27 de jul de 2015

Tons da Galera: A hora e a vez deles

De 13 a 16 de julho de 2015 rolou a primeira semana de moda de Nova York de moda masculina. Sim, foi isso mesmo que você leu, ela não existia! Os quatro dias de evento tiveram gigantes como Calvin Klein, Michael Kors e Polo Ralph Lauren, mas por que só agora uma semana só para eles em NY, considerando que elas já existem há anos em Paris, Londres e Milão?

Primeiro, a multiplicação de e-commerces agradou — e muito — aos homens, que em sua maioria não curtem muito gastar horas fazendo compras num shopping. O fato de poder comprar o que estão precisando ou querendo de forma mais objetiva e usando seus computadores ou dispositivos móveis fez com que a moda masculina tivesse um aumento de quase 20% em vendas online nos últimos anos. Além disso, a temporada para compras das coleções masculinas em NY caía (até então) depois dos desfiles femininos terem acabado e, consequentemente, estarem fechadas a maior parte das compras das grandes lojas. E mais: o foco dos blogs de streetstyle não é mais apenas na moda feminina, como vemos por exemplo no The Sartorialist, o que anda inspirando muitos guapos por aí a inovarem na hora de abastecer o armário.

Ainda tímida e bem low profile diante da semana de moda feminina, a NYFW:Men’s, como foi batizado o evento, promete crescer na próxima edição, em Janeiro de 2016, com direito até aos exibicionistas de streetstyle do lado de fora das tendas de desfile.

O fofo Bill Cunningham, fotógrafo pioneiro de streetstyle na cidade, fez uma adorável resenha no vídeo que você confere aqui.

A gente acha que já estava mais do que na hora, e vocês?

24 de jul de 2015

Papos de sexta: O Spoiler Assassino

Em tempos de internet, tudo que fazemos, lemos ou assistimos é facilmente compartilhado nas redes sociais, e milhares, às vezes milhões de pessoas veem o que escrevemos. Pode ser uma simples saída do cinema onde você odiou o filme e quer dizer pro mundo não assistir, aí você vai lá no twitter e posta : “ Perdi 2 horas da minha vida, filme chato demais!!!”. Se você tem muitos amigos, ou tem um blog com muitos seguidores, não será difícil receber uma mensagem perguntando porque não gostou do filme, certo? Agora, imaginem se eu resolvo responder a essa pessoa: “Porque além do filme ser chato, a mocinha morre no final!”.



Vamos parar para pensar... afinal, o que realmente pode ser considerado spoiler? No exemplo acima, eu ficaria com raiva se ainda não tivesse visto o filme e lesse na timeline de alguém isso. Ok. Spoiler Detectado! Agora, vejamos: se eu opto por assistir um filme no Netflix tipo Titanic – supõe-se que qualquer pessoa que respire o tenha visto – e lá pelas 2 da matina eu em prantos posto no meu Facebook : “Que filme!!! Sempre choro quando o Jack morre!”. É spoiler?? Eu acho que não. Gente, o filme é de 1997, uma das maiores bilheterias do cinema e ainda tem gente que acredita que eles irão ficar juntos? E mesmo que a pessoa vá assistir somente agora, será mesmo que estraga o filme saber o final?

Sei que isso depende muito de cada um, mas vamos passar para os livros. Em média, resenho 10 livros por mês no meu blog, e muitas vezes eu acho que o que falo é spoiler, aí volto, penso...e tento encontrar uma forma de resenhar sem contar o que se passa. Ao resenhar eu declaro o que mais gostei e porque, mas não posso e nem devo informar algo que estrague a leitura do livro ou que tire as surpresas que a história nos oferece e que ninguém me contou. Não tenho nenhum direito de soltar spoilers sobre a obra alheia.

Complicado? Talvez... Há quem goste de spoilers, os peça nos eventos que apresento ou me mande inbox perguntando se o casal ficou junto, se a protagonista morre...De acordo com essas pessoas, isso não estraga em nada a vontade de ler aquela história, ou seja, a conclusão é que nem sempre o que é spoiler para mim pode ser para quem o lê, ou vice-versa. Morro de medo de falar mais do que devo quando entrevisto algum autor nos eventos, mas aí acabo vendo que me policio tanto que ele mesmo vai lá e solta que ela escolhe um e não o outro, e respiro aliviada, porque é igual filho alheio, eu não tenho direitos sobre ele, mas o autor sim.



Outro dia vi uma discussão na qual diziam que a blogueira não deveria ter falado algo, mais de 20 leitores dizendo que ela estragou a surpresa do livro. Ao pegar o mesmo exemplar, estava ali o que ela citou no vídeo;na sinopse!!! Oi? Quem mesmo soltou  o spoiler? Ou seria melhor lembrar: será mesmo que era um spoiler?

Fico imaginando a dificuldade de quem faz as sinopses em não ser assassinado pelos caçadores de spoilers – sim, eles existem, acredite –, porque qualquer informação a mais é crime hediondo e inafiançável.

A palavra spoiler se origina de spoil, que, em inglês, quer dizer estragar, ou seja, quem conta spoiler estraga o filme ou o livro. Não seria forte demais usar isso sempre?


Ficou difícil para o mundo definir spoilers. E você, como lida com isso?

23 de jul de 2015

Galera entre letras: Ernest e os Gatos

Eu tenho quatro filhos felinos. Achei que uma hora vocês deviam saber disso, e desde que comecei a trabalhar e me interessar por livros percebi que eu não estava sozinha na predileção pelos bichanos.

Vocês sabiam que vários autores importantes fizeram  e fazem  questão de declarar publicamente seu amor pelos gatos  em textos e imagens? Curiosamente, alguns dos meus autores preferidos foram apaixonados por gatos e tem até episódios curiosos e tristes em suas vidas, que envolvem os bichanos.


Hoje eu vou falar dos gatos do Ernest Hemingway e, da próxima vez, falarei de Bob, o gato de Charles Dickens, que quase me levou a escrever um livro!!!

Ernest Hemingway foi pra mim um dos maiores contistas da língua inglesa – aqui no Brasil seus livros são publicados pela editora Bertrand Brasil, do grupo editorial Record , mas além de escritor premiado e grande aventureiro (ele lutou em guerras e esteve perto da morte várias vezes!), ele era apaixonado por gatos.

Um dos episódios mais tristes de sua vida foi quando ele teve que sacrificar Uncle Willie, um de seus gatos preferidos, que estava sofrendo muito após ser atropelado. A carta que ele escreveu a um amigo contando o episódio é um dos textos mais tristes que eu já li e nela fica claro o respeito e o carinho que ele tinha pelo gato de estimação.

Mas tem um episódio bizarro ligado a Hemingway e à sua paixão pelos gatos. Hemingway criava gatos mutantes. Isso mesmo. Gatos mutantes, com seis dedos. Até parece ficção científica, né? Mas a história é real. E os gatos vivem até hoje na casa do escritor –hoje transformada em museu. E, como todo gato que se preza, lá eles também se acham os donos do pedaço.


Num ofício que costuma ser solitário, os gatos  independentes e silenciosos tanto podem ser uma inspiração como uma ótima companhia para os autores. Na próxima coluna, vou falar de Bob, o gato que Dickens  literalmente  imortalizou.


Até!

17 de jul de 2015

Papos de sexta: Gosto (literário) não se discute

Um antigo ditado sabiamente diz “gosto não se discute, lamenta-se”. Mas em tempos em que tudo é curtido e compartilhado, gosto se discute e muito! Embora, em minha opinião, acho que o termo que deveria ser utilizado é “debate” e não “discussão”. O primeiro implica em argumentos e troca de opiniões,enquanto o segundo é puro barraco.

E é o que tenho visto em redes sociais: muito barraco por causa de gostos literários.



- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

- Você só lê .... CHEGA!

Quando estava pensando no que escrever para o “Papos de Sexta”, pedi sugestões no meu Facebook e recebi várias, entre elas esse tema. E na própria sugestão, já começou um teteretê por razões de gostos literários diferentes.



Gente, gosto não se discute!Se debate, se questiona e até se lamenta. Mas Não. Se. Discute.

Minha experiência mostrou que, quando a gente ama muito alguma coisa, nos sentimos meio que donos dela, sabe? Por exemplo, quem nunca amou tanto um personagem que sente ciúmes quando outra leitora também confessa seu amor por ele? Quando somos fãs, amamos MESMO, com força e sem restrições, e isso às vezes nos inflama não de uma forma bacana.

Eu amo livros! Amo mesmo! Acho o máximo como eles me fazem sentir e chorar e questionar sem sair do lugar. Amo entender as entrelinhas, os elementos de estilo. Amo tanto que, quando alguém interpreta mal algum ponto de um livro ou se diz apaixonada por um personagem que não gosto por ser abusivo ou mau caráter, levo para o lado pessoal. E, na boa, onde já se viu isso? É muito errado! Já fui muito injusta com outros leitores por achar que a minha opinião era a única correta. O lado bom disso tudo é que entendi onde errei e passei a me policiar quando me sinto assim.

E foi a melhor coisa que já fiz! Quando você se esforça para respeitar o gosto, a escolha do outro, a sensação é tão plena! Recomendo muito! Um sentimento de amadurecimento e de justiça te invade e te cobre como um cobertor quentinho em uma noite fria. E é deliciosa essa sensação de harmonia completa entre o limite da sua opinião e do gosto alheio.

- Você só lê livro jovem. Isso não é literatura!

É sim. Se eu considero bem escrito e provoca algo bacana em mim, considero literatura, independentemente da protagonista.

- Você só lê autor que já morreu. Isso é antiquado!

Contemporâneos e clássicos precisam ser conhecidos para que os momentos sociais sejam sempre relembrados e questionados. Ler quem já passou dessa para melhor é honrar as palavras trabalhadas há tanto tempo e com tanto amor. Recomendo.

- Você só lê livro internacional. Isso é um posicionamento contra a literatura nacional!

Procuro ler o que é bom, independentemente da nacionalidade do autor. Se tem uma boa história para contar, por que não ler?


Uma amigona minha me disse uma vez “julgue o livro e não o leitor” e isso se tornou o meu mantra. Julgar o leitor é julgar a experiência e a vida de cada um. E ninguém é melhor do que ninguém para fazer isso. Já a obra .... bem, vamos seguir lendo porque é isso o que importa!


16 de jul de 2015

DESIGN ET CETERA: Making of do Ateliê Fashion

Oi galera, tudo bem? Sei que andei sumida aqui do blog, mas foi por um bom motivo S2

EU LANCEI UM LIVRO DE COLORIR!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Como assim, eu lancei um livro de colorir do nada? Bem, não foi assim do nada. Para quem não sabe, além de trabalhar aqui na Galera, eu tenho outra paixão que é a estamparia. Ano passado, fiz duas estampas que viraram capas: Instrumentos Mortais e O Livro dos vilões.

Daí, quando começou o boom dos livros de colorir, pensei: “por que não unir meus dois amores (livros e estampas) e lançar uma edição super fashion de padrões para colorir?

Assim que eu tive a ideia, sabia que não poderia viver sem realizá-la. Então, comecei uma pesquisa árdua por inspirações. Eu me inspiro MUITO em fantasia, até porque passo o dia lendo livros da Galera :) Unicórnios, sereias, castelos... Tudo isso faz parte do meu imaginário pessoal e acabou virando estampa no meu livro. Outra paixão minha é por tudo que é vintage: azulejos, matrioskas, cuckos... Enfim, tudo pode virar estampa S2 Reuni para vocês algumas imagens do meu processo criativo e a padronagem que resultou dele:


Como vocês podem ver, do desenho original até a estampa as coisas mudam muito. O processo envolve escanear, ajustar no photoshop e depois montar a unidade de repetição. O resultado final é uma ilustração muito rica em detalhes e convidativa para quem curte colorir.

Apesar do livro já estar disponível nas melhores livrarias, ele ainda não está completo: falta vocês colorirem e postarem o resultado com a #AteliêFashion

Ah! E antes que eu me esqueça: a melhor parte sobre o livro é que 50% dos lucros desse primeiro semestre irão para animais abandonados! Então corre lá e compre o seu! As instituições beneficiadas serão:


9 de jul de 2015

Galera entre letras: A Eterna Alice

O último dia 4 de julho foi uma data bem importante para leitores e leitoras de todo o mundo. Um dos livros mais traduzidos da literatura universal --- e uma das personagens mais queridas! --- completou 150 anos.
Já sabem de qual livro estou falando?! Óbvio que é de Alice no País das Maravilhas!

Muito se tem falado e escrito sobre Alice desde a sua publicação, e uma das coisas que mais chama a atenção são as ilustrações do livro. Porque Alice e seus seres fantásticos --- lagartas falantes, rainhas de Copas, bebês esquisitos --- precisavam ganhar corpo e, para isso, vários ilustradores usaram lápis, papel e emprestaram técnicas diversas.

Hoje vou mostrar algumas dessas ilustrações, que não apenas refletem a técnica dos artistas, como também, muitas vezes, refletem sua própria época.

Alice teve muitos rostos e cores nesses 150 anos!

John Tenniel foi o ilustrador da primeira edição de Alice. As ilustrações são em preto e branco e Alice é uma menina de cabelos cacheados e volumosos, e vestido de saia rodada.


Um ilustrador do qual eu gosto muito, mas que pouca gente conhece é o Edwin Prittie, conhecido por ilustrar muitos contos de fadas. A Alice do Prittie vem cheia de cores e é bem parecida com a Alice que nós conhecemos do filme da Disney.


A Maria Kirk foi uma das primeiras ilustradoras de Alice. Seus desenhos datam de uma edição de 1907. E Alice é uma garotinha morena, de vestido amarelo. Curioso é que os tons do fundo de suas imagens sempre são os mesmos, puxando para o verde e o ocre.


Eu não tenho muitas informações sobre a Marie Barrera, mas, convenhamos, uma Alice em quadrinhos merece destaque! Até onde eu sei, o gibi da Alice foi publicado originalmente em espanhol, nos anos de 1950.

  
Uriel Birnbaum foi um ilustrador austríaco muito importante de fins do século XIX e início do XX. As ilustrações que ele fez pra Alice são carregadas nos tons azuis e têm um quê de assustador (eu acho!), embora sejam muito bonitas também.



E eu não podia deixar de comentar sobre a linda capa de A Pequena Alice no País das Maravilhas, publicado pela Galerinha, com ilustrações de Emmanuel Polanco e tradução da Marina Colasanti, né? Olhem que linda a Alice ruiva!



Por hoje, fico aqui com a Alice eternizada por Lewis Carroll e seus ilustradores.


Até a próxima!

3 de jul de 2015

Papos de sexta: Debaixo das cobertas

O inverno chegou, finalmente! Essa estação é uma delícia para quem gosta de ler. Aquele friozinho lá fora, e a gente debaixo das cobertas, na companhia de um ou vários livros. Adicione a bebida quente de sua preferência — café, chá, chocolate — e voilà! Podemos esquecer do mundo :D
Eu adoro o inverno, mesmo os dias cinzentos, e já separei alguns lançamentos para entrar no clima. Quer conferir a minha lista?


O primeiro é Lírio azul, azul lírio, da Maggie Stiefvater. Eu amo a autora, e essa é uma das minhas séries favoritas! Estou morrendo de curiosidade — de medo também — para descobrir o que a Maggie está tramando. Outro sobrenatural da minha lista é Livro das sombras, da Cate Tiernan. Eu adoro histórias sobre bruxos, e essa série é internacionalmente famosa e recomendada.


Inverno também combina com suspense, então separei o thriller Ela não é invisível, do Marcus Sedgwick. Eu não conheço o autor, mas a sinopse me deixou muito a fim de ler! Outro que me cativou pela sinopse foi Rich e Mad, de William Nicholson. Promete ser uma leitura deliciosa ;)


Aliás, jovem adulto combina com todas as estações, né? O novo da dupla David Levithan e Rachel Cohn, Naomi & Ely e a lista do não beijo, também está na minha lista. E que tal um chick-lit? As MAIS 5: Sorte no jogo, sorte no amor, da Patrícia Barboza, é uma boa pedida — e muito divertida também :)


Mas nada melhor do que um romance new adult para nos aquecer nesse inverno! Seja o bad boy irresistível de No limite do perigo, da Katie McGarry, ou o triângulo amoroso de Entrelinhas, primeiro romance da Tammara Webber. Dá para perder a noção do tempo com esses dois livros — mas se quiser uma leitura rapidinha, tem o conto Em busca de Cinderela, da Colleen Hoover ;)


Beleza Perdida, da Amy Harmon, é perfeito para iluminar os dias cinzentos. E depois, um livro para colorir: Ateliê Fashion: Estampas para colorir, da Rafaella Machado, que acabou de ser lançado — e é l-i-n-d-o!

Com tanto livro bom, só tem uma coisa ruim: o inverno vai passar e nem vamos sentir :)