham em nome da população oprimida pelos políticos corruptos e por empresários milionários. Seria ele um Robin Hood moderno que se vale de métodos “talibanescos”? A resposta vem na trama com muitas reviravoltas que surpreende a cada vez que uma suposta verdade dita no início do filme vira uma mentira lá pelo final. Nem o Duas Caras é tão Duas Caras assim. 

Além do vilão novo, Batman - O Cavaleiro da Trevas Ressurge apresenta um elemento que poderia pôr o filme a perder: a Mulher-Gato de Anne Hathaway. Entendam: a introdução de uma nova (anti) heroína no cuidadoso castelo de cartas do diretor era preocupante, pois o filme poderia descambar para um super-heroísmo que, na verdade, a série nunca abraçou. Pois a Mulher-Gato tem presença fundamental na trama e uma dinâmica perfeita com a narrativa de Bruce Wayne/Batman; mais um acerto na longa lista de Christopher Nolan. Outro antigo trunfo do diretor, Michael Caine como Alfred, mantém em suas mãos o fio narrativo emocional ao emendar cena atrás de cena que desafiará o coração dos mais brutos. Se não rolar uma indicação ao Oscar será uma injustiça.
No final de quase três horas arrebatadoras, fica a impressão de que Christopher Nolan entregou uma obra em três partes que seria injustiça classificar como “filme de super-heróis”. Neste quesito, a Marvel tem os melhores exemplares: Homem-Aranha 2, X-Men 2 (+ Primeira Classe) e especialmente Os Vingadores. O cineasta foi além: misturou ação, policial, drama social, estudo de personagem, tudo em um caldeirão em que, por acaso, o protagonista coloca uma máscara e capa à noite. Antes de ser um filme de super-herói, o Batman de Christopher Nolan é um superfilme.

O trailer e outras informações estão no site oficial.
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André Gordirro, 39 anos, carioca, tricolor, escreve sobre cinema há 18 anos. Passou pelas redações da Revista MancheteVeja Rio, e foi colaborador da Revista SET por dez anos. Atualmente colabora com aRevista Preview e GQ Brasil. Leva a vida vendo filmes, viajando pelo mundo para entrevistar astros e diretores de cinema e, claro, traduzindo para a Galera Record. Nas horas vagas, consegue (tenta...) ler gibis daMarvel, jogar videogames e escrever o primeiro romance (que um dia sai!).

3 comentários:

Anônimo disse...

Excelente crítica.

Anônimo disse...

"O cineasta foi além: misturou ação, policial, drama social, estudo de personagem, tudo em um caldeirão em que, por acaso, o protagonista coloca uma máscara e capa à noite. Antes de ser um filme de super-herói, o Batman de Christopher Nolan é um superfilme."

Isso ele fez desde o primeiro filme e fico MUITO feliz em saber que o terceiro consegue ser ainda melhor e fechar bem a trilogia (e sem spoilers!)

beijocas
Frini

Vivi Maurey disse...

CONCORDO 100%, Gordirro!

Amei a crítica!

Bjão!