
"Eles me acharam". Essa é a resposta que dou sempre que alguém me pergunta como comecei a ler Diários do Vampiro. Me recordo de estar em um momento Crepúsculo e Vampire Academy quando descobri a escrita de L. J. Smith. Depois disso, lembro-me de ter lido a “quadrilogia” toda de uma vez e de estar sentada no sofá da sala, com o primeiro da nova trilogia nas mãos (tem um gap de uma década entre eles), quando pensei: “Acho que vou entrevistar essa autora”.
Como disse na entrevista com as meninas aqui do
Papos de Sexta, eu sou jornalista e, portanto, viciada
em entrevistas. Principalmente quando curto alguma coisa. Aí cato umas pessoas, faço uma pesquisa e lá estou eu com minhas fontes ao telefone. Às vezes elas rendem matérias, às vezes não. Com a L. J. S
mith começou assim e foi parar no caderno Megazine, do
O Globo.
Voltando ao sofá... Lá estava eu, de férias, lendo, quando pensei em entrar em contato com ela. O seriado não tinha estreado ainda, mas o trio principal de atores já havia sido escalado. Então fiz minhas pesquisas e mandei um e-mail para Lisa Jane Smith. E ela respondeu, tipo, horas depois! Começamos a trocar e-mails e, no final daquela mesma semana, lá estava eu, ao telefone, tagarelando com ela!
Ficamos mais de uma hora falando e, além das minhas perguntas, conversamos sobre muitas outras coisas. Ela se empolgou tanto que me contou com exclusividade um spoiler gigante sobre o Damon (quem já leu “Shadow Souls”, ouça ela me contar
aqui. Quem não quer spoiler, não acesse esse link!). De lá para cá, trocamos muitos e-mails, conversamos sobre muitas coisas, rimos horrores. Aí rolou o stress com a editora americana e a situação ficou tensa.
A Lisa (como eu a chamo, porque L. J. Smith é muito grande!) é muito, mas muito emotiva! Ela é literalmente apaixonada pelo trabalho que faz. Parece besteira dizer isso porque todo autor é assim, mas ela é do tipo de pessoa que vê um personagem como um filho. Mesmo! Então quando ela me disse que sua editora americana havia tomado os direitos de Diários do Vampiro, proibindo-a de continuar a escrever a própria série, combinei com ela e liguei novamente.
Outras várias horas ao telefone e ela me contou a história toda. Realmente, a editora tinha o direito legal de fazer isso (até porque o contrato havia sido feito, segundo Lisa, “quando eu era jovem e ingênua e só queria ter meu trabalho publicado”). Mas daí a entregar para uma escritora fantasma fazer, tendo a autora ali, podendo escrever o que o editor quisesse, doeu. Se doeu em mim, imaginem nela! Ela estava arrasada! Só de ouvi-la falar sobre o assunto, dava vontade de pegar um avião e ir abraçá-la!
Escutei mais do que perguntei ... Ela realmente precisava desabafar e é nessas horas que agradeço a ética jornalística que tenho. Saber dividir o que é notícia com o que pode prejudicar o seu entrevistado é essencial. Emplaquei a pauta no
O Globo (que pode ser lida
aqui) e, assim que o jornal saiu, traduzi e mandei para ela. Ela amou! Contei a Lisa que a
galera no Brasil era louca pelo trabalho dela e mandei fotos dos eventos que rolam por aqui. Ela ficou toda boba!
Enfim, na época da nossa segunda entrevista, Círculo Secreto estava para ser lançado aqui no Brasil e o seriado também não havia estreado. Ela estava empolgada porque, por mais que os seriados sejam muito diferentes dos livros (algo que ela não curte tanto, mas também, qual autor gosta?), faz com que as pessoas passem a conhecer melhor o trabalho, o que é sempre bom, né? Mas aí veio a segunda bomba!
Tiraram dela os direitos de Círculo Secreto também! Assim que isso aconteceu, conversamos demais por e-mail e tentei de tudo para animá-la. Trocamos e-mails gigaaaaaantes e, de repente, ela ficou em silêncio. Fiquei muito preocupada porque a conheço: para a Lisa não responder é porque algo muito errado está acontecendo. Esperei um tempo, mas a preocupação aumentou e, mês passado, resolvi ligar para ela. Lisa atendeu e ficou empolgadíssima com a ligação. Lá foi a minha conta de telefone novamente, porque a gente tagarela demais! :)
Ela me contou que estava escrevendo loucamente e que já está quase terminando seu novo livro chamado The Last Lullaby (que se chamava Briowny’s Lullaby quando nos falamos pela segunda vez). Ela comentou sobre algumas mudanças que fez em sua vida profissional e disse estar pronta para realmente seguir em frente. Antes de desligar, Lisa me disse ainda que passou por momentos muito difíceis e que por isso estava tão sumida. Lembra que eu disse que para ela, seus personagens são como filhos? Imagine perder vários de uma vez? Pois é... Na tentativa de animá-la um pouco, disse que o meu lado Elena não a deixaria ficar triste nunca! Ela gargalhou e soltou: “Frini, você é meu anjo da guarda!” Achei tão lindo! Assim que cheguei em casa, lá estava outro email dela me esperando. :)
E essa é a minha história de como uma simples entrevista se tornou uma amizade que eu cuido muito. Lisa é uma pessoa muito especial e coloca o coração em tudo que faz. Quando forem ler algo escrito por ela, tenham isso em mente. Cada livro que é dividido conosco é um presente e eu estou louca para ler o próximo!