30 de dez de 2013

Tons da Galera: Por um 2014 Radiante

Saiu a cor do novo ano definida pela Pantone, e agora já podemos respirar aliviados e planejar nossas vidas para os próximos 12 meses. Brincadeira. Mas que a cor do ano influencia, e muito, nossas vidas e hábitos de consume, isso ninguém pode negar. Então vamos a ela… a, a essa altura, já bastante compartilhada, tuitada e instagramada Radiant Orchid, ou Orquídea Radiante.

Radiant Orchid e as eleitas dos últimos anos
A gente tinha falado desse tom aqui, e não deu outra, ele se confirmou rapidinho. Uma mistura de rosa com lilás ou roxo, o tom quase gelado, mas romântico, promete cativar nossos corações (ou cartões de crédito) com esmaltes, maquiagens, roupas e acessórios, sem contar nos móveis e objetos para a casa, papeis de parede, anúncios publicitários, vestidos do Oscar, joias e bijuterias…

Segundo o site Follow the Colors, a Radiant Orchid é uma cor que estimula a criatividade e a originalidade, atributos cada vez mais valorizados na sociedade atual. Além disso traz confiança, é expressiva e abrangente. Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute, explica: “Enquanto a cor do ano de 2013, PANTONE 17-5641 Esmeralda, serviu como um símbolo de crescimento, renovação e prosperidade, Radiant Orchid chega do outro lado das cores para intrigar os olhos e despertar a imaginação”.

A febre já chegou ao Twitter, tremei!

No Twitter já tem gente querendo pintar o cabelo nessa cor, e a sempre in Sienna Miller apareceu de cabelos loiros-rosa num recente evento. Se você gosta do ritual, já pode aproveitar a novidade e usar a cor na virada do ano, vai te deixar in e trazer amor. E se estiver precisando é de dinheiro, uma vez recebi uma dica de uma professora de que usar rosa numa entrevista de trabalho atrai a simpatia do entrevistador e ajuda a conquistar aquela tão sonhada vaga. Já testei algumas vezes e foi tiro e queda! Abaixo, sugestões para você começar de mansinho. Feliz Ano Novo e boa sorte!

Kit Orquídea Negra, Feito Brasil / Primer para sombra, Urban Decay / Sombra Stila Jewel, Amethyst / Tônico Vult / Perfume Lolita Lempicka / Esmalte Impala Diário de Viagem / Batom Nyx Tea in the Afternoon /  Linha Açaí Natura / Lapis Vult, Lilás Plissê / Gloss Intuitive Smashbox / Camisa Farm / Luva, jogo americano e pega petiscos, Tok&Stok / Tênis Kipling / Pulseiras Accessorize / Bolsa com esteira de praia, Renner.

27 de dez de 2013

Papos de sexta: O que você quer ser quando crescer?

“Vida nova em 2013!”

Foi a primeira coisa que eu disse em janeiro passado. Acho engraçado como precisamos de datas específicas para mudar nossa vida. Dietas começam na segunda-feira, vontades de mudar a vida, no dia 1º de janeiro, e assim por diante. Que bom que não precisamos de data específica para começar um livro novo!

E mais um ano se passou. Com os panetones chegam os posts meio auto-ajuda de final de ano. Geralmente eles trazem uma retrospectiva do que foi bacana nos 365 dias passados e listam desejos incríveis para os próximos 365 dias que estão por vir. Que tal uma programação diferente neste final de ano?

“O que você quer ser quando crescer?”


Essa é a pergunta que todos os adultos fazem aos pequenos. A lista, quando se é criança, é bem eclética: bailarina, motorista de ônibus, médica, arqueólogo, astronauta,.... mas ninguém diz “feliz”. Porque, para a criança, isso é básico, é padrão. E por que não deveria ser?

Fazemos planos, estudamos, nos preparamos para um futuro que já chegou e não vimos. Crescemos sem sentir, sem nos dar conta de que o tempo passa rápido. E a viagem que ficamos de fazer, mas não arriscamos porque o dólar estava alto? E o livro que não escrevemos porque não sabíamos se seria publicado? E o “sim” que não demos porque tivemos medo de que daria errado?

 “O que você quer ser quando crescer?”


Crescemos a todo o momento, a cada aprendizado, e não somente a cada apagar de uma vela em um bolo. Então, por que esperar o amanhã para ser o que queremos ser hoje? Podemos nos planejar para cada ano da nossa vida, mas a verdade é que não sabemos ao certo quanto tempo nos resta. É preciso se perguntar sempre: “o que você quer ser quando crescer”?

É bonito escrever palavras otimistas e não levar em consideração as escolhas difíceis que temos que tomar diariamente, as responsabilidades. E são muitas. Tem um trabalho que toma grande parte do seu tempo? Dedique-se e faça a diferença. Tem vontade de escrever um livro, de entrar para um reality show, de viajar sozinho? O que te impede? Medo? Com o mínimo de planejamento, o medo fica pra trás e você ganha histórias para contar, mesmo que o livro não seja publicado, que não entre para o reality ou que a viagem seja feita em turma.


Faça a diferença, reinvente-se, diferencie-se.

2014 começa agora. O novo ano não começa em 1º de janeiro. Ele tem início a todo o momento, sempre e de novo, seja em janeiro, em dezembro, em junho ou abril. Não espere. Seja feliz agora, amanhã e sempre. Seja hoje o que você quer ser. Só depende de você.

26 de dez de 2013

Galera entre letras: Era uma vez… um conto de Natal


Há 170 anos e, para ser mais precisa, no dia 17 de dezembro, era publicado um dos contos de Natal mais conhecidos de todos os tempos.

A Christmas Carol, de Charles Dickens, já foi traduzido, adaptado, recontado e lido milhares de vezes, e sempre que chega essa época do ano, não dá para deixar de lembrar a história do pão-duro Scrooge e de como os fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro mudam a vida dele e das pessoas que o cercam.

Mas se a história do Scrooge todo mundo já conhece, talvez muita gente não saiba por que Charles Dickens escreveu o conto e por que isso tem a ver com a vida de quem trabalha ou vive de livros (tradutores e autores, por exemplo).

Bom, para começo de conversa, Dickens escreveu A Christmas Carol em apenas seis semanas porque precisava de dinheiro para pagar dívidas da família grande (àquela altura, eram quatro filhos, dois meninos e duas meninas, com um quinto bebê a caminho). Mas Dickens já era um autor importante em 1843 e, no ano anterior, viajara com a esposa para os Estados Unidos a convite dos editores daquele país. Então, por que ele vivia no vermelho (para usar uma expressão conhecida hoje)?

Bom, Dickens sofria do mesmo problema que boa parte de nós ainda sofre: a falta de reconhecimento do trabalho intelectual. E não era só isso: na época, ele optou por receber uma participação nos lucros da venda do conto, na esperança de ganhar mais do que a remuneração que lhe fora oferecida. Embora A Christmas Carol tenha sido um sucesso de público e de crítica e, em maio do ano seguinte já contasse com sete edições, o livro lhe rendeu apenas 230 libras (Dickens esperava ter umas mil libras de lucro com a publicação). E ele ainda teve que lidar com edições pirateadas: o autor processou os editores que roubaram seu texto, mas no fim teve que cobrir os custos do processo, pois os editores alegaram falência e nunca lhe pagaram um centavo do que deviam.

Embora tenha se passado muito tempo de lá para cá, a situação dos autores não mudou muito e dificilmente alguém consegue ser autor nas 24 horas do dia (normalmente, é autor e tradutor ou revisor, e ainda faz apresentações, palestras, ou escreve artigos para blogs, jornais ou revistas...).

No entanto, Dickens não desistiu de faturar com um de seus trabalhos mais bem-sucedidos e dez anos depois da publicação do conto, começou a ler uma versão, adaptada por ele mesmo, para um grande público: a primeira leitura do texto reuniu duas mil pessoas em Birmingham. Na época, nenhum autor que se considerasse digno do título fazia esse tipo de apresentação e muito menos cobrava por isso, o que causou uma onda de críticas a Charles Dickens.

Mas o público não se importava com as polêmicas e “parecia entrar num tipo de transe, como se um sentimento universal de alegria invadisse a todos” durante a leitura. E A Christmas Carol também marcou a última aparição de Dickens em público. Em 15 de março de 1870, ele fez uma apresentação do conto em Londres e faleceu três meses depois.

Pra quem quiser conhecer a versão original do autor inglês, há alguns dias, a Biblioteca Pública de Nova York promoveu a leitura do conto. Ninguém menos que Neil Gaiman, o conhecido autor de literatura fantástica, fez a apresentação — caracterizado COMO Charles Dickens —, e vocês podem ouvi-lo aqui!


Mas que ninguém pense que Dickens não se importava com seus escritos ou que ele fazia isso apenas pelo dinheiro... Enquanto escrevia A Christmas Carol, o próprio autor relata que “ria, chorava e voltava a rir”, e não eram raras longas caminhadas noturnas (entre 20 e 30 quilômetros!), depois de escrever algumas páginas. Ao terminar o livro, Dickens mais parecia um louco, prestes a surtar, de tão apegado que estava aos personagens.

O Sonho de Dickens, pintado por Robert William Buss, 1875
E se A Christmas Carol é considerado por muitos o texto fundador da concepção moderna de Natal, e Scrooge é tomado por muita gente como um exemplo de que podemos, sim, mudar, Dickens pode muito bem ser considerado um tipo de “padroeiro” dos atuais profissionais do livro e uma inspiração a nunca desistir.

Boas leituras!
E como diria o Pequeno Tim, personagem de A Christmas Carol: “Que Deus nos abençoe, a todos!

Minibio:

Ana Resende trabalha como preparadora de originais e tradutora, e é colaboradora da Galera Record, entre outras editoras. Workaholic assumida, adora contos de Natal, mas sua leitura favorita ainda são os contos de fadas. Já escreveu sua cartinha para o Papai Noel e aguarda, ansiosa, a resposta.


Facebook: hoelterlein

13 de dez de 2013

Papos de sexta: Como ler um livro por semana em 2014


Basta chegar o mês de dezembro para eu fazer minha lista de resoluções de ano novo. Colocar no papel - ou computador, tablet, não importa - me ajuda a não perder essas metas de vista. Escrever todos os dias é uma das minhas resoluções para 2014, mas eu já tinha abordado esse assunto no meu último post então vou compartilhar outra resolução com vocês…


Faz dois anos que eu decidi ler um livro por semana, ou 52 livros em um ano. Em 2012, eu bati minha meta e li 59 livros, mas tudo indica que vou fechar 2013 um pouco abaixo da média - culpa dos problemas de saúde. A verdade é que eu nunca fui uma leitora veloz e de uns tempos para cá, precisei reduzir o ritmo de leitura para poupar minha coluna cervical e fiquei para trás no cronograma. Então, pesquisei algumas táticas diferentes para o ano que vem - e convido vocês a dividirem essa experiência comigo :)

Antes de mais nada, por que fazer isso? Acho que nenhum leitor desse blog precisa ser convencido da importância e do prazer da leitura. Ler enriquece, alimenta nossas ideias, estimula nossos pensamentos e nos ajuda a entender melhor o mundo. Sem dúvida é melhor do que assistir TV e navegar na internet. Não dá para expressar o impacto que uma tonelada de livros pode ter em nossas vidas - e não dá para nos imaginar sem eles. Se perder em um livro é uma sensação indescritível, é amor verdadeiro!

Por que um livro por semana e não apenas ler mais livros? Porque fixar uma meta nos faz levar a leitura a sério. Poderia ser um livro por mês ou por quinzena, mas para que a leitura se torne um hábito é preciso ler todo santo dia! As metas nos ajudam a manter esse hábito e nos tornam mais eficientes - e eu espero que mais rápida também - na prática de leitura. Você dá conta de mais livros por semana? Que inveja! Só tenha cuidado para não estipular metas difíceis de alcançar e depois ficar desmotivado, ok?

Então, como fazer isso? A resposta é simples: um dia de cada vez. Estou tirando uma média de 250-350 páginas por livro, isso dá uma meta de leitura de 40-50 páginas por dia. Parece bem menos assustadora do que 52 livros em um ano, certo? Meu maior desafio é não pensar na meta final, mas vou me esforçar.

Outro grande problema é a rotina (ou no meu caso, a falta dela). Dizem que é mais fácil cumprir metas quando nos submetemos a uma programação, que devemos encadear os nossos hábitos para que eles funcionem - acordar, tomar café, escovar os dentes e assim por diante - e devemos fazer isso logo no início do dia - adiar para mais tarde pode se transformar rapidamente em adiar para o dia seguinte. Não sou muito disciplinada, mas vou me programar para ler essas 40 páginas durante o café da manhã - depois eu conto quanto tempo isso durou! rs

Ler a toda hora, em todo lugar. Aproveitar os deslocamentos, a fila do banco, as pausas para o café, almoço, lanche etc, para sacar o livro e ler mesmo que sejam duas páginas! Pretendo me manter sempre à frente da meta de leitura em 2014 - assim, eu guardo um trunfo para os livros mais densos e que tomam mais tempo.

Desistir jamais! Ou quase isso. É permitido deixar de lado um livro ruim ou deixar um livro difícil para depois. Podemos retomar essa leitura quando estivermos adiantados no cronograma e avançar pouco a pouco até o final, sem que isso ferre com nossas metas! rs E tudo bem se o total de livros começados for maior do que os terminados, o importante é manter o pique.

E quando o deadline estiver nos pressionando? Hora de trapacear! Escolher um livro mais curto ou reler algum dos favoritos, qualquer livro que possa ser devorado de uma vez, para não ficarmos para trás no nosso cornograma. Uma trapaça a curto prazo mas que vai nos ajudar a ter sucesso no longo prazo. Afinal, nem todo livro precisa ser do tamanho de um tijolo e mesmo os pequenos livros podem ser incríveis.

Se mesmo assim não conseguirmos permanecer no cronograma, nada de desespero. Gerenciar o estado emocional é fundamental para chegar ao final, mesmo que isso signifique terminar abaixo da meta novamente. Afinal, podemos recomeçar no ano seguinte :)

PS: Quem quiser, pode me adicionar no Goodreads ou no Skoob que eu vou adorar acompanhar a meta de leitura de vocês. Até ano que vem!

12 de dez de 2013

Galera entre letras: Gente como a gente

Na última coluna, eu tratei de alguns termos ou características da literatura fantástica que incluíam a “fantasia de travessia” e a “fantasia arturiana”, entre outros.

Hoje vou tratar de mais três termos: a “fantasia urbana”, o “realismo mágico” e o “gótico”.

1) A fantasia urbana

Em linhas gerais, a “fantasia urbana” é uma história que se passa numa cidade numa época diferente da medieval ou da vitoriana. Mas a cidade da fantasia urbana costuma ficar no planeta Terra mesmo, sem a existência de um “mundo secundário”. E o tamanho da cidade também não importa. Pode ser uma metrópole como Londres ou Nova York, ou ainda uma cidadezinha menor; o importante é que os protagonistas vivam numa sociedade em que vampiros, feiticeiras ou seres dotados com algum poder sobrenatural convivem com pessoas “normais”. Por descrever situações e locais familiares, a “fantasia urbana” faz bastante sucesso com os leitores. Duas das séries mais legais da Galera Record são justamente de “fantasia urbana”: Diários do Vampiro, da L. J. Smith, e Instrumentos Mortais, da Cassandra Clare.


2) O Realismo mágico

O “realismo mágico” é uma história que narra a vida cotidiana com um toque de sobrenatural. Ele não descreve “mundos secundários” nem outros elementos fantásticos, tais como estamos acostumados a ver. Também não há vampiros, feiticeiras nem outras criaturas sobrenaturais interagindo com os seres humanos. Pra mim, um dos melhores exemplos de “realismo mágico” é o livro Todo Dia, do David Levithan, que também é uma história de amor entre A e Rhiannon, e poderia ser compreendida apenas dessa maneira, se A não fosse desprovido de corpo. Quem leu, deve ter percebido isso: se não fosse o fato de trocar de corpo todos os dias, A e Rhiannon seriam mais um casal a viver um romance fofo nas páginas de um livro.


3) O gótico

O “gótico” é um dos termos mais duradouros na ficção fantástica. O primeiro livro propriamente “gótico” tinha como título The Castle of Otranto (O Castelo de Otranto) e foi escrito por Horace Walpole em 1764. O livro de Walpole incluía um castelo semidestruído, paisagens desoladas e muitas maldições, profecias e segredos ocultos, e inaugurou um tipo de ficção que foi muito popular durante o fim do século XVIII e tornou-se uma verdadeira febre não só na Inglaterra, país natal do sr. Walpole, mas em toda a Europa e nos Estados Unidos. No entanto, a febre do gótico perde força já na segunda década dos anos de 1800 e até uma autora como Jane Austen vai fazer a sua crítica ao gênero, que apresenta personagens fragilizados, à beira de um ataque de nervos.

Mas a fantasia gótica sobreviveu renovada e chegou ao século XX. Embora já não tenha elementos como castelos em ruínas, ela continua a apostar na sensação de medo dos personagens e no risco de que tenham sucumbido à loucura. Umas das características da fantasia gótica é justamente a incapacidade do leitor de chegar a uma conclusão definitiva sobre a saúde mental dos personagens da história ou sobre os acontecimentos narrados.

Um dos meus contos góticos favoritos é The Monkey’s Paw (A Pata do Macaco), de W. W. Jacobs. Ele é tão famoso nos Estados Unidos que até foi usado como inspiração para um dos episódios de Halloween de Os Simpsons, Treehouse of Horror II. Aqui tem um trechinho bem engraçado do episódio: http://www.youtube.com/watch?v=Vo8qbkTAts4

Outra fantasia gótica bem conhecida é We Have Always Lived in the Castle (Sempre Vivemos no Castelo), da Shirley Jackson, uma das minhas autoras favoritas.

O livro não foi traduzido aqui no Brasil, mas há uma edição portuguesa disponível para quem se interessar pela história, narrada por Mary Katherine “Merricat”. Merricat, de 18 anos, é considerada uma das melhores protagonistas femininas da literatura norte-americana e, no livro, ela conta a história da própria família, os três Blackwood restantes, que vivem numa casa imensa e isolada, sem contato com os moradores da aldeia próxima, e mostra como esse isolamento afetou a percepção que eles têm de si mesmos e do mundo.

Só pra atiçar a curiosidade em relação à obra da Shirley Jackson, vocês sabiam que um dos contos dela, intitulado The Lottery (A Loteria), serviu de inspiração para a série de livros sobre os Jogos Vorazes?

O conto narra um evento conhecido como “a loteria” numa pequena aldeia. Num dia ensolarado e fresco de julho, cerca de 300 aldeões se reúnem na pracinha da aldeia e torcem para que “a loteria” acabe logo e eles ainda possam almoçar antes do meio-dia... O que seria um conto sobre os costumes de uma aldeia pequena acaba se transformando numa das narrativas mais assustadoras da literatura norte-americana, na qual a causa do medo são as pessoas ditas “normais” e a vida cotidiana.


Minibio:

Ana Resende trabalha como preparadora de originais e tradutora, e é colaboradora da Galera Record, entre outras editoras. Workaholic assumida, está gostando mais de videogames e sua leitura favorita são os contos de fadas. Acredita que o príncipe encantado existe, só que se perdeu sem um GPS.


Twitter: @hoelterlein

11 de dez de 2013

Melhores do Ano: Surpresa

Oi, gente! Tudo bem? O dia hoje está completamente chuvoso aqui no Rio de Janeiro, com água pra tudo quanto é lado e eu decidi que seria um bom dia para falar sobre um dos meus livros favoritos desse ano: Limiar!

Sem dúvida, esse livro foi a maior surpresa. Logo no começo, quando somos apresentados aos personagens, fica claro que se trata de um YA e logo identificamos aquele estereótipo de losers x populares. Mas Jessica Warman (cara, eu queria dar um abraço nela!) foi muito feliz em ir além desse estereótipo com seus personagens e com o enredo que criou para Limiar.

Foto por Mariana Dal Chico - Psychobooks

 A trama gira em torno de Liz Valcher, a super popular, linda e rica adolescente que teve a morte da mãe na infância ‘compensada’ com bens materiais. Tanto que em seu aniversário de 18 anos ela se junta com os amigos mais íntimos em um barco regado de álcool e erva (if you know what I mean) para comemorar em grande estilo. Só que, ao acordar, o presente que ela ganha é descobrir-se morta. Sim, ela acorda com essa e nós, leitores, temos que lidar com esse baque logo de cara. Mas tá na sinopse, então essa não é a maior surpresa.

A morte de Liz é um mistério para ela e é o suspense que norteia o livro. Enquanto tenta entender o que aconteceu, somos apresentados a várias perspectivas da história. Uma é a dos personagens vivos, seus amigos e familiares, lidando com sua morte. A outra é a da Liz fantasma, presa nesse ‘plano’, sem se lembrar do que aconteceu, sem poder ‘prosseguir’ e tendo que lidar com a dor que sua morte causou em seus entes queridos. Outro fator importante para a construção da narrativa de Jessica é falta de cronologia causada pelos flashbacks.

Liz não sabe como morreu, por que seu ‘espírito’ ainda está na Terra e menos ainda por que sua única companhia é um menino chamado Alex, também fantasma, morto um ano antes. Em vida, Alex era o loser e Liz a popular. Mas, em morte, esses dois só têm um ao outro nessa jornada em busca de respostas, porque, assim como Liz, Alex também tem perguntas sem respostas sobre sua morte.

“ ‘Limiar’ é o tipo de livro que parece um quebra-cabeça. A cada capítulo vamos juntando peças e encaixando-as no enredo até chegar ao final. E quanto mais perto do fim você esta, mais difícil é parar.” Alessandra Messa, blog Fútil Mas Inteligente 

Eu não sei qual a sua religião ou qual a sua visão sobre vida após a morte, mas Limiar faz qualquer um pensar nisso enquanto acompanhamos Liz e Alex voltando a momentos passados para juntar as poucas pistas que têm e montar esse quebra-cabeça. Eles também não sabem o que virá depois, mas, juntos, deduzem que precisam compreender certas coisas sobre suas antigas vidas antes de continuar.

Os personagens secundários também fogem do padrão. Tipo, Liz e Richie se amam além daquela coisa de “garota popular + quarterback gostoso” e o sentimento deles se mostra realmente profundo quando descobrimos que a vida de Liz era, na verdade, uma merda – apesar de toda a grana – e que Richie traficava. Sim, isso mesmo, um traficante apaixonado. Quem diria, hein? Mas é verdade, e chega até ser bonito, embora romance não seja bem o lance de Limiar.

"Apesar dos meus sentidos apurados em relação a ele, Richie não dá sinal algum de que consegue me detectar. Fecho os olhos, concentro-me no amor que sinto por ele e consigo sentir cada pelo, a natureza imperfeita de seu rosto doce, o ângulo de seu maxilar. Tenho tanta certeza de que ainda estamos ligados que começo a tremer."

Enquanto somos apresentados às cagadas que rolavam na vida de Liz, vamos acompanhando seu amadurecimento em morte, especulando sobre o que a matou e tentando responder às perguntas que surgem a cada novo capítulo. E ainda tem Alex, que soa irritante às vezes, que não sabemos por que está ali e queremos saber logo! Haha

Se você é leitor assíduo de YAs, mas gosta de um suspense sobrenatural, não precisa mais oscilar entre um livro e outro. Limiar tem tudo isso e, com certeza, você vai adorar! Agora eu vou parar de falar e deixar o 1° capítulo aqui pra você conferir. Depois me conta aqui nos comentários o que achou?

Até semana que vem!



xoxo

9 de dez de 2013

Tons da Galera: You’ve Cat To Be Kitten Me Right Meow

 Esse ano foi para alguns o ano de Miley Cyrus. A atriz e cantora, como sabemos até bem demais, pareceu decidida a se expor e chocar em 2013. Mas quando Miley se apresentou no American Music Awards no ultimo dia 25, o que mais chamou atenção, além de sua roupa estampada de gatinho (comportada para seus padrões), foi o gato futurista que interagia com sua música no telão de fundo. Ninguém entendeu muito bem o sentido da coisa, mas a constatação foi que sorry, Miley, sabemos que você tentou, mas esse ano foi mesmo é dos gatos. Aliás, continuou sendo.


Felinos têm roubado a cena há algum tempo graças à internet e seus memes, fazendo com que gatos famosos como Grumpy Cat, torne-se recordista de vendas para presentes de Natal. Aconteceu com a Urban Outfitters, que antes da linha de Grumpy – que aliás é uma fêmea e muito boazinha segundo seu dono - já vendia livros com títulos como “I Could Pee on This” (um livro de poemas “escrito” por gatos), e “Guys Can Be Cat Ladies Too”, além de intermináveis produtos com bigodes e quatro patas como tema.


A cat-mania saiu da esfera YouTube e a moda se rendeu. Você já parou para pensar em quantas febres de consumo recentes foram inspiradas nos felinos? Não estamos falando das óbvias, como delineador de gatinho, óculos estilo anos 1950, nem estampas de onça. Estamos falando de arquinhos de metal com orelhas pontilhadas por pérolas tornando-se acessório de uso do dia a dia em países como EUA e Japão. Loafers de Charlotte Olympia virando objeto de desejo imediato entre todas as idades. A em alta Céline tendo sua famosa t-shirt plagiada e felinizada com um simples trocar de letra inicial e nem reclamar, e de Karl Lagerfeld lançando uma linha de acessórios inspirada em sua Choupette.


É fato, pessoal: Gatos trouxeram o fofo de volta com uma boa dose de humor e de fizeram até o mundinho fashion não se levar tão a sério. Eles estão dominando o mundo. E eu, escrevendo aqui com uma representante da espécie em cima dos meus pés (que já estão com câimbra, mas quem sou eu para ousar incomodá-la?), confesso que adorei.


6 de dez de 2013

Papos de sexta: Então é Natal, e o que você fez?

Todo ano quando chega dezembro, eu começo a fazer minha própria retrospectiva, e por mais que o mundo fique todo envolto nesse clima natalino que não combina com o Rio de Janeiro (afinal, duvido que o Papai Noel conseguiria usar aquela roupa toda fora do ar potente de um shopping center!), já tem um tempo que não me empolgo com o Natal e nem lembro a última vez que montei uma árvore!

Meu namorado ainda tentou me animar me dando de presente, mês passado, um lindo Papai Noel de pelúcia que tenho certeza que me odeia enquanto eu estou trabalhando e nem o ventilador do quarto fica ligado. Vocês devem estar pensando que sou o Grinch, certo? Mas explico melhor a vocês.


Eu amava Natal, mas aí veio o tempo e com ele seus avós se vão, e aí a casa vai ficando vazia, e eu sinto falta deles, então comecei a não curtir tanto o Natal, por mais que faça questão de passar ao lado de meus pais e dar presentes a eles! Afinal, temos que lembrar que Natal não é somente comer muito e encher a árvore de presentes (por mais que livros sejam sempre bem-vindos o ano inteiro, ok?).

Mas e a tal da retrospectiva que eu falei lá em cima? Bem, ela vem com o Natal, porque algum povo mega-antigo inventou de dividir o ano em 12 meses e esse é o último e também é minha última coluna (do ano, pessoal, enquanto a Galera deixar vocês vão continuar me aguentando rs)!!

Então, como foi 2013 para você? Para mim foi um ano médio, e claro que cada um tem seu meio de avaliar, mas, sinceramente, eu sinto é falta de 2011, para mim um dos melhores anos de minha vida. Ah, aquele ano, conheci tantos autores maravilhosos que vieram à Bienal do Rio de Janeiro, também fui a três dias do Rock in Rio, que foram inesquecíveis, e, para completar, ainda fui a Atlanta, que amo duas vezes! Como não amar aquele ano? Fora que ainda não teve nenhum falecimento na família, amo anos assim!

Mas aí veio 2012 que não foi nada fácil, até começou bem, mas da metade do ano para o final aconteceram coisas chatas. Exemplo? Fim de namoro, problemas no trabalho... e eu rezei para chegar esse ano. Aí ele veio, mas também não foi legal em muitos aspectos, e a Bienal desse ano nem se comparou a de 2011, e eu acabei nem indo no Rock in Rio, e, para piorar, no dia que a Jamie Mcguire vem ao Rio meu siso me deixa com a cara deformada e eu não pude conhecê-la! Mas essa coluna não é para desanimar ninguém, então claro que tiveram coisas boas em 2013:

. Comecei um novo relacionamento no qual estou muito feliz (#inlove)
. Fui para Atlanta em maio e comprei mais do que devia (#endividada)
. Li até o momento 131 livros (#viciada)
. Apresentei 6 eventos literários (#orgulho)
. Consegui ir na academia uma vez por semana (#aindaépouco)
.Ainda não voltei para o manequim 42! Mas cheguei a usar 38! (#manequim40 e #fechaabocagordinha)

Ufa, foi isso! Mas em espírito natalino (sim, ainda sobrou um pouco!) eu desejo um Feliz Natal para vocês, que em 2014 venham muitos livros, muitos autores, enfim, tudo aquilo que amamos! Nos vemos ano que vem ;)

4 de dez de 2013

Nanda aprova: Emma Approved


Que título exibido hein? Hahahaha quem sou eu para aprovar ou não alguma coisa, bem que eu queria ter essa moral toda. Mas deixando o trocadilho de lado, Emma Approved recebeu o selo Nanda de qualidade em séries/webseries/filmes!

Emma Approved é uma webserie baseada no clássico Emma, da Jane Austen. Ela é dos criadores de The Lizzie Bennett Diaries e segue o mesmo formato da série queridinha e premiada (ganhar um Emmy é para poucos, né?!).

Sou bem suspeita para falar porque sou #fanzoca de As Patricinhas de Bervelly Hills  Emma! Ainda não parei para pensar nisso, mas acho que gosto até mais do que Orgulho e Preconceito (#fanzoca também!). A Emma é uma personagem superanimada, e que — mesmo às vezes não parecendo — se preocupa muito com os outros, mesmo no aspecto mais “matrimonial” da coisa toda. Uma fofa! Eu sei muito bem que ela não é das personagens preferidas da Jane Austen, já vi gente chamando de fútil e bobagens assim. Mas poxa, respeitar — e celebrar! — a personalidade alheia é bom viu?


Nossa Emma “moderna” é meio que uma lifestyle coach, dizer casamenteira acaba com o glamour do negócio não é mesmo? E sim, é um negócio. Emma Woodhouse tem sua própria empresa (financiada pelo pai, por que não?!) onde os clientes encontram suas almas gêmeas, se casam e vivem felizes para sempre.

Bom, quem conhece a história do livro, sabe que a Emma da Jane é isso aí mesmo. Faz o impossível para poder juntar casais que segundo ela “nasceram um para o outro”.

Eu costumo curtir essas adaptações modernas baseadas em obras antigas. Sou apaixonada por O Cravo e a Rosa, 10 Things I Hate About que vieram de A Megera Domada do Shakespeare. Bridget Jones, From Prada to Nada (até isso!), e outras cositas más.

Então fica a dica, assistam Emma Approved! Os episódios de 5 minutinhos cada são colocados no ar nas segundas e quintas no canal da Pemberly Digital no YouTube (aquela mesma de The Lizzie Bennett Diaries.)

E se mesmo assim eu não conseguir te convencer, assistam a série para matar a saudades da Cher de As Patricinhas de Bervelly Hills. Sim, ela também é uma Emma versão moderna (1996).

A Cher também aprova

Xoxo

Nanda

3 de dez de 2013

Melhores do Ano: Fantasia

Oi, gente! Tudo bem? Como na semana passada a Ana Resende escreveu sobre Literatura Fantástica, resolvi pegar carona pra falar do melhor livro de fantasia do ano: Merlin – Os Anos Perdidos!

Neste livro, o primeiro de uma série de cinco, T.A. Barron compartilha com a gente seus profundos conhecimentos sobre a mitologia de Merlin e, mais do que isso, ele nos apresenta um novo ponto de vista sobre a história do mago: sua infância e juventude.  Entre tantas referências ao mago já adulto, é muito bacana constatar que conselheiro do Rei não nasceu velho e sábio. Não que alguém acredite nisso, mas você não concorda que é, no mínimo, fascinante e enriquecedor que possamos saber a história do maior mago da história, desde o início? Para quem gosta de fantasia com elementos mitológicos e cenários extraordinários Merlin - Os Anos Perdidos é um prato cheio!


Diferente de tudo o que já conhecemos sobre Merlin, neste primeiro livro somos apresentados ao menino Emrys e sua jornada de autoconhecimento até se tornar o lendário Mago. Com narrativa em primeira pessoa, acabamos descobrindo tudo junto com ele e acompanhando seu desenvolvimento pessoal e mágico, digamos assim. Enquanto vivenciamos com Emrys suas experiências na tentativa de reconstruir sua vida e descobrir quem é, de onde vem ou entender seus poderes conforme estes vão surgindo, também vamos conhecendo Fincayra, a terra à qual o jovem mago acredita pertencer. A descrição de cenários feita pelo autor é tão fascinante que você vai além da visualização do lugar, chegando ao encantamento! Mas muitas são as perguntas sem respostas, o que aumenta, para nossa sorte, as aventuras de Emrys em busca delas:

“— Então esse é o meu verdadeiro nome?
— Não necessariamente! Seu verdadeiro nome pode não ser seu nome de batismo.
— Emrys nunca caiu bem para mim. Mas como eu encontro meu verdadeiro nome?
— A vida vai encontrar para você.
— Não sei o que você quer dizer.
— Com sorte, você saberá no devido tempo.
— Bem, meu verdadeiro nome é um mistério, mas pelo
menos agora sei que sou de Fincayra.
— Você é e não é.
— Mas você disse que eu nasci aqui!
— Seu lugar de nascimento pode não ser o lugar ao qual pertence.” (pág,282)

Por falar em encantamento, é claro que desde já temos contato com a magia de Merlin. Podemos ver sua incompreensão às primeiras manifestações de seus poderes, a busca pelo conhecimento e pelo controle dessas novas habilidades. E, claro, tudo isso acompanhado de elementos nórdicos, criaturas malignas, deuses, mitos celtas e sabedoria milenar que podemos tirar proveito nos dias de hoje, como seus conflitos internos e externos de bem contra o mal.

“E acabei por entender, de uma forma como jamais antes, que os livros são realmente milagrosos. Até ousei sonhar que um dia, de algum modo, eu conseguiria me cercar de livros de muitas épocas e muitas línguas.” (pág.93)

Que Merlin guie você ao milagre dos livros em Os Anos Perdidos