22 de mai. de 2015

Papos de Sexta: Colorindo a vida

Vou ser muito sincera, quando os livros interativos surgiram, eu disse para mim mesma: não vou mesmo colorir, que perda de tempo! Comprei uns importados do tipo "listografia" e acabei deixando pela metade. Nunca preenchi tudo; paguei uma grana preta e estão lá, vazios, pedindo para serem preenchidos.

Mas então veio a febre dos livros de colorir, e era um tal de pessoas de todas as idades procurando por esses livros que até os lápis de cor, até então nunca tão procurados após o furor da "volta às aulas", esgotaram.

Muita gente aderiu, alguns torceram o nariz, e eu fiquei na turma do "deixa o povo colorir!". Que mal há nisso? Em juntar os amigos em uma livraria e trocar ideias de cores para eles? Que mal há se o seu lápis é aquarelável e eu gosto é de hidrocor?

Mas então, como tudo na vida, como se não bastasse a guerra política das últimas eleições e as amizades desfeitas por causa de um partido ou outro, tiveram os que decidiram postar em suas timelines que livro de colorir não é livro, que nem deve entrar na lista dos mais vendidos. E aí fica a pergunta: não é mesmo? Para mim é livro, mas não de história, e sim de arte, tipo aqueles de fotografias que compramos. E o cara que desenhou não é um artista? Não merece ele que seu livro, que demorou tanto para fazer, esteja na lista dos mais vendidos?

Na onda dos livros de listografia e de colorir, quem sai ganhando é o leitor, aquele que sempre quis ter um livro, mas nunca arrumou tempo para escrevê-lo. Agora ele pode fazer parte de um desses, afinal, o que está ali vem da sua cabeça, o que se pinta ali é sua arte. E isso, por favor, não se discute!

Sempre fui péssima em colorir. Era igual colar figurinhas; sabem aquela pessoa que sempre cola torto? Sou eu. Também sou rainha em pintar fora das linhas; quem nunca? E antes que perguntem: sim, uso óculos, mas colorir um pouco para fora já faz parte de mim.

Ainda não comprei o meu livro de colorir, mas tenho lápis e hidrocor — tenho mania de comprar quando entro nas papelarias, mesmo que não tenha muita utilidade...até agora! — e fiquei bem animada com os dois livros que vem por aí da Galera Record.




A Galera Record agora me deixou com muita vontade! Aguardem e me acompanhem nas redes sociais porque, com certeza, o fofo "Gatos - O Livro de Colorir", de Marjorie Sarnat, e o Ateliê Fashion, da Rafaella Machado, estarão comigo. Preciso dar uma corzinha a eles, né? Não tem jeito, daqui a pouco sou a mais nova viciada. Antes colorida e feliz que preto & branca estressada. ;) 


16 de mai. de 2015

Galera entre letras: Contos de fadas... outra vez

Entre os dias 11 e 17 de maio, a Academia Britânica de Letras promove a semana de literatura, em Londres. É um evento que inclui várias manifestações culturais (exibição de filmes, exposições, apresentações diversas) e que sempre tem um tema diferente.

O tema deste ano muito me interessa. Já dá pra adivinhar qual é? Isso mesmo! Os contos de fadas! Na verdade, a mostra se chama OTHER WORLDS, mas no videozinho do evento eles já deixam claro do que se trata. Dá pra ver aqui.



A proposta deles é abordar os contos de fadas sob várias perspectivas: discussões de gênero, palestras sobre a tradução e a modernização dos contos de fadas, a questão das ilustrações e dos ilustradores etc. O que não falta é assunto e, aos poucos, eu vou contando pra vocês o que rolou nesses dias.

Mas hoje eu quero falar sobre a exposição que está acontecendo durante a semana (TODA a programação é gratuita; então, se alguém estiver em Londres por esses dias, corra! porque vale muito a pena).

Tem várias discussões que envolvem a relação entre o oral e o escrito nos contos de fadas (ou ainda a transformação da tradição oral folclórica em contos escritos), mas também a relação entre a palavra e a imagem. A imagem tem tanta importância que não foi casual que ilustradores como Arthur Rackham ou Kay Nielsen (que chegou a trabalhar na Disney!)tenham feito ilustrações para antologias ou contos de fadas.
A exposição é uma parceria entre a Academia Britânica de Letras e a Folio Society, uma editora que publica livros clássicos em edições ilustradas, de capa dura.

Nos contos de fadas, as imagens funcionam como um auxílio à história, reforçando aspectos dos personagens ou do ambiente em que eles se encontram; mostrando características que não foram descritas ou ainda como “testemunho” do contexto histórico e social em que aquele conto foi recolhido ou mesmo como “testemunho” da época em que ele foi ilustrado. E isso fica evidente em algumas das imagens selecionadas para a exposição, que vou mostrar pra vocês agora.



Esta imagem faz parte do livro O Gigante Egoísta e Outras Histórias, de Oscar Wilde. Pra quem não sabe, o autor de O Retrato de Dorian Gray também escreveu contos de fadas. Alguns são bem melancólicos e muita gente acredita que refletiam o sentimento do autor em relação à sociedade da época. Não é casual, portanto, que o ilustrador tenha usado o próprio rosto de Wilde para ilustrar seu conto.


Aqui o ilustrador Victo Ngai (um dos meus preferidos) utiliza o tradicional desenho chinês para ilustrar um volume sobre o folclore da China. Não sei se vocês percebem, mas mesmo usando características dos desenhos chineses, os desenhos de Ngai são mais fluidos e ele introduz movimento nas imagens (ao contrário das ilustrações estáticas tradicionais).


A Princesa e o Goblin, de George Macdonald, é um dos meus livros preferidos e, se vocês repararem nos traços, os desenhos lembram muito uma técnica de gravura chamada xilogravura. É interessante ver como a ilustradora incorporou essa técnica ao livro e o efeito do uso das cores fortes impressiona bastante.

E pra quem não sabe, a xilogravura é uma técnica bastante usada para ilustrar a nossa literatura de cordel, outro gênero literário que, assim como os contos de fadas, traz o imaginário do povo para o papel.
Nas próximas colunas, espero poder trazer mais novidades da semana literária promovida pela Academia Britânica de Letras e das discussões sobre a importância dos contos de fadas para a literatura.

Boas leituras e até a próxima!



15 de mai. de 2015

Papos de sexta: Resgatando fadas

A arte é cíclica. Seja ela literária, cinematográfica, plástica, temos ciclos, e no momento podemos notar o resgate aos contos de fada. Geralmente temos filmes de fantasia em épocas turbulentas na economia. Como o mar não está para peixe, muito menos para uma pequena sereia, podemos notar uma gata borralheira voltando a aparecer no cinema e na literatura em várias releituras diferentes.

Essa “revisita” a clássicos contos de fadas como Cinderela, Branca de Neve, João e Maria e outros também ocorre quando Hollywood está sem ideias. Mas acho que o caso aqui é outro. Acho que está mais do que na hora de resgatarmos não as histórias de fadas, mas o que elas representam.

Fui ao cinema assistir a mais recente versão da Cinderela e me surpreendi positivamente. Vejam bem, quando o assunto é conto de fada, sou extremamente exigente. Sou aquela leitora que entendeu desde pequena a “moral da história” de cada conto sem que tivessem que me explicar demais e faço questão de que a alma desses contos seja preservada, não importa a época. E isso acontece com Cinderela. Os temas - como “ser sempre positiva e não rancorosa” e acreditar em magia - estão muito presentes, e não de uma maneira fantasiosa, mas real, no rancor de uma madrasta e na força de uma promessa. E é lindo ver que mesmo as heroínas acham que não vão conseguir suportar e suportam. E que a melhor vingança não é uma risada maléfica, mas o perdão.

E não são somente as princesas que transmitem poderosas lições. Por exemplo, um dos contos de fadas de que mais gosto é “O Patinho Feio”. Já até mencionei ele aqui no blog láaaaa no início. Quando fiz faculdade de teatro, até escrevi um monólogo sobre o conto. Sempre achei o máximo como o patinho sofreu bullying pelos outros patos por ser feio quando tudo que ele queria era ser aceito. E olha o que ele se tornou: um belo e majestoso cisne. E não se tornou arrogante por causa disso, mas teve seu desejo realizado. Não julgue pela aparência e não faça pouco caso dos outros!

Acho que contos de fadas formam a base de muitas lições, de muitos livros, de muitas histórias e conflitos. Eles são como o farol moral de todos nós, mas sofrem preconceito de pessoas que acham que são somente para crianças. Um carinho de mãe é somente para uma criança? O orgulho nos olhos de um pai é direcionado apenas às crianças? E desde quando apenas crianças passam por bullying e conquistam obstáculos? Pois é. Está mais do que na hora de resgatarmos as fadas das páginas e darmos a elas o verdadeiro e devido reconhecimento: inspiração de que tudo vai melhorar, desde que façamos a nossa parte com respeito e dignidade.

Acredite em contos de fadas, porque por trás de um chefe injusto está uma madrasta; por trás de uma fada madrinha está uma grande amiga; e nem todo príncipe precisa ser encantado para dar o seu recado com amor e carinho.
Os contos de fadas estão ao nosso redor, disfarçados nas entrelinhas de vários livros e em cada ação no nosso dia a dia. Basta reconhecê-los.

E aí? Você vai se transformar em cisne ou vai passar a vida de joelhos, como uma Gata Borralheira? A escolha é sua.


12 de mai. de 2015

Tons da Galera: Mad Women

Chega ao final, semana que vem, a sétima e última temporada da série Mad Men, um marco na história da TV pela qualidade, pelo já mítico protagonista Don Draper, e muito, mas muito mesmo, pelos seus figurinos. A responsável por este feito é a americana Janie Bryant, que esteve aqui no Brasil no último Festival do Rio, justamente para falar sobre sua história e seu trabalho na série.


Começando no final da década de 50, Mad Men atravessa os anos 60 e termina no começo dos 70, o que deu a Janie uma ampla gama para trabalhar em cima de uma época em que padrões e conceitos mudaram tão radicalmente na América. Não apenas isso; a riqueza dos personagens e suas diferentes personalidades e estilos de vida a permitiram diversificar mesmo dentro de mesmos espaços de tempo, com a curvilínea Joan, a ambiciosa Peggy, a conservadora e mãe de família Betty, e a prafrentex Megan, essas últimas ex-esposas de Don. As personagens, junto com as inúmeras amantes de Don, viraram ícone de estilo, assim como as atrizes. Um verdadeiro fenômeno, os figurinos de Mad Men influenciaram a moda, em vez do contrário, como era comum até então. A febre do estilo anos 50 e 60 influenciou desde cores de esmaltes e maquiagens (com coleções como a da Estee Lauder, com o nome da série), a coleções de roupa como a da Banana Republic.


Megan, Rachel, Peggy e Betty. Personalidades diferentes, um homem em comum.

Jane conta que seu processo de inspiração vai desde revistas, filmes antigos e internet ao garimpo de fotos antigas (seu método favorito), brechós, feiras de antiguidade e até de seu próprio acervo familiar e de amigos. Para compor os looks ela teve carta branca do criador Matthew Weiner para comprar em lojas vintage de Los Angeles, alugar peças do acervo de outros estúdios e até criar e mandar fazer suas próprias roupas. O trabalho de Janie é tão meticuloso que até as roupas íntimas usadas pelos personagens foram feitas seguindo os padrões de modelagem da época, incluindo cintas para as mulheres e calças de cintura alta para os homens.


O perfeccionismo de Janie em ação nas lingeries e camisolas de Betty, Joan e Trudy.

Mad Men rendeu diversos prêmios e indicações à figurinista, que já tinha alguns em casa por seu trabalho na série Deadwood, e apesar da tristeza ser geral pelo fim do eye candy semanal que Janie proporciona, a morena de olhos azuis não pretende parar: está lançando uma linha de meias calças modeladoras e tem planos com sapatos e  acessórios, além de querer fazer trabalhos com estilo contemporâneo. Alguém duvida de que vá dar certo?


Janie no acervo do set e um de seus croquis transformados em realidade.

30 de abr. de 2015

Galera entre letras: Confissões


Hoje eu quero falar de um assunto meio tabu entre leitores: os livros que nunca lemos e que nem vamos ler. Muita gente tem vergonha de tocar nesse assunto e evita a todo custo. Outros até preferem mentir. Mas a verdade é que todos nós temos aquela lista de livros que nunca lemos e que, talvez, nunca vamos ler.

Mas por que será que os livros que não lemos são assim tão importantes, a ponto de nos fazer inventar mil desculpas ou criar estratagemas pra disfarçar a nossa ignorância naquele tema? E por que eles seriam assim tão mais importantes que os livros que nós efetivamente lemos?

Bom, a verdade é que ler os mesmos livros que outras pessoas nos dá a sensação de fazer parte de um grupo ¾ o que é ótimo, por sinal. Mas a vontade de fazer parte de um grupo não deveria ditar os nossos gostos. E tem aqueles leitores que mentem sobre certos livros para demonstrar (mais) inteligência ou parecer que são pessoas (mais) interessantes etc. Mas se você lê ¾ qualquer que seja o livro! ¾, você já é uma pessoa inteligente e interessante!!!

Eu também já menti sobre os livros que não li ¾ pelos mesmos motivos acima ¾, mas hoje estou muito mais interessada nos livros que eu li efetivamente, pois foram eles que me fizeram ser a leitora que eu sou hoje.

Claro que essa lista dos livros que eu não li nunca é definitiva! E tem alguns livros nela que eu não li porque não encontrei o livro pra comprar (as bibliotecas virtuais ajudam um bocado!) ou porque eu simplesmente não tive tempo, já que a lista dos livros que eu quero ler sempre aumenta. rs

De todo modo ¾ e não importam as razões ¾ a lista dos livros que eu nunca li não pode ser motivo de vergonha. E ela também não define a leitora que eu sou. No fim das contas são APENAS os livros que eu não li.

E se vocês ficaram curiosos com os títulos que eu nunca li, eis alguns (com uma breve explicação sobre o porquê de não ter lido). E se vocês quiserem comentar sobre os livros que nunca leram aqui, fiquem à vontade também!

Bom, pra começar, um livro (uma série, melhor dizendo) que gerou certa polêmica na internet e alguma discussão sobre o que é (ou não é) literatura nesta semana. Discussão, aliás, que foi uma grande bobagem porque lá no dicionário Aulete o verbete sobre “literatura” diz que uma das acepções da palavra é “arte [isto é, execução de uma ideia] que usa a linguagem escrita como meio de expressão”. A discussão correta seria o que é boa ou má literatura, portanto. Mas aí já é outra história...

Eu confesso que não li do terceiro livro em diante de Harry Potter e fiquei satisfeita em somente ver os filmes. Eu li na época em que saiu, em inglês mesmo, mas achei o segundo livro um dos mais chatos que já li na vida e parei. Como vi os filmes, não sei se quero voltar a ler a série. E me arrependo de ter lido O Senhor dos Anéis! Se na época em que li eu já conhecesse o Elric de Melniboné, do Michael Moorcock, ou os livros de Fritz Leiber, um dos grandes nomes da fantasia gaiata, talvez eu nunca tivesse ouvido falar de Aragorn e companhia.

E também nunca li um livro considerado “clássico”, que faz parte do currículo de leitura de todo colégio norte-americano: O Sol é para Todos. Até agora, eu também estava satisfeita em ver apenas o filme (será que filmes baseados em livros atrapalham a leitura das obras que os inspiraram?!), mas depois de muitas décadas, a autora resolveu publicar uma sequência, e eu resolvi dar uma chance ao livro, que vem numa edição novinha aqui pela Record. Provavelmente, o livro vai sair da minha lista de não lidos.

E, pra finalizar a minha listinha, tem os 25 livros que completam a série Discworld, do Terry Pratchett! Mas eu não li por falta de tempo mesmo porque o Pratchett é meu autor favorito e eu pretendo completar a leitura da série, que está sendo editada pela Bertrand Brasil, do grupo Record, muito em breve!


Então por hoje é isso! Divirtam-se com suas leituras e até a próxima!

24 de abr. de 2015

Papos de sexta: O dia que virei fã de Pimenta


Em 2009, Meg Cabot veio pela primeira vez ao Brasil. Naquele ano, a Galera Record fez um concurso no qual os leitores tinham que gravar um vídeo demonstrando todo seu amor pela autora, e os ganhadores iriam em um "meet & greet" com ela, pouco antes do início da Bienal. Mas, se você leu esse primeiro parágrafo e acha que falarei de Meg Cabot, se enganou! O tal concurso teve entre as vencedoras uma moça chamada Paula. O sobrenome? Pimenta.
Ah, agora sim vocês sabem de quem vou falar! Paula – hoje, autora famosa também com longas filas de autógrafos – era fã de Meg. Eu, naquela época, também era fã da Meg, mas ainda não conhecia Paula. Nesse dia, ela deu a autora um livro seu e, então, fiquei sabendo que ela também era escritora.
Vieram as Bienais do Rio e de São Paulo, ano a ano, e o nome da moça mineira ia crescendo: toda adolescente que se prezasse e gostasse de livros tinha lido Fazendo meu filme. Até o momento não li a série, mas como opinião de amiga conta para caramba, eu fui me rendendo e disse para mim mesma que, quando ela escrevesse livros mais adultos, eu os leria. Foi então que parece que ela me ouviu... e Paula lançou os livros de crônicas. Foi amor à primeira lida! Gostei tanto que precisava do autógrafo, da foto com ela... e aí me arrisquei – digo isso porque as filas de senhas para seus eventos são de longas horas de espera. Em 2012, assisti a um bate-papo com ela na Livraria Saraiva do Rio Sul e descobri que, além de boa escritora, era simpática. Por bater com minha idade, as coisas que ela escrevia poderiam ter saído da minha vida, e não teve como não comentar isso com ela.
Então veio 2013 e a Galera Record fez um superlançamento com ela e a Patrícia Barboza para O livro das princesas (sim, princesa não tem esse lance de idade, ok? Eu vou gostar de princesas para sempre, e daí que noventa por cento da fila dava para ser minha filha? Eu AMO as princesas!) Mais uma vez comprovei o carisma da moça e, lendo o livro no dia seguinte, me apaixonei mais uma vez por sua escrita.
Em 2014, encontrei Paula em São Paulo e comentei sobre os livros. Ela tem aquele jeito tímido e fofo de que ainda não caiu a ficha de que é diva das teenagers assim como aquela que pode ser considerada a rainha das histórias de princesas: Meg.
Mas foi esse ano que me rendi a dois livros dela, também lançados pela Galera Record. Neste mês, houve uma noite de autógrafos dela no Rio para lançar Cinderela Pop – eu já havia lido Princesa adormecida e amado. Pronto, lá fui eu sair mais cedo do trabalho e ficar mais de quatro horas em pé para ver a moça. Se você que está lendo isso não entende porque alguém fica horas só para ter um autógrafo no livro que amou, desculpe, esse texto pode não ser para você.
Porém, se seu coração bate forte, você quer agradecer aquele autor por ter escrito aquela história maravilhosa que você devorou em um dia e pedir para ele continuar escrevendo muitos livros; quer tirar foto e voltar para casa com o livro com o seu nome e o dele... Bem, aí você me entende e sabe exatamente o como vale a pena ter visto mais uma vez a Paula Pimenta.
Hoje, escrevendo esse texto, terminei mais uma leitura dela: Cinderela Pop. Sensacional, não tem idade, ela escreve para todos e é uma forma tão gostosa que, se você ainda não a conhecia, fica com vontade de correr para ler todos os seus livros. Bienal está logo ali a gente se vê na próxima fila dela ;)

P.S.: esse título foi uma brincadeira com o sobrenome da autora, quem me conhece sabe que sou muito alérgica a pimenta, mas para minha alegria, somente aos alimentos que levam o ingrediente rs. 

17 de abr. de 2015

Papos de sexta: Sem compromisso


Tita: “Frini, minhas amigas me acusam de infidelidade literária, e o pior — ou melhor, depende do ponto de vista :) — é que elas têm razão”.

Frini: “Tita, #tamojunto. Na vida fora das páginas, nosso coração pertence a um só, mas dentro delas, tem sempre espaço pra mais um, ou dois, ou vinte!”

Tita costumava ser fiel aos seus heróis. Jace Wayland, por exemplo, foi amor à primeira leitura, e manteve-se fiel livro após livro, mesmo quando foi apresentada a um certo galês de olhos azuis: “Não vou negar, meu coração balançou por Will Herondale e por muitos outros. Mas eles eram as variáveis, enquanto que Jace era uma constante na minha vida literária”.

Já Frini nunca entendeu essa coisa de fidelidade quando o assunto é personagem: “Sou apaixonada por tantos personagens que até perdi a conta! Como escolher só um dos Garotos Corvos ou um dos irmãos Salvatore? E pra quê?”

O mais engraçado é que Frini não suporta Jace (para a felicidade de Tita), mas também tem uma queda por Will. Vai entender!

Tudo muito bem. Tudo muito lindo. Mas com uma pequena pedra no caminho: a diferença de idade entre personagens e leitoras apaixonadas. “Jace tinha apenas 17 anos, e eu já tinha passado da adolescência fazia tempo. A diferença de idade pesou, e senti que era hora de me envolver com personagens mais maduros. Foi assim que eu conheci o new adult e o Travis Maddox, Will Cooper, Lucas Maxfield, Noah Hutchins, Ryan Stone, Rafael Ferraz, Dean Holder, Trent Maddox, Tyler Mann, Bernardo Albuquerque, Graham Douglas, Isaiah Walker, Thomas Maddox… A lista é longa, então vou parar por aqui”, explica Tita.

“E como é longa essa lista! Já pensei em vários outros! (risos) Concordo com a Tita. Não é que a diferença de idade seja uma complicação, porque quando lemos, podemos ter a idade que quisermos, sermos quem quisermos. Mas esse gap de anos resulta também em um gap de experiência, o que nos faz buscar algo além. No melhor estilo ‘não é você, sou eu’, sabe? Mas mesmo assim, uma vez apaixonada por um personagem, sempre apaixonada por ele”, divaga, Frini.
Tem leitor que briga por exclusividade dos personagens favoritos, mas as duas colunistas da Galera dizem ter superado essa fase. O lance delas é pular de página em página e se apaixonar de livro em livro. Sem compromisso ;)

Se você é do Rio de Janeiro, que tal bater um papo com essas duas figuras no sábado, 28 de abril? O Clube do Livro Saraiva fez uma parceria com o Grupo Editorial Record para abordar o tema New Adult na edição do evento. E a Saraiva do Shopping Rio Sul vai ficar pequena para tanto leitor apaixonado e personagem apaixonante. Não perca!


Se você não é do Rio, fica ligado na página do Grupo Editorial Record para saber quando será o evento New Adult na sua cidade.

16 de abr. de 2015

Galera entre letras: Breve dicionário de novos termos para leitores perdidos

Dia desses li um artigo muito interessante em espanhol que tinha justamente o título da coluna de hoje. O link do artigo original está aqui: http://revistababar.com/wp/breve-diccionario-nuevos-terminos-lectores-despistados/.

Todo mundo pode questionar a qualidade da literatura de gênero, baseando-se, obviamente, em argumentos consistentes. Dizer que literatura de gênero - isto é, a ficção científica, a fantasia, os romances policiais ou os livros YA - é ruim porque é ruim, sem nunca ter lido um único autor representante de tal ou tal gênero, é preconceito. E a gente combate TODO e QUALQUER preconceito, né? Inclusive aquele contra os livros.

Mas não dá pra questionar a importância, por exemplo, dos livros YA para a formação da nossa visão de mundo - um nome bonito e até filosófico que é sinônimo da nossa maneira de lidar com as coisas reais e com as pessoas.

E mesmo quem não está na faixa etária dos jovens adultos acaba sendo influenciado pela maneira de falar ou pelos temas abordados no universo da literatura YA. E nem sempre são termos totalmente desconhecidos ou novos. Alguns, como, por exemplo, a palavra distopia, existem desde o século XIX, mas voltaram à moda mais recentemente.

O artigo em espanhol lista vários termos importantes que surgiram a partir do aumento da importância da literatura YA.

Eu vou mencionar alguns desses termos aqui. Será que vocês conhecem todos eles?



“Bookshelf tour”
Um passeio pelas estantes do autor do blog ou vlog (em geral, de literatura YA). Além de conhecer o espaço dedicado aos livros, o blogueiro ou vlogueiro costuma mostrar quais são seus livros favoritos. A parte que eu mais gosto nas bookshelf toursé quando o blogueiro ou vlogueiro descreve a maneira como organiza seus livros (se por idioma, autor, cor da capa, tamanho do livro etc.). Eu até tento seguir as dicas, mas, confesso, minhas estantes ainda estão uma bagunça!

“Booktrailer ou bookmovie”
São vídeos de apresentação de um determinado livro. Assim como no caso dos filmes, servem para promover o livro e podem mostrar desde trechos do livro com imagens fixas até sequências gravadas com ou sem atores.
Um dos meus preferidos é o booktrailer feito pela Galera Record para o lançamento de TODO DIA, do David Levithan: https://www.youtube.com/watch?v=66r6sLrovMw
Até hoje me emociono quando vejo!

“Distopia”
A primeira vez que se usou a palavra distopia em língua portuguesa, no sentido de uma antiutopia, isto é, de um lugar real ou imaginário em que se vive em condições extremamente difíceis, foi em 1952, embora a palavra existisse em língua inglesa (dystopia) desde o século XIX.
Distopia atualmente (e não muito diferente do que ela significava nos séculos XIX e início do XX) descreve todo e qualquer sistema social injusto e desigual, e se converteu num dos subgêneros mais importantes da literatura YA. Embora tenha como pano de fundo discussões sociais e políticas inspiradas no livro que deu origem a todas as distopias: 1984, de George Orwell - as distopias podem incluir outros temas igualmente importantes hoje, tais como sexualidade, preconceito etc.

“Shippar”
“Shippar” é criar uma implicação emocional ou intelectual entre dois personagens de uma história que, por um motivo ou outro, não ficaram juntos ou que jamais se apaixonariam. Algumas vezes, é tão divertido ver os casais formados pelos “shippers” que até os autores das histórias participam das discussões em torno do casal “shippado”.

E então... quais desses termos vocês incorporaram nas suas conversas do dia a dia?


Continuem lendo bastante e até a próxima!

9 de abr. de 2015

Design et cetera: Feira do Livro Infantil de Bolonha (em GIFs)


Oi gente, tudo bem? Não sei se vocês sabem, mas semana passada a Galera esteve na Feira do Livro Infantil em Bolonha e eu tive o prazer de comparecer pelo segundo ano consecutivo. Ao contrário da Bienal, que é uma feira voltada para o leitor, a Feira de Bolonha é um evento de negócios onde agentes literários e editores do mundo inteiro se reúnem para vender e comprar direitos autorais de publicação de livros para jovens. Além disso, é um espaço onde ilustradores podem divulgar seus trabalhos para as editoras.


Mas como funciona exatamente? Não se preocupem, preparei uma explicação sensacional para ilustrar EXATAMENTE como é a rotina nessa feira literária.
Quando eu falo que vou para Bolonha a trabalho, as pessoas formam essa imagem mental:


Mas a realidade é bem diferente. O dia começa cedo, 9h da manhã eu e Ana Lima (editora executiva e musa da Galera) estamos na primeira reunião. As reuniões duram 30 minutos apenas e a última costuma acabar às 18h30. Não há pausas para almoço. Entre uma reunião e outra, podemos ser encontradas na seguinte situação:



Como as reuniões são curtas e são muitos livros a serem apresentados, os agentes fazem uma explicação concisa de cada título, usando referências culturais para explicar do que se trata a obra. Chamamos isso de “pitch” e o pitch costuma misturar coisas muito loucas como:
“Esse livro é um Harry Potter encontra Lagoa Azul”




“Clube da Luta encontra A Bela e a Fera”



“Garotas Malvadas encontra Walking Dead com um pouco de Esqueceram de Mim”


Anotamos tudo em um caderno (que vai ficando cada vez mais ilegível à medida que a feira progride) e pedimos o pdf daqueles livros que nos pareceram mais interessantes para avaliação. Geralmente, avaliamos o livro nas semanas seguintes da feira, mas tem sempre aqueles títulos que são destaques e quando há interesse de várias editoras brasileiras, o livro pode entrar em leilão:


Às vezes, quando o livro parece MUITO bom, podemos fazer uma oferta alta para tirar o livro da mesa, isto é, impedir que entre em leilão e outras editoras possam levá-lo. Essa oferta chama-se preempt  e acontece mais ou menos assim:



Por exemplo, nessa feira, fizemos uma preempt e levamos o livro George, sobre um menino transgênero. A obra foi editada pelo próprio David Levithan.


Após a última reunião, voltamos rapidamente para o hotel para tomar banho. Mas os compromissos não acabam por aí. De noite tem sempre um jantar com autores, editores e agentes. É legal, pois assim todos se conhecem melhor e temos a oportunidade de saber estratégias de marketing, projetos para capas e eventos que outras editoras do mundo promovem para autores que nós também publicamos aqui no Brasil. E claro, um vinhozinho ajuda a tornar tudo isso mais divertido ainda.


No final de uma semana caótica, voltamos para casa com um mar de pdfs para ler.



E é assim que encontramos os títulos queridos que os leitores da Galera tanto amam <3 p="">

8 de abr. de 2015

Galera Pop: 7 motivos para não perder Scream Queens


Já imaginou uma série misturando o terror de Pânico e American Horror Story com uma espécie de Regina George protagonista???!!! Ah, e isso criado pelo Ryan Murphy, que nos trouxe séries boas e que marcaram nossa geração... Glee mostrou muito bem.
Assim que vi o primeiro teaser da série em uma madrugada dessas, QUIS MUITO que outubro chegasse logo. Porque me pegaram de jeito, não dá pra saber se vai ser maravilhosa, mas eu sei que não posso perder e descobri qual é a delas.
Então vamos lá, 7 motivos para assistir a nova série do Ryan Murphy, Scream Queens:




1- Ryan Murphy! Quando foi que ele nos decepcionou com uma série nova? Glee, American Horror Story...


2- Dramédia de terror, olha só que gênero maravilhoso!! Na primeira temporada a trama gira em torno de assassinatos que ocorrem em uma universidade americana.


3- Temporadas independentes. Na mesma linha de American Horror Story, cada temporada vai trazer uma história independente com novos personagens. Então se você estiver com a grade cheia demais (aqui!) pode escolher ver uma temporada ou outra, não precisa passar anos e anos - o quanto durar a série - acompanhando a mesma história.

4- Lea Michele. Se você assistia Glee, nem vai ter tempo de ficar com saudades da Lea. A moça vai ser protagonista da série, e pelo que li por aí, com um papel bem diferente da Rachel.


5- Logo no primeiro episódio já vai ter personagem morrendo. Pois é, não espere uma fraternidade comum, as coisas por lá são tensas. Vamos dizer que é alguma coisa entre Meninas Malvadas e American Horror Story.

6- O elenco. Prepara: Além da Lea estão Emma Roberts, Keke Palmer, Nick Jonas (!), Diego Boneta, Abigail Breslin (não consigo superar que ela não é mais aquela menininha de Little Miss Sunshine), Julian Morris, Jamie Lee Curtis e Ariana Grande, a queridinha da música pop do momento. Eu fiquei empolgada! Elenco cheio de carinhas conhecidas, sempre me empolgo, e as expectativas são altas né? Melhor tomar cuidado.


7- Hitchcock. Ok... Vai ter um assassino parecido com o Norman Bates. Só de ter referência de Psicose já vale, vai...

E aí. Ficou com vontade de assistir?



Xoxo,
Nanda

7 de abr. de 2015

Papos de terça: Por que piratear não é bacana?



Se tem um tema que – infelizmente – não sai de moda, é a pirataria. Neste mês, vi muitas autoras na minha timeline do Facebook reclamando que seus livros estavam sendo pirateados na cara dura e que isso as deixava desanimadas. Optei por falar desse tema nesta coluna porque acho importante entendermos como a pirataria prejudica o mercado – inclusive aquele autor que você ama.
Desde criança, cresci em um ambiente no qual nunca recebi permissão para comprar nada que não fosse original. Como meu pai era músico, ele sabia a dor de ter algo copiado indevidamente. Por esse motivo, fui sempre um ponto fora da curva, já que nunca baixei músicas ou filmes ilegalmente, nem peguei PDF de livro sem prévia autorização do autor. E não, não sou a Sra. Perfeita. Mas baixar livros, especialmente com os avanços tecnológicos que permitiram o barateamento dos produtos, é tão feio que não consigo encontrar o porquê das pessoas ainda fazerem isso. A Amazon, por exemplo, disponibiliza diversos e-books bem baratos ou até mesmo gratuitos.
Para que um produto chegue até o consumidor, uma série de profissionais é envolvida, e todos eles, assim como qualquer um, precisam de renda para continuar vivendo nesse país (que por sinal anda cada vez mais caro de se viver). Se o número de livros vendidos diminui, a livraria não compra mais o livro da editora, a editora não lança mais os livros do autor, o autor vai ter que parar de escrever para trabalhar em outra coisa porque, por mais que ame a escrita, ainda não inventaram uma forma de encher a barriga com ela.
Papo chato, né? Mas necessário. Muitas vezes me pedem PDF de livros que fiz resenha, e eu continuo sem entender porque essas pessoas pedem e querem isso. Gente, OK que hoje o livro pode chegar a 30 reais, mas em poucos meses o Submarino o vende a dez reais e pronto, você terá o livro original só esperando para ser devorado. E, claro, se você amá-lo, você ainda vai torcer para aquela autora linda fazer uma tarde de autógrafos e seu exemplar ser ainda mais especial para você.
Conversando com autores em um evento que apresentei recentemente aqui no Rio, todos concordaram que ver sua obra distribuída sem autorização é como entrar na livraria, se agarrar ao livro desejado, sair correndo sem pagar e pronto! Você faria isso? Pois saiba que a pirataria é uma ação igualmente criminosa – a diferença é que somente sua consciência vê quando você pega um arquivo gratuitamente sem que tenha sido disponibilizado pelo autor ou editora!

Se você curte o autor, quer que seus livros continuem sendo lançados, faça um favor a você mesmo: compre os livros. Não há forma mais linda de agradecer a ele, afinal, se ele te emociona, se a história dele marcou sua vida, não há nada mais bacana a ser feito por ele.
Pra fechar, lembro de um dia em que peguei o vagão exclusivo para mulheres no metrô e um homem entrou na composição. Ele ficou no mesmo vagão mesmo com todo mundo dizendo que era um absurdo, e o abusado ainda havia sentado em um banco e deixado uma senhora em pé. Certa hora, uma moça o cutucou e disse:
– Você também entra no banheiro feminino?
Ele, vermelho de vergonha, soltou um:
– Claro que não! Sou homem, né!
Ela completou:
– Então o que faz no carro feminino? Porque também é lei, há banheiros separados, assim como como há vagões separados.
O homem levantou e foi embora, e a moça foi lindamente aplaudida. Conclusão? Ele, assim como quem pirateia, sabe que está errado, mas precisa de um "vigilante" para lembrar que a lei existe, que não deve ser feito.

A gente cobra tanta honestidade dos políticos, porque não começar agindo certo dentro de casa?  Vamos combinar que piratear não é símbolo de honestidade e que nunca é tarde para parar e agir certo :)