Vivemos expostos o dia inteiro, ainda mais se somos viciados em
internet e estamos em todas as redes sociais possíveis.
Não sei quantas vezes por dia entro no Facebook pelo celular ou laptop.
Muito menos quantas acesso meu Instagram. Checar emails é quase um TOC: surge
aquele envelopinho, logo corro e abro, apenas para ficar com raiva quando é
propaganda. Somos assim: curtimos curtidas, vibramos com mais um seguidor;
qualquer coisa interessante vira foto que em segundos é compartilhada, sem
deixar de citar o momento no Twitter. Tanto lugar para estarmos presentes que
às vezes nos perdemos.
Para quem tem blog a exposição pode ser maior. Canais no YouTube,
então, nem se fala. Mas como lidar com as críticas que obviamente aparecem? Afinal
já dizia vovó: "quem fala o que quer, ouve o que não quer". Pois é
assim que funciona esse mundo sem limites da internet: se posto meu pé, tenho
que estar preparada para que achem um de meus dedos horrível; para, entre
centenas de likes, ganhar um comentário maldoso como "que pé feio!".
Puxa, é meu pé, deixa ele! Tantos likes e eu vou me ligar logo naquela pessoa “fofa” que falou mal do
meu pé?
Faço o que? Enquanto a boa educação pede que se ignore, a falta de um
calmante me incita a responder: “Mostra seu pé também, quero ver se é mais
bonito que o meu!" Mas vai que é...? Ou vai que a pessoa só quisesse
aquilo mesmo, me ver irritada, e conseguiu?
E para que isso?
Porque desde que o mundo é mundo o implicante só existe porque alguém
se importa com ele. Ser ignorado perde a graça. Ele gosta é de ver que atingiu
seu objetivo. Talvez seja falta de uma boa louça para lavar, de um chão para
varrer, ou até mesmo de um blog para atualizar, mas ele perde tempo comigo!
Os comentários maldosos sempre existiram. Não precisavam de redes
sociais. A diferença é que agora eles chegam com mais poder. São milhares, milhões
de pessoas que tem acesso àquelas letras que usam para insinuar que estou acima
do peso. Onde entre tantos conhecidos e desconhecidos comentando que aquela
foto com meu namorado está "divando", me pego focando em um
desconhecido que nem mostra a cara no perfil e diz “Cruzes, parece um
balão!". Não o conheço, não sei se também está acima do peso... mas o que
importa é que me importei (sendo redundante) e, para ele, isso já valeu a pena.
Se ao ler aquilo corri para balança mais próxima ou mandei suspender o sorvete
e pedi uma salada é porque, de alguma forma, aquilo me atingiu.
E quem está na chuva é para se molhar, certo? Se posto uma foto pública
com um vestido, tenho que estar preparada para ouvir que estou bem e que não
estou, que engordei ou que emagreci. A internet tem, como tudo na vida, um
lado bom e outro ruim, e se nós, anônimos, sofremos com isso, imaginem os
famosos? Alguém já parou para prestar atenção nos comentários ofensivos nos
sites onde às vezes publicam uma notícia comum do nascimento de uma criança? O
que se vê abaixo são coisas educadas (só que não!) do tipo: "Nossa, que
criança feia!"
De vez em quando parece que a internet e a educação não se falam. Estar
atrás de uma máquina ou de um celular pode dar superpoderes a pessoas sem
limites, e cabe a nós, que estamos ali diariamente com a melhor das intenções,
separar o joio do trigo. Existe sempre a opção delete, e ela é mágica. Se ame, se aceite. A crítica nem sempre é
construtiva e não existe padrão de beleza. Estar acima do peso não é o fim do
mundo, e felicidade definitivamente não está ligada a isso!













































