24 de mar de 2016

PAPOS DE QUINTA: FEMINISMO, FAÇA A SUA PARTE




“Existe um lugar especial no Inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres”. Essa frase foi dita pela política americana Madeleine Albright, a primeira mulher a ser nomeada Secretária de Estado dos EUA. Eu concordo demais com essa afirmação, mas o que me dói não é o fato de saber que, infelizmente, sou minoria. É o fato de que demorei para me dar conta disso.

Hoje posso afirmar que sou uma feminista. Sou uma executiva (sim, gente! Para quem não sabe, sou Gerente de Comunicação Interna em um grupo empresarial gigante no Brasil), sou casada com um homem que amo muito e tenho muitos planos para minha vida pessoal e profissional. Sou filha única e cresci envolvida com minha família, formada por membros de personalidade forte. O resultado é que não sou dessas que ouve uma gracinha e não reage. Eu não levo desaforo para casa! Desde pequena sou assim. Tentaram praticar bullying comigo no Ensino Médio, mas resolvi a situação com a Diretoria e a menina (era uma meninA!) foi punida. Já sofri leves assédios morais e sexuais no ambiente de trabalho, mas sempre me defendi de todos, sem ferir minha posição nas empresas que trabalhei. E nunca, em momento algum, me culpei pela situação.

Por tudo isso que citei, não entrava na minha cabeça mulheres que aceitavam caladas situações que as deixavam incomodadas. Na minha concepção era tão simples resolver! Bastava dizer que não queria e pronto, vida que segue. Mas ao crescer, fui me dando conta que não somos todas iguais. Que, às vezes, mulheres sofrem sozinhas porque não encontram empatia em outras mulheres. E isso sim é um absurdo.



Quando pensei em escrever essa coluna, a primeira coisa que veio a cabeça foi “não estou preparada para isso. Preciso ler mais sobre o assunto, estudar mais, refletir”. Mas entendi que escrever agora, no meio da minha pesquisa, da minha busca por mais informação sobre o feminismo, era exatamente o que eu tinha que fazer.

Sou feminista porque acredito na igualdade de direitos para homens e mulheres. Sou feminista porque acredito que mulheres devem ir e vir de onde e para onde quiserem, usando o que quiserem e se sentirem seguras. Ninguém vive bem sentindo medo o tempo todo e sim, nós mulheres sentimos medo o tempo todo. O problema é que é tão marcado na nossa raiz que é considerado comum, normal, faz parte de ser mulher. Mas não pode ser assim!

No início deste texto, disse que já sofri alguns leves assédios morais e sexuais no trabalho. Por que, em nome de Nossa Senhora, eu achei isso normal? Por que eu achei que “fazia parte do ambiente de trabalho” passar por isso? Embora saiba e tenha me defendido, não invalida o fato de que não deveria ter acontecido! E isso é o que quero dizer quando falo que estou me descobrindo feminista agora. Se defender do assédio – seja ele qual for – não é a questão. A questão é que ele não deveria ser cometido, ser aceito como prática normal!

Mulheres são incríveis, complexas, difíceis. Não somos melhores nem piores do que homens, somos diferentes e essa diferença precisa ser respeitada e não depreciada, penalizada.



Sou feminista sim, mas estou aprendendo a ser. No momento, estou buscando livros sobre o tema para ler (entre eles, o Vamos juntas?, da Babi Souza), relendo alguns e entrando em contato com amigas para tomar um café e entender outros pontos de vista sobre o tema.  Falar sobre feminismo nunca será o suficiente e sempre terão diversos aspectos a serem considerados, o que mostra a importância do assunto. Mas que tal começar cada um na sua casa, debatendo sobre conteúdo não sobre cascas? Vamos fazer a nossa parte?

Obs: E na literatura? Como fica o feminismo? A Rafaella Machado mandou muito bem no post sobre isso aqui. Dá uma lida e vemos refletir!
Design et-cetera: Trono de Vidro

3 comentários:

Jane C. disse...

Que delícia ler este texto!
Fico muito feliz quando vejo uma mulher que é referencia declarando-se feminista! Há tantos mitos e estereótipos acerca do feminismo e do que é ser feminista (afinal,é muito interessante para muita gente que as mulheres sejam desunidas e passem a vida tentando se enquadrar em padrões, fora outras coisas),e a forma mais eficaz de mostrar que não é nada do que dizem é mostrar isso: feminismo é, antes de mais nada,sobre respeito.
Adorei!

Anônimo disse...

Como você nos inspira, Frini! Que texto lindo! Tem a sua marca e a Sua força! Beijos, Thalita

Unknown disse...

Senti falta no texto de ler algo sobre Simone de Beauvoir.Toda feminista "deveria" tê-la como referência.Afinal "O segundo Sexo" é quase uma Bíblia do Feminismo.