21 de set de 2010

Uma visita à "fantástica fábrica de livros" da Record.

Você imaginava que uma tiragem de 3 mil exemplares de um livro de cerca de 250 páginas poderia ser impressa em apenas... 50 minutos? Pois é, aqui na “fantástica fábrica de livros” do Grupo Editorial Record isso é possível! Tudo graças à Cameron, nossa poderosa máquina de impressão, que faz (quase) tudo sozinha.

Esta semana eu e os funcionários mais novos da empresa participamos de um tour pela gráfica, e resolvi fazer meu texto de estreia no blog para explicar um pouquinho para vocês - admiradores de um bom livro - como funciona o processo de impressão e como foi essa experiência sensacional (e muito gratificante para qualquer produtor editorial). As fotos são da Vivi Maurey, nossa ex-estagiária que anda fazendo muita falta por aqui.

Vamos lá!

Bom, passado o processo de edição do qual eu, Ana Paula, Ana Lima e Giu participamos (num futuro post podemos explicar passo a passo como funciona também), é gerado um arquivo digital do livro. Este arquivo será “fotografado” e transformado em um fotolito negativo. (Pense num negativo de fotografia, só que enorme – cada um tem cerca de 6 páginas de um livro.)

Esse fotolito é levado para uma máquina que espalha numa chapa uma camada de polímero laranja fluorescente (parece uma geleca e é gosmento, eu coloquei o dedo!). Então, a máquina aproxima o negativo dessa geleca (o polímero) e joga uma luz UV. O que acontece no processo? Lembre-se que no negativo, as letras são vazadas em um fundo preto. Bem, quando a luz passa pelas letras vazadas e atinge o polímero, ele endurece. Resultado: as letras e imagens ficam em alto-relevo como um carimbo, e agora será chamado de clichê! 

A seguir, outra máquina limpa o que restava da geleca que não endureceu, e o clichê fica limpinho. Então cada página é recortada, para ser arrumada em uma ordem de impressão que não é nada lógica para nós, mas sim para a máquina. Coloca-se uma fita dupla-face no clichê e as páginas são coladas num plástico gigante, nessa nova ordem, formando a cinta. Ela recebe uma tinta e “carimba” o papel.
Agora apresento-lhes a grande e majestosa CAMERON, A máquina. Ela foi trazida da Alemanha, e é uma das únicas aqui da América Latina. Ela não imprime colorido, porque a tinta que o carimbo recebe é uma só. Ou seja, capas e ilustrações coloridas são impressas em outra gráfica, pelo sistema offset, e trazidas para cá.

A capa, que chegou sem vinco, passa pela máquina que dobra orelhas, e recebe marcas de dobras também na lombada. Ela segue por uma esteira pra se unir ao miolo do livro.

O papel (vindo de uma bobina gigantesca) é carimbado de um lado, seca, e volta para ser carimbado do lado oposto. Depois de tudo impresso, é cortado por facas e vai para o alceamento, onde são feitas as dobra dos cadernos. Mais cortes e os cadernos já saem na ordem correta, graças àquela ordem louca dos clichês lá no início. O miolo já está pronto!

                             

Os miolos prontos vão para uma esteira que treme (!) para organizar as folhas e um braço mecânico agarra o miolo para retirar o ar entre as páginas. Seguindo na esteira, capa e miolo recebem cola, no aplicador de capas. O próximo passo são os cortes de acabamento, porque as margens são feitas maiores que a mancha (podemos dizer que o tamanho das folhas ultrapassa o da capa, pra depois serem cortadas direitinho).

A fornada sai quentinha da esteira e, já empilhadinhos, os livros vão para o estoque, depois para os caminhões, depois para as livrarias e então para a sua cabeceira.

O processo é bem mais detalhado do que isso, é claro. Eu resumir bastante, porque seria necessário escrever um livro para explicar exatamente como se faz... um livro. Mas nada mesmo como acompanhar tudo bem de pertinho! Se algum dia tiverem oportunidade, não deixem passar.
Você deve ter pensado também: “Nossa, mas são tantos cortes de papel, e se tudo anda em esteiras, é claro que deve ter uma perda enorme. Então o que eles fazem como tudo isso?” Ah, sim, todo o refugo do papel é coletado e vai para reciclagem.

Qualquer dúvida tentaremos responder!
Um beijo estalado na bochecha ou uma mordida no pescoço... fica à sua escolha!
Até a próxima,
Renatinha
Ps: Eu terminei de levantar a pilha de livros aqui ao lado, mas a Vivi não conseguiu registrar, uma pena.

25 comentários:

Jackson Fernandes disse...

Que livros são estes que foram impressos?

Débora Lauton disse...

Muito legal o post... adorei conhecer mais sobre o processo...
Pena que nós, meros leitores, dificilmente teremos essa oportunidade...

beijos,
Dé...

Juh Oliveto disse...

Adoreei, adoreei! Quase tirei foto na plaquinha vermelha quando estive na editora semana passada, tive que me segurar! hahahaha

Muito interessante o post, meninas! Para nós que estamos de fora é muito bom conhecer um pouco mais do que acontece nos bastidores.

Beijocas!
Juliana Oliveto.

Bruno Brito Andrade disse...

Ameii o post =D

Quais foram os livros que acabarm de sair da gráfica ? *-*

Lu disse...

Bel legal. Sempre tive vontade de fazer uma visita assim. ^^

Theka disse...

Sinceramente, eu tinha muita curiosidade em saber como é um funcionamento de uma gráfica.
E achei um máximo a matéria!!!
Bem interessante o processo de montagem dos livros.
Parabéns Renata!

Karlinha disse...

Nossa eu amei o post. que legal eu adorei.

disse...

Que post bacana! Muito legal.

Bjks

Clarisse Cunha disse...

Uau!!!! K interessante!! Sempre quis saber como uma gráfica funcionava, e não qualquer gráfica. Mas sim a da Galera!!! Toda vez que passo em São Cristovão fico "namorando" o letreiro lá do alto da entrada da ponte Rio-Niteroí, e sempre digo: "Ainda vou lá um dia, babar meus maravilhosos livros!!!" Sonhar não faz mal algum!
XOXO, da Lisse

Clarisse Cunha disse...

Uau!!!! K interessante!! Sempre quis saber como uma gráfica funcionava, e não qualquer gráfica. Mas sim a da Galera!!! Toda vez que passo em São Cristovão fico "namorando" o letreiro lá do alto da entrada da ponte Rio-Niteroí, e sempre digo: "Ainda vou lá um dia, babar meus maravilhosos livros!!!" Sonhar não faz mal algum!
XOXO, da Lisse

Vivi Maurey disse...

Weeeeee!
Foi um dia inesquecível mesmo!

To morrendo de saudades de vocês!!

Chuinf.

Bjocas!!

Paulo Vaughan disse...

Que maneiro esse processo! Qual foi o livro que vocês viram ser impresso, pode falar?

Cíntia Mara disse...

Que legal! Adorei saber um pouquinho desse processo. Gostaria de um dia ver de perto.

Bjos

Ѽ Michelle Ѽ disse...

Nossa, que interessante isso!! Eu já tinha entrada em uma gráfica antes, mas foi na da impressão do jornal O Globo daqui do RJ, só que era criança e não reparei em todos os detalhes. Mas gostei muito de saber como os livros são impressos. É uma coisa que não vemos (ou lemos!) todo dia por aí.
Muito bom seu post, Renatinha! Adorei!

Bjussss
Michelle Santana
viciadospelaleitura.blogspot

Cibele Ramos disse...

Adorei o post. Muito bom saber o processo de impressão de um livro. Dá tanto trabalho, né?

Beijos ;*

Carol disse...

Puxa, muito legal o post!! A gente sabe essas coisas só na teoria, explicado e com foto ficou bem mais legal.

Invejo muito o trabalho de vocês....

ReFreihof disse...

Pessoal, o livro que tava sendo impresso é o livro de contos "Como se não houvesse amanhã".
Beijos,
Renata

Dandra disse...

Rsrsrs força Hulk! :P

Adorei o post, muuuuito bom conhecer esse processo.

Liliana disse...

Adorei o post. Sempre tive curiosidade e você nos tirou um montão de dúvidas que tínhamos. Show de bola. Parabéns!!!

Bjs

Mariana disse...

ADOREI esse post!

É bom saber como um livro é feito, os precessos que ele passa antes de vir para nossas mãos.

E tenho certeza que você conseguiu erguer essa pilha de livros, uma pena que não deu para registrar rsrsrsrs.

Bjs

Gabii N M disse...

muito interessante!
adorei!

leitoracompulsiva disse...

Que demais!!
Adorei esse post!!!
Ficou show!! Parabéns!
beijos
Camila

Julio disse...

Adorei o post!!
Trabalho dos sonhos!! =)

Dani Fuller disse...

carambaaaaa quem diria viu.. nossa eu queria muito conhecer......

adorei essa última foto .. e imagino q seja tranquilo levar essa pilha ahahahaha

Elisandra disse...

Uauuuuuuuuuuu achei fantástico, a fabrica da editora record, para mim seria que nem a fantastica fabrica de chocolate para uma pessoa que ama doce. Então ja deu pra notar né, fiquei fascinada com tudoooooo, nossa como deve ter sido bom. Olha só pela quantidade de livros fiquei babando, Renatinha tinha de ter pedido um livro desses pra nós nem ia fazer falta no meio de tantos...kakaka...to abismada.