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22 de abr. de 2016

Papos de sexta: Despedida temporária

O livro está chegando ao fim. Faltam poucas páginas para concluir a história e, ao virar cada uma, sinto uma mescla de realização e tristeza: a primeira vem com o fato de finalizar mais uma aventura e a segunda traz a vontade de que não acabasse nunca. É assim que me sinto agora, pois esse é meu último post aqui no Blog da Galera Record.

No final do mês, a “última página” do Blog será “virada”. A editora vai continuar firme e forte no site e nas redes sociais e trará novidades em breve. Mas o ciclo do Blog da Galera está chegando ao fim.

Já que é o meu último post, pensei em citar algumas ideias para deixar para reflexão. Elas surgiram aos poucos, depois de ler muitos posts por aqui, muitos comentários. Montei cinco, uma para homenagear cada ano que escrevi aqui! 

1)  Nunca deixe de ler algum livro por causa da opinião alheia. Se você quer ler alguma coisa, leia. Ponto final. Não importa se é de um gênero mais “jovem”, se é “hot”, se é considerado “bobo”. Sua opinião literária não interessa a ninguém e ninguém tem o direito de te manter longe das páginas que você quer devorar. 

2) Personagens fictícios são reais! Se eles nos fazem chorar quando sofrem, sorrir quando estão felizes, nosso coração bater mais rápido ao se beijarem e acabamos por reler tudo várias vezes, eles são reais. Às vezes, são eles que nos ajudam a ter coragem para enfrentar nossos problemas. Muitas vezes são eles que nos mantém companhia quando, mesmo no meio de muita gente, nos sentimos só. Então tome conta dos seus favoritos, mas não seja ciumenta!  

3) Livros de autoajuda? Todo livro ajuda! Às vezes, sentimos tanto que não conseguimos expressar. Às vezes, tudo dói por dentro, mas ninguém entende. Tudo bem não estarmos bem. Nessas horas, uma boa opção é se isolar com o seu livro preferido e deixar aquelas linhas fluírem. Leia algumas em voz alta e deixa o ressoar da sua voz ajudar a relaxar os seus ombros, a tranquilizar sua respiração. Você consegue fazer o que quiser, mas às vezes precisa se lembrar disso. Abrace seu livro, lembre-se e conquiste o que você quiser. 

4) Mudar de opinião faz parte de crescer! Somos seres vivos e em constante aprimoramento e isso é lindo e necessário. É normal mudarmos de opinião não somente sobre literatura, mas sobre muita coisa. O legal é ver pelo ponto de vista de outra pessoa, ter empatia, entender mesmo que não concorde, ser tolerante. O que seria do mundo se todos nós gostássemos de um único tipo de livro, não é mesmo? Imagina como seria chato! Então vamos dar uma segunda chance para aquele livro que deixamos pela metade ou que não acreditamos muito na primeira leitura. Vamos refletir um pouco mais sobre cada página, cada assunto, cada momento decisivo. Crescer não dói. Ficar plantado em um único lugar, sim. 

5) Você é o protagonista da sua vida! Não importa se a rede social do Fulano tem mais viagens ou se o Instagram da Ciclana tem fotos dela de corpão. Você é a protagonista da sua vida, não é o Fulano nem a Ciclana! Então viva da melhor forma possível e seja feliz. A vida é tão sensacional quanto curta. Embarque nessa reviravolta de trama e faça de cada dia um capítulo digno de ser relido!

Muitos abraços e beijos para a equipe da Galera Record, que me aturou por aqui por cinco anos! Nossa, vocês são meus heróis! E obrigada a você, leitor, que embarcou comigo, com todos nós nesse blog. Escrevi muito por aqui, li também e aprendi demais! Trocar ideias e opiniões com vocês sobre tantos temas foi incrível e vou sentir muitas saudades. Continuarei a postar nas redes sociais e no meu blog e foi por isso o “temporária” no título desse post. Conto com a visita e a opinião de vocês por lá, hein!


Digo sempre que o que os livros juntam, nada separa e esse é o caso aqui. Obrigada por lerem! 

Vamos partir para a próxima aventura! 


15 de abr. de 2016

Papos de sexta: Manda bala!

Quem acompanha meus posts deve ter percebido que a procrastinação é uma velha conhecida minha, e de mãos dadas com ela está a dificuldade de concentração. Na esperança de driblar as duas, eu vivo buscando novas ferramentas de produtividade, e testei muitos aplicativos com essa finalidade. Mas a dupla papel+caneta continua imbatível para mim!

Minha nova mania é o Bullet Journal, uma mistura de agenda, calendário, lista de tarefas, caderno de rabiscos, e mais o que você quiser! O termo bullet refere-se àquele marcador que precede um item da lista de tarefas, mas também denota agilidade, e journal significa registro diário.

Portanto, o Bullet Journal é um sistema de registro rápido de informações. Foi desenvolvido pelo designer Ryder Carroll para ser customizável, e essa flexibilidade é a maior diferença entre o BuJo e uma agenda. Sua estrutura é modular e está dividida em: Key, Index, Future Log, Monthly Log e Daily Log.


A seção Key é uma legenda do seu caderno. Ryder sugere usar um ponto (•) para identificar as tarefas, um círculo (o) para os eventos e um traço (-) para outras anotações. Você também deve identificar o status das tarefas e eventos. Ele sugere um (x) para o que foi concluído, uma seta para direita (>) para o que foi migrado e uma seta para esquerda (<) para o que foi agendado em uma data específica. E basta riscar o que foi cancelado. Ryder ainda sugere identificar as prioridades com (*), as inspirações com (!) e os itens a pesquisar com o desenho de um olho — mas eu raramente uso os dois últimos. Vocês vão perceber que eu fiz algumas adaptações no método! rs


No Index, ou índice, você lista os tópicos do seu BuJo e as respectivas páginas (ou intervalos de páginas) onde eles se encontram. No caso de tópicos recorrentes, basta indexá-los assim: "nome do tópico: 5-10, 23, 34-39, etc”. Eu não numero todas as páginas do caderno antecipadamente e prefiro fazer isso a cada dia, para não esquecer de anotar no índice ;)

Em seu Future Log, ou registro futuro, você escreve os principais eventos ou tarefas para os próximos três, seis ou doze meses (de acordo com suas necessidades). Existem várias maneiras de se fazer isso, a minha favorita é o Calendex (o método está explicado no site oficial).

Monthly Log é o seu registro mensal e consiste em calendário mais lista de tarefas do mês. Você pode escrever os dias do mês verticalmente em uma página, mas eu prefiro desenhar um calendário tradicional (novamente, escolha o que funciona melhor pra você). O calendário serve de referência para o mês, o mais importante é a lista que deve incluir as tarefas migradas de outros meses.


Daily Log é o seu registro diário e serve para organizar o dia-a-dia. Você escreve a data, lista suas tarefas e eventos, faz anotações ao longo do dia etc. Depois, basta pular uma linha e fazer o mesmo no dia seguinte, sem desperdício de papel.

Ao final de cada dia, semana e mês, dê uma olhada nos logs anteriores, analise as tarefas que não foram concluídas, migre as que continuam relevantes e risque do caderno as que perderam importância. Migre também as tarefas e eventos do Future Log para o mês correspondente.

O Bullet Journal pode parecer trabalhoso, mas segundo Ryder Carroll isso é intencional. O processo de reescrever os ítens, de pausar e considerar cada um deles, é fundamental para o sucesso do método. Você toma consciência dos seus padrões e hábitos, e destila o que realmente vale seu tempo e esforço.


Ainda é cedo para dizer se estou mais organizada e eficiente, mas o BuJo também está servindo para eu treinar a caligrafia e exercitar minha criatividade. Quem ficou interessado, dá uma passada no site oficial para maiores informações (está em inglês, mas o vídeo e as fotos ajudam bastante). Vale também se inspirar no Instagram e Pinterest. E podem postar dúvidas nos comentários, que eu tentarei esclarecer :)

26 de fev. de 2016

Papos de Sexta: O Meu Indicado do Oscar



Lembro bem como foi. Era horário de almoço, vários problemas esperando solução no trabalho, e eu resolvi sair uns 10 minutos antes para almoçar. 2012, mas não lembro o mês exato. Passando pela famosa Cinelândia — centro do Rio — rolava a feirinha de livros que acontece ali de tempos em tempos. Parei na minha barraca preferida, onde conhecia todos: a da Record. Entre centenas de livros superbaratos — coisa de 5 a 10 reais — eu o vi, peguei, li a sinopse e uma senhora do meu lado disse para eu levar que eu iria amar. Foi o que fiz. Na volta para casa naquele mesmo dia, o metrô demorando, a plataforma cheia, sentei no banco para aguardar um trem mais vazio, e então, com o livro ali, eu o abri. Comecei a ler e acho que cheguei pelo menos na página 50, quando me dei conta de que o trem não estava mais cheio e de que eu poderia ter embarcado. Na verdade, minha viagem tinha iniciado fora do vagão, Emma Donaghue, uma até então desconhecida autora me tocou na primeira página, eu precisar terminar aquele livro, o que de fato era o tal do Quarto? O que era a vida de Jack e de sua mãe?

Terminei o livro horas depois, de madrugada, postei em todas as redes sociais o quanto estava encantada, como uma criança protagonista de uma história, ao mesmo tempo tão forte e tão ingênua, tanto da parte da mãe quanto da do menino, me ganhara. Sempre que podia, recomendava o livro, mas poucas pessoas o tinham lido, pelo menos as que eu conhecia. Optei por conversar com pessoas no blog e com outros que tinham feito a resenha no Skoob, e vi o quanto o livro e as palavras da autora nos deixavam desconcertados.

Em 2013 ela veio ao Brasil, para Bienal do livro do Rio, na mesma hora que ela estaria autografando eu apresentaria um evento, um único dia, e eu não conseguiria vê-la. Pedi ao marido de uma amiga para pegar meu autógrafo, pelo menos assim ficaria menos triste. No final do evento que eu apresentei corri para o estande do Grupo Editorial Record e vi os cabelos ruivos de Emma lá em cima. Com a ajuda dos lindos da editora, eu a vi, falei com ela, agradeci pela história e lhe dei um abraço. Simpática, ela me agradeceu.

Esse ano, quando o filme O Quarto de Jack foi lançado nos cinemas, eu corri para ver, e já assisti duas vezes, assim como reli o livro outras três. Para mim foi maravihoso ver que tudo que imaginei virou filme; o ator que faz Jack é perfeito, parece de verdade o menino de apenas 5 anos que narra o filme. E a  mãe? Aposto que ganha o Oscar, isso porque também concorre como Melhor filme, já pensaram se ele ganha a estatueta?

O fato de ter virado filme me deixou feliz porque permitiu que mais pessoas tenham interesse pela história que eu sempre amei, mas que poucos conheciam quando eu falava. Somente esse mês mais de 20 pessoas me procuraram para falar que viram  o filme e lembraram de mim, isso não é mágico? Minha boca de urna funcionou!

Para completar, a resenha do livro em meu blog bateu todas as visualizações do mês! Fiquei extremamente satisfeita de ver como o filme angariou interesse para o livro, e em saber os detalhes sensacionais de uma história que tinha tudo para ser triste, mas, com o talento da autora, virou algo lindo e sensível, uma paixão e a demonstração de como é intenso o amor ‘entre mãe e filho.

Por favor, leiam <3 p="">

19 de fev. de 2016

Papos de Sexta: Meta literária para 2016

No dia 1º de janeiro de 2016, ocorreu o seguinte diálogo:

Pessoa aleatória que não deve ser nomeada (PAQNDSN): “E aí, qual foi o último livro que você leu em 2015?”

Eu: “Não lembro”.

PAQNDSN: “Como assim não lembra?”

Eu, franzindo a sobrancelha pelo tom usado pela kiridinha: “Não lembro, ué. Ainda estou lendo o mesmo”.

PAQNDSN: “Você virou o ano lendo o mesmo livro? Como assim? Pensei que gostasse de ler!”

Eu, não acreditando nos argumentos mucho doidos usados pelo “amoreco”: “Eu adoro ler, mas tenho uma vida além das páginas. Eu curto ler. Curto, do verbo ‘gosto por ser prazeroso’”.

E a pessoa iluminada (para não falar outra coisa) continuou achando um absurdo eu não ter tudo anotado.



Gente, sério mesmo? Tipo, desde quando precisamos prestar contas por algo que a gente ama fazer? Tipo, vocês marcaram quantos beijos deram em 2015? E não estou falando dos marcantes, estou falando de TO-DOS! Fizeram contabilidade de quantas gargalhadas soltaram? E quantos seriados e filmes assistiram?

Entendo que tem muita gente que se organiza com redes como o Skoob, por exemplo, para não se perder nos livros que tem e nas séries literárias que acompanha. Show, bacana, louvável. Mas eu não sou assim e viva a diferença, né?

É que eu não consigo entender essa “matematização” do prazer, essa “gameficação” da vida. Na minha concepção, fazer o que a gente ama é uma delícia, um escape, um momento que nos faz sentir bem. Pode ser fazer compras (aí entra contabilidade de valor gasto, mas, por exemplo, não sei quantos pares de sapato comprei esse ano!), tomar sorvete (você sabe quantos tomou em 12 meses?), sair com os amigos (se for contabilizar chopes, danou-se, né?) ou ler livros.



Entendo também que ler é um hábito e que, para ser iniciado, algumas pessoas colocam metas. Por exemplo, vou ler um livro por semana e, no final de um ano, vou verificar se a meta foi batida. Mas depois do hábito instalado, qual a razão de manter a conta? Ou pior, qual a necessidade de comparar números?

Eu leio MUITO, mas não faço ideia de quantos livros li em 2015. Para falar a verdade, tem livros que li e que nem lembrava que tinha lido, tamanha foi a pressa para acabar e falar dele no Clube. Claro que me preparei para abordá-lo no evento e tal, mas não foi uma leitura tão prazerosa e proveitosa como poderia ter sido. Ele foi só um número e não uma leitura que me impactou. E isso não é bacana. Cadê a qualidade da leitura?

Eu leio muito, mas será que não poderia estar lendo melhor? E não digo a qualidade do livro, mas do meu envolvimento com ele. Deu para eu notar as críticas colocadas nas entrelinhas pelo autor? Na correria de terminar mais um, deu para notar a mudança de ritmo na narrativa? E a razão para essa mudança?



Minha razão para essa coluna é refletir sobre a qualidade da leitura. Vi que na lista dos livros mais lidos em 2015 pelos brasileiros reinaram os de colorir e alguns sobre depressão e ansiedade. Acho que todos esses estão intimamente ligados e parte da razão de estarmos tão ansiosos é a necessidade que sentimos de estarmos constantemente competindo uns com os outros. Mas quem ganha? Quem leu mais ou quem curtiu mais cada página? Quem leu mais rápido, mais livros ou quem foi tocado pela mensagem de cada história? Na vida, quem vence: aquele que tem mais dinheiro ou que aproveita melhor o tempo? Quem tirou mais fotos da viagem ou quem curtiu mais cada lugar? Pra quê competir? Eu ainda não entendo.



Em 2016, eu não tenho uma meta de leitura. Meu objetivo é ler melhor, prestar mais atenção nos elementos de estilo ou na falta deles, entender mais as mensagens na história, a caracterização dos personagens. Quero ser uma leitora melhor.

E você? Quais seus objetivos literários para 2016? E se eles forem numéricos, tudo bem, vai. Não vou julgar. Mas só espero que você não deixe que números te definam. Você é algo além das páginas, além dos números. Não perca visão disso, ok?


12 de fev. de 2016

Papos de sexta: Saindo das sombras


Todo mundo sabe que sou fã da autora Cassandra Clare e do universo Shadowhunter criado por ela. Seus livros estão entre os meus favoritos, e Jace sempre será um dos meus amores literários.

Nem preciso dizer que estava ansiosa para assistir a série na TV, certo? Era um misto de excitação e apreensão pelo que estava por vir. Não me considero uma fã hardcore, do tipo que não tolera alterações na trama ou nos personagens (afinal, uma adaptação — tanto cinematográfica quanto televisiva — pressupõe a adequação da obra ao meio), mas torcia para que a série não tivesse o mesmo destino do filme (e ainda torço por isso).

Pois é, o episódio piloto não me impressionou. As atuações, os diálogos, os efeitos, os cortes, tudo estava off. Eu não manifestei o meu descontentamento nas redes sociais, apenas fiz um comentário ou outro nos posts de amigos, mas sempre mantendo o otimismo.

O segundo episódio também foi fraco e pensei em abandonar após o terceiro (que episódio foi aquele?!), mas eis que o quarto e o quinto episódios renovaram minha esperança na série e me inspiraram a escrever esse post.

Antes de mais nada, permitam-me posicionar quanto às reclamações dos fãs: não me incomoda o fato dos protagonistas serem mais velhos e Hodge ser mais jovem (e gato! rs), do Instituto ser high-tech e os demônios virarem papel picado incandescente, de Maureen apresentar as características de Maia e Dot substituir Madame Dorothea, de Camille ser asiática e Luke um policial. O que mais me preocupa é o tom e o ritmo da série.

A maior vantagem de uma adaptação para TV é ter mais tempo para desenvolver os personagens e a trama, mas o diretor McG e o roteirista Ed Decter parecem ter pressa para contar a história, como se precisassem cobrir logo os pontos-chave da obra de Cassandra Clare para então partir em vôo solo.

Quando o material original é de qualidade, como é o caso, ele merece ser bem aproveitado, não apenas para agradar o fandom, mas também para facilitar a vida de quem não leu os livros e quer acompanhar a série. De nada adianta correr até a melhor parte da história. O que faz essa parte ser tão boa é justamente o longo e tortuoso caminho até lá. #ficaadica

O quarto e o quinto episódios tiveram mais acertos do que erros: diálogos tirados dos livros, a introdução de Malec, menção a uma personagem querida, Jace treinando sem camisa, a invocação de um demônio maior, uma prévia de Sizzy etc. Talvez a produção tenha finalmente se dado conta do potencial que tem nas mãos, e em vez de mudar a mitologia, tenha decidido expandir o mundo das sombras.

Os atores também parecem mais à vontade do que nos primeiros episódios. Não tenho o que reclamar dos irmãos Lightwood — tanto Matthew Daddario, o Hottie com H maiúsculo que interpreta Alec, quanto Emeraude Toubi, a igualmente gata que interpreta Isabelle, estão bem nos papéis —, e Alberto Rosende é um Simon e tanto! Os demais atores podem melhorar, inclusive o núcleo adulto da série.

Eu também gostei do tom mais leve dos episódios. Harry Shum Jr, que interpreta Magnus Bane, trouxe humor para a série e, pelo Anjo, como ela estava precisando! Essa é uma série jovem do canal Freeform e não uma minissérie da HBO. Shadowhunters pode repetir o sucesso de Buffy, Supernatural, Teen Wolf, Vampire Diaries etc, basta não se levar tão a sério. #ficaoutradica

Por último, tenho que mencionar Malec. Já deu para perceber que Harry e Matthew têm mais química do que Dominic Sherwood e Katherine McNamara (mesmo que a interação entre Jace e Clary tenha melhorado nos últimos episódios) e não será surpresa se roubarem a cena do casal principal. Precisa de outro motivo para assistir a série?! rs


Na minha opinião, o maior desafio de McG e cia é tornar a série tão divertida quanto os livros. Eu não sei se é possível, mas acredito que estamos progredindo — e isso é o suficiente para dar outra chance :)

29 de jan. de 2016

Papos de sexta: O melhor trabalho do mundo!



Outro dia me espantou ver — diga-se de passagem, mais uma vez — uma blogueira no Facebook se explicando que ter blog não é só ganhar livros. O que me arrepia só de pensar é que em pleno 2016 ainda tenham pessoas que não entendam que nem todo mundo ganha grana como algumas YouTubers ou Book Tubers e nem tudo na vida só tem que ser feito quando remunerado.

Quando coloquei meu blog no ar em 2010, jamais pensei que um dia eu escreveria uma coluna para Galera Record, que apresentaria eventos lotados em livrarias entrevistando autores que admiro muito, que metade do meu Facebook fosse de blogueiros, leitores e pessoas do mercado literário, que eu tivesse tanta alegria pelo “ simples” motivo de colocar o blog no ar. Não, não é fácil mantê-lo com a correria do dia a dia. Quantas vezes pensei em desistir? Nenhuma! Eu nunca coloquei o blog no ar pensando em ganhar algo, eu o coloquei porque amo livros e filmes e queria conversar com muitas pessoas que tem essa mesma paixão. Afinal, quantas vezes me vi irritada na escola, faculdade ou no trabalho falando o nome de um escritor ou ator e todo mundo dizendo que nunca ouviram falar? O blog me fez ter amizades incríveis, interagir com pessoas que amam o que eu amo, ter contato com escritores que jamais sonhei conhecer...e isso, desculpem, não tem preço.

O que paga minhas contas é o que faço de segunda a sexta — ok, as vezes alguns sábados — e o faço com amor, porque foi a profissão que escolhi. Mas nada se compara ao que sinto quando tenho contato com livros em uma Bienal, quando apresento ou vou a eventos literários ou tardes de autógrafos. É hobby? Sim! Mas é o hobby mais incrível que eu poderia ter. Por essa razão, claro que quando a crise bateu na porta eu lamentei não ganhar grana com o blog como alguns ganham... mas jamais imaginei descontar minha frustração com o cenário do país no que sempre me fez feliz.

Se você é blogueiro — ou tem vlogueiro! — certamente está pensando: “Ih, a Raffa está floreando o mundo, não é tão maravilhoso assim!”. Mas o que na vida é 100 por cento só sorrisos? Das vezes que fiquei triste com o blog passou tão rápido que digo que mal existiram. Foi quando não fui aprovada para parceria com uma editora que queria muito — acreditem, TODOS passam por isso! —– ou quando recebi uma crítica supernegativa sobre algo que postei. O blog requer tempo, eu canso de ir dormir muito mais tarde do que devo para acordar pro trabalho dia seguinte, eu canso de abdicar de um dia inteiro com o marido saindo para terminar uma leitura ou aquela postagem superimportante. Isso quando não chegamos exaustos de alguma lugar e ele só pelo olhar já sabe que não tem cara feia... é dia de gravar vídeo pro Canal.

Meu blog me faz feliz, os amigos que tenho por causa dele nem preciso citar — aliás, já o fiz em alguma coluna no passado — mas definitivamente não o mantenho para “ganhar livros”. Claro que amo as parcerias e que fico muito feliz quando recebo livros em casa delas e/ou kits especiais que nem estão à venda! Mas meu cartão sabe que nunca parei de comprar meus livros, continuo comprando muito, continuo sangrando grana do meu “trabalho real” para continuar com os eventos do blog, e o faço com a única intenção de falarmos de livros. Não há nada melhor do que um final de semana que eu saiba que tem evento do blog. Portanto, para quem ainda acha que blogueiro só ganha livros, crie um blog, veja o como cada seguidor é uma vitória, como remunerado ou não fazemos com o mesmo afinco para ficar tudo em dia nele.


Tenho orgulho de ser blogueira, e de fazer parte dessa blogosfera literária linda que me rodeia há mais de 5 anos ;) 

22 de jan. de 2016

Papos de Sexta: Para sempre

A notícia veio sem rodeios: Alan Rickman morreu.


Sou fã dele há muitos e muitos anos e, pela nossa diferença de idade, sempre imaginei como reagiria quando a fatal notícia chegasse. Imaginei que fosse chorar e sentir meus joelhos tremerem e, em seguida, encontraria o chão em meio a lágrimas. Mas não foi isso que aconteceu.

Ao ouvir a notícia, fiz o que qualquer jornalista faria: chequei as fontes. Busquei mais veículos para verificar, afinal, nem tudo que está na internet é verdade. Mas essa infelizmente era. Era fato: a voz de Alan Rickman havia se silenciado para sempre.

Escolhi falar sobre essa perda aqui no blog porque, bem, porque ela é relacionada à força do amor que temos por personagens. Não vou ficar listando todos os personagens interpretados por Alan aqui, pois foram muitos e foram muito diferentes. Vou focar em Severo Snape porque nossa história é a que quero contar.

Eu sabia sobre Harry Potter, mas não tinha lido os livros ainda. Descobri a magia das páginas durante o hiato entre o gancho de “Cálice de Fogo” e a expectativa por “A Ordem da Fênix”. Mas o que me fez mergulhar nas páginas foi a explosão de sentimentos que o primeiro filme me proporcionou. Eu nunca fui fã de fantasia e apenas admirava o trabalho autoral desse gênero. Mas depois de assistir a “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, precisava saber mais sobre aqueles personagens. E principalmente sobre o misterioso e rabugento Mestre de Poções, interpretado por Alan “voz de veludo” Rickman.

Como fã do ator, me apaixonei ainda mais pelo personagem e mergulhei no fandom potteriano de cabeça. Harry Potter me trouxe uma lista de “primeiras vezes”: a primeira saga literária que acompanhei; o primeiro evento literário que apresentei (e me colocou nessa vida); o primeiro fórum e lista de discussão que integrei; as primeiras fanfictions que escrevi. Isso sem contar nos amigos que fiz e nas aventuras que vivi!

Mas será que se o personagem fosse interpretado por outro ator teria me despertado a curiosidade? Talvez não. Talvez chegasse a Potter mais tarde. A única certeza que tenho é que foi a interpretação de Alan Rickman que me levou às páginas.

Engraçado como isso acontece, né? Como os atores fazem esse link entre o nosso mundo, de carne e osso, e o Mundo das Ideias, onde vivem os personagens. Eles são como médiuns, que interpretam o que está na página e dão vida ao intangível.

Quando li a morte de Snape no livro, chorei muito. Sabia que ele não sobreviveria ao final da saga e, a cada livro, suspirava e pensava “Ufa! Desse ele passou!”. Mas sabia que viria a sofrer com a morte dele como os fãs de Sirius sofreram sua perda e tantas outras que Rowling nos fez passar. E as lágrimas vieram com intensidade e meu coração se quebrou e eu queria abraçar o personagem enquanto seus últimos suspiros deixavam seu corpo. E eu quis abraçar Alan Rickman porque, ao ver a cena no cinema, as lágrimas e o sentimento de perda voltaram.

Mas com a notícia fria nos jornais, as lágrimas não vieram. A perda estava lá e a tristeza também, mas não chorei. Não o conhecia pessoalmente, não integrava sua família ou seu círculo de amizades então como poderia sentir falta dele dessa forma? Isso faz de mim uma fã de meia tigela? Não. Entendi que a minha ligação era com a ideia que Rickman tornava real e não com ele em si.

A perda de Alan Rickman quebrou meu coração, sim, mas ele me deixou uma legião de amigos que, ao receberem a notícia, me mandaram mensagens de apoio, abraços reais e virtuais e vários “você tá bem?”. E esse é o legado imortal que ele deixou para mim e para todos que foram tocados por sua arte. O sentimento que acordou em nós nos uniu. Não importa a Casa de Hogwarts ou se concordávamos ou não com o que Snape fez na série: estamos juntos nessa perda como estávamos quando cada personagem nos deixou.

Prova disso está nas fotos abaixo. Os fãs que estavam no parque Islands of Adventure, em Orlando, no dia do falecimento, fizeram uma homenagem a Alan Rickman, erguendo suas varinhas em direção ao castelo de Hogwarts (mesmo gesto que os alunos fazem após o falecimento de Dumbledore). E, no brinquedo, alguns fãs também deixaram flores na porta de Snape e uma dessas flores era um lírio (quem leu HP sabe do que estou falando). E foi aqui que eu chorei.



Crédito: Buzzfeed

Em um momento de virada na saga, Harry pergunta para Dumbledore, “Isso é real ou está acontecendo dentro da minha cabeça?”. E o sábio bruxo responde algo como “Claro que está acontecendo dentro da sua cabeça, Harry. Mas isso não significa que não seja real”.

Podia ser a descrição de tudo que sentimos ao ler um livro, ao sofrer com ele, ao nos apaixonar por um personagem. Acontece na nossa cabeça, no nosso coração e, se sentimos, é real. Para sempre.




25 de dez. de 2015

Papos de Sexta: Toda Forma de Amor é Linda



A gente sempre diz que não tem preconceito. Mas assumo que durante muito tempo o tive e o carreguei comigo por não entender, por achar que era errado. Mas quem mesmo diz o que é certo? Nossos pais? A religião em que somos criados? Sou de uma época onde a internet não era algo tão comum na adolescência; sim, ela já existia, mas não fazia parte da vida de todos nós.  Sendo assim, a gente sabia o que vivia, o que lia na revista, o que via na TV... e tudo que se falava de homossexuais parecia errado, o mundo não aceitava (e sei que muitos ainda torcem o nariz até hoje).

Em casa também não tínhamos o hábito de discutir sobre isso, então toda vez que alguém vinha com o assunto eu pensava que não era a favor, mas não abria a boca. Gente, mas do que eu tinha que ser a favor? É isso que eu não entendia e que as pessoas não entendem...até onde a opção sexual de alguém interfere na sua vida? Não devo me meter. Sei disso hoje, mas demorei um certo tempo para descobrir.

Não vou citar nomes, mas foi quando ouvi da boca de uma amiga, que amo muito, que ela gostava de meninas que acordei para o tema. À primeira vista, pensei que ela estava brincando, depois vi que era verdade quando me apresentou à namorada. E foi exatamente o convívio com ela que me fez perceber o quão pouca informação eu tinha a respeito e o quão preconceituosa eu era. E não se enganem,  o preconceito não é somente o que você coloca para fora em palavras e gestos...ele mora em você; e, por comodismo ou outro motivo, você não se interessa em saber porque ele existe.

É tão estranho pensar na pessoa que fui e na que sou hoje em dia. Eu pude ver no rosto da minha amiga a felicidade de poder dizer a todos de quem ela gostava... o parar de se esconder foi libertador e a aceitação de quem ela amava – e isso me incluía – foi fundamental nessa fase.

Não lembro quantos anos tem isso, exatamente, mas de lá para cá as vitórias foram muitas nesse assunto. Claro que ainda há diversas batalhas a serem vencidas, mas o número de amigos e amigas que gostam do mesmo sexo só aumentou, e isso só me faz ver o quanto isso sempre existiu, mas a vida não deixava eles serem quem são.

Por abraçar o tema, e compreendê-lo e não aceitar de nenhuma forma que meus amigos se magoem com pessoas que acham que tem o direito de interferir em suas vidas, eu me encantei com os livros de David Levithan. Já tinha lido Nick & Norah e amado, mas aqui entre nós, os livros dele com a temática LGBT são sensacionais. Sempre recomendo a todos, aos que já entenderam que vencer o preconceito depende de nós. Quem ama de verdade quer ver o outro feliz, seja ele da sua família ou seu amigo.

Se você se sente como eu me sentia antes da minha amiga revelar “seu segredo”, acorde, nunca é tarde demais para mudar de lado, e os do bem, aqueles que aceitam os outros como eles são, sempre têm lugar para mais um.


Leia Will & Will, suspire com Garoto encontra Garoto, mergulhe de cabeça em Dois garotos se beijando...o resultado com certeza vai ser único. Não tem como não amar Levithan, muito menos como entrar 2016 sendo tão 1916 ;) 

18 de dez. de 2015

Papos de Sexta: 365 dias e milhares de páginas

Essa é a minha última coluna do ano e escolher o tema foi difícil.

Pensei em escrever sobre o aniversário de Jane Austen e como ela influenciou tantos autores de gerações futuras e continua a fazer isso até hoje. Mas deixei para uma próxima vez.



Pensei, em seguida, em abordar Guerra nas Estrelas e como estamos prontos para assistir a um novo filme, rezando para que ele resgate o arrepio que a trilogia clássica nos trouxe e ignore a tristeza de foi a trilogia mais nova. Mas achei melhor viver a experiência antes de escrever sobre ela.

Aí fui para o lado polêmica e pensei em fazer mais uma coluna sobre comportamento (ou a falta do mesmo) em redes sociais, tema que curto debater, inclusive por aqui. Mas achei melhor esperar para uma data menos simbólica.

E aí fiquei sem tema...  E essa falta de tema me fez pensar no ano inteirinho e como ele foi repleto de altos e baixos para todos nós.

Como brasileiros, nossa paciência com corrupção e injustiça está no fim. Buscamos justiça, mas parece que o mar de lama nos engole a cada braçada.

Por falar em lama, ela clamou vidas esse ano e a revolta fica ainda maior ao notarmos que, tentar corrigir um dos piores desastres ambientais do país parece não ser prioridade para quem o causou.

Em 2015, vimos pessoas utilizarem a beleza da fé para tentar justificar massacres.

Em 2015, vimos muita coisa ruim e revoltante nos noticiários, mas também vimos – dentro e fora da mídia – compaixão, felicidade, amor.

Como todos os anos, 2015 foi um ano complexo, de uma forma ou de outra, para todos nós. E o interessante é que, em todos esses dias, fossem eles bons ou não tão bons, tivemos uma constante: os livros.

O dia estava ruim? É só a gente se perder nas páginas do novo volume dos diários de uma certa princesa e pronto! Sorriso garantido.

O dia estava bom? Então podemos compartilhar esse sentimento com aventuras vividas em mundos fantasiosos onde o trono é de vidro e a situação é mais tensa.

Frustração, tristeza, contentamento, felicidade, angústia, e tantos outros sentimentos que nos faz humanos podem ser compartilhados entre nós e elas, as páginas.  

Então, na minha última coluna de 2015, agradeço aos autores por nos manter firmes em nossas jornadas individuais. Vocês podem estar apenas contando uma história, mas para nós, vocês fazem muito mais. Mesmo sem saber, vocês nos mantém fortes e corajosos; sensíveis e apaixonados; completos.



Que à meia-noite de 31 de dezembro de 2015, quando as doze badaladas anunciarem o novo ano, possamos olhar para trás com a certeza de que fizemos o nosso melhor. E que tenhamos a certeza em nosso coração de que os próximos 365 dias serão ainda mais incríveis. Obrigada pela leitura durante esse ano e que venha mais um!

Feliz Natal e um 2016 repleto de páginas para todos nós!

  

4 de dez. de 2015

Papos de sexta: NaNo Novo



Novembro passou, e com ele mais um National Novel Writing Month ou NaNoWriMo. Faz 5 anos que eu participo do desafio e já escrevi sobre ele aqui no blog mas nunca chego perto das 50 mil palavras em um mês.

O meu histórico é (des)motivação suficiente para deixar o Nano de lado. No ano passado, por exemplo, escrevi em apenas um dos trinta dias! E ando tão atarefada (razão da minha ausência do blog no mês de outubro e novembro) que pensei em não participar da edição de 2015. Mas comecei a ler os Pep Talks — aqueles textos de incentivo aos escritores e aspirantes — dos outros anos, e foi o empurrão que eu precisava!

Com exceção dos posts (aqui e no meu blog) e dos pareceres literários, eu quase não escrevi durante o ano, e estava me fazendo falta. Sou uma apaixonada pelas palavras, mas também procrastinadora de carteirinha e estou tentando dar um basta no hábito de adiar projetos, seja para a próxima segunda-feira ou para o ano seguinte. Então, selecionei uma das tantas histórias que comecei e abandonei nos últimos anos (outro problema crônico) e me inscrevi no Nano 2015, ciente de que não cumpriria a meta de novo e dando a mínima para isso! rs

Desta vez, me comprometi a escrever 500 palavras por dia todos os dias. Foi minha promessa de Nano Novo, que pretendo manter daqui pra frente. A maior dificuldade foi me ater à ideia inicial, pois novas ideias pipocavam o tempo todo (eu disse que era um problema crônico), mas recorri aos Pep Talks e encontrei algumas dicas bem interessantes.

Eu não teria passado das 15 mil palavras, algo inédito para mim, se não fossem esses pequenos incentivos, então selecionei alguns trechos favoritos — se foi útil para mim, pode ser útil para mais alguém :)

"A maioria dos escritores está muito ocupada para escrever. Alguns têm inclusive outro emprego integral que nada tem a ver com a escrita, mas ainda assim eles escrevem. Em vez de arranjar tempo para escrever, faça o tempo acontecer.” — Kami Garcia

o existem bons romances e romances ruins. Existem romances finalizados e romances que ainda precisam de mais trabalho. Lembre-se, você não está escrevendo um bom romance agora, você está escrevendo um bom rascunho. Mais tarde, você vai ter tempo para alterar o início, mudar o final ou o meio. Mais tarde, você vai ter tempo para cortar, polir e melhorar. Por agora, confie no processo e escreva.” — Holly Black

A técnica mais importante para progredir é escrever dez palavras. Não importa se você está empacado, se seu dia está completamente abarrotado, ou se você está longe de seu computador — carregue uma caderneta e escreva uma frase enquanto estiver esperando na fila do café. Pense nisso como um gancho ou isca. Mesmo que, por dias seguidos, você não consiga pensar em nada além das dez palavras, enquanto você tiver que pensar na história o suficiente para escrever dez palavras, as chances são de que mais palavras virão.” — Naomi Novak

“Terminar algo é se decepcionar. Por definição, romances abandonados são mais promissores do que os concluídos. Nesse ponto, você provavelmente já percebeu que é quase impossível escrever um bom romance em um mês. Eu estou nessa há algum tempo e ainda não escrevi um livro em menos de três anos. Todos nós abrigamos esperanças secretas de que um romance magnífico cairá do céu, mas quase universalmente, o processo de escrever é lento, difícil e totalmente sem glamour. Então, por que terminar o que você começou? Porque quando estiver pronto, você será grato pela experiência.” — John Green
  
Estou convencida de que há dois tipos de bloqueio criativo. O primeiro tipo é provavelmente o mais comum. É o bloqueio da procrastinação, do tédio ou apenas preguiça. É o bloqueio da natureza humana, em outras palavras. Você sabe o que precisa fazer. Você só não quer realmente fazer isso. Então, como combater o tipo 1? Escrevendo! É por isso que as metas (como a do NaNoWriMo) funcionam.

O segundo tipo de bloqueio, por outro lado, é um problema muito maior e mais assustador. Ele acontece quando você honestamente não sabe o que fazer. Tudo soa banal. O enredo é chato. O livro está... empacado. Para o tipo 2, eu recomendo fazer o oposto do tipo 1. Isto é, fique longe do computador. Vai correr. Tire um cochilo. Assista a um filme. Se afaste do seu livro e de seus personagens, e deixe o subconsciente tomar conta.

O tipo 1 deve ser enfrentado, o tipo 2 deve ser contornado. E seu trabalho como escritor é reconhecer cada um deles quando acontecerem. Porque eles vão acontecer se você se tornar um escritor. Eles vão acontecer muito.” — Ally Carter

Escrever é como construir uma parede. É uma busca contínua pela palavra que vai caber no texto, em sua mente, na página. Trama e personagem e metáfora e estilo, todos tornam-se secundários às palavras. O construtor ergue sua parede um tijolo de cada vez. Se ele não construir, o muro não vai existir. Ele olha para sua pilha de tijolos, pega aquele que parece atender melhor ao seu propósito, e o coloca no lugar. A busca pela palavra não fica mais fácil, mas ninguém vai escrever sua história por você.” — Neil Gaiman

"É assim que começa. Logo você está fazendo esboços dos personagens. Em seguida, alguns diálogos. Depois cenas inteiras. E então já era. Você desistiu inteiramente do projeto em andamento e começou a trabalhar integralmente nessa nova história. O problema em fazer isso é que, naturalmente, a nova história sempre parece melhor do que aquela em que você tem trabalhado por mais tempo. A nova história tem uma aura de frescor. Mas quanto tempo até que outra ideia venha, abanando seus personagens atraentes para você, e você decida abandonar tudo por ela? Quantas palavras você terá então? Não o suficiente para um livro inteiro. E o lance é: se você continuar fazendo isso, nunca terá o suficiente.” — Meg Cabot

Acontece com cada cada escritor que eu conheço. O conjunto original de ideias quase nunca sustenta o processo de escrita até o fim. Geralmente, essas ideias acabam por ser muito simples. Então o que fazer para continuar?

O primeiro passo é perceber que não é apenas um problema dos escritores. É um fato engraçado sobre os seres humanos: nós sempre pensamos de maneira muito simples. O universo é sempre maior, mais confuso e mais complicado do que esperamos que seja. O mundo real é cheio de detalhes complexos, e sempre que você pensa ter a manha sobre algo, ele fica ainda mais complexo. Às vezes, chegar ao final de um romance exige lembrar simplesmente que o mundo é mais complicado do que pensamos, e depois enfiar algumas dessas complicações na história.” — Scott Westerfeld

As pessoas frequentemente me pedem dicas para escritores, e eu digo a mesma coisa todas as vezes: a única maneira de se tornar um escritor é escrevendo. Igualmente importante à prática da escrita é a habilidade de desativar as vozes que lhe dizem que escrever é impraticável ou muito difícil ou fora do seu alcance de alguma forma. É tão importante escrever rascunhos rápidos, rascunhos ruins, rascunhos fracassados, quanto escrever os bem-sucedidos. O que você aprende é escrever sem medo. E vamos ser honestos, o medo é o que impede a maioria das pessoas de escrever, mesmo quando elas desejam desesperadamente.” — Lauren Oliver

Eu adoro receber conselhos de outros autores, essas pessoas que eu tanto admiro, e isso o NaNoWriMo tem de montão. Tem mais alguém sonhando em se tornar escritor por aqui? 

Compartilhem suas dicas e experiências comigo ;)

27 de nov. de 2015

Papos de Sexta: Paris e o amor


Eu sempre sonhei conhecer Paris. Aquela torre famosa, o arco gigante, as pessoas falando a língua que acho a mais linda do mundo, todas as recordações das centenas de filmes franceses que assisti, todos os lugares das dezenas de livros com a cidade como cenário... Incrivelmente realizei esse meu imenso sonho esse mês. Casei e, como presente de casamento, tive a felicidade de conhecer o lugar que tanto queria ao lado do meu marido.

Passei 4 dias incríveis na cidade e não vi a grosseria que algumas pessoas relataram viver quando pisaram lá não falando o francês. Andei o dia todo pelas ruas de meus sonhos e tirei menos fotos que meu normal porque queria sentir a cidade, queria que aquele ar da Cidade Luz me tomasse. Queria sentar no banco em frente ao rio Sena, queria encostar na ponte de cadeados, ver o dia escurecendo e o letreiro do Moulin Rouge acendendo, eu não queria dormir porque para mim, repito, eu estava sonhando.

Claro que queria mais dias, gostaria de ter passado alguns meses, mas, no pouco tempo que ali fiquei, reparei em tudo: na cordialidade dos franceses, na elegância das pessoas e até nos defeitos (odeio cigarro e eles fumam muito!). Amo meu Rio, mas Paris é incrível também.

Saí de lá para Madri — nossa próxima parada da lua de mel — no dia 13 de novembro. Passei a manhã na cidade que a poucas horas sofreria um terrível atentado, e me despedi de Paris obviamente sem imaginar a tristeza que a cidade, que nos acolheu tão bem, passaria.

No hotel, já na Espanha, me deparei com amigos e familiares preocupados conosco, pois as TVs mostravam o que tinha acontecido naquela noite: enquanto eu curtia e celebrava o casamento, mais de 100 pessoas morriam na cidade que havia acabado de me conquistar ainda mais.

Nós, que já vivemos em um país onde o medo mora em todos os lugares, sabemos o que é sair de casa e não saber se iremos voltar, temos total noção do quão perigoso é estar nas mãos de bandidos e sermos prisioneiros em nossos lares. Mas Paris não, ela não estava acostumada com isso; nos 4 dias que estive por lá, vi pessoas atendendo celulares em todos os lugares, abrindo laptops no meio da calçada, contando dinheiro no meio da rua... Quanto tempo tem que não vejo isso na minha cidade? E, quando alguém arrisca algo assim, vem a expressão de reprovação e em seguida a frase: “Só pode ser gringo para se arriscar assim...”.

Eu não sei onde o mundo foi parar. Só sei, por experiência própria, que viver com medo é horrível e não desejo isso para Paris, nem para qualquer outra cidade do mundo.

Me espantei com tanta coisa depois desse acontecimento: me assustei com as pessoas nas redes sociais culpando os árabes imigrantes, logo aqui, em um país onde a grande maioria é descendente de imigrantes. Eu mesma não existiria se meu avô não tivesse sido acolhido aqui após a Segunda Guerra Mundial, então, como posso ter preconceito com outros povos? Me surpreendeu ver que algumas pessoas não gostaram de ver o mundo se compadecendo de Paris, porque, afinal, tem tanta desgraça no mundo e a gente não liga. Sério que a gente não liga? Quantas vezes falei sobre a Nigéria (e sobre suas mulheres sequestradas e estupradas) e meia dúzia de curtidas apareceu? Há quem ligue, mas também há quem não leia. Então, desculpe, a culpa não é de quem sofre com o próximo, mesmo ele estando distante. E se importar com Paris não me faz menos brasileira e compadecida com a tragédia em Mariana, mas entendo que locais turísticos retratados no mundo todo — e inclusive nos livros e filmes que amamos — talvez causem mais impacto.

Ninguém é menos importante, mas todos podem ajudar. Outro dia ouvi uma pessoa que admiro muito dizendo que a paz começa no condomínio em que vivemos, quando optamos por não brigar com nosso vizinho, e é verdade. Não podemos mudar o mundo todo, mas, se cada um mudasse a si mesmo, tendo atitudes positivas e mais humanas, o mundo poderia se contagiar com esse amor todo e parar de jorrar tanto ódio.


Paris sempre ficará no meu coração, assim como muitas cidades que visitei e amo de paixão. E isso não me faz menos brasileira. Isso só me faz humana. 

20 de nov. de 2015

Papos de Sexta: Empatia



Tinha planejado outra pauta para o “Papo de Sexta” desse mês, mas o que tenho visto nas redes sociais me fez mudar de ideia. Infelizmente, essa coluna será um pouco mais séria, mas acho que o momento pede essa pausa nos emoticons de sorrisos.

Segundo a definição do Dicionário Michaelis, empatia é “Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo”. Sentimos isso diariamente quando lemos certo? Acho que a empatia é o que nos cria o vínculo de identificação com personagens. Quem passou por bullying, entende o que Audrey narra em “À procura de Audrey”. Quem é autêntica e sofre um pouco com isso entende o que Sofia passa em “Perdida”. Quem já teve que assumir grandes responsabilidades mais cedo do que deveria, entende o que Will passa em “Métrica”. E esses são apenas alguns dos inúmeros exemplos que poderia citar falando superficialmente sobre o tema. 

Mas, quando tiramos a literatura da equação e voltamos nossa atenção para o mundo fora das páginas, o cenário muda. Infelizmente.

Desastres, tragédias, violência... Nosso mundo, nossa história é repleta disso. O problema é que parece que já nos acostumamos com isso. É considerado “normal” pessoas que moram em áreas de risco serem alvejadas por balas perdidas. É considerado “normal” pessoas no Oriente Médio viverem com medo por causa de homens-bomba. Mas deveria? Deveria ser normal não sentirmos empatia por seres humanos que não deveriam estar nessas condições, mas que sobrevivem a elas por não terem outra opção?

Aí um mar de lama arrasta o que vê pela frente em uma cidade no Brasil. Mar de lama esse que foi criado pelas mãos do homem, pela mineração, e que agora não arrasta dinheiro, mas vidas.

Aí extremistas distorcem uma fé e matam pessoas que nada tem a ver com a situação em uma das capitais mais famosas do mundo.

E no lugar de sentir empatia por ambos e fazer o possível para ajudar quem ficou por aqui, de entender o que causou ambas as tragédias, apontamos o dedo e julgamos quem sabe mais sobre o que aconteceu em Paris e menos sobre o que aconteceu em Mariana. Ou vice-versa.

O resultado é a criação de uma outra situação: a sinfonia de “mimimi” — ou melhor, de “MeMeMe” — nas redes sociais. Essas redes que deveriam conectar e compartilhar estão sendo usadas para julgar, ofender e propagar ódio. E esse ódio poderia ser evitado facilmente. Basta sentir empatia e ouvir o outro para entender e não apenas para responder.

Parece que as pessoas estão mais preocupadas em julgar a opinião alheia sobre um acontecimento e impor a sua, do que realmente se importar com o acontecimento em si. E isso é muito louco!

Longe de mim querer pregar alguma coisa, até porque tenho plena consciência de que faço menos do que deveria. Mas uma coisa eu aprendi: quando eu aponto um dedo, tenho os outros apontados pra mim.

A minha ideia com essa coluna foi pedir uma coisinha a todos que chegaram até aqui: empatia. Antes de bradar a própria opinião, se coloque no lugar do outro, entenda, reflita e aí sim forme a sua.

Hoje, com avanços tecnológicos que colocam incontáveis quantidades de informação na palma da nossa mão, nos dando a possibilidade de estar conectados com o mundo todo, todo tempo, fazemos o oposto. Ralhamos a torto e a direito sem fundamento e estamos cada vez mais desconectados com o que acontece ao nosso redor, do outro lado da nossa porta. O único brilho em nossos olhos vem das telas à nossa frente. 

Todos merecem o direito de se expressar e todos devem sim ter a própria opinião. Mas vamos tentar entender mais e odiar menos. Entender não é aceitar ou concordar. Entender é entender. E por mais que isso pareça simples, faz a maior diferença.



Chega de mascarar o preconceito e o julgamento com “ah, mas essa é minha opinião”. Opinião não é só gosto “prefiro o rosa ao roxo”. Opinião é utilizar argumentos e bom senso levando em consideração o outro e o contexto maior.

Então, antes de responder a pergunta do Facebook “No que você está pensando”, vamos realmente parar para pensar, refletir, antes de entrar no automático e somente repetir o “curte/comenta/compartilha”.

Mais empatia, por favor. Para todos nós e por todos nós!


30 de out. de 2015

Papos de sexta: O Sorriso que a Meg Trouxe


Eu me lembro de quando só eu sabia quem era ela. No grupo de amigas, ninguém havia lido nada dela ainda. Quis dividir o que tinha achado, por anos não consegui. Aí um belo dia, eu entrei no Fórum da Galera Record e descobri um mundo de gente que a amava tanto quanto eu. Isso foi em 2007, fiz muitas amizades, muitas das quais revelei aqui em outras colunas, assim como já falei do meu amor por essa autora. Mas o que senti necessidade de contar agora foi como, após tantos anos, ela ainda mexe comigo. Em 2009, quando vi Meg Cabot pela primeira vez, eu tinha outra vida. Quero dizer, nem conhecia meu noivo e muito menos trabalhava onde hoje estou.
Há exatamente 1 semana, eu fui pro trabalho pensando que, mesmo 6 anos depois, uma coisa não mudou: minha paixão por Meg. Eu fiquei acompanhando as postagens na página do evento e vendo as pessoas chegando desde 5 da manhã. Se por um lado eu queria estar lá curtindo, por outro sabia que não tinha como faltar ao trabalho para vê-la. Meu dia estava cheio, um milhão de coisas do casamento para resolver, mas Meg era minha alegria do dia.
Saída do trabalho, não aguentei e peguei um táxi. No caminho, me comunicava com amigas que estavam na fila já com a senha no pulso, e, no nervosismo, nunca Botafogo ficou tão distante do centro da cidade. Ao chegar na livraria, caiu a ficha de que a veria mais uma vez, de que havia conseguido, e quase dei uma volta olímpica. Uma longa fila, já formada, ia sendo atendida, todas de tiara na cabeça, umas com roupa de princesa... Ao pegar a senha-pulseira, também recebi uma tiara. E eu, que tinha saído de casa dizendo que não repetiria o mico de colocar tiara na cabeça como na foto da Bienal em que ela participou, me vi colocando a tiara e me sentindo a Mia — quem nunca? Encontrei tantas amigas, relembramos tantas histórias, me emocionei com o choro das meninas que a viam pela primeira vez, torci com as que vibravam saindo com o troféu em mãos após atendidas por Meg — leia-se livros autografados — e esperei ansiosamente a minha vez.

Me maquiei, segurei meus livros e segui em direção dela. Escolhi "A Noiva é Tamanho 42" e "O casamento da Princesa", obviamente porque no ano do meu casamento queria que ela autografasse livros com o tema — e porque amo as duas personagens desses livros! Foi rápido, mas um " Great" dela me fez sorrir de orelha a orelha. Falei o trivial, sorri para foto e pronto. Meu ano tinha sido salvo. Ver Meg me fez lembrar o como a vida melhora em certos aspectos quando só focamos nos ruins. Não sou a mesma de 2009, mas Meg continua maravilhosa e eu serei sua fã até os 100 anos. Meg é única! Tragam ela todo ano, Galera Record ;)