31 de ago de 2012

Papos de sexta: Para o Fim do Mundo, por @vivimaurey

 Semana passada, vi o filme Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo, com Steve Carell e Keira Knightley, sabem qual é? Estreia hoje nos cinemas.

No filme, um asteroide chamado Matilda vai colidir com a Terra em alguns dias, e a última tentativa de modificar essa rota de colisão falha. Esse é o fim da humanidade. Todos aqueles planos para o futuro são tão inúteis agora quanto os feriados em dia de domingo. A realidade do fim dos dias é tão cruel, que é mais fácil continuar as vidas como se nada fosse diferente; como se a ficha ainda não tivesse caído. Afinal, fazer tudo o que você sempre quis antes de morrer pode ser impossível. As companhias aéreas não estão mais disponibilizando voos, os telefones estão se desligando, tudo perde o sinal, aos poucos, e aquela sua ideia maravilhosa de visitar o Egito e a Grécia no fim dos dias fica, a cada segundo, mais distante. Nem gasolina nos postos se acha mais. Só diesel.

O que você faria se soubesse que só te restam duas semanas de vida? É a pergunta a qual todos são submetidos, durante o filme. Mas, na verdade, o único grande questionamento da história é bem mais simples que isso. Com quem você quer passar os últimos dias de sua vida? Se você souber responder, talvez acredite que as pessoas não morram sozinhas, afinal :) 
Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, 2012) é trágico e parece bem dramático — e é! risos —, mas o tom é de comédia e diverte do início ao fim. Não tem como não se identificar com a riqueza de cada um dos personagens. Todos eles têm seus questionamentos sobre a morte, sobre o fim do mundo e o fato de saberem que vão morrer em tal hora de tal dia. Alguns vão querer continuar vivendo como se nada fosse acontecer, indo ao trabalho e voltando para casa, mantendo a rotina; outros vão surtar, quebrar a casa, as ruas e as pessoas. Muitos vão se matar; alguns do jeito tradicional, outros nem tanto. Vocês vão entender o que estou falando quando assistirem ao filme. E alguns vão simplesmente se perder ainda mais na solidão, como é o caso de Dodge, o protagonista. Questionando até o fim o sentido da vida e os detalhes inúteis com que as pessoas parecem se importar tanto. Qual apartamento escolher? A cortina tem de ser azul ou vermelha? Esse ou aquele emprego? Escolhas que na atual perspectiva não parecem ter mais nenhum valor. E a verdade cruel é que nenhuma delas importa mesmo. Mas a gente só enxerga isso diante da morte. 

É lindo demais, chorei pra valer. Emociona com sutileza, sabe?
Mas sabe o que é mais bizarro? Tem uma cena (calma, não é spoiler) que a personagem da Keira Knightley tem de abandonar rápido o apartamento e ela corre para os discos de vinil que herdou do pai, recolhe alguns e diz 'adeus' para os outros, triste, porque teve de abandoná-los. Isso me fez pensar tanto...

Eu já me imaginei várias vezes tendo de escolher o que colocar numa mochila caso tenha de sair às pressas de casa por conta de um apocalipse zumbi, risos. Sério. Já perdi o sono por causa disso (veja na minha coluna sobre zumbis e vai entender melhor a minha loucura!). Mas, nesse caso, eu teria esperanças de sobreviver, então seria um kit para levar adiante, para a vida pós-apocalíptica, sabe? Mas quando se trata de um asteroide que vai acabar com a humanidade, não há esperanças. A única coisa que eu poderia colocar numa mochila seria para as últimas horas de vida. A Penny, do filme, escolhe os discos de vinil e nem sabe se vai encontrar um toca-discos na viagem, que ela vai fazer durante as últimas horas, para escutá-los.

O que eu escolheria? Já pensei nos meus livros prediletos (e me toquei que eles não estão no meu iPad — o que facilitaria a minha vida na hora de carregá-los), no meu notebook (com fotos, músicas, livros, minhas próprias histórias e duas horas de bateria), nos meus diários — que carregam toda a minha vida desde que eu tinha 8 anos —, no meu violão e até na possibilidade de levar apenas um caderno e uma caneta.

Duvido que minha conclusão atual seja a mesma que eu teria se tivesse nessa situação.

Você já pensou sobre isso? O que levaria numa mochila para passar os últimos dias na Terra?

Um comentário:

Raffafust disse...

Vivi

Eu queria muito ter visto esse filme esse final de semana mas infelizmente ele não estava passando perto de casa...preguiça falou + alto.
Mas pensando no que vc perguntou se eu tivesse que sair de casa voando eu acho que tacaria na mochilas:

1- O cd Greatest Hits do GUNS N ROSES, mesmo que não tivesse onde ouvir queria tê-lo por perto
2- Dois livros que amo demais
3- Um porta-retrato onde estou com meus dois avôs que já se foram
4- Meus remédio de alergia
5- Minha necessaire
6 -Um cachecol
7- um casaco
8- Lenços de papel ( kleenex)
9- Meu celular - mesmo que nao fosse funcionar po mt tempo
10 - a chave de casa, sempre na esperança de voltar

kkk acho que isso

bjos