29 de mai de 2014

Design et cetera: Capas, mais capas!

Boa tarde, galeretes! O dia de hoje está perfeito para um café quente e um bom livro da Galera, não é? E aqui nesta coluna a gente se sente à vontade para julgar um livro pela capa, então vamos lá apresentar as novidades para vocês.

Capa Americana vs Capa Britânica

Pode ser só a minha opinião pessoal (design é TÃO subjetivo), mas sempre que ficamos em dúvida entre comprar a arte de capa americana ou britânica, por algum motivo misterioso, a britânica sempre vence. Muitas vezes, a capa americana acaba sendo MUITO comercial, o que significa pouco ousada às vezes. Abaixo as versões americanas e britânicas de dois livros que publicaremos em breve. Em ambos os casos, optamos pela arte britânica:

WARP de Eoin Colfer: versão americana e britânica

Esse livro é o máximo! Escrito pelo criador e biógrafo de Artemis Fowl, essa série é sobre viagem no tempo e todos os paradoxos envolvidos nisso. A capa americana é bem legal, mas parece muito pôster de filme sci-fi. A britânica tem mais a ver com o livro, com esse toque vintage que faz mais sentido, já que um dos personagens é da época vitoriana. Concordam?

O segundo exemplo de capas US vs UK é da diva, musa e gênia da Sarah J. Maas, criadora da série Trono de Vidro. Sou MUITO suspeita para falar dos livros dela pois posso ter desenvolvido uma pequena obsessão pela autora. Além de escrever fantasia #likeaboss , o grande mérito dela é criar personagens femininas fortes e sem mimimi, ao contrário de muitos livros por aí. Esse é o segundo volume de Trono de Vidro, chamado Coroa da Meia-Noite. Se você AINDA não leu o primeiro, sugiro parar de perder tempo com essa coluna e começar AGORA!

Eis as versões americana e britânica da capa!

Em ambas, temos a mesma ilustração da assassina Celaena. Mas na versão britânica ela parece AINDA mais letal contrastando com o fundo branco. Então fomos de britânica e ficou assim:

Muito amor, né? 

Antes que vocês digam que tenho alguma coisa contra os Estados Unidos, um exemplo de capa americana MARAVILHOSA da Chronicle Books (cujas capas são TODAS lindas) e que fizemos questão de adquirir direitos de imagem: O que restou de mim.


 Acho essa capa incrível e muito sofisticada, além de traduzir bem o clima da história. O livro faz parte de uma série sci-fi com uma premissa muito interessante: e se um corpo pudesse ter duas almas, uma dominante e uma recessiva? (Super acho que esse é o meu caso, haha, explicaria tanta coisa!)

Abaixo a nossa versão adaptada:

Divamos, né?

Mas nem tudo se copia nessa vida e gostamos do desafio de criar capas brasileiras. Uma criação nossa que tenho bastante orgulho é o livro Invisível, escrito em parceria pelo genial David Levithan (autor de Will & Will)  com a Andrea Cramer (autora da série Nightshade). O livro conta a improvável história de amor de uma menina que se apaixona por um garoto invisível.

A capa original é bem literal:


 Mas em vez se simplesmente colocarmos uma foto de um casal adolescente e aplicar uma transparência no menino (o que seria a ideia mais óbvia para ilustrar essa história) optamos por algo mais arriscado e mais conceitual:


Apostamos na tipografia e nos elementos gráficos para passar a ideia de invisibilidade. Ficou bem diferente, né? Estou curiosa para saber a opinião de vocês a respeito.

E por último, para fechar nossa coluna de hoje, o livro Aí, meus deuses! Sobre uma garota normal que vai para uma escola superexclusiva na Grécia, onde todos os alunos são descendentes de deuses gregos!

A capa gringa trabalhada na breguice:


E a nossa capa, trabalhada no glamour:


E aí, o que acharam? Como sempre curiosos para saber a opinião de vocês!

23 de mai de 2014

Papos de sexta: O evento literário


Não é de hoje que me fazem uma mesma pergunta. Quando a respondo, o espanto é imenso e por várias vezes eu ouço um “Ok” bem desconfiado. Na semana passada, o diálogo que segue abaixo aconteceu com uma amiga dos tempos de colégio que encontrei na rua:

— Oi, Rafa! Quanto tempo! Só te acompanho pelo Facebook. Vi que continua amando livros e amei saber que você agora ganha dinheiro com isso!

Bem, esta não foi a primeira vez nem acredito que seja a última. Então respondi:

— Não trabalho no mercado editorial não. Tenho um blog (A menina que comprava livros), apresento eventos, mas o faço por hobby mesmo. Amo livros, você sabe!

Virando a boca para o lado, a amiga de infância completa:

— Ah, abre o jogo, naqueles inúmeros eventos não rola nem uma graninha? Pode falar, boba!

Eu, em uma paciência digna de Sidarta, respondo:

— Não, meu pagamento são livros, amigos, gente que curte ler como eu. Você não faz ideia de como é gratificante encontrar pessoas que curtem encontros literários tanto quanto eu.

Ela não desiste:

— Ok, vou fingir que acredito que você faz trabalho voluntário! Me liga qualquer dia para sairmos, quem sabe não vou em um desses seus eventos?

O papo acima é verídico, e quem não é blogueiro ou não apresenta eventos literários deve achar que ganho rios de dinheiro com isso. Não entra na cabeça das pessoas que faço porque gosto. Por que tudo na vida tem que rolar dinheiro? Para isso já trabalho o dia todo em outra área. Os livros são para clarear as ideias, encontrar pessoas fofas que leram as mesmas coisas, ouvir um lindo “Depois que você falou de tal livro eu o li e amei”. Isso é gratificante.

Ainda me lembro do primeiro evento literário que fui. Quem o apresentava era minha amiga e também colunista da Galera: Frini Georgakopoulos. Adorei aquilo tudo! Em uma FNAC lotada, pessoas se divertiam ao falarem sobre uma saga de livros, trocavam Facebooks e e-mails para se encontrarem depois e continuarem falando do que amavam.  Em matéria de eventos grandes, posso dizer que a Frini me deu o pontapé que precisava para ter vontade de juntar um grupo e falar sobre livros para mais pessoas. Antes tínhamos somente um Clube do livro, com cinco participantes, todos os meses combinando encontros em livrarias com as meninas que tinham se conhecido no Fórum da Galera Record.

Hoje penso que tudo começou lá atrás, em 2009 com essas mesmas cinco amigas do Rio de Janeiro falando de livros. Quem iria imaginar que dois anos depois estaríamos apresentando o Encontro de Fãs de Meg Cabot em uma Livraria da Travessa lotada com mais de cem pessoas?

Sei que minhas companheiras de blog da Galera, Frini e Tita, sabem bem a emoção que é. Amo dividir o que leio, preparar os brindes do evento, ter contato com a editora, preparar os slides, ver as pessoas animadas e contando os dias para falarmos de determinado autor ou livro.

Por essas e outras, quer acreditem ou não, meus amigos não literários, apresentar eventos não é algo lucrativo. Mas o que ganhamos não se compra. Quem ama livros sabe exatamente que isso vale mais do que qualquer pagamento que pudesse ser feito!

A dica que fica é de que, se há algum evento em sua cidade, vá! Saia de casa, junte os amigos! Porque falar sobre livros é sempre muito bom! E eu não me canso. ;)

22 de mai de 2014

Galera entre letras: Todo mundo tem uma história pra contar

Eu já disse e repito: todo mundo tem uma história pra contar. Mas nem sempre é fácil saber exatamente o que se quer dizer. No segundo artigo para autores iniciantes, vou falar um pouco sobre como encontrar a sua história — e contá-la.


A primeira dica que dou é a seguinte: quando você decidir escrever, escreva sobre coisas que já conhece ou com as quais tem afinidade. Parece bobagem, mas, trabalhando com autores iniciantes, uma das coisas que mais vejo é justamente o autor querer começar a escrever sobre aquilo que não conhece. E, óbvio, com tantas facilidades, como a pesquisa na Internet, dá até pra arriscar a escrever sobre temas que não são do nosso cotidiano — e eu não estou dizendo que não se possa fazer isso —, mas uma história bem contada sempre tem que parecer “verdadeira”, por mais fantástica que seja.

A história é como um mundo paralelo ao mundo real, e não é raro o autor falar dos seus personagens como filhos ou irmãos. E, ao contrário do que muita gente pensa, isso é essencial para a criação. Se o autor não acredita em seus personagens nem gostaria de habitar o mundo criado, quem é que vai acreditar (e quem nunca riu quando ouviu alguém falar de um personagem como se ele fosse real?)???

Por isso é tão importante que a história não só aparente veracidade, como seja coerente. E aí vai uma sugestão: tudo começa com um esquema. Sério. Algo tão simples como isso aqui: História — “Plot” — “Subplots”.

A história é sempre uma sucessão de acontecimentos. Mas alguns acontecimentos são mais importantes do que outros e, em geral, tem UM ACONTECIMENTO que desencadeia todos os outros ou que encerra a cadeia dos acontecimentos — é o seu “plot”.

Pode ser qualquer coisa: a queda de um avião lotado de crianças numa ilha deserta, como em O Senhor das Moscas, ou a chegada de um jovem e rico cavalheiro a um condado inglês, como em Orgulho e Preconceito. A partir do “plot”, vários “subplots” se desenrolam, envolvendo personagens secundários (quem leu Orgulho e Preconceito, sabe da importância que o comportamento da irmã caçula da protagonista, Lydia Bennett, vai ter para a trama, por exemplo).

O importante é que o “plot” e os “subplots” sejam “tramas” coerentes. Nada de sair tirando coelhos da cartola — e isso até tem nome: deus ex machina (ou “deus surgido da máquina”), aqueles recursos que surgem do nada para resolver uma situação. Embora o deus ex machina seja muito usado, pode ser evitado em nome de uma trama “redondinha”. No fim das contas, fica até parecendo preguiça do autor, né?

E essa veracidade também se aplica aos diálogos. Dificilmente, num livro que se passa no Rio de Janeiro, a gente vai deixar de ler coisas como “maneiro” ou mesmo “night” (traduzindo: a “balada” do resto do país). E esse “clima” vai ser importante para o leitor entrar no texto (mesmo que ele não esteja acostumado com os termos).

E pensar no leitor também é importante na hora de criar a história. É como aquela anedota do náufrago que manda uma mensagem numa garrafa através do oceano: ele não sabe quem vai ler a mensagem, nem de onde aquela pessoa é, portanto, tem que dar todas as indicações e deixar tudo bem explicado pra poder ser encontrado. O escritor é como o náufrago que quer ser salvo (lido, nesse caso): se ele não for claro, quem é que vai entender?

E outra coisa que sempre preocupa os autores iniciantes: tem tempo certo pra escrever um livro? A melhor resposta a essa pergunta é uma historinha sobre dois famosos compositores: Leonard Cohen e Bob Dylan.

Pra quem não sabe, Cohen é o autor da música Hallelujah, que ficou bem famosa depois de ser tocada em Shrek. Bob Dylan também é um compositor bastante conhecido e, numa conversa, Cohen perguntou quanto tempo ele tinha levado pra compor a letra de uma de suas músicas mais famosas. Dylan respondeu: “dez minutos, e você? Quanto tempo levou pra compor Hallelujah?” Leonard, meio sem graça, respondeu: “sete anos.”

A verdade é que não tem tempo certo pra escrever um livro. O mais importante é não desistir, escrever todos os dias (mesmo que sejam algumas poucas palavras). E anotar todas as boas ideias que vocês tiverem! J

Na próxima coluna, vou falar um pouco das pessoas envolvidas na transformação de um manuscrito em livro. Vocês sabem o que é leitura crítica? Preparação de originais? Para que serve um agente? O que é um editor de aquisições? Se não sabem, na próxima coluna vou explicar tudo isso!

19 de mai de 2014

Tons da Galera: A Hora e a Vez dos Normais

Era quase inevitável. Depois de febres como o color-block nos fazendo usar as cores mais fortes e impactantes dos últimos tempos (juntas), da ascensão do estilo kawaii fazer adolescentes japonesas saírem de casa como bonecas e cobertas de estampas de cupcakes e hambúrgueres, e de esquisitices como os sapatos esfregão da Céline, a moda agora é ser normal. Ou, melhor, normcore.

Básico, discreto, simples, sem estilo. Chique agora é usar cores neutras, peças básicas, pouca estampa. Cool é de vez em quando esquecer a maquiagem (criando o movimento #nomakeup nas redes sociais), nem muitos ou grandes acessórios. Mas em vez de apenas uma tendência, o normcore pode ser visto como mais um consequência da crise, como uma procura pelo ideal, peças mais bem-feitas e de maior durabilidade, cores que sempre serão atuais, itens que podem durar quase uma vida inteira. Mais qualidade, melhor design, menos quantidade. Deixar de representar um só grupo e poder mergulhar, mesmo que momentaneamente, no meio social que se quiser.

O normcore em imagens
A tendência começou a ser notada em grandes centros urbanos como NY, quando os exageros das blogueiras de semanas de moda começaram a virar motivo de piada, e os habitantes mais cool da cidade começaram a se misturar à multidão de turistas em modelitos cada vez mais sóbrios e básicos. Jeans, t-shirt lisa, tênis branco, um casaco ou tricô preto, tudo sem marca nem logotipos aparentes. Pense em Steve Jobs, Obama e Jerry Seinfeld. Pense em Gap e na Adidas do início dos anos 1990 e nos temidos mom jeans da época. Pense em Uniqlo. Pense em Tina Fey. Pense nas roupas que seu pai usa. É por aí.

Ícones normcore: Obama, Jobs, Seinfeld e (gasp!), mom jeans
A atitude é quase como se assumir essa normalidade fosse mais cool do que tentar se diferenciar, se destacar, ser autêntico. Até a próxima moda. E, enquanto isso, Anna Dello Russos da vida sempre existirão para alegrar as nossas vidas. E, claro, testes do buzzfeed, até para saber se você é normcore.

15 de mai de 2014

Design et cetera: Estampas e vilões

Oi gente, tudo bem?

Vocês lembram do post que fiz ano passado sobre O livro das princesas e a tendência de capas estampadas?

Pois é, cada vez mais as estampas saíram só das guardas para ocuparem um espaço de maior destaque nas capas. Um exemplo liiiiindo disso é o trabalho do artista Yinka Shonibare, que desenvolveu tecidos inspirados na arte africana para ornamentar capas de livros.

Olha que sonho:



Quem me conhece sabe que livros estampados são meu #pontofraco e a Galera não está de fora dessa febre :)

Um ano se passou desde que lançamos Princesas e chegou a hora de lançarmos o segundo volume dessa série: O livro dos vilões. Dessa vez, a madrasta da Branca de Neve, o Lobo da Chapeuzinho, as irmãs da Cinderela e a bruxa da Bela Adormecida contam a versão deles da história.

 E assim como no primeiro volume, desenvolvemos (ou melhor, euzinha modestamente desenvolvi) uma estampa EXCLUSIVA para essa capa, tcharan:



Para esse projeto, tentei seguir ao máximo a estética da outra capa, ao mesmo tempo explorando elementos como os espinhos, caveiras, espadas e o lobo para dar um ar mais “ousado” por se tratar de vilões.

O que acham?



14 de mai de 2014

Galera Pop: Godzilla

No novo Godzilla, o espectador paga um ingresso e leva praticamente três filmes para casa. Nas mesmas duas horas de duração, é possível assistir a um longa-metragem de Steven Spielberg, Christopher Nolan e, aqui e ali, de Godzilla. É o medo de Hollywood de apostar cem por cento no que é novo, especialmente quando há um investimento na casa dos 300 milhões de dólares (produção + marketing) para ser recuperado. Portanto, há que se seguir cartilhas consagradas, e o britânico estreante Gareth Edwards segue à risca o manual dos supercineastas de blockbusters.

Como manda o figurino de Christopher Nolan, qualquer conceito, por mais absurdo que seja, pode ganhar um verniz de realismo através de diálogos pseudocientíficos ditos por atores do quilate de um Morgan Freeman, Ken Watanabe, Michael Caine, Liam Neeson, Bryan Cranston. Não importa: com um Oscar ou Emmy (ou uma indicação), tudo fica mais crível. Portanto, antes que Godzilla solte seu primeiro rugido em cena, Gareth Edwards nos convence da existência de monstros atômicos e de uma grande conspiração militar para acobertá-los e destruí-los.

Partindo da cartilha de Steven Spielberg, não pode haver filme de monstro sem que haja um núcleo familiar ameaçado. De Tubarão a Guerra dos Mundos, passando por Parque dos Dinossauros (e até Contatos Imediatos do Terceiro Grau), há sempre uma figura paterna que parece ter saído de uma “marcha da família” para enfrentar um drama humano durante uma catástrofe de proporções inimagináveis. Aqui, enquanto Godzilla exerce seu hobby de replanejamento urbanístico, um pai (Aaron Johnson, o Kick-Ass) tenta encontrar o filho e a esposa em meio aos prédios que desabam.

E, ah, sim, temos um filme de Godzilla aqui, mas apenas nas brechas que o drama familiar e o thriller militar realista permitem. O diretor parece mesmo brincar literalmente com o conceito: na maioria das vezes, Godzilla é um vislumbre em fendas (por dentro de uma máscara de gás, na fresta de uma porta que se fecha, na brecha entre prédios). Para um monstro de mais de cem metros, ele é curiosamente elusivo e tímido. Como Gareth Edwards acompanha os acontecimentos pelo viés humano, é natural que sua câmera esteja posicionada quase sempre na altura dos olhos dos personagens, o que aumenta a sensação de gigantismo de Godzilla e da destruição ao redor. Esse sim, é um grande achado do longa-metragem, essa perspectiva Cloverfield, ainda que não seja documental, felizmente. São imagens impressionantes, mesmo que pouco se veja o monstro ali no meio das frestas. Felizmente, no clímax, a câmera se permite abordagens panorâmicas que, justiça seja feita, são das mais impressionantes no gênero. É raro hoje em dia, com tanto CGI preguiçoso ou mal utilizado, que a plateia suspenda a desconfiança de estar vendo um videogame. No quesito destruição e UFC monstruoso, Godzilla, quando o diretor deixa, hipnotiza e faz acreditar no inacreditável. Mesmo contado à forma americana, com doses de sacarose familiar e realismo fajuto, o filme honra a longa trajetória de sessenta anos do Rei dos Monstros japoneses. Gojira!


(Em tempo: não há quase nada da trama aqui, pois os trailers praticamente contam tudo o que acontece. Felizmente, ficaram surpresas de fora, que é melhor que continuem exatamente assim: sendo surpresas.)

O trailer e outras informações estão no site oficial.

9 de mai de 2014

Papos de sexta: Sociedade Secreta

Olá, pessoal!

Hoje voltei para falar sobre uma série que amo muito (talvez seja a minha série favorita publicada pela Galera Record): Sociedade Secreta.

Nos dois vídeos que já gravei para o Papos de Sexta mostrei livros dessa série e acho que deixei bem claro o quanto gosto dela e o quanto ela merece um post só sobre ela; então vamos lá.


 A protagonista Amy Haskel é editora de uma revista literária da faculdade e foi uma das primeiras mulheres a ser convocada para a sociedade secreta mais antiga, mais famosa, mais misteriosa e mais poderosa do país: Rosa & Túmulo. Agora que ela é uma Coveira (é assim que os membros dessa sociedade são chamados) sua vida muda completamente.

No primeiro livro, Rosa & Túmulo, após a convocação dos novos coveiros (e coveiras), os membros mais novos da sociedade e aqueles que os convocaram precisam enfrentar os “patriarcas” (membros mais antigos), pois eles não gostaram nem um pouco da ideia de aceitar mulheres na Rosa & Túmulo e estão jogando pesado e baixo.

Em Sob a Rosa, segundo livro da série, Amy está no último ano da faculdade e, além de precisar pensar e planejar o seu futuro, um novo problema surge e enfurece os patriarcas: informações secretas sobre a sociedade começaram a ser divulgadas em um site e tudo indica que o culpado é algum integrante da turma atual (a turma de Amy). Além desse problema, Amy tem certeza de que uma coveira foi sequestrada e precisa convencer os outros coveiros de que isso não é apenas uma teoria da conspiração e que alguém realmente está correndo perigo.

O terceiro livro é o meu favorito da série (hum... na verdade ele empata com o último). Em Ritos de Primavera nossos queridos coveiros resolvem invadir o mausoléu de seus rivais Cabeça de Dragão para roubar um troféu, porém isso acaba tornando a vida de Amy um “pequeno inferno”.

Antes da viagem de primavera para Cavador Key, parece que tudo vai se ajeitar e que ela poderá descansar com seus irmãos e irmãs da sociedade, mas não é bem o que acontece. Muitas emoções nesse livro!

No último livro, Escolhas de formatura, como o próprio título já diz, Amy está prestes a se formar, então, além das preocupações referentes ao seu futuro e monografia, ela precisa escolher para quem passará o seu legado. Na verdade nesse último livro Amy também precisa descobrir qual será o futuro do seu romance com... bom, não vou contar com quem ela se envolveu, mas posso dizer que é um dos meus personagens masculinos favoritos do mundo literário ;)

Essa série é incrível! A primeira vez que li algo da Diana Peterfreund foi em Zumbis X Unicórnios (quem aí já leu?) e com Sociedade Secreta ela entrou pra lista das minhas autoras favoritas. Sua escrita é envolvente, seus personagens são interessantes, e ela sempre terá um espaço reservado na minha estante.

Mais alguém aí já leu e se apaixonou pela série?

Obrigada por tudo e até o próximo post!

Bom final de semana :)

xoxo

8 de mai de 2014

Galera entre letras: E no começo...

Volta e meia alguém vem falar comigo sobre a vontade de escrever e publicar um livro, por isso, eu resolvi falar um pouco de como é esse processo, que vai do computador de alguém até as prateleiras da livraria.

Pra começo de conversa, para escrever não é necessário nenhum dom especial. Eu sou daquelas que acredita que todo mundo tem uma história pra contar. E muito mais do que talento, o que conta é a disciplina e a paciência, jovens gafanhotos (sim! Escrever e publicar é quase um exercício zen!).

A primeira coisa que QUALQUER pessoa que queira escrever (e publicar) tem que fazer é... LER! E ler de tudo.

Mesmo que o livro que você quer escrever seja um chick-lit, ler um romance policial ou um livro de fantasia ou ficção científica vai não só enriquecer o seu vocabulário, como dar uma boa ideia em relação ao desenvolvimento do plot (isto é, o núcleo da história a ser contada). Alguns dos melhores plots que já li na vida vieram justamente de romances policiais (vocês já tentaram ler algum e “refazer” os passos do assassino ou do detetive, procurando “falhas” ou “acertos” do autor? Eu sempre faço isso, e um dos meus romances preferidos é O assassinato de Roger Ackroyd, da Agatha Christie. E se você, logo no começo da trama, descobrir quem é o assassino, parabéns!, porque eu fui até o finalzinho sem saber!).

E sempre é bom lembrar que TODA história TEM QUE ter um começo, um meio e um fim (mesmo que seja um final em aberto... lembram do final de Todo dia, do David Levithan?!).

Se você já é um leitor voraz, o passo seguinte pode até parecer óbvio, mas muita gente é eliminada justamente nessa etapa: escrever em PORTUGUÊS (ou melhor, ter atenção, cuidado e prezar pela ORTOGRAFIA).

Por mais interessante que seja um manuscrito, cansa ler um texto CHEIO de erros (e, ok, se você fica na dúvida entre “berinjela” ou “beringela” – o Dicionário Houaiss aceita as duas grafias, by the way); por isso, faça da gramática e do dicionário os seus melhores amigos. E isso também vale pras postagens no Facebook, no Twitter e nas redes sociais. Um autor se torna uma figura pública e passa a ser lido por todo tipo gente, inclusive, seus futuros editores... Tudo bem se o corretor ortográfico do seu celular fez você escrever “tubo” em vez de “tudo”; todo fim de noite, eu releio o que postei e quando vejo alguma barbaridade (o que, ufa!, acontece muito raramente), eu vou lá e corrijo.

Outro ponto importante no quesito “escrever em português” é o vocabulário. O nosso idioma é extremamente prolixo e tem menos “regras” quanto à disposição das palavras na frase (aquilo que a gente aprende na escola como “sintaxe”) se comparado a idiomas como o alemão e o inglês, por exemplo. E justamente por isso, a gente tem que prestar atenção na maneira como diz as coisas e até na quantidade de vezes que usamos certas palavras (se “luta” tem, pelo menos, três sinônimos, será que eu REALMENTE preciso repetir a palavra oito vezes em duas linhas?!).

Quando escrevemos é muito importante pensar que estamos escrevendo para um leitor QUALQUER, que pode ou não ter as mesmas leituras que a gente. Quanto mais claro for um autor, mais bem compreendido ele vai ser (e a gente só gosta de um livro que entendeu, não é?).

E vale também pra empréstimos que costumamos fazer de outros idiomas, mas, sobretudo, do inglês. Isso varia de leitor para leitor (e estou falando aqui de quem vai ler seu livro profissionalmente – preparadores, revisores, editores etc. – e por lazer – os leitores propriamente ditos).

EU implico muito com isso, mas outros colegas não se importam tanto assim. Pro meu ouvido, uma expressão como “Não é como se eu quisesse...”, que eu identifico imediatamente ao inglês “It's not like I want to...” soa artificial. Se eu tiver que dizer isso em português, vou usar o bom e velho “Não é que eu queira...”

E os autores que trabalham comigo já conhecem a brincadeira que faço quando usam expressões como “fulano ficou devastado [= devastated]” ou “fulana estava desconfortável [= uncomfortable]”. Quem fica “devastado” é floresta; gente fica arrasada, muito triste etc. E “desconfortável” é o meu sofá; as pessoas ficam mesmo é pouco à vontade ou, dependendo, até inquietas... Claro que pode haver casos em que o uso dessas palavras seja aceito, mas, se puder evitar expressões assim, melhor...

Bom, hoje eu paro por aqui, e vocês podem ver que fui BEEEEM genérica (as dicas que dei se aplicam também a tradutores e revisores ou a qualquer pessoa que queira escrever corretamente, mesmo que não pretenda publicar um livro).

Na próxima coluna, vamos falar de coisas mais específicas: se você já é um leitor assíduo, atento ao que escreve, é hora de pensar no plot (e na pergunta mais difícil que um autor iniciante se faz: “que história eu vou contar?”).

Até lá!

7 de mai de 2014

Galera Pop: As melhores mães da TV


Domingo é dia das mães, vocês já compraram os presentes? Eu ainda não, deixo tudo para última hora. Pensa naquela pessoa que está no shopping dia 23 de dezembro Hahahaha. No dia das mães é a mesma coisa.

Dessa vez decidi fazer algo diferente, - mãe, se você ler isso (acho que não vai) calma,  você vai ganhar seu presente ok? – um post especial homenageando as mamães mais legais das séries na minha opinião.

Ou vai dizer que nunca quis ser filha(o) da Lorelai Gilmore??


Lorelai Gilmore – Gilmore Girls


Lorelai é a mãe dos sonhos de qualquer moça, sou superfã de Gilmore Girls, amo a minha mãe, mas confesso que sempre tive invejinha da Rory. Como pode ter uma mãe tão maravilhosa quanto ela? Não acho que seja só a diferença de idade, a vida na casa das garotas Gilmore é um sonho.
Como não sei bem colocar em palavras o quanto a Lorelai é maravilhosa, vou usar aqui as palavras da Rory, filha dela, no discurso de formatura do colégio:

“Mas minha maior inspiração vem da minha melhor amiga, a deslumbrante mulher, de quem recebi o nome e a vida… Lorelai Gilmore. Minha mãe nunca me deu qualquer ideia de que eu não poderia fazer ou ser o que quisesse. Ela encheu nossa casa com amor, diversão, livros e música, incansável em seus esforços para me dar exemplos de conduta que vão de Jane Austen, Eudora Welty a Patti Smith, formando a minha personalidade. Ao me guiar nesses incríveis 18 anos, eu não sei se ela chegou a perceber que a pessoa que eu mais queria ser era ela. Obrigado Mãe, você é meu exemplo para tudo.”


Gloria – Modern Family


A Gloria pode ser doida e escandalosa como for, mas o amor que ela tem pelo Manny, e mais recentemente também pelo Joe, é aquela coisa de mãe leoa mesmo. Do tipo que vai para escola arrumar barraco com mãe de outros alunos que mexeram com o filho dela.


Tara - United States of Tara


Essa mãe é um pouco diferente, a Tara tem transtorno de múltipla personalidade. Então vez ou outra ela também vira a Alice, o Buck, a T... bom, independentemente de tudo, ela é um amor com os filhos, Marshall e Kate. E eles também são loucos pela mãe, porque deve ser difícil conseguir lidar né?

Eu sei, ficou faltando muita gente, mas esse é meu top 3.  Qual sua mãe favorita das séries?

Feliz dia das mães!! E até a próxima,

Xoxo

Nanda


6 de mai de 2014

Papos de terça (excepcionalmente!): Eu, viciada em livros


Reunião em família é sempre aquela avalanche de perguntas, cujas respostas nunca são simples. Quando vamos conhecer seu namorado? Já decidiu o que vai cursar na faculdade? Não acha que está na hora de vocês casarem? No que você trabalha mesmo? Para quando é o herdeiro?

Aprendi a dar respostas evasivas — tente dizer para sua avó que você não pretende casar na igreja, ou explique o trabalho de um analista de redes sociais para aquela sua tia que nunca acessou a internet —, mas vez ou outra alguém me surpreende com uma questão da qual não posso me esquivar.

Aconteceu no último final de semana, quando minha madrinha quis saber se eu nunca me cansava de ler. Essa dúvida é frequente entre os amigos que não partilham o hábito da leitura, mas pela primeira vez, a pergunta veio de uma leitora assídua e preferi elaborar minha resposta a dizer um categórico não.

Mesmo na escola, quando não tinha maturidade para entender os clássicos da literatura, eu raramente abandonava uma leitura. E quando um livro não me satisfazia, minha reação não era me afastar de todos os outros, mas sim emendar o próximo — quem sabe eu teria mais sorte dessa vez?

Até hoje sou assim, não importa o volume de manuscritos lidos no mês, permanece a motivação de descobrir um novo talento ou um best seller. Ou simplesmente o prazer de me entregar a uma boa história. É lógico que a vista cansa, a postura incomoda às vezes, e a mente pede um intervalo. E já aconteceu de enjoar de um gênero literário, de um tema ou narrativa, mas nunca do ato de ler.

As pessoas assumem — ou pelo menos, minha madrinha — que algumas atividades deixam de ser prazerosas quando tornam-se obrigatórias. Que um hobby deve continuar um hobby ou perderá seu encanto. Pois eu acredito que depende mais de quem executa do que da tarefa em si.

Talvez eu seja mais do que apaixonada por livros, tamanha falta que eles me fazem. Talvez a leitura seja mais do que um hábito, seja um vício que não tenho intenção de abandonar. E se o primeiro passo é admitir, pois bem, esse texto é minha confissão ;)

5 de mai de 2014

Tons da Galera: Não é Laurent sem Yves

Estreou nos cinemas brasileiros na sexta passada o longa-metragem francês Yves Saint Laurent, a biografia do lendário estilista, muitas vezes conhecido apenas como YSL, por trás de marcos como o vestido Mondrian. Alternando entre os momentos de sucesso na vida profissional (para falar a verdade ele não teve realmente fracassos profissionais, já tendo começado carreira como assistente de ninguém menos que Christian Dior, grife que assumiu aos 21 anos de idade), e tumultos na vida pessoal (Yves entrou em depressão após sair do exército e mergulhou no álcool e nas drogas nos anos 1970), o filme é sensível e marca principalmente pela caracterização impecável do protagonista, Pierre Niney, além da de seu parceiro, modelos, colegas e amigos, como o Karl Lagerfeld novinho, que já era meio venenoso como hoje em dia, mas amigo de Yves.

O smoking feminino e o vestido Mondrian de YSL
A maison foi a responsável pelos sucessos absolutos do smoking feminino, uma verdadeira revolução na época, que permitiria dali em diante às mulheres trabalharem de calças compridas; o vestido Mondrian, tubinho com clara inspiração nas cores primárias do artista; e o estilo safari-chic e sexy, inspirado pela época em que Saint Laurent viveu no Marrakesh com suas musas Loulou de la Falaise e Betty Catroux. YSL foi também o primeiro estilista do mundo a usar manequins negras em desfiles de moda e teve celebridades como Catherine Deneuve entre suas maiores clientes.

Yves entre Betty e Loulou e a primeira supermodelo da história, Veruschka, numa de suas criações safari
Em janeiro de 2002, Yves se aposentou dos quarenta anos de carreira com um desfile retrospectiva de todas as suas criações, bem retratado no filme, e em 2008 faleceu. Ainda um dos maiores nomes da moda e da beleza (seu corretivo Touche Éclat é o favorito de dez entre dez celebridades e maquiadores), a marca esteve em meio a certa polêmica recentemente, quando Hedi Slimane, atual diretor criativo da grife, tirou o “Yves” do nome, originando um movimento de reação chamado: “Ain’t Laurent without Yves” ( Não é Laurent sem Yves), que virou até camiseta. Se você viu o filme vai entender por quê!