1 de set. de 2014

Tons da Galera: Comédia in Drag

Nenhum filme foi mais lembrado depois da morte do ator Robin Williams, há dez dias, do que Uma Babá Quase Perfeita. Juntar um dos maiores atores de comédia de seu tempo com a situação já engraçada de um homem tendo que se disfarçar de mulher é fórmula quase certeira para risadas. Hoje reuni aqui os meus três preferidos, com aquelas personagens que iam além do figurino e maquiagem e que a gente queria mesmo que existissem, e fossem nossas babás, amigas ou ídolos da TV...

Robin Williams, Dustin Hoffman, e Jack Lemmon e Tony Curtis, no filme mais engraçado de todos os tempos, ponto.

Para quem trabalhou nesses filmes, as histórias dos bastidores são quase tão ou mais engraçadas que os filmes em si. Por exemplo, antes das  filmagens, Robin Williams resolveu testar a eficácia do seu “figurino” entrando numa livraria pornô vestido de Mrs. Doubtfire e fazendo uma compra. Ninguém o reconheceu nem desconfiou de que se tratava mesmo apenas de uma simpática velhinha. A maquiagem para as cenas, que levava diariamente 4 horas e meia, era feita com oito pedaços de próteses diferentes, mas ficou impecável, e ganhou o Oscar daquele ano (1993).

Outro clássico da comédia com pitadas de drama, dessa vez do comecinho dos anos 1980, foi o adorável Tootsie, que na verdade nasceu do personagem de Dustin Hoffman se disfarçando para arranjar um papel numa novela da época. Comovente e inteligente, Tootsie encantou as audiências — da novela fictícia na qual ela virou estrela, e do próprio filme. Dustin também testou sua personagem se disfarçando de tia Dorothy numa reunião de pais na escola de sua filha. Ator que é bom é realmente bom e, mais uma vez, ninguém desconfiou. Os óculos de Tootsie disfarçavam o nariz grande do ator, e um mecanismo especial foi criado para que as lentes de seus óculos de grau, que suavizavam seu rosto, não refletissem nas câmeras.


Mas o melhor dos melhores foi lançado ainda em 1958. Quando dirigiu Quanto Mais Quente Melhor, Billy Wilder teve a ousadia de colocar um dos maiores galãs de Hollywood na época, Tony Curtis, vestido de mulher para conquistar ninguém menos que Marilyn Monroe. Jack Lemmon era seu parceiro, ou parceira, de trapalhadas, e a dupla Josephine e Geraldine foi responsável por aquela que é considerada a melhor comédia de todos os tempos. A curiosidade aqui é que o filme seria colorido, mas a maquiagem dos dois atores ficava tão pesada para convencer, que o diretor optou por filmar em preto e branco, o que lhe deu ares de clássico desde o primeiro frame. Mais uma vez os dois atores principais resolveram testar seus looks e deram uma volta pela MGM usando inclusive os banheiros públicos femininos do estúdio sem serem descobertos. Marilyn Monroe, por sua vez, respondeu ao figurinista do filme, que lhe dissera que o traseiro de Curtis era melhor que o seu, abrindo a blusa e dizendo que podia até ser, mas no quesito seios ela ganhava de mil. Nem tudo foram flores, no entanto, e o estado de Kansas baniu o filme na época, alegando que o tema era “perturbador demais para seus habitantes”.

28 de ago. de 2014

Galera entre Letras: Entrevista com Keith Thompson, ilustrador da trilogia Leviatã

Recentemente eu fiz uma entrevista exclusiva por e-mail com o ilustrador Keith Thompson, autor dos mapas e ilustrações fantásticos da trilogia Leviatã (entre outras coisas muito legais que ele faz), e agora vocês vão poder conhecer um pouco mais do trabalho dele. E não se esqueçam de que a Galera Record lança em breve o último volume da trilogia – Golias –, traduzido pelo André Gordirro. 

E, enquanto nos outros dois livros, Leviatã e Beemote, a ilustração colorida de Keith ficou nos versos das capas dos livros, Golias virá com um diferencial - a ilustração virá encartada em formato de pôster e destacável: você poderá ter a ilustração inteira caso queira removê-la e pendurá-la, enquadrá-la, seja o que for!


Ana Resende: Keith, de onde você obtém a inspiração para as suas ilustrações? A ficção científica e a fantasia tiveram alguma influência no seu trabalho?
Keith Thompson: Minha inspiração vem da história, antropologia, biologia, mitologia, folclore e, obviamente, da arte. Eu gosto muito de ficção científica e fantasia quando me deparo com alguma coisa, mas o que é interessante está realmente enterrado, por isso, eu fico meio perdido quando não consigo encontrar nada precioso.

Keith Thompson busca inspiração para suas criações na mitologia e une técnicas diversas.
Aqui, o cavalo de Troia mistura madeira e metal numa Troia que lembra muito o Coliseu de Roma.
Keith Thompson busca inspiração para suas criações na mitologia e une técnicas diversas. Aqui, o cavalo de Troia mistura madeira e metal numa Troia que lembra muito o Coliseu de Roma.

A.R.: Que ferramentas você costuma usar para trabalhar?
K.T.: Eu uso lápis e papel, e o computador para tratar digitalmente o meu trabalho. Eu preferiria usar todos os meios tradicionais, mas tempos de secagem e outras logísticas impedem, na verdade, que os meios tradicionais sejam um caminho viável. Eu uso um papel que só consigo aqui no Canadá e importo todos os grafites e borrachas do Japão. 
Um esqueleto com armadura.
Seres híbridos são uma constante
no trabalho do artista.


A.R.: Bem, agora vamos falar um pouquinho sobre a trilogia Leviatã. Você poderia descrever o processo de trabalho com Scott Westerfeld?
K.T.: Foi ótimo; eu trabalhei da maneira antiga com ele. Trabalhei diretamente com o Scott nos livros. Nós trocávamos mensagens com texto e imagens, e os livros realmente cresceram de modo orgânico. Uma dinâmica interessante, que ocorre quando duas pessoas criativas colaboram diretamente em alguma coisa. Tenho tido muita sorte de trabalhar com alguns outros criadores dessa forma.


A.R.: Tem algum livro que você gostaria de ilustrar? Quais são os seus livros e/ou gibis favoritos?
K.T.: Se eu fizesse uma lista de livros que seriam ótimos de serem ilustrados, ela seria longa demais. O livro mais recente que li e que gostei de verdade foi The Yellow Wallpaper [O papel de parede amarelo], de Charlotte Perkins Gilman, leitura obrigatória para quem gosta de Lovecraft. O gibi mais recente foi Barbara, de Ozamu Tezuka. Normalmente eu evito o recurso de um criador que se concentra em um escritor ou artista como personagem principal, mas Barbara realmente faz um belo trabalho com esse tema e explora, de forma muito evocadora, a noção de Musa.

 
Ilustrações para a trilogia Leviatã, Alek e Nikola Tesla

A.R.: Você poderia falar sobre seus próximos projetos?
K.T.: Infelizmente eu não posso falar nada sobre os projetos nos quais estou trabalhando. O próximo filme será Crimson Peak [de Guillermo del Toro], e vocês podem ver meus desenhos na série The Strain [criada pelo próprio Guillermo e por Chuck Hogan] e no jogo Warframe.

Imagem para o jogo Warframe

Obrigada, Keith!

Espero que vocês tenham gostado da entrevista. Mas não pensem que me esqueci do Guillermo del Toro e do Lovecraft, não! Notaram que o Keith tem colaborado bastante com o Guillermo del Toro e também gosta de Lovecraft?! Será que se A Montanha da Loucura sair do papel um dia vai ter uma mãozinha do Keith Thompson?! Eu ia adorar!

Ótimas leituras e até!

22 de ago. de 2014

Papos de sexta: Um dia é da caça, o outro é da Cassandra


Ainda não acredito que Cassandra Clare está no Brasil. Acho que só vai cair a ficha na hora em que ela estiver na minha frente, o que deve acontecer na próxima segunda-feira — se Raziel quiser!
Eu não vou à Bienal do Livro, mas minha parabatai Frini Georgakopoulos não só estará presente como vai mediar as palestras da Cassie. Tenho certeza de que ela vai nos contar tudinho na volta — e também vai descolar o telefone do Jace com a autora (assim espero ;) — , então fiquem ligados aqui no blog.
De qualquer maneira, separei algumas dicas para os Caçadores de Sombras — e de autógrafos! rs — que pretendem comparecer às sessões com a autora. Se você não é Caçador mas pretende comparecer à Bienal, não tem problema! As dicas servem do mesmo jeito ;)


1) Ainda dá tempo de comprar seu ingresso antecipado para a Bienal, basta consultar os pontos de vendas no site do evento. Qualquer minuto a mais faz diferença na hora de conseguir (ou não) uma senha para a sessão de autógrafos, e você não vai querer perder tempo enfrentando as filas da bilheteria. (Obs: Não é necessário comprar ingresso para a sessão no Rio de Janeiro)

2) Faça uma lista de desejos. Vale anotar todos os livros que você quer comprar, as palestras que deseja assistir, os autores que quer prestigiar, os estandes que deseja visitar etc. Isso nos leva ao próximo item da lista…

3) Monte sua programação e não sobrecarregue sua agenda. É impossível dar conta de tudo, principalmente em dia de atrações concorridas. Se a prioridade é conseguir o autógrafo da Cassie, reserve o dia inteiro para isso.


4) Durma bem na noite anterior, ou ao menos descanse. Eu sei que muitos — eu! rs — terão dificuldade para dormir, tamanha a ansiedade.

5) Use roupas e calçados confortáveis. Vista-se de acordo com o clima e dê preferência a tênis ou sapatos com saltos baixos. Você pode e deve usar cosplay, mas repense aquela bota salto 15 da Isabelle, ou o traje de couro se estiver fazendo calor.

6) Vá de mochila, mesmo que não seja com rodinhas. É muito mais ergonômico do que bolsa ou sacola, principalmente com o peso dos livros e outros pertences. Isso nos leva ao próximo item da lista…


7) Leve lanche e água, e lembre-se de consumi-los! rs Você vai passar boa parte do seu dia em pé na fila do autógrafo, ou andando de um lado ao outro. Não se hidratar ou alimentar corretamente só vai deixa-lo com dor de cabeça e tonteira, e você não quer desmaiar logo na sua vez, certo?


8) Chegue cedo, quanto antes melhor. Basta dar uma olhada nos eventos do facebook para constatar que existem mais fãs do que senhas — e Raziel ajuda a quem cedo madruga ;)

9) Garanta seu mapa. Além de não se perder, você economiza tempo na hora de localizar os estandes, os banheiros, a praça de alimentação etc.

10) Marque um ponto de encontro com seus amigos ou familiares. Funciona tanto na chegada quanto na saída, caso vocês se desencontrem durante o evento.

11) Vai sozinho? Aproveite para fazer amizade na fila. Você vai precisar de alguém guardando o seu lugar, caso precise usar o banheiro ;)

É isso! Boa sorte para todos os Caçadores, e que Raziel nos proteja!

21 de ago. de 2014

Design et cetera: Looks literários

Quem nunca sonhou em se vestir como seu personagem favorito? E como seu livro favorito? O post de hoje é justamente sobre isso.  Reuni toda a minha obsessão por moda e juntei com alguns dos meus livros favoritos para montar alguns looks inspirados em literatura :)

Então vamos ao que interessa!

O primeiro do dia é da incrível série do Scott Westerfeld, Leviatã. Para quem não conhece, o livro é uma recontagem fantástica da Primeira Guerra Mundial, toda trabalhada na estética steampunk. Os detalhes tecnológicos vintage estão presentes nas engrenagens do colar e da bota. Os óculos de aviador e o trenchcoat dão o toque militar para você se sentir como Alec e Deryn. E a calça skinny vinho completa o look e combina com a capa! E aí? Quem curtiu?

Já que estamos falando do começo do século XX, o segundo look foi pensado a partir do clássico O grande Gatsby que, além de ser uma obra-prima moderna, é também uma crítica ao sonho americano e à decadência da era da proibição. Para atingir o look romântico de Daisy Buchanan, invista nos acessórios brilhantes e, claro, pérolas. A bolsa tem uma estampa art-dèco, super em voga na época. E a peça principal de renda azul é o segredo para você conquistar seu Gatsby!

Já para as mais sedutoras, uma das minhas inspirações favoritas (tenho até uma gata com esse nome, haha!) Lolita, do russo Nabokov. O segredo por trás do charme de Dolores Haze é justamente a mistura da inocência com a sedução. Por isso, para esse look, invista em uma peça básica como esse lindo vestido rosinha vintage, misturando com alguns acessórios mais ousados, para dar um ar sugestivo sem ser vulgar. A sapatilha e óculos vermelhos dão o toque sensual. Complemente com um batom vermelho e voilà. Não me responsabilizo pelas consequências.

Agora, se você busca um clássico mais irreverente para inspirar seu look, é hora de sair do Kansas e entrar para a magia do glamour do Mágico de Oz! A calça skinny amarela é a referência perfeita à rua de tijolos amarelos! Mas, para fugir do brega, troquei os sapatos prateados por esse lindo scarpin vermelho, que tal? E a bolsa com estampa de cachorrinho é em homenagem ao Totó!

Esse é mais um look DIVO e inspirado na série YA Fallen, que a Galera tem a honra de publicar. Como estamos falando de anjos caídos e de romances proibidos que desafiam o destino, abuse do preto, da renda e claro, das penas! O esmalte azul-metálico combina com o brinco de penas azuis e dá uma quebrada no gótico. O detalhe das penas também está presente nas sandálias. E o pingente de asas é a cereja no bolo.

Para quem prefere uma inspiração mais lúdica, O pequeno príncipe é o clássico ideal para um look alegre e imaginativo. Que tal homenagear essa linda história sobre amizade com um blazer de estrelas que, por mais louco que pareça, é incrivelmente cativante? O colar de gravata-borboleta combinando com o cinto vermelho proporciona um toque encantador ao visual descolado. #preciso

E que tal homenagear o falecido Gabriel Garcia Márquez com um look tropical digno de Macondo? O tomara-que-caia com estampa de folhagem já começa divando por si só, mas os acessórios rosa-shocking fazem toda a diferença, deixando o visual exótico, ousado e tropical. A bolsa de palha conversa bem com as outras peças e ajuda a amarrar o look. Um must.

E agora, pessoal, o SEASON FINALE!

Falando de edições lindas que inspiram looks sensacionais, eu não podia deixar de fora nossa edição capa dura de Instrumentos Mortais, não é? Para um look digno de um Caçador de Sombras comece com uma calça skinny preta e uma ankle boot de tachinhas. Agora, para simular o brilho holográfico divo, invista em um top brilhante e uma jaqueta de couro azul. A bolsa clutch azul-metálica com uma CAVEIRA na abertura é simplesmente o talismã mais necessário de todos. Brincos de brilhantes são bem-vindos. Os parabatai pira!


E aí? Qual o look/livro mais divo de todos?

15 de ago. de 2014

Papos de sexta: Eu blogo, tu blogas, eles blogam...


Nem lembro como descobri que ele existia, sequer lembro qual foi o primeiro que segui. Mas está lá no Blogger o dia em que comecei o meu: 13 de agosto de 2010.

Como quem não quer nada, saí postando fotos das minhas coleções: livros, CDs e DVDs do Michael Jackson. Com o tempo, passei a resenhar livros. Lembro bem: os primeiros que resenhei eram os oito que ganhei na promoção do fórum da Galera Record. Antes do blog, era no fórum que eu trocava marcadores, dividia histórias de livros lidos e fazia amizades virtuais com pessoas de todo o Brasil. Mas até 2011 não levava o "blogar" a sério; fazia vez ou outra, quando desse vontade. O A Menina que Comprava Livros ficava abandonado às vezes, até me lembrar dele para contar sobre alguma viagem que fiz ou show que fui. As resenhas, em sua maioria, ficavam no Skoob. 

Quando os blogs começaram a bombar, eu passei a apresentar eventos literários. Todo mundo perguntava “qual seu blog?”. Por preguiça, comecei a escrever para o de uma amiga que já estava pronto, mas o A Menina ficava lá como quem diz: "Hey, me escreve?”. Enquanto isso, a mania de ler, resenhar, divulgar, compartilhar, curtir aumentava. Precisava postar todo dia; chegar em casa depois de um dia de trabalho exaustivo e ter meu canto no mundo, um lugar onde pudesse falar com quem gostasse das mesmas coisas que eu: livros, filmes, eventos, tardes de autógrafos etc.

Quando dei por mim, o blog tinha parcerias, um seguidor aqui, outro ali. Então criei a Fanpage e me deparei com um lugar que tinha mais acesso que o próprio blog. Era só postar algo que vinham milhares de visualizações. Sim, você dirá: "Mas quatro anos e só tem isso de seguidor?". O que para muitos é pouco, para mim é muito. Não sou gatinha, não ligo para moda e tenho mania de livros, canecas e bonecos. 

Sim, não cresci (ou talvez não para cima, como desejava, rs), mas tenho orgulho dele. Conhece aquela sensação única de receber um inbox do tipo "Raffa, amei o livro que você recomendou”?  E dividir com um montão de gente que entende que estar cara a cara com aquela autora DIVA é sim um momento único na vida. E me sinto em casa quando pessoas entendem que marcadores de livro não são só pedaços de papel! 
Hoje todo mundo bloga. Tem blog que bomba e blogueira saindo em capa de revista (as literárias ainda não chegaram lá, mas um dia, quem sabe). Blogar é verbo, faz parte da gente, e dói demais ficar sem internet e não ter como atualizar aquele seu filho virtual! 

O A Menina é parte de mim. Tudo que vejo, penso' e conheço está lá em postagens diárias, sobre as quais amo saber o que as pessoas pensaram. Se fosse para guardar para mim, continuava com "meu querido diário". O blog vai comigo aonde vou: está no celular, iPad e laptop! Dou “bom dia” a ele e já o trato como sendo da família. Meu namorado sabe que não entre nós, mas conosco, existe um blog do qual ele me ajuda muito a cuidar. 

E claro que existe  uma parte dele que tem links das colunas que publico aqui :) Porque não só o A Menina, mas o Blog da Galera também faz parte de mim, e eu amo ter pedaços meus espalhados pela web ;) 

14 de ago. de 2014

Galera entre letras: Do papel para a tela

Nesta semana, li um artigo escrito pelo Marcus Sakey sobre adaptações de livros para o cinema. Pra quem não sabe, Sakey é autor de Brilhantes (Brilliance), livro que será adaptado para o cinema em 2015 e publicado por aqui pela Galera Record no primeiro semestre do ano que vem.

O artigo original está aqui pra quem quiser ler, mas resolvi aproveitar a deixa e pensar o que faz uma boa adaptação televisiva ou cinematográfica?

Volta e meia livros são adaptados, e, volta e meia também, fãs ensandecidos reclamam do que fizeram aos seus personagens ou cenas favoritas. Em geral, o tom é bastante raivoso rs, basta ver os comentários dos leitores sobre Game of Thrones, por exemplo, a adaptação para a TV do livro de George R. R. Martin que tem o mesmo título.

Curioso é que Martin é roteirista da série, ou seja, o próprio autor está adaptando o texto e fazendo as modificações, mas, ainda assim, seus milhares de leitores reclamam bastante (confesso que não posso dar palpites quanto a isso porque estou vendo apenas a série e ainda não sei se vou encarar todos aqueles livros). De qualquer forma, fica evidente que são mídias diferentes, mas que nem sempre as pessoas se dão conta disso.

O recurso do livro para criar ambientação e personagens são as descrições, que podem ser bem longas e detalhadas ou menos abrangentes (deixando espaço para a imaginação do leitor), além dos diálogos, mas não há uma limitação de páginas (um volume único pode ter mil páginas ou as mil páginas podem estar divididas em dois ou três volumes). E, se o livro tiver passagens chatas, sempre dá para pular ou acelerar o ritmo da leitura.

Com o filme não é bem assim. Por um lado, ele conta com o recurso da imagem (o que pode não ser uma coisa tão boa assim; muitas vezes, a imagem nos induz a conceber os personagens dessa ou daquela maneira e isso tem sido criticado, sobretudo, no que se refere aos filmes infantis); por outro, o filme é limitado e tem um tempo predefinido (e tudo bem que hoje a gente tem séries de filmes; a questão é que a limitação continua a mesma porque, de uma forma ou de outra, cada filme tem que ser visto como uma unidade separada e, em linhas gerais, tem que ter começo, meio e fim). Portanto, as descrições minuciosas do livro já não fazem sentido com o recurso da imagem.

Questões estéticas ou tecnológicas também têm a sua importância, e, muitas vezes, dependendo do ator contratado, um personagem pode ganhar menos ou mais destaque. Às vezes aquele personagem secundário no livro se sai bem na tela e não é raro ver um protagonista perder importância por causa de quem o interpreta. Ou ainda ficar mais velho ou mais novo para se adaptar ao intérprete ou a alguma exigência do roteiro.

O mais importante nessas discussões sobre adaptações, ao meu ver, é perceber a diferença das mídias e analisar a adaptação como algo independente do livro. O que é uma boa justificativa para o fato de, por exemplo, eu ainda não ter lido Martin! Se a trama está “redonda” (com personagens bem construídos etc.) e satisfaz minhas exigências enquanto espectadora, os livros podem esperar.

Uma pergunta que sempre me faço é se existem livros que não podem ser adaptados para outras mídias. Assim, de imediato, não me lembro de nenhum, mas na próxima coluna vou contar pra vocês sobre uma adaptação que nunca saiu do papel, mas que eu gostaria muito de ver: a adaptação de Nas Montanhas da Loucura, de H. P Lovecraft, que seria feita por ninguém menos que Guillermo Del Toro! 

Boas leituras e até lá!

12 de ago. de 2014

Papos de terça: Apocalipse Zumbi da Galera!

Hoje voltei com um vídeo de uma tag literária muito legal chamada Apocalipse Zumbi:

O cenário: um apocalipse zumbi (*-*)
O que fazer: montar um time com personagens da literatura para te ajudar a sobreviver ao ataque dos zumbis
Como montar o seu time: você seleciona 5 livros e coloca o nome deles em um potinho para sortear.
Cada livro sorteado vai preencher duas categorias do seu time contra os zumbis:
1. A primeira pessoa a morrer
2. A primeira pessoa que você vai usar como isca para se livrar dos zumbis
3. A primeira pessoa a se transformar em um zumbi
4. A pessoa que vai usar você como isca para se livrar dos zumbis
5. O idiota do time
6. O cérebro do time
7. O médico do time
8. O especialista em armas
9. O músculo do time
10. O capitão do time

Essa tag foi criada pelo Nathan Hale
(https://www.youtube.com/watch?v=O92bkEJrUMc) e achei divertida demais para não fazer haha
Para ficar mais interessante, convidei o meu irmão para montar um time também, e, como vocês podem ver, selecionamos apenas livros publicados pela Record:



E aí, gostaram do vídeo?
Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

8 de ago. de 2014

Papos de sexta: Desgosto é não ler


Este ano, para quem curte literatura, agosto não é “o mês do desgosto”. O oitavo mês do ano chega com a Bienal e muitos lançamentos para quem não consegue ficar longe das páginas. Eu, assim como você, estou nesse grupo.

É engraçado pensar sobre o amor que tenho por livros. Não é a questão de gostar de completar coleções, colecionar volumes raros, ter por ter. O que me conquista é a história, os personagens, a maneira como tenho as emoções sequestradas por alguém que não me conhece, mas que sabe exatamente como me sinto (ou me senti).

E essa pessoa que escreve, esse ser oniciente, não tem vergonha de expor meus medos, descrever meus desejos! O safado (ou safada) simplesmente me coloca na vitrine, página após página! Mas aí, chego na Bienal, no Clube do Livro Saraiva ou em qualquer evento literário e entendo que não foi pessoal, que não aconteceu só comigo. Não, não sou a única que chora, que se apaixona, que se identifica com personagens. Eles não pertencem somente a mim, mas a muitos, a todos. E, ao mesmo tempo, são só meus. Faz sentido?

Semana passada, estava novamente em um avião a caminho de um evento de trabalho. Estava sentada na poltrona do corredor e, na fileira da frente, do outro lado, estava um menino que não tinha mais do que treze anos. O pai do garoto sentava na minha frente e ambos falavam um idioma que não consegui decifrar. Com olhos muito claros e os cabelos loiros, o pai parecia sereno e o menino estava empolgado, jogando alguma coisa no iPad.

Não olhei outra vez para ele até estar no meio do voo. Enquanto lia O falso príncipe no meu Kindle, notei que o iPad estava desligado e que o menino tinha um livro nas mãos e o estava devorando.

Na hora do serviço de bordo, baixei a mesa sem tirar os olhos do Kindle. Dei uma olhada para o menino, e ele estava fazendo a mesma coisa com seu livro, ao mesmo tempo. E seus olhos também encontraram os meus. Aos poucos, nós dois sorrimos um para o outro. Foi um sorriso cúmplice, daqueles que só são divididos por quem se conhece há muito tempo, por quem sabe o que o outro está pensando. Eu nunca o havia visto nem ele a mim, mas, naquele momento, éramos irmãos, irmãos de páginas.

Aterrissamos, deixamos o avião, e a vida seguiu. Tentei, mas não consegui ver o nome do exemplar que ele lia, assim como ele não sabia o que conquistara minha atenção. E tudo bem. Somos leitores e embora nunca tenhamos nos visto antes ou nunca voltemos a nos encontrar, sabemos que não estamos sozinhos, que aquele personagem move mais alguém além de nós, que as lágrimas têm companhia ao serem derramadas ou contidas. Somos leitores porque não conseguimos não ser. E agosto chegou e o único desgosto é não ler. Rimou!


Obs: Para quem quer saber mais sobre O falso príncipe e aproveitar para se apaixonar pelos Garotos corvos, sábado, 9 de agosto, tem evento no Rio de Janeiro comigo e com a Tita Mirra! Saraiva do Rio Sul, 16h. Esperamos vocês, leitores J

7 de ago. de 2014

Tons da Galera: Sexo, a cidade e Vogue


Essa semana os saudosos fãs de Sex and the City tiveram uma surpresa: um divertido vídeo feito pelo artista francês Pierre Buttin com uma montagem das marcas mais mencionadas pelas quatro personagens nova-iorquinas ao longo das 6 temporadas da série que tanto inspirou a moda, as mulheres e um estilo de vida desde seu lançamento.

Qual foi a marca mais citada por Carrie Bradshaw e amigas de 1998 a 2004, você pode estar se perguntando? A resposta é: Vogue — grande vencedora com 36 aparições. Em segundo lugar, uma surpresa: o drink preferido das meninas podia até parecer ser o Cosmopolitan (outra moda que a série lançou), mas, pelo vídeo, elas gostavam mesmo era de Martini, mencionado 34 vezes. O time de beisebol Yankees vem com 26 menções, seguido de pertinho pelo de basquete Knicks. O New York Times vem em quinto sendo citado 24 vezes, mas, em sexto, nem Louboutin nem Jimmy Choos: Carrie parecia gostar mesmo era de calçar Manolo Blahnik, citado 16 vezes. Dolce & Gabanna vem em sétimo, seguido por um empate entre Prada e Post-its, com Chanel e depois Gucci finalizando as 10 mais.


Depois de uma polêmica no final do ano passado, com um artigo chamado How I Learned Carrie Bradshaw Was Full of Shit, algo como, Como descobri que Carrie Bradshaw era uma Mentirosa, prontamente rebatido por In Defense of Sex and the City, ou Em defesa de Sex and the City, a conclusão é a seguinte: Em primeiro lugar, vamos esquecer dos filmes (horríveis e desnecessários), OK? O fato é que a série foi um marco na história da TV e no novo formato de seus shows, além de quebrar inúmeros tabus e falar de assuntos antes impensáveis em horário nobre, e de retratar um novo tipo de mulher solteira de um mundo, é bom lembrar, pré-11 de setembro e smartphones. As personagens principais não eram solitárias nem reclusas de coração partido. Elas eram inteligentes, bem resolvidas (quase sempre), com carreiras de sucesso e vida social agitada, além de valorizarem (e muito!) o que, no final, era o tema central da série (nem sexo, nem amor, nem sapatos): a amizade.

As referencias à moda, comidas e modismos efêmeros comuns a qualquer cidade grande, ainda são relevantes na cultura pop de hoje. Por essas e outras, a série parece prestes a ter um revival, com o site WhoWhatWear até fazendo um especial com as melhores lições de moda deixadas pelo quarteto, trunfo da figurinista Patricia Field, que virou estrela por causa da série e abriu até loja. Segundo o WWW, a série da HBO era a bíblia da solteira moderna nos assuntos amor, vida e sapatos, e algumas das quotes que Carrie nos deixou são bobinhas como “Fazer compras é meu exercício”, irresponsáveis como “Gosto do meu dinheiro onde posso vê-lo: pendurado no meu armário”, desencanadas como “O par de sapatos certo pode te fazer mais feliz do que um homem”, e verdadeiras, como “Dizem que nada dura para sempre; sonhos mudam, modismos vão e vêm, mas as amizades nunca saem de moda”.

Sendo assim, fãs convictas (cof, cof, eu, cof, cof) vão continuar adorando os debates e as retrospectivas dos melhores modelitos usados por Carrie, assim como a série de TV e os livros Os Diários deCarrie. Mas por favor Sarah Jessica e cia: mais filmes não.

Long Live Carrie!

31 de jul. de 2014

Galera entre letras: Brincando de traduzir

Há algum tempo, o site Timothy McSweeney’s INTERNET TENDENCY fez um post curioso sobre traduções de gêneros literários, e eu me inspirei neste post pro artigo de hoje. O original está aqui

Não sei se vocês já tinham pensado nisso, mas “traduzir” (isto é, mover de um lugar para outro) não é só verter de uma língua a outra. Existe também o que eu chamo de tradução “intralíngua”, isto é, num mesmo idioma, mas de uma linguagem (entendida aqui como “maneira de falar”) para outra.

Vou dar um exemplo bobo: entre si, os médicos se referem à sensação de dor na cabeça como “cefaleia”, mas, ao conversar com um paciente, chamam de “dor de cabeça”, que é a expressão que nós usamos cotidianamente para definir a tal sensação. E quantas vezes, depois de ouvirmos a explicação de alguém, pedimos que a pessoa traduza isso em termos mais corriqueiros?! Esses são exemplos de tradução “intralíngua”.

O curioso — e o post do INTERNET TENDENCY trata justamente disso — é que essa ideia de tradução “intralíngua” nos permite verter qualquer texto ou fala para outra “maneira de falar” relativa a uma determinada época, local ou, como no caso aqui, gênero literário.

Não tem segredo, e vocês podem fazer isso em casa também (pra quem quer ser tradutor ou trabalhar no mercado editorial, é um ótimo exercício, inclusive, por mostrar que nós sempre podemos mexer e melhorar um texto!).

Pensem numa frase. Aqui eu vou usar a mesma do site, que dizia:

“Eu comi um sanduíche e olhei pela janela.”

Agora vamos “traduzir” essa frase para outros gêneros literários, procurando acrescentar palavras ou expressões características desses gêneros sem, no entanto, perder a informação essencial, que é: “alguém comeu algo e olhou através de algo”.

Ficção Científica:
Coloquei as cápsulas nutritivas sabor sanduíche caseiro na língua e, enquanto as engolia, fitei o espaço do lado de fora do visor do foguete.

Fantasia:
Repousando nas costas de Dracos, meu dragão, após o combate, engoli rapidamente o pão velho e o queijo bolorento enquanto fitava a entrada da caverna na qual nos escondíamos.

Romance do Século XIX:
É uma verdade universalmente reconhecida que um solteirão, de inteligência acima da média, repassa mentalmente as candidatas à futura esposa enquanto mastiga o pão e fita a veneziana à espera de sua carruagem.

Jovem Adulto:
Eu engolia o sanduíche de queijo que encontrei na mochila (e que provavelmente fora deixado lá no último fim de semana) quando, de repente, John Eu-Não-Sei-O-Que-Deu-Em-Mim Smith apareceu na minha frente. Sem saber o que fazer, me virei e fitei a janela que dava para o estacionamento vazio do colégio.

Escolha a Sua Aventura:
Você comeu o sanduíche e agora gostaria de:
- Olhar a janela e ponderar sobre a vida (vá para a página 65)
- Mergulhar no rio, que provavelmente está infestado de piranhas (vá para a página 27)
- Beber um gole da garrafa onde se lê BEBA-ME e tirar um cochilo para ver o que vai acontecer (vá para a página 41)

Drama:
David, o menino órfão, que fora abandonado na frente da loja do Sr. Chuzzlewits, mordiscou o pão velho e agradeceu pela refeição. A primeira, em muitos dias. O pequeno, que entregava jornais na madrugada, observou o movimento da rua lá fora, que parecia não tomar conhecimento de suas tristezas, pela vitrine quebrada do armarinho.

Clássico Russo:
Enquanto Shanvokovic mergulhava o pão velho e ressecado na sopa, sorvendo as últimas gotas do líquido ralo com mãos trêmulas e cabeça baixa, como se a consciência pesada o obrigasse a fitar o chão em vez do prato, Gregorinoviczh mal tirava os olhos do vidro quebrado da janela. Lá fora, neve e o estampido dos canhões da Revolução.

Realismo Mágico:
Eu comi um sanduíche, fui até a janela e voei.
E então? O que vocês acharam?

(Espero que tenham gostado da brincadeira!)

30 de jul. de 2014

Galera Pop: Guardiões da Galáxia


Quem não torceu a cara quando a Marvel anunciou que faria Guardiões da Galáxia. Vamos lá, admita aí, você também, todos nós. “Guardiões da Galáxia, quem?”, perguntou quem só conhece herói Marvel famoso. “Guardiões da Galáxia, quem?”, perguntou o leitor mais assíduo, que teve que puxar da memória. Pois sim, o longa-metragem chegou e tornou as expressões de desprezo e descrença em queixos caídos. É o melhor filme da Marvel, como apregoaram aos quatro ventos? Não, Os Vingadores ainda é mais redondo como obra cinematográfica, mas com certeza Guardiões da Galáxia é o mais divertido e feito com mais carinho.

Antes de mais nada, a nota enciclopédica: esses Guardiões da Galáxia são inspirados na formação de 2008 para a saga cósmica Aniquilação, publicada pela Marvel. Quase não têm a ver com a formação original de 1969, a não ser pelo uso do alienígena azulado Yondu (Michael Rooker, de The Walking Dead), aqui como coadjuvante e não um dos guardiões em si. O grupo é formado por Senhor das Estrelas (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Groot (voz de Vin Diesel) e Rocket (voz de Bradley Cooper), heróis improváveis envolvidos na caçada e proteção a um objeto de grande poder, não muito diferente do Cubo Cósmico/Tesseract que moveu a trama de Os Vingadores.

A história é um samba-do-marvete-doido e começa com uma overdose de informações diferente do ritmo mais didático de outros filmes do estúdio — até porque, se fosse muito informativo, levaria meia hora apenas na introdução dos elementos. A trama em si é um corre-corre a respeito de quem passa o adversário (ou mesmo o aliado) para trás, em nome da recompensa por um orbe de grande poder. De olho no objeto cobiçado estão Ronan, o Acusador (Lee Pace), e Thanos (Josh Brolin), no campo dos vilões. No caminho, por motivações variadas, estão os “Guardiões da Galáxia”.

Movido a citações de cultura pop (acredite: até Kevin Bacon entra no caldeirão), tiradas infames e humor de recreio, o roteiro dá espaço para a caracterização típica da Marvel, e é ai que Guardiões da Galáxia ganha uma força impressionante. Os Vingadores beneficiou-se dos filmes anteriores de cada herói: foi só juntar todo mundo e pronto, deu liga (sem ser da justiça). Aqui, cada guardião tem pouco tempo para vender seu peixe, e todo mundo sabe que o feirante ganha a freguesa no grito, no preço e no frescor da mercadoria. Então é de tirar o chapéu que Pratt, Saldana e Cooper tenham feito tanto em tão pouco tempo de tela, porém é mais admirável como Vin Diesel, trabalhando com uma única frase (“eu sou Groot”) impressiona tanto. . . e ainda mais admirável o que o brutamontes Dave Bautista consegue na tela. Ele rouba cenas atuando bem, passando emoção e humor, indo de ator dramático a cômico. É a surpresa em um filme que, por si só, já é surpreendente que tenha sido concebido, quanto mais executado dessa forma extremamente gaiata e divertida.

Em tempo: há cena pós-créditos, mas não foi exibida na sessão de imprensa. Fique de olho.

O trailer e outras informações estão no site oficial: http://www.marvelbrasil.com/guardioes-da-galaxia


25 de jul. de 2014

Papos de sexta: ABG dos romances


Você leu certo, é ABG: A de Alfa, B de Beta e G de Gama.
Se você é como eu e adora um bom romance — e aqui me refiro às histórias de amor e não às narrativas longas —, já deve ter percebido que os heróis dos livros dividem-se basicamente em três tipos:

Alfa - O dominante.
Exemplo: Homem de Ferro
Os traços mais marcantes desse herói são a liderança e competitividade. Ele assume frequentemente o controle da situação, puxando a responsabilidade para si, e é quem as pessoas procuram em situações problemáticas e nas tomadas de decisões.
O herói Alfa possui força física e costuma ser atraente — por consequência, é narcisista e arrogante. É teimoso e obstinado, às vezes rude ou vil, mas há sempre uma razão para ele ser assim (mesmo que seja apenas porque quer! rs).
Costuma ser possessivo e ciumento com as pessoas que ama, mas também é muito cuidadoso e preocupado, fazendo de tudo para protegê-los. Por vezes, seu comportamento dominante passa do ponto, cruza a linha do romântico ao abusivo, e pode torná-lo em vilão.
Um herói Alfa requer que a heroína tenha vida própria, ou ela vai estar para sempre à sua sombra.

Beta - O gente boa.
Exemplo: Homem-Aranha
É um herói mais brando, mais vulnerável e sensível do que um Alfa. Tende a ser mais intelectual e astuto, contando com inteligência e humor, em vez de força física. Não é necessariamente bonito ou alto, e costuma ter fraquezas e limitações.
O Beta é carinhoso, leal, modesto e despretensioso. Ele pode ser do tipo quieto ou descontraído, trabalha bem em equipe e prefere obedecer a comandar, geralmente auxiliando de maneira diplomática.
É um herói pacífico, embora esteja longe de ser um covarde. E apesar de demonstrar ciúme e possessividade, estes nunca são seus traços dominantes.
O herói Beta é frequentemente a segunda opção das heroínas. O típico “cara legal” ou “melhor amigo”.

Gama - O complexo.
Exemplo: Wolverine
Uma combinação dos traços de ambos. Esse herói apresenta a inteligência e sensibilidade do Beta, mas é impulsionado pela determinação do Alfa, principalmente quando se trata de proteger aqueles que ama.
A preocupação com os outros é seu traço mais marcante. O herói Gama demonstra laços fortes com seus amigos e família — e não apenas com a heroína, o que muitas vezes é mal interpretado como indiferença pela mocinha.
Ele se mantém na retaguarda, não procura a liderança — mesmo que claramente seja o mais indicado para tal função — mas frequentemente discorda do Alfa e não se conforma sob o seu domínio, um comportamento típico de anti-herói.
O Gama é um cara complexo, que passou por dificuldades ou traumas — e a heroína que se apaixonar por ele deve estar preparada para lutar contra seus demônios internos, bem como os inimigos externos. Ele se revela o herói perfeito uma vez que supera os obstáculos, mas muitas mocinhas desistem antes disso.

É isso! Não importa se é contemporâneo ou sobrenatural, young adult ou new adult, os romances costumam apresentar variações dos mesmos arquétipos. Qual deles é o seu favorito?

18 de jul. de 2014

Garoto vs. garoto

Oi gente, tudo bem? Como vocês sabem, há algum tempo postamos aqui essa capa de Garoto encontra garoto. Tivemos algumas reações positivas e outras nem tanto. O próprio David Levithan, quando viu a capa na matéria do Globo, gostou. Alguns de vocês também gostaram mas  outros reclamaram que não estava legal.


É impossível agradar a todos, mas nesse caso, resolvemos fazer outras opções de cor. Uma coisa que achamos importante (e que sabemos que vocês também acham) é que o livro precisa combinar com osoutros títulos do mesmo autor. Isso cria uma identidade para ele, além de ficar bonito nas prateleiras né? E por esse motivo, talvez o rosa estivesse destoando um pouco dos outros livros do Levithan.

Depois de muitos estudos, criamos duas outras opções para essa capa, além da opção rosa anterior:


E agora, a decisão é de vocês! Queremos saber qual dessas capas vocês preferem, e a vencedora será impressa, wohoo. Então corre lá no facebook da Galera e vote na favorita dando um like na sua escolha. A votação acaba na segunda, então não percam tempo hein? E que comece a grande batalha de capas!

Clique aqui para ver as opções!

Papos de sexta: Sonhos realizados


Todo mês, quando escrevo algo para vocês, eu me pergunto: “E agora, sobre o que falarei”? Desta vez, a resposta veio em formato de sonho. Dois, na verdade, muito parecidos, que tive na semana passada.

No primeiro deles, eu perdia um voo para São Paulo, chorava no aeroporto e dizia para o cara da companhia aérea que precisava estar na Bienal cedo ou não conseguiria senha para ver a Cassandra Clare. Ele ria de mim, dizendo que nem sabia quem era “essa cantora”, e eu discutia com ele, dizendo que ela não era cantora.

Então ia para rodoviária tentar pegar um ônibus. Depois de seis infinitas horas, quando eu chegava, os portões estavam fechados.  Eu dizia para o segurança: “Você tem que me deixar entrar! Eu vim do Rio só para isso!”, e ele me respondia que metade do povo que conseguiu entrar também não era de São Paulo, mas tinha chegado antes de abrir para conseguir a entrada. O sonho, que estava mais para pesadelo, terminava com várias amigas minhas saindo da Bienal sorrindo com o autógrafo de Cassandra, me mostrando as selfies que tiraram com a escritora. Acordei no susto e fui logo olhar minha passagem aérea, que é para um dia antes, e respirei aliviada.

O segundo sonho também era na Bienal. Nele, após um dia inteiro de filas e compras, meu namorado reclamava comigo que não tínhamos tido tempo para nós dois, e que por isso ele queria voltar para o hotel. Dar uma boa descansada, ver um filme...

Quando a gente voltava (e eu reclamando, óbvio), dizia para ele então para ao menos comermos por lá mesmo, que eu não queria sair.

O lado bom – e louco – do sonho é que, ao descer com ele para jantarmos no hotel, o garçom informava que o restaurante estaria fechado, pois tinha sido alugado somente naquela noite para um encontro de autores. Sentada e aborrecida, eu não aceitava arredar o pé de lá. Foi quando avistei um por um chegando e dando um “Hi” quando passavam por mim. Estavam todos lá: Cassandra Clare, Cecily Von Ziegesar, Scott Westerfeld, Meg Cabot, Justine Larbalestier, Diana Peterfreund, Lauren Kate, David Levithan e Colleen Hoover.

Claro que tinha que ter uma coisa ainda mais louca em meu sonho: nele, ainda saí correndo para uma livraria comprar os livros de todos eles para autografarem. Se o sonho era meu, claro que daria tempo.

Essa coluna foi só para contar um pouco de como estou ansiosa com a Bienal. Como a expectativa é boa e o clima é lindo quando chegamos pertinho do evento e o friozinho na barriga aumenta. Já vi de pertinho Meg Cabot, Cecily Von Ziegesar, Lauren Kate, Justine Larbalestier, Scott Westerfeld... e esse ano com certeza verei Cassandra Clare. Tem como não sonhar com esse momento? Que venha mais uma Bienal e que um dia eu possa conhecer David Levithan e Colleen Hoover!

17 de jul. de 2014

Galera entre letras: Entrevista com André Gordirro, tradutor da trilogia “Leviatã”, de Scott Westerfeld

Imaginem uma recriação da Primeira Guerra Mundial que mistura figuras históricas importantes e personagens fictícios com uma roupagem steampunk. E imaginem um conflito dominado por máquinas poderosas e animais gigantescos. Pois é, aí está o cenário criado por Scott Westerfeld para a trilogia Leviatã que, em breve, se encerra com a publicação de Golias: A Revelação (aqui tem um link com o primeiro capítulo do livro). 

Eu sempre fiquei muito curiosa com o processo de tradução da trilogia que, além de citar fatos históricos, isto é, eventos que realmente aconteceram e sobre os quais há uma infinidade de informações, cria seres fantásticos e diversos aparatos mecânicos que jamais existiram. Foi por essa razão que, para celebrar o centenário da Grande Guerra e o lançamento do último volume da trilogia Leviatã, eu entrevistei por e-mail ninguém menos que o tradutor da série: André Gordirro, que me contou como foi traduzir a série e como é o dia a dia dele quando está trabalhando.

Ana Resende: André, você poderia falar um pouco como foi o processo de tradução dos livros da trilogia Leviatã, e como é o seu processo de tradução em geral?
André Gordirro: Eu não fugi muito à regra geral de como encaro uma tradução. Basicamente, se não houver urgência, eu encaro dez páginas por dia, não importam a dificuldade ou a massa de texto. Obviamente, se o livro tiver pouco texto na página ou estiver fluindo bem (muitos diálogos, pouca pesquisa de termos específicos), acabo passando das dez, porque nunca se sabe o dia em que o tradutor estará gripado, de ressaca, com problema na pia da cozinha ou precisando levar os gatos ao veterinário. Já conhecendo o texto do Scott Westerfeld, eu sabia que tudo fluiria em diálogos naturalistas e que eu teria que exercitar a imaginação na adaptação de termos inventados por ele, o que sempre é um desafio legal.

A.R.: A trilogia Leviatã é ambientada na Primeira Guerra Mundial. Pra traduzir os livros, você chegou a pesquisar sobre o assunto? Ou já se interessava por ele?
A.G.: Minha mãe é professora de História e eu sempre me orgulhei em ter sido aluno nota 10 na matéria, então, eu tinha a Primeira Guerra Mundial na cabeça. Cheguei a visitá-la e pegar um livro didático com ela só para reler os capítulos e me recordar dos nomes em português das figuras históricas, mas, felizmente, tudo ainda estava na memória mesmo. Eu me interesso por todas as guerras, sou um general de sofá e soldado de mouse. 



Fatos históricos e ficção se misturam para criar uma versão alternativa da Primeira Guerra Mundial. Nas imagens acima, o carro do arquiduque Francisco Ferdinando e sua farda ensanguentada. O assassinato do arquiduque foi um dos acontecimentos que desencadeou a Primeira Guerra.

A.R.: Você traduziu autores como Cory Doctorow, Scott Westerfeld, e a Galera Record já anunciou a publicação de Brilhantes (Brilliance), do Markus Sakey, que vai virar filme em breve, e que foi traduzido por você. Você costuma escolher os livros que traduz? Ou pede pra traduzir um gênero específico, do qual gosta ou com o qual se sente mais à vontade?
A.G.: Eu não chego a escolher, mas tenho dado a sorte de receber livros que parecem ter sido escolhidos por mim mesmo. Acho que a responsável é a sintonia que a Galera Record sempre teve comigo, pois o pessoal sabe que curto ação/aventura, fantasia e ficção científica – e tudo o que se encaixe aí nas brechas dos rótulos. 

Tradutor e autor, juntos, no lançamento de Leviatã no Rio de Janeiro.

A.R.: Você tem vontade de traduzir algum livro ou algum autor que ainda não foi traduzido para o português? Poderia dizer quem é e por que gostaria de traduzi-lo?
A.G.: O Michael Moorcock e a série do Elric de Melniboné. Há uma edição antiga apenas do último capítulo da saga (não sei por que alguém lançaria, por exemplo, O Retorno do Rei [de J. R. R. Tolkien, A.R.] sem ter publicado A Sociedade do Anel e As Duas Torres, mas...), e até hoje o leitor brasileiro nunca teve o contato que merece com o personagem, além de ocasionais gibis traduzidos. Outro autor seria o Fritz Leiber e a saga de Lankhmar, estrelada pelos dois bufões, Fafhrd e Gray Mouser. Tanto o Leiber quanto o Moorcock são minhas inspirações como futuro escritor, e seria uma honra traduzi-los (até porque alguns livros eu sei de cabeça).

A.R.: Pra terminar, você costuma ler no seu tempo livre? Qual foi o último livro que você leu?
A.G.: O tempo livre, cada vez menor, já foi ocupado por mais leitura. Hoje acabo lendo mesmo os livros que traduzo. Vem aí um bacana, de não ficção, do qual não posso relevar o nome. E ainda luto contra o mais recente volume de As Crônicas de Gelo e Fogo, A Dança dos Dragões, porque, odeio admitir, está bem chato. Espero traduzir a continuação de Brilhantes, A Better World, porque foi uma das melhores leituras recentes (alô, Galera Record!). Viu, tem vezes que eu peço para traduzir um determinado livro. :)